O poder econômico de um prêmio literário

27 11 2008

 

 

Quando via um grande prêmio de literatura como o Man Booker Prize ser dado a alguém sempre ficava com pena dos escritores que são mencionados como finalistas, mas que não tiveram suas obras agraciadas.  Menciono o Man reading-hammockBooker porque eles anunciam com antecedência os escritores finalistas, e então sabemos quem perdeu.  Hoje, voltando à página deste prêmio, procurando por uma referência sobre um autor inglês, encontrei uma resposta de A. S. Byatt, vencedora do Man Booker em 1990 com o livro Possessão, Companhia das Letras: 1992, São Paulo, dizendo que ela finalmente iria ter dinheiro suficiente para construir seu sonho de longa data: uma piscina na sua residência na França (Provence).

 

Diversas coisas passaram pela minha cabeça.  Primeiro fiquei desapontada.  E me perguntei por quê?  Por que desapontada? Estaria eu esperando uma resposta do tipo  finalista a Miss Universo?  Quero acabar com a fome no mundo!  Não, eu mesma afastei aquele pensamento, rapidinho.   Depois veio aquele sentimento: acho que não gosto dessa pessoa, deve ser muito voltada para si mesma: do time do eu, eu, eu.  Até procurei me lembrar se havia gostado mesmo daquele livro de sua autoria, Possessão Só me lembro que havia uma correspondência maravilhosa.  Esse foi o tempo de muitos livros epistolares no meu horizonte!

 

Depois de alguns momentos de reflexão fui à cata de prêmios e de valores.  E num instante aprendi a não me sentir mal pelos autores que não ganharam o maior prêmio, porque funciona como se eles estivessem concorrendo ao reading-woman-with-parasol-in-redprêmio de Miss Brasil: onde a primeira colocada leva tudo, mas a segunda concorre para Miss Mundo, a terceira para um outro prêmio, ou vice-versa, e ainda tem o prêmio Miss Simpatia, Miss Fotogênica, etc.  Bem com os autores finalistas do Booker, há também mais; além do fato de para sempre serem mencionados como: finalista do Man Booker Prize.   

 

Pegando carona no próprio portal do Man Booker, vi que  dos 13 livros da longa lista de finalistas deste ano, 11 tiveram um aumento significativo de vendas na semana seguinte à publicação da lista.  O livro de Salman Rushdie,  The Enchantress of Florence  [No Brasil – A Feiticeira de Florença, Cia das Letras: 2008, SP] continuava onde já estava, na liderança de vendas em 7/8/2008, mas teve um aumento de 56.5%  nas vendas do momento em que seu nome foi mencionado entre os 13 finalistas.  O livro de Linda Grant, The Clothes on Their Backs [ sem publicação no Brasil] teve proporcionalmente o maior aumento nas vendas dos finalistas.  Havia até então vendido simplesmente 13 volumes na semana anterior, terminada em 26/7/2008.  Na semana seguinte à inclusão do livro entre os finalistas do Booker, este livro vendeu 144 volumes.

 

Outro aumento de vendas ocorreu com o livro de Tom Rob Smith,  Child 44 [No Brasil – Criança 44, Record: 2008, Rio de Janeiro] , aparentemente uma escolha que causou alguma controvérsia entre o público e aumentou as vendas deste livro de suspense por 250% ; isto para um livro que já havia vendido 8.000 volumes antes de ser nomeado para a longa lista de finalistas.   

 

Não tenho os números para a vendagem dos títulos depois que a pequena lista de 6 finalistas foi anunciada.  Havia este ano dois escritores estreantes Steve Toltz e Aravind Adiga.  Este, o autor de  The White Tiger [No Brasil —  O tigre branco, Nova Fronteira: 2008, Rio de Janeiro]  que ganhou o prêmio, os £50.000 do primeiro lugar e mais os £2.500 que cada um dos 6 finalistas receberam.  

