Uma boa sugestão de uma leitora desse blog

1 02 2012

Leituras cruzadas, 2004

[Capa da Revista The New Yorker, Novembro de 2004]

Adrian Tomine ( Califórnia, EUA, 1974)

Reproduzo na íntegra o comentário da leitora Nanci, em outra postagem, porque gostei muito da sugestão de texto dela e gostaria de dar maior ênfase a esse artigo cuja leitura ela sugere que se faça.  Aproveitem,

Para quem tiver tempo e curiosidade, segue abaixo link de um artigo que fala, entre outras coisas, sobre a ajuda que a leitura de literatura de ficção nos dá quanto a inteligência emocional. Isso, segundo pesquisas americanas, também contribui para a melhora do desempenho profissional desses leitores vorazes, em quesitos como liderança, trabalho em equipe, análise crítica etc.

Não sei se Anne Kreamer conseguirá novos leitores, com esses argumentos, mas estou convencida de que somos o que lemos, também.

http://blogs.hbr.org/cs/2012/01/the_business_case_for_reading.html

Boas leituras!





Adeus, Stalin! Olá, Brasil!

31 01 2012

Bazar Kolkhozean, 1934

Alex Afanassievitch Coquelles (Rússia, 1880-1956)

óleo sobre tela

Adeus, Stalin! – memórias de uma menina que fugiu da guerra, de Irene Popow [Rio de Janeiro, Objetiva: 2011] vem a preencher uma lacuna na historiografia brasileira, de um assunto que se faz presente em outros países do Novo Mundo: a transmissão de relatos de imigrantes, relatos das guerras e da sobrevivência de milhares de pessoas que encontraram um lar nas Américas. A característica fundamental dos países do Novo Mundo é, em diferentes proporções, mas sempre constante, a variedade das levas de imigrantes além da pluralidade de influências culturais que formam uma nova e única cultura.

O texto de Irene Popow me levou de volta aos cursos de pós-graduação em História da Arte que fiz nos EUA, onde mais da metade dos professores que tive havia imigrado para lá, ainda crianças ou jovens, por terem se encontrado em campos de pessoas deslocadas depois da Segunda Guerra Mundial: judeus, russos, poloneses, franceses, italianos que criaram novas raízes nos EUA e lá se aliaram às melhores universidades do país.  Lendo Adeus, Stalin!  me dei conta dos poucos relatos de imigrantes vindos depois da Segunda Guerra, que fizeram do Brasil sua nova moradia e raiz de nova identidade. Mesmo entre os conhecidos de meus pais, lembro-me só de dois amigos deles com esse perfil: Sr. Ladislau, polonês e Sr. Eugênio, prussiano. Procurei por outras publicações, depois de ler esse livro e percebi que são poucos os relatos dedicados a contar as vidas desses novos brasileiros, antes e durante a guerra, como Irene Popow o faz.


A narrativa de Adeus Stalin! encanta.  Uma senhora que conseguiu guardar as percepções de criança, conta o dia a dia da vida na Ucrânia sob o domínio russo, com Stalin como figura máxima do país.  Seguimos a perseguição que este regime faz à sua família e o pular de cidade em cidade daqueles que eram considerados inimigos do estado.  Ficam claras para o leitor as vicissitudes encontradas e ultrapassadas pelos ucranianos e a persistência em se tentar manter uma vida normal no período de ocupação soviética do país.  Seus pais e tantos outros foram os grandes heróis, por conseguirem manter a unidade familiar intacta diante dos obstáculos. E ainda depois desses percalços somos testemunhas de como Irene e sua família, continuam a insistir numa vida “quase normal”,  indo à escola, fazendo os afazeres domésticos, mesmo depois da invasão alemã.  Temos o retrato da garra dos sobreviventes nos campos de trabalhos forçados, que conseguem manter um módico de dignidade mesmo que sujeitos às mãos inimigas.  E por fim, a lentidão e o viver nos campos de pessoas deslocadas, que perderam tudo e principalmente sua terra e sua nacionalidade: apátridas.

