No Paraíba — poesia infantil de Julinda Alvim

18 08 2011

Animais em beira de rio, s/d

Alexandre Reider ( Brasil, SP, 1973)

Óleo sobre tela

www.areider.com.br

No Paraíba

                 Julinda Alvim

Sulcando a plaga serena

à luz da manhã dourada,

numa cantiga magoada,

chora o rio a sua pena.

E uma bonita morena,

lavadeirinha engraçada,

canta saudosa balada,

descendo a margem amena.

Chega e depõe a bacia

de roupa.  Seu vulto espia

na flor do rio, cismando.

Volve, escuta os passarinhos.

Depois a nuvem de linhos

mergulha na água, cantado…

Em: Vamos estudar?3ª série primária – edição especial para o estado do Rio de Janeiro,  Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir: 1957





10 Anos Entre Pinturas: exposição de Lucia de Lima, na Casa Atelier

18 07 2011

Menina lendo, 2011

Lucia de Lima (Brasil, Rio de Janeiro, contemporânea)

acrílica sobre tela, 40 x 50cm

Semana passada fui à abertura da exposição solo de Lucia de Lima, pintora carioca, na Casa Atelier, no Jardim Botânico.  A exposição comemora dez anos de pintura da artista.  Representadas nas quatro salas do prédio estão diversas fases de seu trabalho.  Formada em arquitetura, Lucia logo deixou a profissão para se dedicar ao ensino.  Mais tarde, deu vazão à necessidade de se expressar através da pintura.  Lucrou ela, lucramos nós.  Ela, porque encontrou uma forma de expressar a alegria de viver que suas telas comemoram, principalmente, eu diria, a alegria de viver no Rio de Janeiro.  Nós, porque temos a oportunidade de nos deliciarmos com suas paisagens coloridas, floridas, cheias de detalhes do cotidiano carioca.

Parar em frente de uma de suas paisagens significa abrir os olhos para a deliciosa descoberta da riqueza de opções de estilos de vida no Rio de Janeiro.  Enquanto atletas treinam em volta da Lagoa Rodrigo de Freitas, vemos helicópteros no ar,  desportistas de Asa Delta, ciclistas, crianças brincando, ônibus e carros nas ruas…  Cada tela é um mundo mágico, uma visão única da vida entre as montanhas e o mar do Rio de Janeiro.   Nas paisagens de Lúcia, nossas montanhas são ricamente vestidas de flores e pássaros tropicais habitam a densa mata tropical.  A exuberância da natureza é expressada em cada centímetro de tela mesmo naquelas telas em que a artista, deliberadamente reduziu a sua palheta ao branco, preto e a inúmeras outras possíveis combinações dos cinzas que podem existir entre essas suas tintas.

Carioca, criada na Gávea e residente no Jardim Botânico, Lucia de Lima mostra sua preferência pelas paisagens do bairro em que mora e de toda a Zona Sul da cidade.  No entanto, não se limita a esses locais, aqui mesmo nesse blog  já apresentei ao público os Arcos da Lapa, assim como Fla-fluMinha terra tem palmeiras onde cantam sabiás é um dos quadros aqui no blog que exemplifica as telas em preto e branco; enquanto que Fazenda em São Paulo, mostra a maior variedade geográfica de sua obra.  Praia de Copacabana é um dos quadros reúne uma das maiores coleções de afazeres cariocas reunidos numa tela da pintora.

Vale a pena dar uma passadinha pela Casa Atelier para você  se familiarizar com o trabalho dessa artista. Vai se deleitar.

Para contato direto com a pintora: www.luciadelima.com

SERVIÇO

De 12 de julho a 30 de julho

CASA ATELIER

De 2ª a 6ª das 10 às 18h

Sábados de 10 às 14h

Endereço
Rua Saturnino de Brito, 67
Lagoa – Rio de Janeiro – RJ

Telefone: +55 (21) 3206-0437

E-mail: contato@casaateliergourmet.com.br





Os primeiros visitantes ao Rio de Janeiro — século XVII — texto de Gastão Cruls

7 07 2011

Mapa do Rio de Janeiro século XVII.

Livro de Toda a Costa da Província de Santa Cruz, 1666.

João Teixeira Albernaz

www.serqueira.com

Ganhei de aniversário a obra A aparência do Rio de Janeiro,do escritor carioca Gastão Cruls (1888-1959) em dois volumes,  publicada em 1949.  É um deleite para quem, como eu, gosta de ler sobre o Brasil e o Rio de Janeiro antigos.  Ontem, depois da postagem anterior sobre o Turismo no Rio de Janeiro, me ocorreu ver o que Gastão Cruls tinha apontado como primeiros visitantes dessa nossa cidade, que coloco abaixo:

Impressões de Flecknoe e Froger

De estrangeiros que nos visitaram no século XVII, temos apenas os depoimentos de Flecknoe e Froger.

