Pai — nome bem pequenino
Que encerra tanto valor:
Traduz confiança, carinho,
Força, Bondade e Amor.
(Walter Nieble de Freitas)
Pai — nome bem pequenino
Que encerra tanto valor:
Traduz confiança, carinho,
Força, Bondade e Amor.
(Walter Nieble de Freitas)

Amanhecer, ilustração Maurício de Sousa.
Cantagalo… O galo canta
e, na campina louçã,
desprende a voz na garganta,
saudando a luz da manhã.
(Álvaro Faria)
Estória
( para pequenos e grandes)
Martins d’ Alvarez
À sombra do tamarindo,
vovozinha, bem sentada,
vai de alfinetes cobrindo
o papelão da almofada.
O neto deixa o brinquedo,
chega-se de alma curiosa,
nos bilros buscando o enredo
da renda maravilhosa.
Sutil, entre dois extremos,
uma conversa se agita:
— Vovó, como é que aprendemos
Fazer renda, assim, bonita?
— Ora, benzinho, aprendendo…
Aprendendo devagar…
Até acabar sabendo,
até um dia acertar.
— Pois me ensine, vovozinha!
Garanto que hei de aprender.
— Ensinarei, calunguinha,
quando aprenderes a ler.
— Mas vovó não disse, um dia,
que vovozinho morreu
pelo muito que sabia…
Por que demais aprendeu?
— Morreu porque foi ferido
No amor próprio, meu bebê!
— Então, o vovô querido
não só amava a você?
Vovó fez cara de chiste,
mas, sua fronte pendeu…
Soltou um suspiro triste,
quedou-se … e não respondeu!
(Fortaleza, Ceará, 1932)
Em: Poesia do cotidiano, Fortaleza, Ceará, Editora Clã: 1977
José Martins D’Alvarez (CE 1904) Poeta, romancista, jornalista, diplomado em Farmacia e Odontologia, professor, membro da Academia Cearense de Letras. Nasceu na cidade de Barbalha, Estado do Ceara, em 14 de setembro de 1904. Filho de Antonio Martins de Jesus a de Antonia Leite da Cruz Martins. Fez os estudos primários na sua cidade natal, os secundários, no Liceu do Ceará. Depois de formado em Odontologia. Transferiu em 1938 sua residência para o Rio de Janeiro, onde exerceu, além de atividades na imprensa, atividades no magistério superior.
Obras:
“Choro verde: a ronda das horas verdes”, 1930, poesia
“Quarta-feira de cinzas”, 1932, novela
“Vitral”, 1934, poesia
“Morro do moinho” 1937, romance
“O Norte Canta”, 1941, poesia popular
“No Mundo da Lua”, 1942, poesia para crianças
“Chama infinita, 1949, poesia
“O nordeste que o sul não conhece 1953, ensaio
“Ritmos e legendas” 1959, poesias escolhidas
“Roteiro sentimental: geopolítica do Brasil” 1967, poesias escolhidas
“Poesia do cotidiano”, 1977, poesia

Ilustração: Mabel Rollins Harris
Como é belo ver a planta
que abre flores nos caminhos,
nas horas em que Deus canta
pela voz dos passarinhos!
(José Lucas de Barros)
Vemos no verde esperança,
No azul, nosso céu de anil,
No perfil de uma criança
O futuro do Brasil!
(Oscar Crepaldi)
A cigarra e a formiga
Bocage
Tendo a cigarra em cantigas
Folgado todo o Verão
Achou-se em penúria extrema
Na tormentosa estação.
Não lhe restando migalha
Que trincasse, a tagarela
Foi valer-se da formiga,
Que morava perto dela.
Rogou-lhe que lhe emprestasse,
Pois tinha riqueza e brilho,
Algum grão com que manter-se
Té voltar o aceso Estio.
«Amiga, diz a cigarra,
Prometo, à fé d’animal,
Pagar-vos antes d’Agosto
Os juros e o principal.»
A formiga nunca empresta,
Nunca dá, por isso junta.
«No Verão em que lidavas?»
À pedinte ela pergunta.
Responde a outra: «Eu cantava
Noite e dia, a toda a hora.»
«Oh! bravo!», torna a formiga.
– Cantavas? Pois dança agora!»
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Bocage
Manuel Maria de Barbosa l’Hedois du Bocage (Setúbal, 15 de Setembro de 1765 — Lisboa, 21 de Dezembro de 1805), Poeta português, possivelmente, o maior representante do arcadismo lusitano. Árcade e pré-romântico, sonetista notável, um dos precursores da modernidade em seu país.
Pintura pré-histórica da Caverna das Mãos na Patagônia, Argentina.
Se o plural de pão é pães
por que das mãos que se tem
não se diz “são duas mães”
direita e esquerda também?
(Paulo Amorim Cardoso)
Parecia ter sotaque
aquele relógio chique:
— Soltava o tique no taque,
e vice-versa no tique!
(Eno Teodoro Wanke)