A universitária, s/d
Virgílio Dias (Brasil, 1956)
Virgílio Dias Filho nasceu no dia 8 de setembro de 1956 no Rio de Janeiro, onde mora.
A universitária, s/d
Virgílio Dias (Brasil, 1956)
Virgílio Dias Filho nasceu no dia 8 de setembro de 1956 no Rio de Janeiro, onde mora.
O Guarda-chuva
Mauro Mota
Meses e meses recolhida e murcha,
sai de casa, liberta-se da estufa,
a flor guardada ( o guarda-chuva). Agora,
cresce na mão pluvial, cresce. Na rua,
sustento o caule de uma grande rosa
negra, que se abre sobre mim na chuva.
Em: Antologia Poética, Mauro Mota, Rio de Janeiro, Editora Leitura: 1968, P.87
Mauro Ramos da Mota e Albuquerque (Nazaré da Mata, 16 de agosto de 1911 — Recife, 22 de novembro de 1984) foi um jornalista, professor, poeta, cronista, ensaísta e memorialista brasileiro.
Obras:
Elegias (1952)
A tecelã (1956)
Os epitáfios (1959)
Capitão de Fandango (1960, crônica)
O galo e o cata-vento, (1962)
Canto ao meio (1964)
O Pátio vermelho: crônica de uma pensão de estudantes (1968, crônica)
Poemas inéditos (1970)
Itinerário (1975)
Pernambucânia ou cantos da comarca e da memória (1979)
Pernambucânia dois (1980)
Mauro Mota, poesia (2001)
Antologia poética, 1968
Antologia em verso e prosa, 1982.
Histórias na hora de dormir, 1883
Anton Ebert (Alemanha 1845-1896)
Óleo sobre tela.
Anton Ebert ( 1845-1896) Nasceu na Alemanha mas ficou mais conhecido como um pintor vienense. Ficou famoso por suas cenas de interior, popr sua pintura de gênero, assim como retratista e paisagista. Estudo em Praga na Academia de Arte de Praga o que o faz às vezes ser confundido com artistas daquela nacionalidade. Mais tarde estudou com Ferdinand Georg Waldmueller em Viena onde acabou se estabelecendo. Foi muito elogiado por suas cenas idílicas de jovens senhoras com crianças, assim como alguns quadros orientalistas.
Compro um barco cheio de vento
Roseana Murray
Compro um barco cheio de vento
com velas cor do firmamento
e uma bússola que aponte sempre
para as luas de saturno.
Compro um barco que conheça
caminhos secretos de mares desconhecidos.
Um barco feito de vento
onde caibam todos os meus amigos.
Compro um barco que saiba decifrar
os segredos escondidos
no coração das noites sem luar.
Em: Classificados poéticos de Roseana Murray, Miguilim: 1998, Belo Horizonte, 17ª edição.
Roseana Murray nasceu no Rio de Janeiro em 1950. Graduou-se em Literatura e Língua Francesa em 1973 (Universidade de Nancy/ Aliança Francesa).
Obras:
Poesia para crianças e jovens
Fábrica de Poesia, ed. Scipionne, 2008
Poemas e Comidinhas, com o Chef André Murray, ed. Paulus, S.P, 2008
Residência no Ar, ed. Paulus, 2007
No Cais do primeiro Amor, ed. Larousse, 2007
Desertos, ed. Objetiva, 2006. ( Finalista do Prêmio Jabuti ) – Altamente Recomedável FNLIJ, 2006
O traço e a traça ed. Scpionne, 2006.
O xale azul da sereia, ed. Larrousse, 2006.
O que cabe no bolso? ed. DCL, 2006.
Paisagens, ed. Lê, 2006.
Pêra, uva ou maçã ed. Scipione, 2005. (Catálogo de Bolonha 2006 e Acervo Básico, F.N.L.I.J).
Rios da Alegria, ed. Moderna, 2005. (Altamente Recomendável, F.N.L.I.J).
Poemas de Céu ed. Miguilim, 2005. (Antigo “Lições de Astronomia”).
Maria Fumaça Cheia de Graça, ed. Larousse, 2005.
Duas Amigas, ed. Paulus, 2005 (reedição).
