Canto Nativo, de Jaime d’ Altavila, poesia para a 3a série, na semana da pátria.

6 09 2008

 

Paisagem, por Aldemir Martins (-2006), AST.

Paisagem, por Aldemir Martins (CE 1922- SP 2006), AST.

 

CANTO NATIVO

 

Jaime d’ Altavila

 

 

Quando eu morrer,

você rasgue um pedaço deste céu

            E faça dele a minha mortalha.

Quando eu morrer,

            você cave um torrão de terra virgem

            E faça dele o meu travesseiro.

Quando eu morrer,

            você arranque o Cruzeiro do Sul

            E faça das estrelas meus círios.

 

……………………………………………………………………..

 

Quando eu morrer,

            você  corte um ramo de pitangueiras

            E cruze, sobre ele, as minhas mãos.

Quando eu morrer,

            você plante sobre a minha sepultura

            uma palmeira de ouricuri.

………………………………………………………………………

 

Quando eu morrer,

            você diga aos que perguntarem por mim

            Que eu morri como nasci:

                        Brasileiro,

                        Brasileiro,

                        Brasileiro.

 

Jaime d’Altavila,  pseudônimo de Anfilófio Melo (AL 1895-1970), formado em Direito,  novelista, cronista, poeta, ensaísta, historiador.  Fundador da Academia Alagoana de Letras.

 

Obras:

 

A Terra Será de Todos  1983  

Canto Nativo  1949  

Estudos de literatura brasileira  1937  

Gênese da literatura alagoana  1922  

Lógica de um Burro  1924  

Luango  1945  

Mil e Duas Noites  1931  

O Tesouro Holandês de Porto Calvo  1961  

Poesias de J. A.  1995

Encontrado em: Vamos Estudar?  Theobaldo Miranda Santos, 3a série primária, Rio de Janeiro, Agir: 1961.





MINHA TERRA, poesia para 3a série, Semana da Pátria

5 09 2008

 

Índio brasileiro.

Índio brasileiro.

 

MINHA TERRA

 

 

D. Aquino Correia

 

 

Minha terra é Pindorama

de palmares sempre em flor:

quem os viu e não os ama,

não tem alma nem amor.

 

Santa Cruz é minha terra,

terra santa cá do sul:

seu pendão a cruz encerra,

tem a cruz no céu azul.

 

Deus num último batismo

meu país Brasil chamou;

se me abrasa o patriotismo,

brasileiro então eu sou.

 

Eis os nomes que assinalam

minha terra sempre em flor:

são três nomes que me falam

de beleza, fé e amor.

 

Pindorama!  és meu encanto!

Santa Cruz!  és minha fé!

O’ Brasil!  Eu te amo tanto,

que por ti morrera até.

 

 

VOCABULÁRIO:

 

Pindorama – terra das palmeiras, nome dado ao Brasil pelos índios.

 

♦♦♦♦♦♦

 

 

D. Francisco Aquino Correia ( Cuiabá, MT 1885 – São Paulo – 1956)  arcebispo de Cuiabá.

 

 

Do livro:

 

Vamos estudar?: 3a série primária, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro,  Agir: 1961. 12a edição. [Edição especial para os Estados de Goiás e Mato Grosso].

 

 





Romance Dos Dois Pedros, poema de Murillo Araújo para a Semana da Pátria

5 09 2008

D. Pedro I, o Defensor Perpétuo do Brasil, 1830, por Simplicio Rodrigues de Sá, Museu Imperial de Petrópolis

D. Pedro I, o Defensor Perpétuo do Brasil, 1830, por Simplício Rodrigues de Sá, Museu Imperial de Petrópolis

 

ROMANCE DOS DOIS PEDROS

 

Murillo Araújo

 

 

 

Dois Pedros singulares

teve a Pátria na sua construção.

Dois Pedros – duas pedras angulares

serviram de pilares

à Nação.

 

 

Intensamente

dois príncipes de sangue

amaram nossa Pátria adolescente.

 

 

Um deles – oh o rei moço e enamorado! –

um deles no delírio arrebatado

de uma paixão primeira!

O segundo – nesse êxtase sagrado

que  costuma durar a vida inteira.

 

 

E um com brilho da espada, outro com a pena

— ah! cada qual honrou

a terra linda, esplêndida e morena

que desposou.

 

 

Um Pedro, desafiando a força e a guerra

quis ser o seu Perpétuo Defensor.