 

Com orgulho, como deve ser feito, os administradores do Man Booker Prize mostram como este prêmio auxilia o reconhecimento do autor e de sua obra. nobu_lisant_409 Eles citam que Anne Enright, (vencedora em 2007) com o livro The Gathering, [No Brasil – O Encontro, Alfaguara Brasil: 2008, RJ] fez uma tour mundial para lançamento de seu livro.  O mesmo aconteceu com Kiran Desai, (vencedor em 2006) com o livro The Inheritance of Loss [No Brasil – O Legado da Perda, Alfaguara Brasil: 2007, RJ].  Em 2005,  o livro vencedor de John Banville,  The Sea  [No Brasil — O Mar, Nova Fronteira:2007, RJ] vendeu 250.000 volumes depois do prêmio e as vendas, de acordo com seu editor,  aumentaram dramaticamente para os antigos títulos do autor.  Em 2004 o livro The Line of Beauty, de Alan Hollinghurst [no Brasil – A linha da beleza, Nova Fronteira: 2005, RJ] vencedor do maior prêmio chegou às listas dos mais vendidos, o mesmo acontecendo com os vencedores de 2002, Life of Pi de Yann Martel [ No Brasil, A vida de Pi, Rocco:2004, RJ] e o de 2003, Vernon God Little de DBC Pierre [No Brasil – Vernon God Little, Record: 2004, RJ].

 

Procurei e não consegui este tipo de informação sobre vendas no Brasil depois que um livro ganha um prêmio respeitável.  Informação no Brasil, principalmente levando em conta vendas editoriaís, são segredos guardados a sete chaves.  Falta muito para termos o acesso a informação generalizada que acontece principalmente nos países de língua inglesa.  Mas duvido que as vendas dos nossos escritores aumentem significativamente depois que eles se descobrem vencedores de prêmios.  Primeiro, que não conseguimos ainda determinar qual é o prêmio mais importante no Brasil.  Há correntes a favor deste ou daquele.  E depois, quem é aqui no Brasil, uma pessoa comum, letrada, lida, que você ouve dizer:  leia Fulano de Tal, porque ele foi um dos finalistas do Prêmio X, e esses escritores são sempre muito bons?  Esse prêmio tem sempre em mente, não só o valor literário mas também o pulso do gosto do publico leitor? Você conhece alguém que diga isso a respeito do Prêmio Jabuti, Prêmio Portugal Telecom, Prêmio São Paulo de Literatura?  Eu não conheço…  Será um problema de marketing?  Por que eles não estão chegando às pessoas que eu conheço que lêem de 40 a 60 livros por anos?  Fica aqui a minha pergunta. 

 

Ah, sim, e para terminar, se um dia eu ganhar um prêmio assim, vocês não precisam se preocupar: ele não vai para uma piscina na França.  Garanto que não haverá evasão de divisas.  Consigo usar satisfatoriamente o dinheiro por aqui mesmo, onde moro… 





Imagem de leitura — Frank Weston Benson

26 11 2008

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O Para-sol Amarelo [Leitora], 1910

Frank Weston Benson (EUA, 1862-1951)

óleo sobre tela, 64 x 76 cm

Coleção Particular

Frank Weston Benson (EUA 1862 – 1951) foi um pintor estadunidense impressionista.  Nasceu em Salem, Massachusetts. Em 1879, aos 17 anos, começou a estudar na escola do Museu de Belas Artes em Boston sob a tutela de  Otto Grundmann.  Mais tarde foi para a Academia Julian em Paris.  Quando voltou para os EUA ensinou na escola onde começara seus estudos, no Museu de Belas Artes de Boston.   Excelente pintor, caracterizado pela bela reprodução de luz.  Ele também se dedicou à pintura e gravura onde um tema favorito eram os pássaros selvagens.  





Poetas difíceis: um mito, palavras de Teresa Guedes

26 11 2008

 

aulas

Como grande parte dos leitores deste blog são pessoas ligadas ao ensino fundamental e médio, no Brasil, ou são pais, ou adultos interessados em temas educacionais e culturais, hoje transcrevo um trecho sobre o ensino da língua portuguesa através da poesia.  O texto é de Teresa Guedes, que encontrei por acaso na internet e achei bastante relevante para o que este espaço tem aos poucos se tornado: ponto de assistência aqueles que gostariam de ilustrar suas aulas com material além daquele encontrado nos livros didáticos.