Flecknoe, irlandês, que se diz, sem grande certeza, ter pertencido à Companhia de Jesus, aqui esteve em 1648.  Viajou, ao que parece, a convite de Salvador Correa de Sá e Benevides quando este, comandando uma frota de seis navios, tornava ao Rio investido das funções de governador, com alçada sobre as Capitanias do Sul.  Embora se trate de um letrado, que se demorou bastante entre nós, são das mais erradas e incríveis as observações do irlandês.  Começa por dizer que as águas da Guanabara estavam permanentemente envenenadas por um peixe muito tóxico, e que ele mesmo teve a prova disso, pois que se sentiu muito mal, com tonturas e outras perturbações, depois que nelas tomou banho.  Talvez os banhos é que não lhe fossem muito familiares.  Por outro lado, ao invés de nos dizer alguma coisa sobre a cidade e os habitantes, prefere alongar-se em considerações sobre a flora, fauna, etnografia e até astronomia e, versando esses assuntos, seus comentários são ainda mais absurdos.  Contudo, não lhe escapou que as casas da “cidade antiga”, no Morro do Castelo, já estavam quase em ruínas, dado que a população se fora aos poucos transferindo para a planície.

O outro viajante, Froger, era de nacionalidade francesa, e aqui parou, por algum tempo, em 1695, na esquadra do almirante Gennes, destinada ao Estreito de Magalhães, onde iria montar uma feitoria.  Recordando esse périplo, Froger escreveu a Rélation d’un Voyage de la Mer du Sud, Detroit de Magellan, Brésil, Cayenne et les Isles Antilles, obra hoje bastante rara, e da qual resumiremos alguns tópicos.

Agrada-lhe a cidade, em boa situação, cercada de altas montanhas, grande, bem construída e com ruas retas.  Elogia igualmente as magníficas edificações dos jesuítas e dos beneditinos, implantadas em pequenas elevações que fecham a cidade dos dois lados.  Quanto aos habitantes, são limpos e de uma gravidade  peculiar à nação.  Ricos, gostam de traficar e têm um grande número de escravos, além de várias famílias de índios, mantidas nos seus engenhos.  Assim, com tanta gente a trabalhar para eles, mostram-se moles e efeminados.  “O luxo lhes é tão é tão comum que não somente os burgueses, mas até os religiosos podem sustentar mulheres públicas sem temer a censura e a maledicência do povo, que lhes dispensa um respeito todos particular.”  Froger não para aí na crítica à corrupção do clero e, se abre ligeira exceção para uns oito ou dez capuchinhos franceses e alguns jesuítas, “que se entregam com zelo extraordinário aos seus santos misteres”, acha que o resto, pela depravação, poderia fazer “recear o incêndio de uma outra Sodoma”.

Aquele luxo, que tanto impressionou Froger, seria, é quase certo, apenas de hábito externo, de roupas e adereços brilhantes e espalhafatosos.  Não resta dúvidas que os trajes da época, com seus casacos de veludo e os seus calções de cetim afivelados ao joelho, concorriam para toda a pacholice.

Aliás, por uma carta divulgada entre nós graças à Vieira Fazenda, carta escrita daqui,  mais ou menos na mesma época, por certo comerciante português a um irmão em Lisboa, vê-se como era grande o consumo de veludos, sedas e tafetás, tão procurados no mercado do Rio como o azeite, as azeitonas, o vinagre, freios, fechaduras e outras ferragens que nos mandavam do Reino.  É verdade que aqui também vinham se abastecer os peruleiros, negociantes que através do Rio da Prata faziam o comércio com o Peru e o Reino de Granada, ambos já nadando em riqueza, e que na Guanabara não regateavam ducados de ouro e prata em troca de boa e bem sortida mercadoria.

Mas o gosto pelas roupagens de preço não ficava apenas entre a gente mais abastada.  Em 1703, por solicitação do bispo do Rio, o procurador da Coroa dirigia-se ao Rei, reclamando contra o fausto com que as escravas se exibiam nas ruas e pedindo-lhe “mandar que de nenhuma maneira usem, nem sedas, nem telas de ouro, porque será tornar-lhes a ocasião de poder incitar para os pecados com os adornos custosos que vestem.”

Neste caso, o mais provável é que o bispo fosse apenas o porta-voz de uma ou outra fidalga da cidade, posta em xeque pelo chiste  e a elegância de suas servas.  E havia negras de encher o olho.  Ainda em 1870, o Conde d’Ursel, viajante francês, falava na beleza de certas pretas Minas, “soberbas mulheres, eu diria preferentemente cariátides.”

Em: A aparência do Rio de Janeiro, vol I, Gastão Cruls, Rio de Janeiro, Livraria José Olympo: 1949

NOTA:

Richard Flecknoe (c. 1600-1678?), possivelmente de origem irlandesa, esse jesuita, poeta e teatrólogo, esteve no Brasil em 1648.