Outro Pedro votou à nossa terra

um mundo de solícito fervor.

 

 

Pedro I lhe alcançou, lutando,

a túnica marcial da liberdade.

E a Nação, mal desperta, lhe sorriu.

 

Pedro II

deu-lhe um manto de glória venerando –

a nobre integridade

que, ante os olhos do mundo,

a revestiu.

 

 

Um foi, nas armas, bravo e extraordinário;

outro foi magnânimo e foi justo.

 

 

Um foi dominador e temerário;

outro foi sábio, generoso, augusto.

 

 

E de tal sorte.

amando a terra moça e bela,

um viveu prestes a morrer por ela,

outro – viveu por ela até a morte.

 

 

Encontrado em:

 

O candelabro eterno: aos moços – este álbum dos avós que criaram o Brasil, publicado pela primeira vez em 1955, parte da  Poemas Completos de Murillo Araújo, 3 volumes, Rio de Janeiro, Irmãos Pongetti:1960

 

 

D. Pedro II, o Magnânimo, 1864, por Vitor Meireles (Brasil, 1832-1903), OST, Museu de Arte de São Paulo

D. Pedro II, o Magnânimo, 1864, por Vítor Meireles (Brasil, 1832-1903), OST, Museu de Arte de São Paulo





DIA DE FESTA… Mais um poema de Murillo Araújo na semana da pátria

4 09 2008
Dragões da Independência, Foto de Cláudio Reis

Dragões da Independência, Foto de Cláudio Reis

 

DIA DE FESTA…

 

Murillo Araújo

 

Olho o céu mais contente.

 

 

Por que tantas bandeiras

batem alegremente,

como grandes pavões, as asas verde e ouro,

inquietas e ligeiras?

 

 

Por que passam soldados

e nas armas têm flores?

 

Por que estrondam dobrados

com clarins e tambores?

 

 

 

Por que todos na escola, reunidos, cantamos,

todos nós, mais de mil?!

 

 

 

É o Brasil que faz anos…

 

 

É o Brasil que faz anos:

Viva o Brasil!

 

 

 

Murillo Araújo – (MG 1894 – RJ 1980) jornalista, formado em direito.  Poeta.

 

Retirado de: A Estrela Azul: poemas para crianças, 1940 em Poemas Completos de Murillo Araújo

 





Murillo Araújo: Dois Tesouros na Pátria — para a semana da pátria

3 09 2008

 

A Pátria, 1905, Pedro Bruno, (RJ  1888-1949), óleo sobre tela, Museu Histórico do Rio de Janeiro.

A Pátria, 1905, Pedro Bruno, (RJ 1888-1949), óleo sobre tela, Museu Histórico do Rio de Janeiro.

 

DOIS TESOUROS NA PÁTRIA

 

 

Murillo Araújo

 

 

 

O mestre disse: “Adora a tua terra!

É um prodígio glorioso e sem segundo.

 

Quanto ouro verde em cada verde serra,

quanto ouro de astros neste céu profundo

entre montanhas grandes como o mundo!

 

Adora nossa pátria e nossa história.

Pensa nos que iam à chuvarada e aos sóis

lutar, morrer com a glória da vitória…

e adora nossa pátria em seus heróis!”

 

Mas – terra de meu sonho e meus desejos –

eu te amo mais – oh meu país, perdoa –

porque, em ti, minha mãe me enche de beijos

e em ti meu  pai me abraça e me abençoa!

 

E eles são meus heróis de auréola de ouro,

a cuja luz o coração inundo;

e eles são para mim maior tesouro

do que as montanhas grandes como o mundo…

 

 

 

Murillo Araújo – (MG 1894 – RJ 1980) jornalista, formado em direito.  Poeta.

 

Retirado de: A Estrela Azul: poemas para crianças, 1940 em Poemas Completos de Murillo Araújo [ 3 volumes], Rio de Janeiro, 1960, Irmãos Pongetti.