 

Teresa Guedes escreveu muitos livros.  Sua preocupação foi por muito tempo reconciliar o ensino da língua com uma apreciação da poesia.   Pelas notas que mais tarde vim a ler publicadas como explanação do livro da autora: Poetas difíceis: um mito, Editorial Caminho: 2002, Lisboa, série Caminho da Educação, n° 10: 2002, [ISBN: 972-21-1508-1] temos uma boa idéia sobre a maneira de ensino advogado por ela.  Copio aqui as informações e os exemplos, pois os achei interessantes, e nos ajudam a perder aquele medo que às vezes temos de sair de um projeto já traçado e conhecido para um rumo diferente, que talvez até possa trazer maiores benefícios.   

 

 

Das obras da autora, que têm subjacente a temática da Poesia, será de referir que esta se diferencia pelo fato de incidir nos receios e rejeições de educadores em relação a poetas específicos, rotulados de inacessíveis para os alunos.

 

      É necessário que os professores deixem de catalogar os poetas e os poemas como «fáceis» ou «difíceis», e reconheçam em vez disso, que há tarefas simples ou complicadas a partir de um poema. Um autor pode apresentar vários poemas que oscilem entre a complexidade e a simplicidade.

 

      Optou-se por uma metodologia que agrupou vários poemas do mesmo autor, para que fossem visíveis esses cambiantes. Recorreu-se, por um lado, a uma simplificação de atividades quando existiam poemas mais densos e, por outro, a uma organização de tarefas mais elaboradas, para poemas mais transparentes. Desvanece-se, assim, a idéia de que há poesia específica para os mais novos.

 

      Raramente os jovens tomam a iniciativa de procurar livros de Poesia. Daí que a escola tenha responsabilidade em proporcionar uma significativa amostragem de poetas. Isto não quer dizer que educadores e alunos tenham de aderir a todos eles incondicionalmente, mas podem sim, através de muitos poetas, refletir sobre si próprios e sobre a singularidade e universalidade da Poesia.

 

 

 

 

 

Maria Teresa Fernandes Costa Guedes (1957- 2007) licenciada em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras do Porto; foi professora efetiva do 2º ciclo do ensino básico em escolas públicas de Vila Nova de Gaia, onde vivia, e dedicou-se à dinamização de oficinas de escrita criativa, para docentes e alunos. Desde a sua estréia em livro, publicou três títulos de poesia para jovens (Em Branco, 2002; Real… mente, 2005; e Tu Escolhes, 2007) e diversas obras de incentivo à escrita de intenção literária em contexto educativo. Escrevia, versos, contos, crônicas.





Girafa — Poesia infantil de Leonel Neves

24 11 2008

girafa1

 

 

GIRAFA  

 

Leonel Neves

 

 

Tenho pena da girafa

de pescoço grandalhão:

– Como é que a pobre se abafa,

tendo uma constipação?

 

Coitadinha da Girafa!

 

Quando eu me constipo, posso

arranjar um cachecol.

Mas com aquele pescoço…

Safa!

Pobre da Girafa!

– Vou oferecer-lhe um lençol.

 

 

 

Em: Bichos de trazer para casa: poemas para crianças, Livros Horizonte: 1981, 3ª ed.

 

Carlos Duarte Leonel Neves nasceu em Faro, Portugal, em 1921. Publicou o seu primeiro livro de poesia Janela Aberta, em 1940, mas é somente a partir de 1975 que escreve para crianças.

 





Brasil que lê: foto tirada em lugar público

24 11 2008

dsc05170No Metrô do Rio de Janeiro: até em pé se lê!!!