François Froger,  (1673-1715) engenheiro hidrográfico francês que trabalhou para a marinha e navegou por sete mares. Esteve no Brasil em 1695.





Uma lembrança do “Turismo no Rio de Janeiro”

6 07 2011



A exposição Turismo no Rio de Janeiro, que está no Espaço Cultural Fundação Getúlio Vargas, no centro da cidade, oferece uma vista d’olhos interessante sobre pontos turistícos da cidade vistos através de fotos antigas de cartões postais;  além de mostrar também o que os brasileiros, os cariocas em particular, ofereceram através do século XX como lembranças de viagem aos turistas que aqui chegaram.

As fotos de hoteis que já não existem, de pontos turísticos como a antiga praia de  Santa Luzia, são parte da interessante documentação reunida ali.   Mapas, fotos mostram como o Rio de Janeiro mudou a visão de si mesmo com a chegada da primeira excursão turística à cidade, em 1907. Os empresários cariocas com um olho nos eventos esportivos da cidade que estão dando um novo ímpeto ao Rio de Janeiro não deveriam deixar de ver a mostra dos objetos considerados lembranças da cidade.  Não só para terem uma noção do que já foi feito, como para verem o que não fazer, e também para melhorar as nossas lembranças, que comparadas com outras de outros locais do mundo da mesma época, deixam a desejar.

Mementos do Rio de Janeiro antigo: Bandeja com paisagem de asas de borboletas, prato com araras, piranha.

Lembranças turísticas: caneca e prato com imagem do Pão de Açucar, luva de cozinha, miniatura do Corcovado e do Maracanã.

Há algumas perguntas que não calam quando vemos a exposição, aqui ficam:

1 – É assim que gostaríamos de sermos lembrados lá fora?  Como queremos ser lembrados?

2 – Estamos perpetuando para o exterior a imagem que o exterior tem de nós?   Exoticismo tropical?

3 – Não haveria algum outro “Recuerdo de Rio de Janeiro” mais sofisticado mais condinzente com a nossa criatividade?

É hora de nos concientizarmos que turismo é uma indústria que traz grande benefício socio econômico, e que os turistas que aqui chegam devem estar interessados em mais do que lembranças artesanais, de pessoas bem intencionadas mas que não conseguem imaginar que pode-se sim, ter lembranças turísticas de alto valor monetário e muito mais sofisticadas.  Até mesmo as reproduções de alguns de nossos monumentos poderiam ser feitas em materiais de melhor qualidade.  Há também que nos lembrar que temos esculturas, pinturas nos nossos museus que não deixam nada a desejar quando comparados com trabalhos feitos fora do Brasil.  Por que eu posso ir à França e trazer uma bela cópia da Vênus de Samotracia, que está no Louvre e não consigo levar para um amigo no exterior uma bela cópia de um trabalho de arte brasileiro do século XIX, por exemplo?  Por que posso mandar um postal da Monalisa para o Brasil quando visito Paris e não posso mandar um postal da Fuga para o Egito de José Ferraz de Almeida Júnior que está no Museu de Belas Artes do Rio de Janeiro?   É assim que se faria a divulgação da cultura brasileira, no “boca a boca”…, no cartão postal de alguém que se apaixona por uma obra que viu no Brasil, de artista brasileiro.  Uma propaganda sobre o Rio de Janeiro e sobre o Brasil, quase gratuita.

Será que só queremos mesmo ser lembrados pelo Carnaval?

Boa documentação sobre um assunto que está em pauta.   Interessantíssimo!

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SERVIÇO

Centro Cultural da Fundação Getúlio Vargas

Rua da Candelária 6, Centro

Rio de Janeiro

Até 23 de julho de 2011

Entrada Gratuita

Horário:  de 2ª a 6ª feira  8 – 22 horas

Sábados: 9 – 18 horas





Memória do Rio de Janeiro, de meados do século passado

10 05 2011
1957. Centro da Cidade do Rio de Janeiro, avenida Rio Branco.
Acervo de Fotografias da Agência O Globo.

Uma deliciosa exposição de fotografias de época  — Memórias da Cidade — está ao alcance de qualquer pessoa interessada na história do Rio de Janeiro, ou até mesmo de como viviam nossos antepassados.  As fotos, da Agência O Globo cobrem os anos do final da década de 50 ao início da década de 60 do século passsado.  Com o intuito de trazer às novas gerações visões do passado, construindo assim a memória da cidade, esta pequena exposição mostra cenas do dia a dia carioca: lotações nas ruas, pipas de pássaros vendidas nas praias, ressacas em Copacabana, os Arcos da Lapa, bondes lotados, a Cinelândia da época dos cinemas… tudo lembra ou informa a quem visita o Centro Cultural da Justiça Federal com era a vida de antigamente.  São todas fotografias em preto e branco:  34 fotos impressas a partir de negativos no formato 120mm, considerado um clássico da fotografia analógica.  Há também uma serie de slides projetados sequencialmente, muito interessante.  Se você ainda não viu, dê uma passadimha no centro da cidade e em meia hora terá participado da experiência de uma visita ao passado.  Vale a pena, não perca!

