O lago e a estrela, poesia de Luiz Guimarães

6 01 2014

ISABEL PONS (1912 - 2002 )Reflexo da lua, P.E. 35 x 22Reflexo da lua, s/d

Isabel Pons (Brasil, 1912-2002)

Gravura, 35 x 22cm

O lago e a estrela

Luiz Guimarães

Disse a vaidosa estrela quando viu

De um lago azul a débil transparência:

— Por que te deu a sábia providência

Um corpo tão monótono e sombrio?

Comigo teve Deus maior clemência

E do esplendor eterno me vestia!

Que vales, pois, ó lago humilde e frio,

Perto da minha deslumbrante essência?

Nos céus eu moro! O meu destino zomba

De ignota força que reparte as mágoas!

Tenho a ventura de desconhecê-la.

— Mas quando a noite vagarosa tomba

É no seio fiel das minhas águas

Que vens dormir, ó luminosa estrela!

Em: Poetas cariocas em quatrocentos anos, Frederico Trotta, Rio de Janeiro, Vecchi:1965, pp. 230-231.





Quadrinha do nosso destino

2 01 2014

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Pato Donald pronto para desistir, ilustração de Walt Disney.

Sábia lição aprendi,

desde os tempos de menino:

— Na vida, somos autores

do nosso próprio destino.

(Célio Meira)





A estrela polar — poesia de Vinícius de Moraes

14 12 2013

noite, ceu, estrelas,Nicolas Gouny - cueillir des étoilesIlustração de Nicolas Gouny.

A estrela polar

Vinicius de Moraes

Eu vi a estrela polar

Chorando em cima do mar

Eu vi a estrela polar

Nas costas de Portugal!

Desde então não seja Vênus

A mais pura das estrelas

A estrela polar não brilha

Se humilha no firmamento

Parece uma criancinha

Enjeitada pelo frio

Estrelinha franciscana

Teresinha, mariana

Perdida no Polo Norte

De toda a tristeza humana.

Em: Poemas para a Infância – antologia escolar – de Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, Edições de Ouro, s.d., p.18.





Quadrinha da educação na briga

10 12 2013

Zé Carioca apazigua a discussão, ilustração Walt Disney.

No calor da discussão

no lar, emprego ou na rua,

não exija educação,

mas sempre demonste a sua.

(Aloysio Alfredo Silva)





Quadrinha da multidão

7 12 2013

john brack, crowd, 1955Rua Collins às 17 horas, 1955

John Brack (Austrália, 1920-1999)

óleo sobre tela, 115 x 163 cm

National Gallery, Vitória, Austrália

Na rua a multidão passa…

Humanos, juntos -é  certo-,

mas, vejo, pela vidraça,

cada qual no seu deserto.


(Lucília de Carli)





Soneto de Bernardino Lopes: “A filha, pálida e loura” 1881

6 12 2013

ARTHUR TIMOTHEO DA COSTA - Bordadeira, óleo sobre tela, 64X53cmBordadeira, s/d

Arthur Timótheo da Costa (Brasil, 1882-1923)

óleo sobre tela, 64 x 53 cm

XVI

A filha, pálida e loura

Faz seu serão de costura:

Às vezes pensa… ou procura

Dentro do cesto a tesoura.

Vive numa dobradura

A singular criatura!

Ralha-lhe o pai com doçura,

Ao regressar da lavoura.

Dá na varanda oito e meia…

Levanta-se logo a moça,

Pondo os morins no baú;

Traz os preparos da ceia;

E nas tigelas de louça,

Tomam café com biju.

Em: Cromos, 1881





Traçado, poesia de Luís Pimentel

3 12 2013

Lendo com plantas, ilustração de Germaine Caillou.

Traçado

Luís Pimentel

O poema é como a aranha,

vai vivendo do que tece.

Se o campo é vasto, ele cresce.

Se a terra é seca, ele míngua.

O poema é uma íngua:

Inflama quando adoece.

Do poema só se colhe

o que o poema semeia.

E como a aranha,

se envolve,

em sua teia.

Em: O calcanhar de Aquiles, Luís Pimentel, Rio de Janeiro, Betrand Brasil: 2004





Quadrinha do meu Natal

2 12 2013

BRINQUEDOS,  CAVALO DE PAU, TAMBOR, ÁRVORE DE NATAL

Meu Natal, hoje, é melhor,

pelo conforto e os bons tratos,

mas o sonho era maior

quando eu não tinha sapatos!

(José Messias Braz)





15 de novembro — Dia da República

15 11 2013

Delfim da Câmara (1834–1916)Retrato de D. Pedro II, 1875, ost, 127 × 95 cm, Museu Histórico Nacional (MHN)Rio de JaneiroRetrato de D. Pedro II, 1875

Delfim da Câmara (Brasil, 1834- 1916)

óleo sobre tela, 127 x 95 cm

Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro

“Em visões de luz, de paz, de glória
aguardarei sereno no meu jazigo,
a justiça de Deus na voz da História.”

(Pedro de Alcântara, [D. Pedro II], no poema, Terras do Brasil)





A obra de ficção mais antiga do mundo!!!

14 11 2013

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Estandarte de UR, 2600 a.C.  [DETALHE]

Concha, calcário, lápis-lázuli e betume

Cemitério Real,Tumba Real, provavelmente do rei Ur-Pabilsag, Iraque.

Museu Britânico,Londres.

Você sabia que a história de ficção mais antiga que conhecemos  vem da Mesopotâmia? Pois os Sumérios, que ocupavam o vale entre os rios Tigre e Eufrates, uma região de solo muito fértil que hoje faz parte do estado do Iraque, foram os primeiros a desenvolver a escrita – escrita cuneiforme – por isso mesmo são os autores da primeira história de ficção, que se conhece.  A versão mais antiga que temos dessa obra é de 18 séculos antes da Era Comum [século XVIII a. C.]. Essa obra em versos, chama-se em português A epopéia de Gilgamesh, e conta a história de Gilgamesh e companheiro de aventuras Enkidu. Quando Enkidu morre, Gilgamesh se vê questionando a morte e sai à procura da vida eterna. Acredita-se que essa obra seja o resultado da compilação de diversos poemas e lendas tradicionais do povo sumério, contadas de uma forma poética. É aqui que aparece a primeira referência, anterior à da Bíblia, do Dilúvio Universal.

Há diversas traduções dessa obra para o português e também algumas versões para o público infantil.

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