Os melhores filmes para mulheres de Oprah

24 11 2008

 

Walt Disney

Ilustração: Walt Disney

 

A revista Oprah selecionou o que acredita serem os melhores 20 filmes para mulheres.  Aqui está a lista dos 10 primeiros filmes.  Diga-me se você concorda

 

 

1 – Marocco (1930)  No Brasil: Marrocos

 

Amy Jolly (Marlene Dietrich) é uma cantora de boate que ruma de navio para o Marrocos. Durante a viagem ela conhece o rico e sofisticado Monsieur La Bessiere (Adolphe Menjou), que lhe oferece “ajuda” neste país estranho. Logo que chegam ao Marrocos Amy arruma trabalho como cantora em um café, onde se mistura à elite com oficiais e soldados da Legião Estrangeira da França. Marlene Dietrich seduz homens e mulheres com sua apresentação na boate Mogador.  E também quando se deixa levar pela paixão pelo legionário estrangeiro representado por Gary Cooper.  Direção:  Josef von Sternberg, com Gary Cooper, Marlene Dietrich, Adolphe Menjou

 

 

2 —  Camille (1936)  No Brasil: A dama das camélias

 

Inspirado em história de Alexandre Dumas Filho  foi sucesso numa adaptação teatral. Greta Garbo é a escolha ideal para a cortesã mais famosa do mundo, uma mulher arrebatadora, que sacrifica tudo por amor.  Este filme deu à Greta Garbo indicação ao Oscar de Atriz e prêmio de Melhor Atriz pelos Críticos de Nova York. Direção: George Cukor, com Greta Garbo, Robert Taylor, Lionel Barrymore, Elizabeth Allan.

 

 

3 – Notorious (1946) No Brasil: Interlúdio

 

Alfred Hitchcock dirige Ingrid Bergman nesta história passada no Rio de Janeiro:  Ingrid Bergman e Cary Grant,  representam o casal impossibilitado de se apaixonar.  Ela é filha de um espião alemão preso pelo governo dos EUA e, para evitar a morte do pai, é obrigada a ajudar o governo americano a prender inimigos mais importantes. Ele é um agente do governo que vai comandar a operação, monitorando para que tudo saia nos mais perfeitos moldes planejados.  Direção: Alfred Hitchcock, com Cary Grant,  Ingrid Bergman, Alicia Huberman, Claude Rains.

 

 

4 – The French Lieutenant’s Woman (1981)  No Brasil:  A mulher do tenente francês

 

Baseado no romance de John Fowles, com roteiro de Harold Pinter (indicado para o Oscar por este trabalho).  Retrata a história passada na Inglaterra vitoriana, quando um aristocrata decide deixar a noiva de família nobre  para ficar com uma jovem discriminada pela sociedade. No presente, a mesma história é interpretada no cinema por dois atores que vivem um romance proibido fora das telas. Indicado para seis categorias do Oscar, incluindo melhor filme e atriz (a terceira indicação de Meryl Streep).  Direção: Karel Reisz, com Meryl Streep, Jeremy Irons, Hilton McRae, Emily Morgan.

 

 

5 – The English Patient (1996)  No Brasil:  O Paciente inglês

 

Baseado no romance de Michael Ondaatje com o mesmo título.  Durante a Segunda Guerra Mundial, uma enfermeira cuida de um homem vitimado por terríveis queimaduras. Em seu leito de morte, ele relembra seu passado e um tórrido romance que teve com uma mulher casada. Direção de Anthony Minghella, com Ralph Fiennes, Kristin Scott Thomas, Juliette Binoche e Willem Dafoe.  Vencedor de 9 Oscars.

 

 

6 – The Women (1939)  No Brasil:  As mulheres

 

Comédia de costumes escrita por Clare Boothe Luce.  A ação se passa nos glamorosos apartamentos da alta sociedade de Manhattan.  O filme mostra um enfoque ácido das vidas de esposas ricas e poderosas.  Durante todo o filme não aparece um único homem, embora sejam muitos citados, e o tema central seja os relacionamentos das mulheres com eles. Este detalhe foi de tamanha importância, que mesmo nos quadros dos cenários ou nos porta-retratos somente figuras femininas estão representadas – até mesmo os diversos animais de estimação que apareceram eram fêmeas. A única exceção é um pôster de um touro. Filmado em preto e branco, na abertura apresenta um desfile de modas filmado em technicolor.  Direção de George Cuckor, com Norma Shearer, Joan Crawford, Rosalind Russell, Mary Boland, Paulette Goddard.