SERVIÇO

Até dia 22 de maio

Centro Cultural da Justiça Federal

Av. Rio Branco 241 – 1º andar Centro, Rio de Janeiro / RJ. CEP 20040-009

Aberto de terça a domingo, das 12h às 19h. Tel. (21) 3261-2550

Visitas orientadas – Tel (21) 3261-2552  Biblioteca – terça a sexta-feira, das 12h às 17h





O fim de semana das orquídeas, Jardim Botânico do Rio de Janeiro

3 05 2011

Quiosque de venda de um dos orquidáreos participantes da exposição no JBRJ.

A Exposição e Venda de Orquídeas no Jardim Botânico do Rio de Janeiro foi um dos pontos altos de entretenimento carioca no fim de semana do Dia do Trabalho.  Este é um programa que há muito entrou para o calendário oficial do Rio de Janeiro e um dos poucos eventos que visito todos os anos,  pelo menos vez e algumas horas de observação.

Não sou conhecedora de orquídeas.  Nem mesmo tenho um jardim em casa.  Dedico-me exclusivamente à manutenção de quatro plantas domésticas, criadas em potes de barro, que miraculosamente parecem sobreviver e crescer sob os meus cuidados.  Sim, tenho predileção por plantas grandes, que virem pequenos arbustos dentro do meu apartamento.  E também por plantas que não sucumbam se me esquecer um dia de regá-las ou adubá-las. 

Já tive orquídeas em casa.  Aquelas que recebemos de presente de amigos que nos querem bem.  E mais de uma vez consegui que elas sobrevivessem por alguns anos dando flores anualmente.  Mas não imagino que qualquer uma delas tenha sobrevivido, florescendo  regularmente, por causa dos meus bons tratos.  A cada vez que uma delas dava flores fiquei tão surpreendida quanto se tivesse ganahdo na  Loteria Federal. 

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É verdade que elas gostavam muito do peitoril da minha varanda de serviço.  Lá, encarapitadas no décimo andar com seus corpos quase caindo janela abaixo, mas protegidas — como todas as outras plantas nesse lugar por uma barra de ferro para não caírem das alturas — elas recebiam duas horas de sol da manhã, chuva e a umidade generalizada e quase asfixiante dos ares de Copacabana.  Eram felizes…

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Mas eu não fazia absolutamente nada para que elas se sentissem bem… Daí a minha surpresa…  Nenhuma delas sobreviveu com a mudança de endereço.  Pena.  Gostaria de ter me lembrado de dizer aos moradores do meu apartamento, os que me seguiram no endereço, que ali era um lugar especial para se cultivar orquídeas…  Que elas gostavam… Mas quem sabe talvez tenham se mantido vivas pelo carinho e amor com que me foram dadas, para inicio de conversa…

Orquídeas são fascinantes.  Dão a impressão de grande delicadeza e fragilidade…  Basta prestar atenção às bordas de suas pétalas para vermos uma renda, às vezes quase franzida como um pequeno babado.  Isso as tona muito femininas.  Têm cores contrastantes e formatos muito diversos.   E ainda padrões de desenho em suas pétalas que podem ser só de uma cor, ou pontilhadas e até com pequenos quadriculados, como se se vestissem de acordo com a ocasião.   Podem ter grandes flores, ou minúsculas, uma ou cachos de florezinhas.   São um prazer para os olhos e chamam a  nossa atenção e a dos insetos que usufruem de seu pólen. 

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São abertamente sensuais, mostrando a função de suas flores a qualquer um, sem embaraço.  Essa característica sensual, despudorada tornou a orquídeas num dos maiores símbolos do movimento feminista no mundo, assim como tema de fascínio para artistas diversos.  As pintoras americanas Georgia O´Keefe e Judy Chicago são alguns dos nomes que vêm à mente quanto ao uso da imagem da orquídea como um exemplo do feminino na arte e na vida.

   

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Além disso, elas fazem qualquer fotógrafo amador, como eu, parecer de primeira linha.  São fotogênicas.  E curiosamente variadas.  No caso acima, que até parece que o desenho da orquídea está refletindo o desenho da grade ao fundo do orquidário.  Um detalhe que seria do agrado de qualquer profissional da fotografia. 

