Lembrando: regras da concordância nominal

14 06 2009

Anni Matsick, Stephannie watercolor

Stephanie, aquarela de Annie Matsick.

 

Cada vez mais se torna importante o uso do bom português.  Portas para trabalhos se abrem com maior facilidade, mesmo que em funções de menor responsabilidade.  Como a competição para qualquer posição é grande, não custa tentarmos aprimorar tanto a nossa língua falada quanto a escrita.  Com esse objetivo reproduzo aqui o artigo sobre concordância nominal do professor Thiago Godoy que o portal Terra postou para auxiliar aqueles que  prestam vestibular.  Mas as dicas são boas e importantes para qualquer um de nós.

 Assim como a concordância nominal, é fundamental que o vestibulando saiba concordar verbo e sujeito. Além de aparecer em questões da prova de Português, o conteúdo é importante para a redação.

 “Os verbos, via de regra, concordam com seu sujeito, independente de sua posição“, diz Thiago Godoy, professor de Gramática da Oficina do Estudante, de Campinas. E exemplifica: “O aluno mora em Campinas“, “Os alunos moram em Campinas“, “Mora o aluno em Campinas“, “Moram os alunos em Campinas“, “Em Campinas mora o aluno“, “Em Campinas moram os alunos“. Entretanto, diz Godoy, há casos que merecem destaque. Confira as dicas preparadas pelo professor:

 – Quando o sujeito é composto e o verbo vem anteposto a ele: “Com um sujeito com mais de um núcleo, ou seja, sujeito composto, o verbo anteposto (colocado antes do sujeito) pode assumir duas formas: Ou concorda com todos os núcleos (“Chegaram Jussara e Fabiana”), ou concorda apenas com o mais próximo (“Chegou Jussara e Fabiana”)”.

 – Quando o sujeito apresenta expressão partitiva: “Tanto pode concordar o verbo com o núcleo do sujeito ou com seu adjunto. Logo, o verbo pode permanecer no singular, ou ir para o plural (‘Um bando de assaltantes invadiu o banco’ ou ‘um bando de assaltantes invadiram o banco’). Existe uma pequena nuança de sentido aqui: se se mantém o verbo no singular, a ideia do grupo é reforçada, se se prefere a forma plural, ressaltamos cada indivíduo participante da ação”.

 – Quando o sujeito apresenta quantidade aproximada ou porcentagem: “O verbo concordará apenas com o substantivo da expressão: ‘Cerca de duzentas estudantes participaram da passeata’, ‘Menos de 10 pessoas assistiram à peça’, ‘Mais de um deputado votou na lei’. O mesmo vale para sujeitos expressos por porcentagem (‘99% do povo brasileiro é otimista’, ‘1% dos brasileiros são pessimistas’)”.

 – Sujeitos “que”/ “quem“: “Quando o sujeito for o pronome relativo ‘que’, o verbo concordará com seu antecedente (‘somos nós que estudamos Gramática, mas são eles que recebem boas notas’). Já quando o pronome sujeito é ‘quem’, há duas possibilidades, o verbo concorda com o antecedente ou com o pronome (‘São os homens quem devem oferecer-se a pagar o jantar, mas são as mulheres quem deve recusar a oferta’)”.

 – Quando o sujeito apresenta a estrutura “um dos que“: “Geralmente, na oralidade titubeamos na concordância verbal desta expressão. Mas não há motivos para dúvida. Imagine que na história das Copas do Mundo houve vários goleadores. Ronaldo foi um dos vários goleadores das Copas. Ronaldo foi um daqueles que mais marcaram gols nas Copas do Mundo. Portanto, ‘Ronaldo foi um dos que mais marcaram gols’. Ou seja, tendo em vista a dica anterior, o verbo estará sempre no plural nesta expressão, dado que concorda com o antecedente do pronome relativo ‘que’: Um dos que…”

FONTE: Terra





Imagem de leitura: Alexey Mozhaev

13 06 2009

A Mozhaev (Russia)  Menina com tranças, 1961,ost,67x49 Escola de Leningrado

Menina com tranças, 1961

Alexey Mozhaev ( Rússia, 1918-1994)

Óleo sobre tela,  67 x 49 cm

 

Alexey Vasilievich Mozhaev (1918-1994)   Nasceu em 5 de outubro de 1918 num vilarejo próximo a Saratov às margens do Volga.  Formou-se em 1946 pelo Instituto Ilya Repin, tendo estudado sob a direção de Boris Ioganson.    Foi aluno de Isaak Brodsky, Alexander Lubinov e Genrikh Pavlovsky.  Participou de exposições a partir de 1936.  Especializou-se em retratos, paisagens e pintura de gênero.  Houve duas grandes exposições de seu trabalho em São Petersburgo (antiga Leningrado) em 1985 e 1989.