 

 

7 – Julia (1977)  No Brasil: Júlia

 

Baseado nas memórias da escritora Lillian Hellman.  Duas amigas de infância têm seus destinos completamente mudados com a vinda da Segunda Guerra Mundial e com a ascensão do nazismo. Julia, que vive na Europa, pede para sua amiga Lillian, que se tornara uma escritora famosa, que contrabandeie dinheiro para as vítimas do nazismo.  Direção de Fred Zinnemann, com Jane Fonda e Vanessa Redgrave, Jason Robards, Maximillian Schell.  Vanessa Redgrave e Jason Robards ganharam, cada qual, o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante.

 

 

8 – Desperate Seeking Susan (1985) No Brasil: Procura-se Susan desesperadamente

 

Roberta uma dona de casa entediada de Nova Jersey, ocupa seus dias lendo os classificados pessoais e acompanhando pelo jornal um romance entre “Jim” e “Susan”, uma misteriosa personagem que parece levar o tipo de vida liberada com a qual Roberta só pode sonhar. Até que um dia, ela aparece em um encontro do casal na cidade de Nova Iorque… E após uma pancada na cabeça, um ataque de amnésia transforma Roberta em Susan, e conduz a loucos caminhos de intriga, risos e romance.  Direção de Susan Seidelman, com Mark Blum, Rosanna Arquette, Aidan Quinn, Madonna.

 

 

 

9 – The thruth about cats and dogs (1996) No Brasil:  Feito cães e gatos

 

Uma veterinária trabalha como apresentadora em um programa de perguntas no rádio, onde fala sobre os cuidados que se deve ter com os animais de estimação e também responde dúvidas dos ouvintes. Bem-sucedida profissionalmente mas frustrada quanto à sua vida amorosa, é surpreendida quando um agradecido ouvinte  deseja retribuir pessoalmente os conselhos ditos de uma forma fina e bem-humorada.  Quando ele pergunta como ela é, com medo de ser rejeitada, ela descreve sua vizinha, uma desajeitada modelo,  mas alta, loura e vistosa. Sem intenção de aparecer neste encontro, acaba entrando em ação quando a situação foge de controle e se complica, tanto para ela como para sua amiga.  Direção de Michael Lehmann, com Jeneane Garofalo, Ben Chaplin, Uma Thurman, Jamie Foxx.

 

 

10 – Romy and Michelle’s high school reunion (1997) No Brasil: Romy e Michelle

 

Romy e Michele sofreram um bocado na escola nas mãos do coleguinhas. Uma década depois de se formarem, as amigas resolvem ir à festa de 10 anos aparentando ser aquilo que não são para não passarem maus bocados de novo. Direção de David Mirkin, com Mira Sorvino, Lisa Kudrow, Janeane Garofalo, Alan Cumming.

 

 

Hoje o blog Batata Transgênica traz também a lista dos melhores filmes de mulherzinha.  Dê uma checada lá. 





10 horas de sono e nada menos!

24 11 2008
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Ilustração Maurício de Sousa

 

No dia 19 de novembro a Medical News Today publicou um artigo sobre estudos feitos na Universidade de Montréal que indicam que entre as idade de 6 meses e seis anos, 90% das crianças têm problemas ao dormir.  Entre eles, os mais comuns são pesadelos, ranger de dentes e xixi na cama.  Para a maioria dessas crianças esses problemas são passageiros.  Mas 30 % dessas crianças tem dificuldades de dormir por mais de 6 horas consecutivas: ou porque elas não conseguem ficar sonolentas ou simplesmente porque não conseguem dormir por longos períodos.  

 

Apesar de já se saber que há efeitos comprovados entre a falta de horas de sono e dificuldade no aprendizado, não se havia associado a falta de sono ao sobrepeso nas crianças.  Mas os pesquisadores da Universidade de Montréal sob a direção de Jacques Montplaisir, diretor do Departamento de Psiquiatria e diretor do Centro de Desordens do Sono no Hospital Sacré-Coeur descobriram que 26% das crianças que dormem menos de 10 horas por noite entre as idades de 2,5 a 6 anos, estão com sobrepeso.