Orquídeas remetem a luxo, a esplendor, a ocasiões especiais.  No meu aniversário de 18 anos meu pai me trouxe uma orquídea de presente, numa bela caixa transparente.  Orquidários,  por outro lado, sempre me fazem pensar na Belle Époque.  Até mesmo este, do Jardim Botânico, tem aquele ar de estufa, grande o suficiente para guardar centenas de espécimes, com colunas separando uma ilha central do restante do espaço. A luz indireta, sua brancura, a maneira com que o ar parece  que lembra as estufas inglesas da virada do século, onde damas da sociedade tomavam chá e recebiam amigas…

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Ninguém deve se surpreender, portanto, que este tipo de exposição e venda, com competição entre diversos orquidários — a maioria deles vinda das cidades  serranas do estado do Rio de Janeiro — Petrópolis, Teresópolis, Nova Friburgo [com pouquíssima representação este ano por causa do desastre das chuvas do início deste ano] atraia tanta gente.  Foi realmente de impressionar as centenas e centenas de pessoas que estiveram no Jardim Botânico neste fim de semana e que também aproveitaram a ocasião para adquirir um, dois, seis, uma dúzia, de orquídeas variadas. 

Se você nunca visitou esta exposição marque na sua agenda o primeiro fim de semana em que o domingo caia em maio, para o ano que vem.  Confirme depois com o próprio Jardim Botânico para saber detalhes do evento.  Prepare-se para uma pequena fila na entrada e no orquidário tamanha é a população interessada.  Mas vale a pena!  Não esqueça de trazer sua máquina fotográfica, porque mesmo sendo amador, suas fotos parecerão de profissional.  Será uma ocasião para apreciar as belezas da natureza tropical e o ambiente mais que agradável de um dos mais belos jardins do mundo.





Uma exposição para se ver! A Cara do Rio, no CC Correios!

9 03 2011

Exposição A CARA DO RIO, coletiva, no Centro Cultural dos Correios.

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Assim como temos Carnaval e outras festividades que marcam o calendário de eventos cariocas, tanto o morador como o visitante a esta cidade têm a oportunidade de se encontrar anualmente com uma grande variedade de artistas plásticos  dedicados ao Rio de Janeiro,  na exposição coletiva que já virou tradição carioca:  A Cara do Rio.  Todos os anos, no mês de aniversário da cidade somos presenteados por  Marcelo Frazão,  responsável pela curadoria, com a  exposição que celebra a cidade e que nesta edição alude ao tema:  Da minha Janela.

Maria, da série “Entre Água“, s/d

Pedro Farina  (Rio de Janeiro, 1987)

Jato de tinta sobre papel de algodão, 100 x 150 cm

www.pedrofarina.com

É difícil, ao nos depararmos com 100 diferentes visões do Rio de Janeiro, destacarmos uma única obra que tenha sobressaído aos olhos, que tenha falado ao coração do visitante.  O que dá para perceber, no entanto, é que as artes visuais vão muito bem obrigado.  Este grupo selecionado por Frazão se mostra criativo, impetuoso, testando os limites.  E o resultado é a fascinante combinação de soluções para o que “vejo da minha janela”.

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Copacabana III, s/d

Sonia Maria [de Faria Pereira] (Rio de Janeiro, contemporânea)

acrílica sobre tela  100 x 148 cm

www.soniamariaartes.com.br

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Como bem explica o curador na apresentação da mostra, a janela pode ser interpretada também como uma janela interior, uma janela para dentro.  “Não é apenas para olhar e interagir que vamos à janela.  Sua importância é bem maior, seja no plano físico, virtual ou no plano metafórico”.   Desse modo vemos verdadeiramente muitos diferentes Rios de Janeiro.

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Minha terra tem palmeiras onde cantam sabiás, 2011

Lúcia de Lima (Rio de Janeiro, 1947)

acrílica sobre tela,   40 x 128 cm

www.luciadelima.com

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Há trabalhos para todos os gostos: fotografias, esculturas, pinturas e objetos.  A exposição consegue juntar visões bastante diversas cujo traço de união é sem dúvida o espírito carioca, mas que refletem também  a grande criatividade dos representados.

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Entardecer na enseada, s/d

Vera Strunck (Recife, 1927)

acrílica sobre tela, 90 x 70 cm

Vale a pena ir ao centro da cidade e ver esta exposição, não perca. A exposição fica  no Centro Cultural dos Correios até o dia 3 de abril de 2011.  Organize-se.  Não perca!

SERVIÇO:

Centro Cultural Correios
Rua Visconde de Itaboraí, 20 – Centro
Corredor Cultural
20010-976 – Rio de Janeiro – RJ
Telefone: 0XX 21 2253-1580
Fax: 0XX 21 2253-1545
E-mail: centroculturalrj@correios.com.br

Funcionamento:

O Centro Cultural Correios recebe visitantes de terça-feira a domingo, das 12 às 19h
Entrada franca.