Lua Cheia Amarela, ed. Dimensão 2004.
Caixinha de Música, ed. Manati, 2004. (Catálogo de Bolonha 2005)
Um Gato Marinheiro, ed. DCL, 2004.
Todas as Cores Dentro do Branco, ed. Nova Fronteira, 2004.
Recados do Corpo e da Alma, ed. FTD, 2003. (Altamente Recomendável F.N.L.I.J)
Luna, Merlin e Outros Habitantes, ed. Miguilim/ Ibeppe, 2002. (Altamente Recomendável, F.N.L.I.J. )
Jardins, ed. Manati, 2001. (Prêmio Academia Brasileira de Letras de Literatura Infantil 2002. )
Caminhos da Magia, ed. DCL, 2001.
Manual da Delicadeza, ed. FTD, 2001.
O Silêncio dos Descobrimentos, com Elvira Vigna, ed. Paulus, 2000.
Receitas de Olhar, ed. F.T.D, 1997, ( Prêmio O Melhor de Poesia, F.N.L.I.J. )
Carona no Jipe, ed. Memórias Futuras, 1994 e ed. Salamandra, 2006
No final do Arco-Íris, ed. José Olímpio, 1994.
O Mar e os Sonhos, ed. Miguilim,1996, (Altamente Recomendável para a Criança, F.N.L.I.J. )
Paisagens, ed. Lê, 1996.
Felicidade, ed. F.T.D, 1995, (Altamente Recomendável para a Criança, F.N.L.I.J. )
De que riem os palhaços ed. Memórias Futuras, 1995. Esgotado
Tantos Medos e Outras Coragens, ed. F.T.D, 1994 ( Prêmio O Melhor de Poesia F.N.L.I.J e Lista de Honra do I.B.B.Y. ) Reedição com novas ilustrações em 2007
Qual a Palavra? ed. Nova Fronteira, 1994.
Casas, ed. Formato, 1994. Editado no México, ed. Alfaguara
Dia e Noite, ed. Memórias Futuras, 1994. Esgotado
Artes e Ofícios, ed. F.T.D, 1990, (Prêmio A.P.C.A. e Altamente Recomendável para a Criança, F.N.L.I.J. ) Reedição com novas ilustrações em 2007
Falando de Pássaros e Gatos, editora Paulus, 1987.
Fruta no Ponto, ed. F.T.D, 1986. (Prêmio O Melhor de Poesia. F.N.L.I.J.
Fardo de Carinho, ed. Murinho, 1980 e ed. Lê, 1985.
O Circo, ed. Miguilim/ Ibeppe, 1985.
Lições de Astronomia, ed. Memórias Futuras, 1985. Esgotado
Classificados Poéticos, ed. Miguilim/ Ibeppe, 1984, (Altamente Recomendável para a Criança, F.N.L.I.J, e finalista do Prêmio Bienal. )
No Mundo da Lua, ed. Miguilim/ Ibeppe, 1983.
Contos para crianças e jovens
Território de Sonhos, ed. Rocco, Altamente Recomendável FNLIJ, 2006.
Sete Sonhos e um Amigo, ed. FTD, 2004.
Pequenos Contos de Leves Assombros, ed. Quinteto, 2003.
Um Avô e seu Neto, ed. Moderna, 2000.
Terremoto Furacão ed. Paulus, 2000.
Um cachorro para Maya, ed Salamandra, 2000.
Uma História de Fadas e Elfos, ed. Miguilim / Ibeppe, 1998, (Acervo Básico da F.N.L.I.J – criança ).
Três Velhinhas tão velhinhas, ed. Miguilim / Ibeppe, 1996
O Fio da Meada, ed. Memórias Futuras, 1994. Ed. Paulus, 2002
Retratos, ed. Miguilim/ Ibeppe, 1990, Altamente Recomendável para a Criança, F.N.L.I.J. )
O Buraco no Céu ed. Memórias Futuras, 1989.
Poesia
Variações sobre Silêncio e Cordas, com desenhos de Elvira Vigna. E-BOOK, edição artesanal Maurício Rosa, Visconde de Mauá, maio de 2008.
Poesia essencial, ed. Manati, 2002.