 

O relacionamento entre o sono e o peso poderia ser explicado pela mudança hormonal causada pela falta de sono.  Quando a gente dorme pouco, nosso estômago produz mais do hormônio que incentiva o apetite”, explica Montplaisir, “ e nós também produzimos menos do hormônio cuja função é reduzir a quantidade de comida que precisamos ingerir”.

 

O mais frustrante da pesquisa é que uma soneca de tarde, não compensa pela falta de sono.  Este mesmo estudo concluiu também que a falta de sono pode levar à hiperatividade.  Montplaisir explica que nos adultos a falta de sono à noite faz, no dia seguinte, a pessoa se sentir sonolenta.  Mas na criança acontece o oposto: cria uma excitação.  22% das crianças que dormiam menos do que 10 horas por noite na idade de 2,5 anos mostraram-se crianças hiperativas aos 6 anos.

 

Montplaisir sugere que esses problemas sejam tratados assim que aparecerem, para que não tragam problemas maiores quando essas crianças se tornarem adultos com desordens de sono.  

 

Lembrete:  10 horas de sono para crianças.

 

Para um dos artigos sobre o assunto em inglês, clique AQUI.





Evitando acidentes V

24 11 2008

 

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Lugar de remédio é guardado

Longe de criança, bem trancado.





Seis graus e as soluções alternativas

24 11 2008

solucao-alternativa

A primavera no Rio de Janeiro anda fria, enquanto o inverno, de inverno só teve mesmo o nome.  Mas, novembro está bem mais frio do que o normal.  Em Curitiba o tempo também anda estranho.  Por todo Brasil parece que as estações decidiram mudar de estilo e até de temperatura e região.  Hoje na última semana de novembro nevou na Austrália.  Nevou muito.  E a Austrália assim como o Brasil está a um mês de o que deveria ser um quente verão. 

 

Todas estas notícias me lembraram Mark Lynas, autor do livro Seis graus, [Jorge Zahar: 2008] que se você ainda não leu, deve fazê-lo o quanto antes.  À medida que o efeito de estufa aumenta ano após ano, os cientistas alertam: a temperatura global pode aumentar 6 ° Celsius ao longo do próximo século.  Isso causaria mudanças radicais no nosso planeta.   Seis graus é um livro alarmante, que modificará a maneira como você vê e faz as coisas no seu dia a dia.  Lyman tenta responder a perguntas que ocorrem a todos nós que pensamos sobre o meio ambiente, mas que não levamos os nossos estudos ao ponto que o autor leva:  o que irá acontecer, à medida que o mundo for aquecendo?  O que sucederá às nossas costas, às nossas cidades, às nossas florestas, aos nossos rios, aos nossos campos de cultivo e às nossas montanhas?

 

Mesmo que a emissão de gases que provocam o efeito de estufa parasse imediatamente, as concentrações que já estão na atmosfera provocariam uma subida global de 0,5 ou mesmo 1º C.

 

Mas e se a temperatura global aumentasse mais 1ºC?    Tudo indica que essas mudanças não seriam graduais. Os glaciares da Groenlândia e muitas das pequenas ilhas mais a sul desapareceriam.

 

Se a temperatura subisse 3º C, o Ártico deixaria de ter gelo no verão.  A floresta tropical da Amazônia secaria e condições atmosféricas extremas seriam uma norma.

 

Com uma subida de 4ºC, o nível dos oceanos aumentaria drasticamente. Seguido de mudanças climáticas desastrosas se a temperatura global subisse mais um grau: regiões que conhecemos som clima temperado seriam inabitáveis.

 

O sexto grau traz um cenário de juízo final, com oceanos devastados e  desertos  crescendo em área.

 

Lynas é um autor britânico, jornalista e ativista ambiental que se interessa pelas mudanças climáticas. É licenciado em História e Política pela Universidade de Edimburgo. Nasceu em 1973 e mora em Oxford, na Inglaterra. Ele foi o vencedor do principal prêmio para livros de ciência, da Royal Society de Londres.  sugere seis estratégias para conter o aquecimento global.