Tradições, Mário Pederneiras, texto integral, Revista Kósmos, 1907

8 03 2011
Carnaval na Avenida Central, hoje Avenida Rio Branco no centro da cidade do Rio de Janeiro, 1907.  Sem autoria, em: Kósmos, revista artística, científica e literária, Ano IV, número 2, Fevereiro de 1907, Rio de Janeiro. [Apesar da autoria não estar registrada na revista, o leitor Felipe P. Rissato, ajudou na identiicação, a foto é de Augusto Malta].

Tradições

Mário Pederneiras

—  Vem daí, meu velho carioca impenitente, vamos dar a perna por esta linda Avenida, na súcia barulhenta dessa desafogada multidão que se diverte;  vem daí.

Ampara-te à suave elegância do meu braço feminino, junta-te à minha alegre companhia de mulher galante, e vamos apreciar o Carnaval nas Avenidas novas e nas novas Ruas largas.  Talvez, temas comprometedoras  apreciações à tua consideração de homem sério e  ponderado, talvez…  Mas, com todos os diabos, não estamos no Carnaval?  Na época da loucura clássica, do disfarce, do riso e da bela pândega?  Vem daí …  Demais, através do lindo disfarce deste pequeno “loup” de seda branca e desta provocadora fantasia guizalhante de “clowness”,  ninguém reconhecerá a incorrigível companheira das tuas antigas troças, nos teus áureos tempos de moço e folgazão.  Vem daí, que te vou mostrar coisas novas e civilizadas, nunca vistas por ti, nunca imaginadas por aqueles que, como tu, emperraram na ferrugem das Tradições e das Saudades incompreensíveis.

Daqui deste ponto extremo, junto do Mar, ao lado da tradição encantadora do teu lindo Passeio Público, sob a esquisita exclamação invertida deste obelisco, rola o teu olhar, eternamente saudoso, tristonhamente contemplativo, por toda a larga extensão de toda a linda Avenida e repara, repara bem, na delícia dessa perspectiva.

Que coisa linda já viste, que este povo em festa, feliz e despreocupado, percorrendo esta encantadora rua larga e iluminada?

O ar não sufoca; circula livre e fartamente de Mar a Mar, de extremo a extremo, e a multidão não se comprime, não se esmaga, não se fere, como nos detestáveis apertos da tua celebrada rua do Ouvidor, quente da luz asfixiante daqueles celebérrimos arcos de gás, embaciada da poeira imunda da rua e dos confetes.

Era assim, no teu tempo, o Carnaval?  Não, não era.  Tinha sempre a nota desagradável dos apertos, a tristeza lúgubre das iluminações incompletas e o incômodo detestável das ruas estreitas.

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Batalha de Confete na Avenida Beira-Mar, no Rio de Janeiro, em 1907.  Foto sem autoria, em: Kósmos, revista artística, científica e literária, Ano IV, número 2, Fevereiro de 1907, Rio de Janeiro.

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Dos confins do Distrito, dos extremos pitorescos da Gávea, dos limites rurais de Inhaúma, todo uma festiva massa de povo, abalava para os suadores inevitáveis das nossas velhas ruas.

Lembras-te, meu velho carioca, da tristeza tormentosa desse espetáculo?  Era um povo inteiro que se martirizava, que se machucava, que se feria, que brigava para se divertir, apertado e sufocado entre as altas paredes rijas do nosso detestável casario.

E do meio da voz estrídula dos cornetins carnavalescos, dos falsetes dos mascarados, quantas e quantas vezes, partiam gritos de dor, guinchos nervosos de faniquitos femininos, trovões de vozerio paterno em ralho à troça garota dos mal educados…

E hoje?  Repara; é toda uma enorme Multidão festiva que se estende desafogadamente pelo vasto caminho da Avenida, que se espraia pelas ruas largas, sem apertos, sem incômodos, sem suor.

Tudo mudou, tudo.  Na rajada destruidora da nossa Civilização rápida, lá se foram os velhos hábitos do teu imundo Rio aldeão e primitivo.  Há roupas claras, cassas leves e transparentes, escondendo carnações alarmantes.  Os “Panamás” triunfam e os leves chapéus de palha ganharam, vitoriosamente, todo o terreno.

As manhãs não vestem mais a seda custosa dos grandes dias e os papás no comando supremo das legiões familiares, não têm mais a temer a insolência das vaias, o ataque agressivo às “jacas” e à integridade moral de sua venerável figura de funcionário.

