Quadrinha da felicidade

10 02 2014

flores na janela, FruitGardenAndHome1923-11Capa da revista Fruit, Garden & Home, novembro de 1923.

Saibam que a felicidade

raramente é percebida,

porque ela só é encontrada,

nas coisas simples da vida.

(Anônimo)





Pode entrar, que a casa é sua — poesia de Djalma Andrade

4 02 2014

Casario e igrejas em Ouro Preto, MG, 1963

Luiz de Almeida Júnior ( Brasil 1894-1970)

óleo sobre tela  50 x 60cm

Pode entrar, que a casa é sua

-(

Djalma Andrade

Minas… Igrejas e sinos
De sons puros, cristalinos…
Pompas… Passado de glórias…
Cidades velhas, velhinhas,
Com ternura de avozinhas,
Que contam lindas histórias.

Minas… As velhas fazendas
Cheias de casos e lendas
De uma era sombria, escura…
E Minas das claras fontes,
Dos rasgados horizontes,
Minas do pão, da fartura.

Minas… as longas estradas
Nos duros morros cravadas…
Gente forte à luta afeita!
Carros gemendo e cantando,
Serras e montes galgando,
Na alegria da colheita.

Minas… Repiques festivos,
A banda, dobrados vivos
Rompe com fúria infernal…
Foguetes, o largo cheio…
Todo o povo alegre veio
Para a festa no arraial.

Minas… É o lar que se agita
Gente de fora, visita,
Todos à porta da rua…
Sorriso franco e bondoso,
Lá dentro o café cheiroso:
– Pode entrar, que a casa é sua.

Djalma Andrade (Congonhas, MG, 1871-1975)





Quadrinha do teu destino

31 01 2014

aranha, Clarence Coles PhillipsIlustração Clarence Coles Phillips.

Não tens mais do que mereces,

homem fraco e pequenino,

porque tu mesmo é que teces

a teia do teu destino.

(Ariston Teles)





Perdoa, poesia de Maria Pagano de Botana

28 01 2014

Bernard rolland-la-lectureA leitura

Bernard Rolland (França, contemporâneo)

acrílica sobre tela

Perdoa

Maria Pagano de Botana

Se o vento desfolhar do teu jardim as rosas

E as deixar pelo chão espalhadas à toa,

Cruza os braços, fitando as roseiras graciosas,

— E a maldade do vento, em silêncio, perdoa!

Se a poeira vier ferir teus olhos, na estrada,

Deixa que o teu olhar tranquilamente doa,

Eleva para o azul as pálpebras, mais nada…

— E a maldade do pó, com ternura, perdoa!

Se alguém encher de fel teu coração dorido,

Sem que do teu pesar um dia se condoa,

Não maldigas: esquece o insulto recebido,

E a maldade do mundo, em lágrimas, perdoa!

Em: 232 Poetas Paulistas:antologia,  ed. e col. Pedro de Alcântara Worms, São Paulo, Conquista: 1968, p. 342.

Maria Pagano de Botana  ( Pederneiras, SP, 1909)  [ Baronesa de Santa Inês] Poeta, cronista, professora, jornalista .  Pseudônimos:  Marlon, Maria do Rosário.

Obras:

Do sonho à realidade, crônicas, 1945

Canteiro humilde, pensamentos, 1948

Amor fonte de vida, poesia, 1950

Luzes e imagens, 1972, biografia romanceada





Paulista eu sou há quatrocentos anos, soneto de Martins Fontes

25 01 2014

Agostinho Batista de Freitas (1927-1997)Vale do Anhangabaú,1980,ost, 50 x 70 cmVale do Anhangabaú, 1980

Agostinho Batista de Freitas (Brasil, 1927-1997)

óleo sobre tela, 50 x 70 cm

Paulista eu sou há quatrocentos anos

es

Martins Fontes

Paulista eu sou há quatrocentos anos:
Imortal, indomável, infinita,
Dos mortos de que venho, ressuscita
A alma dos Bandeirantes sobrehumanos.