15 poemas no livro Um Deus para Dois Mil, de Juan Arias, ed. Vozes (em seis línguas) 1999.
Caravana, inédito, vencedor do Concurso Cidade de Belo Horizonte, 1994.
Pássaros do Absurdo, ed. Tchê ,1990, vencedor do Concurso da Associação Gaúcha de Escritores.
Paredes Vazadas, ed. Memórias Futuras, 1988. Esgotado
Viagens , ed. memórias Futuras, 1984.
Revista Poesia Sempre.
Revista Microfisuras, Espanha
Correspondência
Porta a porta, com Suzana Vargas, ed. Saraiva, 1998, ?Acervo Básico da F.N.L.I.J – jovem).
Domingos Jorge Velho, o bandeirante (DETALHE)
Benedito Calixto (Brasil 1853 — 1927)
METAMORFOSE
Cassiano Ricardo
Meu avô foi buscar prata
mas a prata virou índio.
Meu avô foi buscar índio
mas o índio virou ouro.
Meu avô foi buscar ouro
mas o ouro virou terra.
Meu avô foi buscar terra
e a terra virou fronteira.
Meu avô, ainda intrigado,
foi modelar a fronteira:
E o Brasil tomou a forma de harpa.
Em: Martim Cererê, Cassino Ricardo, José Olympio:1974, Rio de Janeiro, 13ª edição.
Cassiano Ricardo Leite (São José dos Campos, 26 de julho de 1895 — Rio de Janeiro, 14 de janeiro de 1974) foi um jornalista, poeta e ensaísta brasileiro.
Obras:
Dentro da noite (1915)
A flauta de Pã (1917)
Jardim das Hespérides (1920)
A mentirosa de olhos verdes (1924)
Vamos caçar papagaios (1926)
Borrões de verde e amarelo (1927)
Martim Cererê (1928 )
Deixa estar, jacaré (1931)
Canções da minha ternura (1930)
Marcha para Oeste (1940)
O sangue das horas (1943)
Um dia depois do outro (1947)
Poemas murais (1950)
A face perdida (1950)
O arranha-céu de vidro (1956)
João Torto e a fábula (1956)
Poesias completas (1957)
Montanha russa (1960)
A difícil manhã (1960)
Jeremias sem-chorar (1964)
Os sobreviventes (1971)
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Benedito Calixto de Jesus (Itanhaém, 14 de outubro de 1853 — São Paulo, 31 de maio de 1927) foi um pintor, desenhista, professor e historiador brasileiro.

A lição
Charles Burton Barber
( Inglaterra 1845- 1894)
Óleo sobre tela
Charles Burton Barber (Inglaterra 1845-1894) de grande sucesso na representação de animais e crianças. Durante sua vida Burton Barber foi considerado um dos melhores pintores de animais e pintou quadros para a rainha Vitória que retratavam seus netos com seus animais de estimação.
Chegada dos imigrantes alemães em 1824
Ernst Zeuner ( Alemanha 1895- Brasil 1967)
óleo sobre tela
Quase todos os países das Américas têm uma massa de imigrantes que lhes dá características específicas. O Brasil assim como os EUA, o Canadá, a Argentina tem uma população de origem muito diversa que só nos enriquece. Cada grupo de imigrantes nestes países veio por não agüentar situações de guerra, de pobreza, de fome, perseguições políticas e religiosas em suas terras natais. As terras do Novo Mundo eram a oportunidade do Eldorado (por mais defeitos que o país adotivo tivesse), eram a oportunidade de sobrevivência decente. Este espírito empreendedor de quem veio de terras distantes para as Américas caracteriza todos os recém-chegados que sonham em construir um país diferente de onde vieram e marca seus filhos de maneira visível.
Países como os Estados Unidos, o Canadá, o Brasil, a Argentina têm uma grande dívida com esses homens e mulheres corajosos que deixaram suas culturas, suas terras, suas línguas, seu folclore, seus laços de família, seus feriados religiosos, para trás, muitas vezes para nunca mais voltarem a ver pais, irmãos e outros parentes próximos. Há povos que são conhecidos por terem mandado emigrantes para os quatro cantos do mundo. Fala-se com freqüência da diáspora dos judeus, assim como se fala da diáspora portuguesa.
