
Ilustração: Christina Rossetti
Um rato muito orgulhoso
de um feio ratinho riu…
Mas veio o gato manhoso,
deu-lhe um bote e … o engoliu.
Outras quadrinhas neste blog:
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Ilustração: Christina Rossetti
Um rato muito orgulhoso
de um feio ratinho riu…
Mas veio o gato manhoso,
deu-lhe um bote e … o engoliu.
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O SABÃO
Monteiro Lobato
Azeite e água brigaram
Certa vez numa vasilha,
Vai tapona, vem tabefe,
Luta velha ali fervilha.
Eis então, a apaziguá-los,
A potassa se apressou,
Todos três se combinaram
E o sabão daí datou.
—–

Renque de palmeiras, 1927
Bruno Lechowski (Polônia 1887 – Brasil 1942)
Aquarela
49 x 44 cm
Coleção Wanda Lechowski.
—-
—
A Notícia
Cassiano Ricardo
Então o vento
lá dentro da serra,
onde apenas havia
o barulho insensato
das coisas sem nome
começou a bater
a bater rataplã
no tambor da manhã.
Então os ecos
saíram das grutas
levando a notícia
por todos os lados.
Então as palmeiras
ao fogo do dia,
em verde tumulto,
pareciam marchar
carregando bandeiras.
Depois veio a Noite
e os morros soturnos
levavam estrelas
por vales e rochas
como uma silente
corrida de tochas…
Em: Martim Cererê.
—
Cassiano Ricardo Leite (São José dos Campos, 26 de julho de 1895 — Rio de Janeiro, 14 de janeiro de 1974) foi um jornalista, poeta e ensaísta brasileiro.
Obras:
Dentro da noite, poesia, 1915
A flauta de Pã, poesia, 1917
Jardim das Hespérides, poesia, 1920
Atalanta, poesia, 1923
A mentirosa de olhos verdes, poesia, 1924
Borrões de verde e amarelo, poesia, 1925
Vamos caçar papagaios, 1926
Martim Cererê, poesia, 1928
Canções da minha ternura, poesia, 1930
Deixa estar, jacaré, poesia, 1931
O Brasil no original, crítica, teoria e história literárias, 1937
O Negro na Bandeira, crítica, teoria e história literárias, 1938
Pedro Luís: visto pelos modernos, crítica, teoria e história literárias, 1939
Academia e a poesia moderna, crítica, teoria e história literárias, 1939
Marcha para Oeste, crítica, teoria e história literárias, 1942
O sangue das horas, poesia, 1943
Paulo Setúbal, o poeta, crítica, teoria e história literárias, 1943
A academia e a língua brasileira, crítica, teoria e história literárias, 1943
Um dia depois do outro (1944-1946), poesia 1947
Poemas murais, 1947-1948, poesia, 1950
A face perdida, poesia, 1950
Vinte e cinco sonetos, poesia, 1952
Poesia na técnica do romance, crítica, teoria e história literárias, 1953
O Tratado de Petrópolis, crítica, teoria e história literárias, 1954
Meu caminho até ontem, poesia, 1955
O arranha-céu de vidro, poesia, 1956
João Torto e a fábula : 1951-1953, poesia 1956
Pequeno Ensaio de Bandeirologia, crítica, teoria e história literárias, 1956
Poesias completas, poesias, 1957
Poesia, poesia, 1959
Martins Fontes, 1959
Homem Cordial, crítica, teoria e história literárias, 1959
Montanha russa, poesia, 1960
A difícil manhã, poesia, 1960
O Indianismo de Gonçalves Dias, 1964
A floresta e a agricultura, crítica, teoria e história literárias, 1964
Algumas Reflexôes Sobre Poética de Vanguarda, 1964
Poesia praxis e 22, crítica, teoria e história literárias, 1966
Jeremias sem-chorar (1964)
Viagem no tempo e no espaço (Memórias) poesia, 1970
Serenata sintética, poesia XX
Sobreviventes, mais um poema Circunstancial , poesia, 1971
Seleta em Prosa e Verso, miscelânea, 1972
Sabiá e sintaxe, crítica, teoria e história literárias, 1974
Invenção de Orfeu (e outros pequenos estudos sobre poesia), poesia, 1974