Nem uma sobrecasaca, repara, nem uma cartola.  Ficaram ambas no descanso feliz das moradias, prontas apenas para as solenidades das missas fúnebres e dos enterros dos considerados e dos medalhões; e em breve, tu mesmo, hás de ver, sem espanto, sem mágoa, que esses dois elementos supremos da estética burguesa dos vestuários, passarão para o rol das coisas fantásticas, e, talvez, quem sabe, tu mesmo, à noite, no descanso caseiro, a acalentar teus filhos, hás de acrescentar às lendas encantadoras da família, as histórias espantosas de homens que andavam, em pleno Sol, sob o mais lindo Céu azul, “envoltos na tristeza venerável de uma sobrecasaca preta, cobertos pelo cilindro lustroso de uma cartola espelhante”.  E os teus pequenos hão de arregalar os olhos, trêmulos de medo, e de espanto, diante daquele horror, e daquele… tormento.

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E como tudo muda, meu velho carioca, também mudou o Carnaval e a própria alegria de hoje, nestes três dias loucos, é mais franca, mais sonora, mais sadia.

Bem sei.  Não temos hoje o luzimento fantástico daqueles préstitos custosos das nossas Sociedades carnavalescas.  Não temos, bem sei; mas temos a alegria no Povo e o bom humor de toda uma População desafogada e feliz.  Sentes a falta daquele luxo oriental, daquele desperdício fabuloso de lantejoulas e fogos de bengala, daquela luxuriosa exposição de Carne, da luxúria tentadora dos “maillots”, das largas pinceladas de bistre daquelas olheiras profundas, e da profusa orgia dos carmins.   Tens razão, tens razão.  O Carnaval mudou, mas tu ganhaste, na comodidade, no bom calçamento e na boa iluminação.  Aqui estamos, a palestrar, vai para uma hora, comodamente, sem encontrões e sem apertos, sem suor e sem rolos.  Pois, não é tão bom?  No íntimo, na intimidade do teu velho sentimento, das tuas recordações arcaicas, eu percebo, meu velho, a tua grande e imorredoura das apoteoses frenéticas de aplausos, com que tu, e os teus camaradas d’antanho, saudavam os “Democráticos”, os “Fenianos”, os “Tenentes”, a “Peruana”, a “Phrynéa”, afogados num delírio de um entusiasmo vermelho, bufando de calor e pó, grupados, apertadamente, às portas estreitas do “Castelões” e do “Londres”, ou às esquinas tortuosas de Gonçalves Dias e Uruguaiana.

Deves também sentir a falta incompreensível do teu saudoso Zé Pereira, atordoando os ares com aquele incansável  zabumbar alegre e forte.  O Zé Pereira era a sinfonia do Carnaval.  Punha formigueiros às pernas trêfegas dos cariocas, remexia-lhes o corpo em desengonço e bamboleios e acendia-lhes no olhar a chama rubra do prazer.

Meses antes, tu já o ouvias, a maior parte das vezes, pelos morros em passeatas de ensaio, e o rufo miúdo daquelas caixas, o bater compassado e seco daqueles bombos, era o sinal da alegria que vinha, da loucura que se aproximava, da florescência vermelha das festas clássicas de Momo.

Hoje, tens a te consolar a infindável série dos nossos melancólicos  “cordões”, de todas as cores, de todos os nomes.

Sim.  Deves achá-los tristes, com a eterna melopéia da suas toadas, a primitividade das suas danças, a Musa desengonçada dos seus Versos e a incompreensível fantasia dos seus vestuários.

Pois, meu caro, são os dominadores do Carnaval e o torneio dos Poetas.

Contenta-te com a alegria do Povo, que é mais franca, mais sadia do que nos teus chorados tempos que lá vão.

Vês?  Há máscaras pelas ruas, tétricos e aborrecidos, como se estivessem a cumprir a mais solene das obrigações.  Mas isso sempre foi assim; o máscara avulso foi sempre em todos os tempos, a expressão mais exata da insipidez e do desalento.

Bem sei, que a figura rubra dos travessos “diabinhos” antigos, tinha mais graça, mais vida, do que a palhaçada grotesca desses “clowns” de agora, repisando pilhérias de circo de lona.

E os teus “velhos”, os mestres inigualáveis da agilidade das letras, com seus “carões” enormes fantasticamente enrugados e feios, o luxo das suas vestes de veludo e lantejoulas e o seu longo bastão de papel dourado?

E o “pai João”, imundamente ridículo, pintado a piche, falando no arreveso da linguagem africana, agarrado à vassoura tradicional.

São tipos que passaram para o domínio da Tradição, para o esbatimento saudoso das boas recordações.

Em compensação, tu hoje tens…, tu tens… tens o… tens a Avenida, o fon-fon dos automóveis, a luz elétrica, o bom calçamento, as ruas largas, enfim, todo este suntuoso Carnaval que estamos apreciando.

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Vem daí.  Faz-se tarde e ambos devemos estar cansados .  Vem daí, que por hoje já nos divertimos regaladamente e eu, com franqueza, sinto-me cheia de Sono e de insipidez.

