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Cozinheiro, ilustração de Dan Andreasen.
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Você me chamou de feio,
sou feio mas sou dengoso,
também o tempero é feio
mas faz o prato gostoso.
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(autoria desconhecida)
Cozinheiro, ilustração de Dan Andreasen.–
Você me chamou de feio,
sou feio mas sou dengoso,
também o tempero é feio
mas faz o prato gostoso.
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(autoria desconhecida)
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Casas, s/d
Maria Ávila ( Brasil, contemporânea)
óleo sobre tela, 55 x 46 cm
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Domingos Pellegrini
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Os cheiros que te assaltam suavemente
floradas de quintais e de jardins
de murta na calçada ou alecrim
ou santa-bárbara a chover sementes
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A fragância envolvente do jasmim
esse cheiro de chuva já no vento
e nos escuros entre vaga-lumes
o perfume moleque dos capins
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Um fedor de lixeira de repente
aqui carroças com cheiro de estrume
ali cheiro de graxa e de trabalho
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E duma casa pobre mas decente
aquele cheiro que o bairro resume
bife fritando com cebola e alho
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Em: Gaiola aberta: 1964-2004, Domingos Pellegrini, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil: 2005
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Ilustração, autoria desconhecida.–
Lenços brancos, acenando,
para a Maria Fumaça,
que vão, também retirando
o “cisco” que o olhar embaça!
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(Therezinha Radetic)
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José Teófilo de Jesus (Brasil, 1758-1847)
óleo sobre tela, 65 x 82 cm
Museu de Arte da Bahia, Salvador
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(Indígena Brasileiro)
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Bruno Seabra
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O branco disse ao timbira:
— Não me inspiram, sertanejo,
Estes bosques, estas matas;
— Nem eu vejo
De que te ufanes aqui:
Vem comigo — minha terras
Tem mais lindas variedades
Vida, amor, ouro, prazeres,
Nas cidades
Tudo enfim, terás — ali. —
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O timbira disse ao branco:
— Cariúra, deixa a cidade,
__ Vem viver co’o sertanejo,
— Aqui tens a liberdade. —
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(1858)
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Em: O Espelho: revista de literatura, modas, indústria e artes, n. 5, de outubro de 1859, p.69. da edição em facsímile, Rio de Janeiro, MEC:2008, p. 9
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Ilustração, Emiliano Ponzi.–
Liberdade é conviver
com sua própria razão,
sem a niguém ofender,
nem magoar o coração.
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(Durval Lobo)
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Em: O sabiá dos sabiás: homenagem ao 1º centenário de nascimento de Adelmar Tavares, Academia Brasileira de Trova, Rio de Janeiro, 1988, p. 42
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São gêmeos o riso e o pranto,
em doce-amargo torpor,
porque a lágrima vem tanto
no prazer como na dor…
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(Venturelli Sobrinho)
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Antônio Rocco (Itália, 1880 – Brasil, 1944)
óleo sobre tela, 50 x 60 cm
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Carmen Freire
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Nascida na ternura ou na tristeza
Límpida gota dos orvalhos d’alma
Tu, lágrima saudosa, muda e calma,
Que força enorme tens nessa fraqueza?
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Possuis mais que o poder da realeza,
Quando és filha da dor que o pranto acalma,
E, qual gota de orvalho em verde palma
À pálpebra chorosa ficas presa!
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Estrela da saudade, flor de neve,
Que o vento da tristeza faz brotar,
Amo o teu brilho nessa luz tão breve
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De breve globo teu… imenso mar
Cujos fundos arcanos não se atreve
Nem se atreveu ninguém jamais sondar!
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Em: Poetas cariocas em 400 anos, selecionados por Frederico Trotta, Rio de Janeiro, Editora Vecchi: 1965, pp. 176-177 —
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Carmen Freire, Baronesa de Mamanguape, nasceu no Rio de Janeiro em 1855. “De família de poucos recursos, aos 13 anos torna-se Baronesa de Mamanguape, pelo casamento com o senador e latifundiário Barão Flávio Clementino da Silva Freire. Faleceu em 1891, quase ao mesmo tempo que o marido, depois de uma rápida enfermidade.
“Espírito de grande versatilidade e atraída pela literatura e artes, Carmen Freire se notabilizou pelas famosas tertúlias poéticas, realizadas em seu palacete, com a presença de literatos do tempo: Olavo Bilac, Guimarães Passos, Paula Ney, Coelho Neto, Aluísio Azevedo, Pardal Mallet, Rodolfo Amoedo...” [para mais informações veja: Dicionário crítico de escritoras brasileiras 1711-2001, Nelly Novaes Coelho, São Paulo, Editora Escrituras: 2002]–
Obras:
Visões e sombras, 1897, poesia (póstuma)
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Jovem lendo,ilustração de Joseph Christian Leyendecker.–
Ante a investida do mar,
no seu vaivém tão constante,
penso na vida a passar,
um vai-sem vem incessante.
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(Margarida Ottoni)
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Desconheço a autoria dessa ilustração. Se você conhece o autor, me diga. Obrigada.–
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Vinicius de Moraes
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Onde vais, elefantinho
Correndo pelo caminho
Assim tão desconsolado?
Andas perdido, bichinho
Espetaste o pé no espinho
Que sentes, pobre coitado?
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– Estou com um medo danado
Encontrei um passarinho!
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Em: A arca de Noé:poemas infantis, Vinícius de Moraes, Companhia das Letrinhas, São Paulo:1991
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Dona Cebola pede desculpas ao Seu Cebola, ilustração de Maurício de Sousa.–
Quem não cultiva a humildade
dentro do seu coração
por orgulho ou por vaidade
não sabe pedir perdão.
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(José Augusto Fernandes)