Tenho o orgulho dos nossos altiplanos.
Tenho a paixão da gleba circunscrita.
Quero morrer, ouvindo a voz bendita
Dos pausados cantares paulistanos.

De minha terra, para minha terra,
Tenho vivido. Meu amor encerra
A adoração de tudo quanto é nosso.

Por ela, sonho num perpetuo enlevo.
E, incapaz de servi-la quanto devo,
Quero ao menos e amá-la quanto posso.

Em: 232 Poetas Paulistanos: antologia, Pedro de Alcântara Worms, Rio de Janeiro, Conquista:1968, p. 130

Homenagem ao aniversário da cidade de São Paulo!




Retrato na praia, poema de Carlos Pena Filho

21 01 2014

Julia lendo e descansando na praia, s/d

Nancy Salamouny (Líbano, contemporânea)

http://nancysalamouny.blogspot.com

Retrato na praia

Carlos Pena Filho

Ei-la ao sol, como um claro desafio

ao tenuíssimo azul predominante.

Debruçada na areia e assim, diante

do mar, é um animal rude e bravio.

Bem perto, há um comentário sobre estio,

mormaço e sonolência. Lá, distante,

muito vagos indícios de um navio

que ela talvez contemple nesse instante.

Mas o importante mesmo é o sol, que esse desliza

por seu corpo salgado, enxuto e belo,

como se nuvem fosse, ou quase brisa.

E desce pelos seus braços, e rodeia

seu brevíssimo e branco tornozelo,

onde se aquece e cresce, e se incendeia.

Em: Melhores poemas, Carlos Pena Filho, Sel. Edilberto Coutinho, Editora Global:2000, 4ª edição.

Carlos Pena Filho  nasceu no Recife, em 1929.  Formado em Direito, pela Faculdade de Direito do Recife, foi poeta, letrista, jornalista, ensaísta para o Jornal do Comércio. Morreu num acidente automobilístico em 1960.

Obras:

O tempo da busca, 1952

Memórias do boi Serapião, 1955

A vertigem lúcida, 1958

Livro geral (obra reunida), 1959

Melhores poemas (póstuma) seleção de Edilberto Coutinho, 1983





Quadrinha do beijo

16 01 2014

beijinhos, Margret BorissBeijinho apaixonado, ilustração de Magret Boriss, em cartão postal.

Quando abraço o seu abraço,

meu coração toca o seu…

E quando beijo o seu beijo,

penso que você sou eu…

(Rômulo Cavalcante Mota)





Beira-mar, poesia de Domingos Pellegrini

15 01 2014

SYLVIO PINTO (1918-1997)Barcos e traineiras na Baia de Guanabara – RJ,1978, ost, 60 X 81Barcos e treineiras na Baía de Guanabara, 1978

Sylvio Pinto (Brasil, 1918-1997)

óleo sobre tela, 60 x 81cm

Beira-mar

Domingos Pellegrini

O mar com seu motor que nunca para

o vento em seus humores vagadios

ou a te dar refresco ou arrepios

e a máscara de sal na tua cara

O pernilongo que sempre declara

guerra ao teu sono, e o interminável cio

duma coruja a repetir seu pio

para o luar que a nuvem desaclara

Então aquieta a música do brejo

enquanto as pererecas pensam se

será complô dos grilos e morcegos

E antes que a sinfonia recomece

dá para ouvir que a saparia tem

tão pouco assunto para tanta conversa

Em: Gaiola aberta: 1964-2004, Domingos Pellegrini, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil: 2005





Quadrinha do amigo cão

11 01 2014

cachorrinho e pintinhos, Diana ThorneIlustração Diane Thorn.

Se chegares a entender
os homens, como eles são,
poderás compreender
a grandeza do teu cão!

(V. C.  Soares de Sousa)





Quadrinha do presente

8 01 2014

???????????????????????????????Cascão leva um presente, ilustração de Maurício de Sousa.

Se você der um presente,

esqueça logo o que deu;

mas traga sempre na mente

aquilo que recebeu.

(Adalzira Bittencourt)