Símbolo, um poema de Brant Horta, na semana da pátria

1 09 2008

Forte de Copacabana, Rio de Janeiro

Símbolo

 

Brant Horta

 

 

Bandeira de minha terra,

 

Pano sagrado e gentil,

 

Em cujas dobras se encerra

 

O coração do Brasil;

 

 

 

Emblema que nos recorda

 

As mais gratas tradições,

 

Vibrando na mesma corda

 

Milhares de corações;

 

 

 

Pano verde – alma esperança

 

Na senda do progredir;

 

Ouro e azul – mar de bonança,

 

De opulência no porvir;

 

 

 

Ouro e verde – escrínio d’alma

 

Altiva desta nação,

 

Quer oscilante na calma

 

Tranqüila da viração;

 

 

 

Quer no choque árduo e tremendo

 

Das batalhas imortais,

 

Quer nas águas, destemendo

 

A fúria dos temporais,

 

 

 

Que sem desfalecimentos

 

Tu, Bandeira verde e azul,

 

Desfraldada aos quatro ventos

 

Domines de norte a sul.

 

 

Na semana da pátria, um poema para crianças, jovens e adultos.

 

Francisco Eugênio Brant Horta ( Juiz de Fora, MG 1876 – Rio de Janeiro, RJ 1959) —  Poeta, tradutor, trovador, teatrólogo, jornalista, professor, músico, membro fundador da Academia Mineira de Letras.

Pseudônimos:

1) Brant Horta 

2) Bisneto Fonce

 

Obras:

 

As duas Teles, Teatro 1934  

Harpa Eólia, Poesia 1912  

Lirae Carmen, Poesia 1905  

Via Lucis, Poesia 1937  

 





Presente, poema infantil de Matilde Rosa Araújo

31 08 2008

Presente                                 Matilde Rosa Araújo                    

A girafa deu
ao seu
marido
no dia
de Natal
um lenço
colorido
de seda natural.
Que alegria!
– disse o marido –
ponha a pata
nesta pata,
com um pescoço
tão comprido
você não podia
ter-me comprado
uma gravata.

 

Matilde Rosa Araújo (Lisboa 1921 – 2010) pedagoga, escritora e poeta.

 

Obra

O Livro da Tila – poemas para crianças, 10ª edição, Livros Horizonte, 1986;

O Palhaço Verde – novela infantil, 5ª edição, Livros Horizonte, 1984 ; 

História de um Rapaz – conto infantil, 8ª edição, Livros Horizonte, 1986; 

O Cantar da Tila – poemas para a juventude, 8ª edição, Livros Horizonte, 1986; 

O Sol e o Menino dos Pés Frios – contos, 7ª edição, Livros Horizonte, 1986; 

O Reino das Sete Pontas – novela infantil, 2ª edição, Livros Horizonte, 1986; 

Os Quatro Irmãos – 2ª edição, Livros Horizonte, 1983 (ilustrações de Ana Leão); 

História de uma Flor – conto infantil, 1ª edição, Faoj; O Sol Livro – textos para o ensino, 1ª edição, Livros Horizonte, 1976; 

Os Direitos da Criança Livros Horizonte – 1ª edição, Unicef, 1977; 

O Gato Dourado – contos infantis, 3ª edição, Livros Horizonte, 1985; 

As Botas de Meu Pai – contos infantis, 2ª edição, Livros Horizonte, 1981; 

Camões, Poeta Mancebo e Pobre – divulgação, 1ª edição, Prelo Editora, 1978; 

Baladas das Vinte Meninas – poema infantil, Plátano Editora, 1978; 

Joana-Ana – conto infantil, Livros Horizonte, 1981; 

A Escola do Rio Verde – 2ª edição, Livros Horizonte, 198l; 

O Cavaleiro Sem Espada – Livros Horizonte, 1979; 

A Velha do Bosque – Livros Horizonte, 1993; 

A Guitarra da Boneca – Livros Horizonte, 1983; 

As Crianças, Todas as Crianças – Livros Horizonte, 1976; 

A Infância Lembrada – Antologia – Livros Horizonte, 1986; 

A Estrada Fascinante – Livros Horizonte, 1988; Mistérios – Livros Horizonte, 1988; 

Rosalina Foi à Feira – Livraria Arnado, 1994;

O Chão e a Estrela – Editora Verbo  1997; 

As Fadas Verdes – Livraria Civilização, 1994; 

“A Fonte do Real”, in Soares, Luísa Ducla (org.), A Antologia Diferente – De que São Feitos os Sonhos, Porto, Areal, (1986), pp. 30-32; 

Voz Nua, Lisboa, Horizonte, 1986; “A menina do pinhal”, in AAVV, Histórias e Canções em Quatro Estações – Primavera. Lisboa. Lisboa Editora. 1988, pp. 9-24; 

O Passarinho de Maio, Lisboa. Horizonte, 1990; 

O Chão e a Estrela, Lisboa, Verbo, 1994; 

A Estrada Fascinante, Lisboa, Horizonte, 1988 (ensaio).