“ Escuta aqui, passarinho
quero dizer-te um segredo:
Por que escondes o teu ninho
Na folhagem do arvoredo?”
Leonor Posada
NOTA: Esta quadrinha faz parte do seguinte exercício de REDAÇÃO encontrado no livro: Passe para prosa, com palavras suas, esta quadrinha:
Em: Terra Bandeirante, Theobaldo Miranda Santos, 2° ano, Rio de Janeiro, Agir: 1954
—
—
Leonor Posada, (Cantagalo, RJ 1893 – Rio de Janeiro, RJ, 1960) Poeta, teatróloga, professora.
Obras:
Plumas e espinhos, poesia, 1926
Leituras cívicas, didático, 1943
Guia de redação, didático, 1953
Serenidade, poesia, 1954
Os primeiros passos na redação, 1956
Outras quadrinhas neste blog:

Cão ao luar, 1972
Rufino Tamayo (México 1899-1991)
Litografia: The Mexican Master Suites
—
INSÔNIA
Ribeiro Couto
O latido dos cães, na noite sem lua,
dá-me pavores vagos.
Por que latem aqueles cães lá longe?
As árvores, ali fora, estão imóveis.
Nem um sopro de vento bole nas folhas.
E tudo tão negro, na noite sem lua!
Por que latem aqueles cães lá fora?
Quem terá passado na estrada?
Na minha lâmpada mariposas batem.
Deve ser tarde.
Os meus olhos errando pelo pasto.
Ouço o tilinte vigilante de um cincerro…
É um cavalo errando pelo pasto.
E lá longe os cães latindo, desesperados, como se batalhassem,
como se defendessem o lugarejo adormecido.
Noite de insônia inquieta ao pé da lâmpada.
Em: Poemas para a infância: antologia escolar, ed. Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, Ediouro, s/d.
Vocabulário:
cincerro = campainha
de insônia = sem sono
—–
Rui Esteves Ribeiro de Almeida Couto (Santos, 12 de março de 1898 — Paris, 30 de maio de 1963), mais conhecido simplesmente como Ribeiro Couto, foi um jornalista, magistrado, diplomata, poeta, contista e romancista brasileiro.
Foi membro da Academia Brasileira de Letras desde 28 de março de 1934 (ocupando a vaga de Constâncio Alves na cadeira 26), até sua morte.
Obra
Poesia
O jardim das confidências (1921)
Poemetos de ternura e de melancolia (1924)
Um homem na multidão (1926)
Canções de amor (1930)
Noroeste e alguns poemas do Brasil (1932)
Noroeste e outros poemas do Brasil (1933)
Correspondência de família (1933)
Província (1934)
Cancioneiro de Dom Afonso (1939)
Cancioneiro do ausente (1943)
Dia longo (1944)
Arc en ciel (1949)
Mal du pays (1949)
Rive etrangère (1951)
Entre mar e rio (1952)
Jeux de L’apprenti Animalier. Dessins de L’auteur. (1955)
Le jour est long, choix de poèmes traduits par l’auter (1958)
Poesias reunidas (1960)
Longe (1961)
Prosa
A casa do gato cinzento, contos (1922)
O crime do estudante Batista, contos (1922)
A cidade do vício e da graça, crônicas (1924)
Baianinha e outras mulheres, contos (1927)
Cabocla, romance (1931);
Espírito de São Paulo, crônicas (1932)
Clube das esposas enganadas, contos (1933)
Presença de Santa Teresinha, ensaio (1934)
Chão de França, viagem (1935)
Conversa inocente, crônicas (1935)
Prima Belinha, romance (1940)
Largo da matriz e outras histórias, contos (1940)
Isaura (1944)
Uma noite de chuhva e outros contos (1944)
Barro do município, crônicas (1956)
Dois retratos de Manuel Bandeira (1960)
Sentimento lusitano, ensaio (1961)

Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro, Carnaval 2009, Foto: AFP
Homenagem à escola vencedora do Carnaval carioca de 2009.
SALGUEIRO
Leonor Posada
Olho-te, morro, apaixonadamente,
docemente,
como quem olha, em noite luminosa,
a cena de Belém.
Em tuas grimpas o sol crava seus raios,
e os desmaios
da tarde, no poente, arroxeada,
são a coros que te sangra a fronte.
Sobem teus flancos
mil caminhos tortuosos, e barrancos
debruçam-se a olhar para a cidade.
Teus casebres misérrimos parecem,
de longe, feios, entre os arvoredos,
um ponto de saudade.
Pela manhã, desce ligeiramente,
a tua gente
em busca do seu pão, do seu trabalho;
ao passo que o malandro, mal dormido,
no chão batido,
inda cheio de sono,
a fome engana batucando um samba…
Olho-te, morro, apaixonadamente,
docemente,
como quem olha, em noite luminosa,
a cena de Belém.
A cidade é berço do Messias,
e para tua gente tem um nome
sem significação:
— Civilização
Em: Poetas cariocas em quatrocentos anos, ed. Frederico Trotta, Rio de Janeiro, Editora Vecchi: 1965
Leonor Posada, (Cantagalo, RJ 1893 – Rio de Janeiro, 1960) Poeta, teatróloga, professora.
Obras:
Plumas e espinhos, poesia, 1926
Leituras cívicas, didático, 1943
Guia de redação, didático, 1953
Serenidade, poesia, 1954
Os primeiros passos na redação, 1956

Ilustração de Maurício de Sousa
HISTÓRIAS DO SACI
Marieta Leite
A criançada foi dormir
pensando nas histórias
do saci-pererê.
Lá fora,
fria, farfalha a floresta densa
e o vento zune
nos túneis estreitos das montanhas
imensas
— paradas —
vestidas da luz assombrada
que esguicha a lua fantasma.
E o saci-pererê
— pererê … pererê! …
balança o corpinho negro
enrodilhado no cipós.
E espia p’ra o alto
e manda p’ra lua
um assovio fino
que zune mais que o vento
e farfalha mais que o mato
— Pererê … pererê! …
Mas quando a madrugada foi chegando,
empurrando
com seus dedos de luz
o capuz de cetim
da noite enluarada,
e a manhã,
trepada na montanha mais alta,
sorriu
seu sorriso de sol
a criançada foi espiar a janela
que tinha amanhecido toda aberta
— escancarada —
Sem que ninguém soubesse como nem por quê.
Mas … ah!
O galho fresco de árvore,
lascado de novo,
que em cima dele se achava,
com certeza
tinha servido de chicote
ao saci-pererê.
Mas só a tia Josefa é que sabia,
que fora o vento,
que cobrira de pétalas o chão.
E que o galho fresco de árvore
lascado de novo,
tinha sido um pedaço de chicote
do filho de Siá Maria
que ela vira,
ao abrir a janela,
madrugadinha ainda,
fustigar, em demanda do pasto,
seu cavalo alazão.
Em: Terra Bandeirante de Theobaldo Miranda Santos, para o 3° ano primário, Rio de Janeiro, Agir: 1954.
——
VOCABULÁRIO
Farfalha – faz ruído sob a ação do vento
Densa — cerrada
Lua fantasma – lua que mete medo
Túneis – passagens ou caminhos debaixo da terra
Escancarada – aberta completamente
Fustigar – bater com vara ou com chicote
Em demanda – em busca, à procura
Alazão — cor de canela
———–
Questionário:
1 – Que foi fazer a criançada?
2 – Que fazem, lá fora, a floresta e o vento?
3 – E o saci-pererê?
4 – Que fez a criançada quando chegou a madrugada?
5 – Para que serviu o galho de árvore lascado?
6 – Que sabia a tia Josefa?