Não fosse a mão de dois interessantes personagens no destino dessa família não sabemos se teriam sobrevivido.  Depois de estarem no campo de pessoas deslocadas, foi o jeitinho do inglês Simon Bloomberg que, não tão ingênuo quanto os americanos seus aliados, percebeu o que aconteceria com a família se ela voltasse para território russo como os russos reivindicavam e conseguiu blefar os comunistas, trocando a nacionalidade da família da autora para polonesa.   Depois veio o jeitinho brasileiro, quando o cônsul Ubatuba, flexionou os limites das leis brasileiras de imigração: só estávamos aceitando engenheiros agrônomos.  A família de Popow só tinha um engenheiro de construção de minas de carvão, um engenheiro químico e um engenheiro geólogo.  Será que eles se importariam de entrar no Brasil como engenheiros agrônomos?

Irene Popow


Outra característica dessa narrativa é não tentar esconder, por simpatias políticas, as agruras da vida sob o comunismo de Stalin.  Assim como as condições de vida em Cuba são hoje ignoradas pelo nosso governo simpático a Fidel Castro, também as condições de vida sob o comunismo foram e são ignoradas pelo posicionamento de esquerda de muitos dos nossos intelectuais.  Irene Popow não faz desse livro uma narrativa de denúncia do regime comunista, mas conta, de maneira cativante e convincente, os sofrimentos passados por aqueles que viveram sob a presidência megalomaníaca de Stalin.

Digo que a narrativa é encantadora porque não é amarga.  São memórias.  São memórias de tempos muito difíceis cujo tempo ajudou a esvair o fel que deveria impregná-las.  O distanciamento de Irene Popow é distinto.  Diferente de muitos outros imigrantes ela teve a oportunidade de voltar à terra natal e descobrir que já não era mais, para ela, o mundo dela.  Era o mundo de seus pais.  Ela, sim, ganhara uma nova vida, uma nova identidade.  Como imigrantes eles conseguiram o seu quinhão.  Deram a volta por cima.  Sem alarde, sem vanglória.   E hoje, Irene Popow pode olhar para a Ucrânia de maneira distante, vê-la como outra terra, com muitas afinidades com o seu mundo, mas estrangeira. Belíssimo relato.





O que a leitura pode fazer por você

30 01 2012

Huguinho e Zezinho descobrem a solução de um problema por dedução, ilustração Walt Disney.

Bastam 15 minutos por dia mergulhado nos livros para você se dar melhor nos estudos e na vida.

O que a leitura pode fazer por você:


1 – Solta a imaginação.
2 – Estimula a criatividade.
3 – Aumenta o seu vocabulário.
4 – Facilita a escrita.
5 – Simplifica a compreensão das coisas.
6 – Ajuda na vida profissional.
7 – Melhora a comunicação com os outros.
8 – Amplia o seu conhecimento geral.
9 – Liga seu senso crítico na tomada.

Fonte: Educar para crescer





Imagem de leitura — Alfredo Rocco

29 01 2012

Leitura, 1981

Alfredo Rocco ( Brasil, 1914- 1999)

óleo sobre eucatex,  28 x 23 cm

Alfredo Rocco nasceu em São Paulo em 1914.  Foi médico, pintor, desenhista e professor brasileiro.  Tendo inciado suas atividades no campo das artes em 1938, estudou pintura com Antônio Rocco.  No SPBA recebeu melha de bronze em 1938; pequena e grande medalhas de prata (1941 e 1968) e o prêmio Tomás Melo Cruz (1965).  Em 1940 realizou exposição individual na Galeria Berheim de Paris.  Entre os temas de sua pintura estão os retratos e as marinhas. Faleceu em São Paulo em 1999. [Pontual: Dicionário das Artes Plásticas no Brasil]





Imagem de leitura — Anne Wallace

23 01 2012

Consolation, 2005

Anne Wallace (Austrália, 1970)

óleo sobre tela, 74 x 100 cm

www.darrenknightgallery.com

Anne Wallace nasceu em Brisbane, na Austrália em 1970.   Formou-se nas artes visuais pela Universidade de Tecnologia de Queensland, na cidade de Brisbane.  De 1994 a 1996 esteve em Londres onde completou, com distinção,  o curso de mestrado em arte na Slade School of Fine Art. Retornou ao seu país natal e desde então teve uma carreira sólida nas artes visuais, com muuitas exposições individuais e coletivas.