 

 





O cavalinho branco, poema infantil de Eloí E. Bocheco

27 08 2008

 

CAVALINHO BRANCO

 

 

Eloí E. Bocheco

 

O cavalinho branco

come estrelas e

raios de luar.

De noite,

o relincho do cavalinho

brilha tanto

que dá pra enxergar:

os piolhos da cobra,

a cicatriz no pé

da centopéia,

a unha encravada

do tamanduá,

o pesadelo da coruja

e até os ninhos

dos sabiás nas árvores.

Ontem o cavalinho

deu um relincho

tão iluminado

que clareou

a outra ponta do mundo.                                      

 

Do livro: Ô de casa, Griphus, 2000

 

Eloí Elisabete Bocheco, Campos Novos, SC — professora, formada em Letras pela Universidade de Passo Fundo – RS.  

Obras:

 

Uni… duni…téia… (1998 )

Ô de casa (2000)

O abraço mágico (2002)





Contos de Fadas, poema de Affonso Louzada

26 08 2008

 

 

 

CONTOS DE FADAS

 

Affonso Louzada

 

Quantas histórias lindas me contavas,

avozinha querida!  antigamente.

Nesses contos de fadas me embalavas,

com tua doce voz de água-corrente.

 

–“ Era uma vez…”  Contavas, recontavas

histórias que eu ouvia atentamente

e às vezes, por acaso me falavas

de bruxas que enfeitiçam toda gente.

 

Nunca mais me esqueci daqueles contos

e à fantasia imensa das histórias

dando, quem sabe?  Todos os descontos –

 

avozinha querida! penso a esmo

que as fadas eram coisas ilusórias

e que as bruxas, porém, existem mesmo.

 

 

Do livro:

 

SONETOS, Affonso Louzada, Rio de Janeiro, 1956, 2ª edição-aumentada.

 

 

Affonso Montenegro Louzada – (RJ – 1904 — ?), poeta, ensaísta, crítico, jornalista, teatrólogo, advogado, membro da Sociedade Homens de Letras do Brasil.  Hoje seu nome pode ser encontrado como: Afonso Lousada.

 

Obras:

 

Peço a palavra, (1934),  — fábulas me versos.

La Fontaine (1937) ensaios sobre fábulas.

Melo Matos, o apóstolo da infância, (1938)

O cinema e a literatura na educação da criança (1939)

O problema da criança (1940)

Delinqüência infantil (1941)

A ação do Juízo de Menores (1944

Tempo abandonado ( 1945) – versos

Notas sobre a assistência a menores (1945)

Noturnos (1947) – versos

Literatura infantil (1950)

Histórias dos bichos (1954) – fábulas em versos.

 

 





Cavaleiro do cavalo de pau, poema de Afonso Lopes Vieira

24 08 2008
O cavalinho de pau, ilustração Kate Greenaway

O cavalinho de pau, ilustração Kate Greenaway

CAVALEIRO DO CAVALO DE PAU

 

Afonso Lopes Vieira

 

 

Vai a galope o cavaleiro e sem cessar

Galopando no ar sem mudar de lugar.

 

E galopa e galopa e galopa, parado,

E galopa sem fim nas tábuas do sobrado.

 

Oh!, que brabo corcel, que doídas galopadas,

—  Crinas de estopa ao vento e as narinas pintadas!

 

Em curvas pelo ar, em velozes carreiras,

O cavalo de pau é o terror das cadeiras!

 

E o cavaleiro nunca muda de lugar,

A galopar, a galopar a galopar!…

 

 

Afonso Lopes Vieira — ( Portugal 1878-1946) advogado formado  pela Universidade de Coimbra, além de poeta e escritor foi redator da Câmara dos Deputados.

 

Obras:

 

Para quê? (1897)

Náufragos, Versos Lusitanos (1898 )

O Meu Adeus (1900)

O Encoberto (1905)

Canções do vento e do Sol (1911)

Bartolomeu Marinheiro (1912)

Arte Portuguesa (1916)

Ilhas de Bruma (1917)

País Lilás, Desterro Azul (1922)

Onde a Terra Acaba e o Mar Começa (1940)

 

 

 

Do livro: Antologia poética para a infância e juventude, Ed. Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, INL:1961