As letras, poema de Fagundes Varela

12 06 2009

arvore romance donald margarida

Romance de Margarida e Donald, ilustração de Walt Disney.

 

AS LETRAS

                                       Fagundes Varella

Na tênue casca de verde arbusto

            Gravei teu nome, depois parti;

Foram-se os anos, foram-se os meses,

            Foram-se os dias, acho-me aqui.

Mas ai!  o arbusto se fez tão alto,

            Teu nome erguendo, que mais não vi!

E nessas letras que aos céus subiam,

            — Meus belos sonhos de amor perdi.

Fagundes Varella 

Luiz Nicolau Fagundes Varella, (RJ 1841 – RJ 1871) poeta; um dos patronos na Academia Brasileira de Letras.

Obras:

Noturnas – 1861

Ruínas da Glória, 1861

Pendão Auri-verde – poemas patrióticos, acerca da Questão Christie.

Vozes da América – 1864

Cantos e Fantasias – 1865

Cantos Meridionais – 1869

Cantos do Ermo e da Cidade – 1869

Anchieta ou O Evangelho nas Selvas – 1875 (publicação póstuma)

Cantos Religiosos – 1878 (publicação póstuma)

Diário de Lázaro – 1880 (publicação póstuma)





12 de junho, Dia dos Namorados!

12 06 2009

amor 10





No RJ, talvez a mais bela biblioteca no mundo!

12 06 2009

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Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro.

 

Seria redundante dizer que gosto de bibliotecas, e não me encabulo de visitá-las quando viajo pelo mundo.  Bibliotecas assim como igrejas, museus e palácios podem dizer muito a respeito do lugar em que estamos.

Tenho, é verdade, uma outra razão para gostar de bibliotecas:  foi na Biblioteca do Congresso em Washington DC que conheci meu marido.  Assim, sempre olho com carinho para esses salões de leitura.

Qual não foi a minha surpresa, e orgulho também,  ao  descobrir que o Real Gabinete Português de Leitura, aqui no centro da minha cidade natal,  está entre as bibliotecas selecionadas pelo blog Curious Expeditions como uma das mais belas bibliotecas do mundo, se não a mais bela, de acordo com o texto.  O blog selecionou as mais belas bibliotecas e mostrou  uma senhora coleção de fotografias desses lugares espalhados pelo mundo.  Julgando pelas imagens que vi, teria sido realmente difícil dizer qual a mais sedutora…  mas eles elegeram a biblioteca situada no Centro Antigo da cidade do Rio de Janeiro: Real Gabinete Português de Leitura — a maior biblioteca de autores portugueses fora de Portugal.

Convido a todos vocês que gostam de livros e de bibliotecas para darem um pulinho neste endereço sedutor:  Curious Expeditions

NOTA:  é irônico que os portugueses, que por três séculos proibiram a imprensa e bibliotecas no Brasil,  enquanto dispunham de grandes e belos exemplos em casa, são os autores justamente desse exemplo de biblioteca, no Rio de Janeiro, que ainda foi considerada mais bonita do que as existentes em Portugal!   Aliás, Portugal aparece na lista com muito mais do que o Real Gabinete Português de Leitura, pois  sabiam, e provavelmente ainda sabem, construir belas bibliotecas.  Uma das mais belas bibliotecas que já visitei foi a da Universidade de Coimbra.  Mas quase tudo em Coimbra, nos anos que morei lá, teve um toque de mágica.  É um lugar encantador!

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SERVIÇO:

REAL GABINETE PORTUGUÊS DE LEITURA
Rua Luís de Camões, 30 
Centro
Rio de Janeiro – RJ – CEP: 20051-020
Telefone: (+ 55 21) 2221-3138
Tel/Fax:   (+ 55 21) 2221-2960
Horário de funcionamento: de segunda a sexta-feira, das 9 às 18 horas.




Papel, Kindle, Audio ou Iphone, qual melhor?