E aflautando a voz, a linda companheira de troças e loucuras do meu tempo de moço e folgazão, perguntou, num falsete desembidamente carnavalesco e cansado:  “Você me conhece?  Eu sou a Folia”.

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A Cidade começava a repousar, exausta das loucuras do dia.

De longe, por aquela hora calada de noite alta, vinha o rumor sonolento e sentimental do reco-reco de um “cordão” em retardo.

— Que coisa lúgubre!  — E abalei para casa.

2 – 907

[Texto integral, mas com grafia atualizada para facilitar a leitura.  A ilustração inicial, seguia o texto de Mário Pederneiras sem, no entanto,  estar ligada ao texto.  Foto em preto branco, sem autoria.  As outras fotos são do mesmo número da Revista Kósmos, mas pertencem a outros ensaios fotográficos, que tampouco aludem a um fotógrafo O espaçamento irregular dos parágrafos está de acordo com o texto original.]

Em:  Kósmos, revista artística, científica e literária, Ano IV, número 2, Fevereiro de 1907, Rio de Janeiro.

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Mário Veloso Paranhos Pederneiras (Rio de Janeiro, 1867 — Rio de Janeiro, 1915), conhecido com Mário Pederneiras, escritor, ensaista, poeta e teatrólogo.  Sua obra sempre chegada às situações da vida diária, o colocam próximo dos cronistas de época, ainda que seu verso tenha proximidade do simbolismo.  Estreou na imprensa por volta de 1878, como colaborador  do jornal (estudantil)  O Imparcial, do Grêmio Literário Artur de Oliveira, no Rio de Janeiro.  Foi fundador, com Gonzaga Duque e Lima Campos, diretor e redator das revistas:  Rio Revista, Galáxia, Mercúrio e Fon-Fon.

Obras:

Agonias, poesia, 1900

Rondas noturnas, 1901

Histórias do meu Casal, 1906

Ao léu do sonho e à mercê da vida, 1912

Outono, 1914 (póstuma)





Feliz Aniversário, Rio de Janeiro — 446 anos!

1 03 2011
Lagoa Rodrigo de Freitas, ao fundo os Dois Irmãos e a Pedra da Gávea, Rio de Janeiro. 




Minha profissão: Guilherme Sampaio, músico / empresário

24 02 2011

Guilherme Sampaio

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Esta é a segunda entrevista da série: Minha Profissão.  Veja na coluna ao lado, a série de links para cada uma das entrevistas.

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Guilherme Sampaio, músico

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Perfil

Um cara quieto com a mente a mil, sempre pensando em como melhorar algo ou criar algo novo.  Sorridente e com limites expandidos, mas não os ultrapasse! Muito prazer!

1 – Que tipo de trabalho você faz?

Sou músico, empresário e produtor da banda AUMUMANA e tenho uma empresa de desenvolvimento web focado em soluções para redes sociais e música.

2 – Você trabalha no campo de sua formação profissional ou trabalha numa área diferente daquela para qual estudou?

Sim!  Me formei na escola de música Villa Lobos na mesma época que me formei em Informática pela PUC-RJ.  Depois fiz uma pós em Arte e Filosofia e em Gerência de Projetos, ambos no CCE, também na PUC-RJ.

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3 – Para o trabalho que você faz agora, o que poderia ter sido diferente no seu curso de formação?

Gostaria de ter tido um pouco mais de aulas relativas ao mercado ou como gerenciar pessoas e empresas.

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 Aumumana

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4 – O que você faz para continuar a se atualizar?

Estudo muito tudo, sigo vários blogs e também no Twitter.  Leio alguns livros, apesar de ter diminuído com todo esse fluxo da Internet. E também procuro estar sempre na ativa, tocando e desenvolvendo tudo que me vem à cabeça.

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5 – Você precisa usar alguma língua estrangeira frequentemente?

Inglês! O tempo todo, a maioria das pessoas que tenho contato são gringas, então…

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6 – Que conselho daria a um adolescente que precisa decidir que carreira escolher?

Vai com calma!  Eu estava na pressão da escolha e ia fazer Desenho Industrial.  Na última hora acabou surgindo o curso de Informática na PUC e eu acabei indo parar nele.  Hoje estou muito feliz com minha decisão.  Em qualquer curso você vai encontrar coisas que não gosta, mas só indo até o final que você vai terminar, então, mãos a obra e não desista!

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7 – Você tem um lugar na internet que gostaria de mostrar para os nossos leitores? Um blog, twitter?

Eu não tenho nada pessoal, apesar de comandar todas as contas e sites dos meus empreendimentos pessoalmente.  Em ambos os sites vocês podem encontrar as redes sociais em que tenho presença. Divirtam-se!

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AUMUMANA: http://aumumana.com            (Muito som!)

Arquitetura Abstrata: http://arqabs.com     (Tecnologia Web!)