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Em julho deste ano a revista Época publicou uma entrevista com o autor, sob o título Deixe de voar de avião, que reproduzo em parte aqui onde sugere seis estratégias para conter o aquecimento global, que você, eu, qualquer um pode começar a fazer hoje.

 

 

 

O que acontecerá no Brasil se a temperatura subir em média 10° centígrados?

 

Lynas:  Uma coisa que já ocorreu foi o surgimento de ciclones extratropicais. O primeiro foi o furacão Catarina, que atingiu o sul do Brasil em 2004. Mas a principal questão para vocês é o futuro da Amazônia.  Se a temperatura subir 20°c, é provável que a floresta desapareça, destruindo o maior reservatório de biodiversidade do planeta.  Projeções sugerem que o centro do Brasil se tornará uma savana seca ou até um deserto, com temperaturas muito altas e pouca chuva. As conseqüências serão globais. A Amazônia funciona como uma bomba d’água gigante e influencia o clima de todo o planeta. Na eventualidade de um aquecimento extremo, o que é hoje o centro da bacia amazônica será engolido pelas águas do atlântico, assim como uma língua de terra que vai do sul do Brasil até o pantanal.

 

O que, qualquer pessoa deve fazer para combater as mudanças climáticas?

 

 Lynas: A primeira é deixar de voar nas férias, por causa da enorme contribuição da aviação civil aos gases do efeito estufa. Eu já deixei de fazer isso há dez anos. [Lymas investigou e constatou que nos últimos 13 anos os aviões dobraram a emissão de gases com efeito de estufa.]

A segunda medida é, em viagens de negócios, sempre que possível ir de trem ou de ônibus.

A terceira medida é abandonar o carro e andar ou usar o transporte público.

A quarta, nos países frios, é reduzir o aquecimento das casas.

A quinta atitude: só usar eletricidade produzida por fontes renováveis, como a hidrelétrica, a solar e a dos ventos.

A sexta e última medida é convencer os membros de sua comunidade a fazer o mesmo e eleger políticos que defendam essas políticas. É a medida mais importante de todas.

 

 

Seis graus é um relato de um possível futuro da nossa civilização se o atual ritmo do aquecimento global persistir.   Não é uma obra de ficção científica nem sensacionalista. Os seis graus do título referem-se à possibilidade assustadora de as temperaturas médias subirem cerca de seis graus nos próximos cem anos. Os contrastes ambientais serão desmedidos: haverá, por um lado, rios dez vezes maiores que o Amazonas, mas, por outro, mais de metade da população mundial sofrerá os efeitos da seca.

 

No entanto, apesar de uma visão quase apocalíptica, Lynas termina com a apresentação de diversas estratégias que permitem contornar o problema do aquecimento global. Com: 1) um pouco de antevisão 2) alguma estratégia e 3) sorte poderemos pelos menos deter o rumo catastrófico pelo qual nos temos deixado levar. Mas esta é a hora de agir.

 

Para um resumo em inglês:  THE GUARDIAN

 





Nariz, nariz, e nariz — Bocage, poesia

23 11 2008

 

cyrano-de-bergerac

 

Nariz, nariz, e nariz

                                                         Bocage

Nariz, nariz, e nariz,
Nariz, que nunca se acaba;
Nariz, que se ele desaba,
Fará o mundo infeliz;
Nariz, que Newton não quis
Descrever-lhe a diagonal;
Nariz de massa infernal,
Que, se o cálculo não erra,
Posto entre o Sol e a Terra,
Faria eclipse total!

 

 
bocageManuel Maria de Barbosa l’Hedois du Bocage (Setúbal, 15 de Setembro de 1765 — Lisboa, 21 de Dezembro de 1805), Poeta português, possivelmente, o maior representante do arcadismo lusitano.  Árcade e pré-romântico, sonetista notável, um dos precursores da modernidade em seu país.

 

 

Ilustração no início: cartaz para a peça Cyrano de Bergerac.