12 06 2009

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Da mesma maneira que discos de cera, de plástico, longplays e cassetes desapareceram em função dos CDs e MP3, estamos no processo de dizer adeus aos meios tradicionais de conhecermos um romance ou autor.  Ann Kirschner é a autora de um interessante artigo, Lendo Dickens de 4 maneiras diferentes [Reading Dickens Four Ways: how ‘Little Dorrit’ fares in multiple text formats] na revista americana The Chronicle of Higher Education.  Nele ela compara quatro diferentes maneiras de acessar livros.   Quatro meios com os quais podemos nos familiarizar com os textos encontrados nas páginas de um romance.  Usando como teste o livro de Charles Dickens,  A Pequena Dorrit, lido pelos quatro processos — livro de capa mole, Kindle, livro em áudio e iPhone — mas revezando de um método para o outro, ao longo do texto, ela faz interessantes observações sobre a viabilidade e portabilidade dos métodos e chega a uma conclusão inesperada.  Se você está pensando que a revolução a caminho foi criada pelo Kindle…  Engana-se.  Ela se surpreendeu e também nos surpreendeu com a descoberta de que a grande competição para o livro texto, com páginas entre duas capas espessas, a competição para o livro de papel, para a leitura como a entendemos hoje, vem do iPhone.  Para Ann Kirschner a portabilidade, facilidade de gerenciamento do texto e de leitura e principalmente porque ela podia estar junto do texto a qualquer momento, sem precisar de nenhum aparato ou peso maior do que carregava todos os dias, falaram mais alto do que qualquer outra característica.  Apesar de no Brasil algumas destas formas de leitura ainda não estarem bem divulgadas,  a opinião de quem experimentou deve nos alertar e evitar que gastemos dinheiro extra em geringonças eletrônicas que talvez provem não ser tão maravilhosas quanto o antecipado.

 

Fonte:  The Chronicle of Higher Education





Boas maneiras XVI

12 06 2009

falar alto

Não fale alto na rua… não!

Mostre que tem educação!





11 de junho, Dia da Marinha

11 06 2009

cisne branco

Navio Veleiro Cisne Branco.

 

Aproveito o Dia da Marinha — 11 de Junho, dia da Batalha de Riachuelo — para colocar aqui neste blog a letra de um dos mais belos hinos brasileiros.   Não há ocasião melhor para nos lembrarmos desta bela combinação de letra e música.

 

Cisne Branco  —    (Hino da Marinha de Guerra do Brasil)

 

Letra: Antonino M. do Espírito Santo

Música: Benedito X. de Macedo

 

 

Qual cisne branco que em noite de lua

Vai deslizando no lago azul

O meu navio também flutua

Nos verdes mares de norte a sul

 

Linda galera que em noite apagada

Vai navegando no mar imenso

Nos traz saudades da terra amada

Da Pátria minha em que tanto penso

 

Quanta alegria nos traz a volta

À nossa pátria do coração

Estava cumprida a nossa derrota

Temos cumprido nossa missão

 

Linda galera que em noite apagada

Vai navegando no mar imenso

Nos traz saudades da terra amada

Da Pátria minha em que tanto penso

 

Qual linda garça

Que aí vai cruzando os ares

Vai navegando sob um belo céu de anil

Minha galera também vai cortando os mares

Os verdes mares, os mares verdes do Brasil

 

Quanta alegria nos traz a volta

À nossa pátria do coração

Estava cumprida a nossa derrota

Temos cumprido nossa missão

 

Linda galera que em noite apagada

Vai navegando no mar imenso

Nos traz saudades da terra amada

Da Pátria minha em que tanto penso.





11 de junho: Batalha Naval de Riachuelo

11 06 2009

Batalha_riachuelo_victor_meirelles, Museu Histórico Nacional

 

Batalha do Riachuelo,  1872

Victor Meirelles ( SC, 1832- RJ, 1903)

Óleo sobre tela – Monumental: 400 cm x 800 cm

Museu Histórico Nacional,  Rio de Janeiro

 

—–

 

Batalha do Riachuelo, travou-se a 11 de Junho de 1865 às margens do rio Riachuelo, um afluente do rio Paraguai, na província de Corrientes, na Argentina.  Considerada pelos historiadores militares como uma das mais importantes batalhas da Guerra do Paraguai (1864-1865).