Só agora no final do século XX e início do XXI, que os brasileiros — tendo adquirido um melhor e mais democrático nível de educação e maior interesse na sua história, tem-se conscientizado da saga vivida por seus antepassados, dos sacrifícios que nossos pais, avós, bisavós fizeram para chegar aqui e suas contribuições para a cultura brasileira.
A experiência brasileira de inclusão só se parece pela total diversidade dos que aqui chegaram, com aquela encontrada nos Estados Unidos. Como no país da América do Norte a educação da população em geral foi mais universal do que no Brasil o fenômeno da imigração, um tópico comum entre os americanos do norte, só agora aparece como tema perene na literatura brasileira. Digo agora mas refiro-me principalmente da segunda metade do século XX até hoje.
Foi, portanto, interessante ver as repostas que Salim Miguel deu a Miguel Conde, em entrevista publicada no jornal O Globo no caderno Prosa e verso, de 25 de outubro de 2008. Salim Miguel para quem ainda não o conhece é um grande escritor brasileiro, catarinense, ( nasceu no Líbano mas mudou-se para o Brasil ainda criancinha) que acaba de lançar mais um romance, Jornada com Rupert, (Record:2008) onde a trama se passa em Blumenau entranhando-se pela colonização alemã na cidade. Vou transcrever aqui três das perguntas feitas ao escritor na entrevista, porque como ele, acredito que
nós ainda não exploramos o suficiente na literatura e como identidade cultural o assunto da colonização, da imigração no Brasil.
MC – Nur na escuridão, que está sendo relançado e Jornada com Rupert, seu novo livro, contam histórias de imigrantes no Brasil, um tema recorrente em sua ficção e que faz parte de sua biografia também. Queria saber como ficção e memória se separam, ou se confundem em sua escrita.
Salim Miguel – Em primeiro lugar se há uma coisa que eu tenho muito boa é a memória. Mas é claro que, nos meus livros o que é contado ao mesmo tempo é e não é a realidade, pois há elementos de ficção que permeiam tudo. No caso de Nur na escuridão, trabalhei em cima da minha família, embora o livro não seja uma biografia, nem uma autobiografia. Já Jornada com Rupert é um pouco diferente porque fala de colonos alemães. Logo que minha família chegou ao Brasil, nós vivemos em duas comunidades de imigração alemã. Foram os primeiros lugares onde nós moramos, foi um livro mais difícil de escrever.
MC – Jornada com Rupert faz um painel da vida de imigrantes em Santa Catarina, e ao mesmo tempo conta um drama individual, se aproximando em alguns momentos do tom do romance de formação. O senhor sabia bem, ao começar o romance, que livro queria escrever, e como costurar as duas histórias?
Salim Miguel – Eu sempre sei o que pretendo fazer, mas não sei como pretendo fazer. Não me interesso por ficção histórica, embora goste que nos meus livros o enredo esteja associado a fatos reais da história do Brasil. Eu queria contar esta história de colonização em Santa Catarina que se estende por um século, mas de um jeito que não fosse linear, que não tivesse um único narrador onisciente. Por isso, a história é contada na forma de recordações, todas acontecidas em um dia, durante uma viagem de trem do protagonista.
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MC – Vários escritores brasileiros exploraram ficcionalmente a vida dos imigrantes, de Lya Luft até mais recentemente, Cíntia Moscovich. O senhor se interessa por esses livros?
Salim Miguel – Gosto muito dos livros da Lya Luft. Tenho lido tudo que encontro sobre o tema, de Graça Aranha a Milton Hatoum e Raduan Nassar. Diante da importância da imigração para o Brasil, acho que nossa literatura e mesmo nossos ensaístas ainda não deram ao tema a atenção devida. Existe um processo muito rico, de formação de uma sociedade a partir da chegada dos estrangeiros, da convivência deles numa terra nova, que ainda foi pouco explorado em nossa ficção.
Julgando-se pela produção de romances, de livros de ficção com o motivo da imigração nestes outros países mencionados, acredito como Salim Miguel que ainda há muito, mas muito a ser explorado pelo escritor brasileiro. Mãos à obra…