Quarta-feira de Cinzas, 1855-1860
Carl Spitzweg (Alemanha 1808-1885)
Óleo sobre tela, 21 x 14 cm
Galeria Nacional de Stuttgart
Alemanha
CINZAS
Joaquim Norberto de Souza e Silva
Sobre as asas da alegria,
Entre enganos ruidosos,
Entre vivas jubilosos,
Expirava o carnaval.
Oh, quanta moça faceira,
Que muito se divertira
Morrer com pena não vira
Esse tríduo sem igual.
A rótula então perdera
Todo o sigilo, se abrindo,
E um rosto moreno e lindo
Livre e ousado se mostrou;
E mais de um braço certeiro
Achou um alvo condigno,
Em que amável, benigno,
Os seus tiros empregou.
—
Em: Poetas Cariocas em 400 anos, ed. Frederico Trotta, Rio de Janeiro, Editora Vecchi: 1965
Joaquim Norberto de Sousa e Silva (RJ 1820 – RJ 1891)
Pseudônimo: Joaquim Norberto, Fluviano, João do Norte. Poeta, romancista, teatrólogo, polígrafo, pesquisador, biógrafo. Sua atividade literária foi intensa e seus estudos têm validade para o conhecimento do passado literário do Brasil, dispersos na Revista do IHGB, na “Revista Popular”, na “Minerva Brasiliense”. É na crítica e história literária que reside a sua melhor contribuição através de estudos, memórias, edições anotadas de autores brasileiros.
Obras:
A Cantora Brasileira Crítica, teoria e história literárias 1871
A noite de agonia: Poesia 1889
Amador Bueno, ou, A Fidelidade Paulistana, Drama em 5 actos Teatro 1855
As Americanas Poesia 1856
As duas orfãs: Romance e Novela 1841
Balatas Poesia 1841
Beatriz Teatro XIX
Bosquejo da historia da poesia brazileira. Crítica, teoria e história literárias XIX
Brasileiras Célebres Biografia 1862
Cantos Épicos Poesia 1861
Cantos epicos Poesia 1861
Cantos poeticos. Poesia XIX
Chegado de Londres: Romance e Novela 1884
Chile e Brazil: Poesia 1889
Climnestra, Rainha das Micenas, Tragédia em Cinco Atos Teatro 1846
Colombo ou o descobrimento da America: Teatro 1854
Dirceu de Marilia. Liras atribuídas à sra. D. M. J. D. de S. (Natural de Villa Rica) … Poesia 1845
Flores entre Espinhos; Contos Poéticos Conto 1864
História da Conjuração Mineira Outros 1860
História das Aldeias… Outros XIX
Investigações sobre o Recenseamento da População Geral do Império Outros 1870
Jacub ou Carlos VII entre seus grandes vassallos: Teatro 1841
Joaquim Garcia Romance e Novela 1832
Kettli Tradução XIX
Maria ou Vinte Anos Depois Romance e Novela 1844
Melodias romanticas: Poesia XIX
Modulações Poéticas, Precedidas de um Bosquejo da História da Poesia Brasileira Crítica, teoria e história literárias 1841
Novas modulações: Poesia XIX
O berço livre: Poesia 1883
O Brazil: Poesia 1857
O cancioneiro das bandeiras: Poesia XIX
O Chapim do Rei Teatro 1851
O Livro de Meus Amores Poesia 1849
O Martírio do Tiradentes Romance e Novela 1882
O ultimo abraço, 1841
Poesia á inauguração da estatua equestre do fundador do imperio. Poesia 1862
Romances e novelas Romance e Novela 1852
Tartufo: Tradução XIX
Vindo de Paris: Romance e Novela 1884
Visão. Poesia XIX

A Lagartixa
Da Costa e Silva
A um só tempo indolente e inquieta, a lagartixa,
Uma réstia de sol buscando a que se aqueça,
À carícia da luz toda estremece e espicha
O pescoço, empinando a indecisa cabeça.
Ei-la aquecendo ao sol; mas de repente a bicha
Desatina a correr, sem que a rumo obedeça,
Rápida num rumor de folha que cochicha
Ao vento, pelo chão, numa floresta espessa.
Traça uma reta, e pára; e a cabeça abalando,
Olha aqui, olha ali; corre de novo em frente
E outra vez, pára, a erguer a cabeça, espreitando…
Mal um inseto vê, detém-se de repente,
Traiçoeira e sutil, os insetos caçando,
A bater, satisfeita, a papada pendente…
Em: Poesias completas, Da Costa e Silva, Nova Fronteira: 1985, Rio de Janeiro
Antonio Francisco da Costa e Silva – (Amarante, Piauí, 1885 – Rio de Janeiro, 1950) Poeta. Começou a compor versos por volta de 1896, tendo seus primeiros poemas publicados em 1901. Todavia, seu primeiro livro de poesia, Sangue, foi lançado só em 1908, primeira obra da última geração simbolista. . Formou-se pela Faculdade do Direito do Recife. Foi funcionário do Ministério da Fazenda, tendo ocupado os cargos de Delegado do Tesouro no Maranhão, no Amazonas, no Rio Grande do Sul e em São Paulo. Viveu não só na capitais desses estados, mas também, por mais de uma vez, em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro. Jornalista. Exerceu função pública na Presidência da República do Brasil, entre 1931 e 1945, a pedido do então presidente Getúlio Vargas. É o autor da letra do hino do Piauí. Recolheu-se ao silêncio, demente, pelos últimos 17 anos de vida. Faleceu em 29 de junho de 1950.
Publicou os seguintes livros de poemas:
Sangue (1908),
Zodíaco (1917),
Verhaeren (1917),
Pandora (1919)
Verônica (1927)