Victor Meirelles; ou Victor Meireles; ou Vitor Meirelles, ou ainda Vitor Meireles

 

Victor Meirelles de Lima (Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis SC 1832 – Rio de Janeiro RJ 1903). Pintor, desenhista, professor. Inicia seus estudos artísticos por volta de 1838, com o engenheiro argentino Marciano Moreno. No ano de 1847, muda-se para o Rio de Janeiro e se matricula na Academia Imperial de Belas Artes –  onde, em 1849, inicia o curso de pintura histórica. Em 1852 ganha o prêmio de viagem ao exterior e no ano seguinte segue para a Itália.  Em Roma freqüenta, em 1854, as aulas de Tommaso Minardi (1787 – 1871) e, posteriormente de Nicola Consoni (1814 – 1884), com quem realiza uma série de estudos com modelo vivo. Com a prorrogação da pensão que lhe fora concedida continua sua formação estudando em Paris onde, em 1857, matricula-se na École Superiéure des Beaux-Arts [Escola Superior de Belas Artes], freqüentando as aulas de Leon Cogniet (1794-1880) e, em seguida, recebendo orientações de seu discípulo Andrea Gastaldi (1810-1889). Durante o período em que permanece no exterior corresponde-se com Porto Alegre (1806 – 1879). Retorna ao Brasil em 1861 e, um ano depois, é nomeado professor de pintura histórica da Aiba. Entre os anos de 1869 e 1872 executa duas grandes telas, Passagem do Humaitá e Batalha de Riachuelo. Em 1879 participa da Exposição Geral de Belas Artes, expondo a Batalha dos Guararapes ao lado da Batalha do Avaí de Pedro Américo (1843 – 1905). A apresentação das duas obras gera grande polêmica e um intenso debate no meio artístico. A partir de 1886 passa a se dedicar à execução de panoramas. Entre eles destacam-se: o Panorama Circular da Cidade do Rio de Janeiro, feito na Bélgica, juntamente com Henri Langerock (1830 – 1915) e Entrada da Esquadra Legal no Porto do Rio de Janeiro em 1894, produzida nesse mesmo ano.





Depois dos équidnas, vejamos o ornitorrinco (platipus)…

11 06 2009

platypus8Desenho ilustrativo de um ornitorrinco.

 

Não há nada igual. Quando exemplares do ornitorrinco (Ornithorhynchus anatinus), também chamado por alguns de platipus,  foram enviados da Austrália para a Inglaterra, em 1798, causaram tamanho espanto que os cientistas britânicos consideraram se tratar de uma farsa.   Não é para menos, pois o estranho animal desfila uma lista de características inusitadas. Para começar, é um mamífero que põe ovos. Apesar de pôr ovos em vez de dar à luz filhotes vivos, o ornitorrinco é um mamífero. A fêmea alimenta os filhotes com seu leite, como os outros mamíferos, mas há uma diferença importante em relação aos mamíferos placentários: as fêmeas deste animal não têm mamilos e suas crias sugam o leite materno através dos poros existentes em meio a pelagem da barriga.

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Austrália e Ilha da Tasmânia, onde podemos encotrar os ornitorrincos.

Este curioso animal combina um couro espesso e macio que cobre todo o seu corpo protegendo-o debaixo de águas geladas.   Seu bico não é ósseo, mas coberto por uma membrana sensível.  Além disso tem um sistema sensorial usado para buscar alimentos na água.  O bico fica onde na maioria dos outros mamíferos estão o nariz e os beiços.  Com este bico o ornitorrinco, que é carnívoro, apanha no fundo dos riachos, moluscos, vermes de girinos, crustáceos, peixinhos e alguns insetos aquáticos, que são seu principal alimento. Ele usa o bico como uma ferramenta para procurar na lama sua comida. As placas córneas das maxilas são usadas para mastigar e como no pato, eles não têm dentes. Mas quando as crias dos ornitorrincos estão dentro de um ovo, possuem um dente na ponta do bico chamado dente do ovo. Com ele podem perfurar a casca do ovo. Pouco tempo depois do nascimento este dente cai.

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Seus pés, tanto os dianteiros como os traseiros têm garras. A fêmea usa as garras para cavar, na margem de um rio ou outro curso de água, um longo túnel – que às vezes chega a 1,80 m de comprimento, onde constrói o ninho. Põe de um a três ovos, de dois a 2,5 cm de comprimento. Os ovos são moles, de casca coriácea, como os das cobras e tartarugas. Quando os ovos se abrem, a fêmea usa a cauda para manter os filhotes junto ao seu corpo e, então, amamentá-los. Ela amamenta os filhotes durante quatro meses.  Neste período eles crescem bastante.  Nascem com menos de 2,5 cm e chegam a 30 cm de comprimento antes de serem desmamados. Os filhotes não têm pêlos quando nascem e permanecem no ninho durante vários meses.

