Trova do Descobrimento do Brasil

10 04 2016

 

 

elifas_andreato_-_brasilIlustração Elifas Andreato.

 

 

“Terra à vista!” – Um grito intenso

soou nos céus, como um cântico,

e o Brasil surgiu, imenso,

num parto às margens do Atlântico!

 

(José Ouverney)





Trova da lição do rio

9 04 2016

 

 

rio, atravessando o riacho, margret boriss“O mundo pertence aos corajosos”, ilustração de Margret Boriss.

 

Jamais esqueça, meu filho,

do rio a grande lição:

quando mais rude o seu trilho,

mais bela sua canção.

 

(José Nogueira da Costa)





Trova da espera

5 04 2016

 

moça com passarinho, Jocelyne Pache, 1969Moça com passarinho, de Jocelyne Pache, 1969.

 

 

Não mais te quero esperar,

Que esperar é sofrimento…

Vou, desde já, começar

A esperar o esquecimento!…

 

 

(Maria Thereza de Andrade Cunha)

 





O Maracatu, poesia de Sônia Carneiro Leão

22 03 2016

 

ROSINA BECKER DO VALLE (1914- 2000) - Maracatu em Pernambuco (Folclore Brasileiro),ost, 50 x 62. Assinado no c.i.e. e datado (1966)Maracatu em Pernambuco, 1966

Rosina Becker do Valle (Brasil, 1914-2000)

óleo sobre tela, 50 x 62 cm

 

 

O Maracatu

 

Sônia Carneiro Leão

 

 

Ouvi uma batucada

vindo da encruzilhada

de uma rua do Recife.

 

Parei para dar uma olhada

e vi uma frota armada

de alfafas e abes

num batuque alucinado

o tal do baque virado

batuque de endoidecer.

 

Não um baque arrumadinho

feito o pagode e o chorinho

que cantam devagarinho

coisas boas de dizer.

 

Não.

Era um baque puro corte

saudando a vida e a morte

indo fundo até doer.

 

E algo foi-me exibido

em pleno Recife antigo

que mexeu tanto comigo

como nunca aconteceu.

 

Minh’alma já desarmada

pelo baque seco e cru

viu descer do céu Xangô

e toda nação Nagô

pra dançar Maracatu.

 

 

 

Em: Remendando Trapos: poesias, Sônia Carneiro Leão, Olinda, PE, Babeco: 2010, p. 42-3.





Trova da companhia

21 03 2016

 

fim 8Quinzinho e Magali ao final do dia, ilustração Maurício de Sousa.

 

 

Tem muito mais graça a vida

Quando a gente tem com quem

Repartir bem repartida

A graça que a vida tem.

 

 

(A. A. de Assis)





Destino, poema de Menotti del Picchia

10 03 2016

 

 

Goeldi,Oswaldo(1895-1961)pescador,1973,xilo,25x37Pescador, 1973

[Tiragem póstuma por Reynal]

Oswaldo Goeldi (Brasil, 1895-1961)

Xilogravura policromada

 

 

Destino

 

Menotti del Picchia

 

 

Amanhã eu vou pescar.

 

Há um peixe fatalizado

que a Ritinha vai guisar

na panela de alumínio

que brilha mais que o luar.

Hoje ele está no seu líquido

e opaco mundo lunar,

pequena seta de prata

furando a carne do mar.

 

Qual será? O bagre flácido

de cabeça triangular?

O lambari que faísca

como uma mola a vibrar?

O feio e molengo polvo,

monstruoso, tentacular?

O peixe-espada, de níquel,

a viva espada do mar?

 

Hoje estão vivos e lépidos

os lindos peixes do mar.

Amanhã…

 

Nem pensem nisso!

 

Amanhã eu vou pescar…

 

 

Em: Entardecer, Menotti del Picchia, São Paulo, MPM propaganda: 1978, p. 55.





Trova da nova santa

7 03 2016

 

710ba6bda638e540800f915aef38c7b4Ilustração de Victor Tchetchet, década de 1930.

 

 

Morre a prece na garganta

como um travo de vinagre…

Vou procurar outra santa,

que a minha não faz milagre.

 

 

(Nair Starling)





Trova da saudade

5 03 2016

 

saudade, michael silverIlustração de Michael Silver.

 

 

Saudade, quase se explica

Nesta trova que te dou:

Saudade é tudo que fica

Daquilo que não ficou.

 

(Luís Otávio)





Na roça, soneto de Gonçalves Crespo

3 03 2016

 

 

Eliseu Visconti, OVITELOOST1889COLPARTICULARO vitelo, 1889

Eliseu Visconti (Itália/Brasil, 1866-1944)

óleo sobre tela

Coleção Particular

 

 

Na roça
ao Dr. Luiz Jardim

 

Gonçalves Crespo

 

 

Cercada de mestiças, no terreiro,

Cisma a Senhora Moça; vem descendo

A noite, e pouca a pouco escurecendo

O vale umbroso e o monte sobranceiro.

 

Brilham insetos no capim rasteiro,

Vêm das matas os negros recolhendo;

Na longa estrada ecoa esmorecendo

O monótono canto do tropeiro.

 

Atrás das grandes, pardas borboletas,

Crianças nuas lá se vão inquietas

Na varanda correndo ladrilhada.

 

Desponta a lua; o sabiá gorjeia;

Enquanto às portas do curral ondeia

A mugidora fila da boiada.

 

1869

 

 

Em: Obras Completas, Gonçalves Crespo, Livros de Portugal, s/d, Rio de Janeiro, p. 114.





Trova do aprendizado

19 02 2016
moça chapéu de palha Harrison Fisher (1875 - 1934)Moça com chapéu de palha, Ilustração de Harrison Fisher.

 

 

Na vida que vou vivendo,

Muitas coisas aprendi;

E, afinal, fiquei sabendo:

Não posso passar sem ti.

 

 

(Maria Thereza de Andrade Cunha)