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O ornitorrinco macho tem uma garra oca, ou esporão, em cada pata posterior. Os esporões são ligados a glândulas de veneno, que disparam para afugentar predadores ou competidores. O ornitorrinco arranha e envenena seus inimigos com esses esporões.

Membranas crescem entre os dedos das quatro patas do ornitorrinco. As membranas das patas dianteiras crescem muito além dos dedos, como espessas abas de pele. Os pés palmados e a cauda fazem do ornitorrinco um bom nadador e mergulhador, capaz de ficar debaixo da água por cinco minutos. Dentro da água seus olhos e ouvidos se fecham.  Quando necessita usar as garras dianteiras para cavar, o ornitorrinco dobra para trás as abas da membrana, para deixar os dedos mais livres.   Um animal adulto chega a ter 60 cm de comprimento, incluindo a cauda de cerca de 15 cm. A cauda, em forma de remo, ajuda o animal a nadar.

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Tudo isso tem aguçado, desde o século XVIII, o interesse da ciência por este  representante da ordem dos monotrematas. Estudos sobre o genoma do ornitorrinco, o estranho animal com pele, pêlos, bico de pato, rabo de castor e patas com membranas, apontaram que o animal é, ao mesmo tempo, um réptil, um pássaro e um mamífero. Agora, um grupo internacional acaba de dar a mais valiosa contribuição ao conhecimento do ornitorrinco, com o seqüenciamento de seu genoma.

Publicada na edição de 8 de maio da revista Nature, a análise revela que as características únicas do animal não se resumem ao seu exterior, mas são também destacadas geneticamente. A seqüência foi comparada com as do homem, camundongo, cão, gambá, frango e lagarto.

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Os pesquisadores descobriram que o genoma do ornitorrinco tem aproximadamente o mesmo número de genes que codificam proteínas que o genoma dos demais mamíferos – cerca de 18,5 mil. Ele também compartilha mais de 80% de seus genes com outros mamíferos cujos genomas foram seqüenciados.

Bico de pato à parte, os cientistas verificaram no genoma do animal, além de detalhes de mamíferos, características comuns aos répteis. A principal foi a presença de genes associados à fertilização de ovos. Outra é a presença de poucos receptores olfativos, diferente dos demais mamíferos.

O grupo também descobriu que o veneno produzido pelo animal deriva de duplicações em determinados genes durante a evolução, que foram herdados de ancestrais répteis.

À primeira vista, o ornitorrinco aparenta ser resultado de um acidente evolucionário. Mas, independentemente de sua aparência estranha, a seqüência de seu genoma é muito valiosa para compreender como os processos biológicos fundamentais dos mamíferos evoluíram. Comparações de seu genoma com os de outros mamíferos levarão a novas descobertas a respeito da história, estrutura e funcionamento do nosso próprio genoma“, disse Francis Collins, diretor do Instituto Nacional de Pesquisa do Genoma Humano, nos Estados Unidos, que financiou parte do estudo.

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Com o seqüenciamento, poderemos identificar quais genes foram conservados, quais foram perdidos e quais se transformaram durante a evolução dos mamíferos“, disse Richard Wilson, da Escola de Medicina da Universidade Washington, um dos autores da pesquisa.

 

O artigo Genome analysis of the platypus reveals unique signatures of evolution, de Wesley Warren e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com  Este artigo foi baseado em grande parte na tradução do artigo da revista Nature divulgada pela agência da FAPESP.

Platypus_by_Lewin

Desenho de Lewin.

NOME CIENTÍFICO: Ornithorhynchus anatinus

NOME EM INGLÊS: Duck-Billed Platypus – The platypus

FILO: Chordata

CLASSE: Mammalia

ORDEM: Monotremata

FAMILIA: Ornithorhynchidae

CARACTERÍRSTICAS:

Comprimento do macho: 40cm, mais 13 cm de cauda.

Esporões nas patas traseiras.

Período de incubação: 10 dias

Ovos: 2 ou 3 de cada vez

Maturidade: 1 ano

Tempo de Vida: 15 anos

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