Grupo de leitura: como fazer? Comece o seu ano com um deles!

22 01 2012

Férias em Cannes, Itzchak Tarkay (Iugoslávia, 1935).

Um bom número de leitores me contatou  — até agora foram 23  — querendo fazer parte do grupo Papa-livros.  Surpreende tanto interesse.

Mesmo para quem mora no Rio de Janeiro há um problema com o pedido de entrada no Papa-livros: já estamos completos, e temos fila de amigos e conhecidos que esperam por uma desistência.  Como esse grupo inicialmente era só de amigos e se encontrava na casa dos membros, a preferência sempre foi dada a quem já se conhecia ou a quem vinha com referência interna.  Era até uma questão de segurança.

Hoje nos encontramos num local público, onde comemos e bebemos à vontade, mas não dá para termos mais do que 15 pessoas.  Já foi difícil arranjar um local com mesa redonda ou quadrada onde pudéssemos sentar 15.  Esse já é um número muito grande.  É difícil manter 15 pessoas, todas com opiniões e que se conhecem bem entre si, sem que o grupo se divida em pequenos grupinhos de 2 ou 3 pessoas elaborando um ponto paralelo, uma lembrança trazida à mente pela leitura.   Quantas e quantas vezes não temos que interromper – qual numa sessão do plenário – bater na mesa e dizer:  Calma, calma, um de cada vez!

Quando abri a página do Papa-livros no blog, pensei em dar idéias para outros fazerem o mesmo e talvez até um dia podermos trocar experiências ou sugestões.  Minha intenção também foi mostrar as nossas escolhas, que são sempre baseadas no voto democrático.   Depois de quase 9 anos de encontros mensais –  faremos 9 anos em abril de 2012  – temos muito poucas regras para o grupo,  todas atingidas pelo consenso.

1 — Queremos ler ótimos livros, mas não necessariamente os clássicos.
2 — Raramente lemos alguma coisa que alguém já tenha lido – é uma surpresa para todos.
3 — Não lemos livros de contos, nem lemos poesia.
4 – A discussão está limitada ao dia em que nos encontramos.  Ou seja, não lemos, digamos: Os Miseráveis de Victor Hugo, e passamos dois ou três encontros com esse tópico.  Há muitos grupos que fazem isso.
5 – Temos dois encontros especiais no ano: abril quando comemoramos o nosso aniversário e o encontro de dezembro quando fazemos uma festa de Natal, com troca de presentes Amigo Oculto e outras brincadeiras que animam todo mundo.

É só.

[Cada grupo tem  suas próprias regras.  Já participei anos atrás, quando eu ainda morava em Baltimore, nos EUA, de um grupo de leitura de História.  Líamos livros de história, biografias de persoangens históricos, etc.  Na mesma base, com enocntros uma vez por mês.  Esse grupo era muito pequenino, mas completamente internacional: éramos uma brasileira, uma francesa, uma belga, uma queniana e duas indianas.  Todas mulheres.   Mantivemos o grupo funcionando por quase 3 anos.  Depois algumas voltaram para seus países de origem e o grupo acabou].

Chá no terraço,1900, Charles Joseph Frédéric Soulacroix (França 1858-19330

A cada encontro depois da discussão do livro em pauta, listamos os livros que estão sendo sugeridos pelos membros do grupo.  Conversamos sobre os resumos dos livros e votamos.  Às vezes bons livros não são escolhidos por alguma característica especial do grupo.  Por exemplo, em 2011, havíamos lido: O último cabalista de Lisboa, de Richard Zimler,  A mão de Fátima, de Ildefonso Falcones e já sabíamos que iríamos ler Instruções para salvar o mundo de Rosa Montero, mais no final do ano.   Quando  A máquina de fazer espanhóis, do valter hugo mãe foi sugerido, apesar de ser um ótimo livro, foi derrotado na votação, porque a maioria estava cansada da península ibérica.  Queríamos mudar de ares.

Vivemos uma democracia dentro do grupo e assim temos que ter jogo de cintura e aceitar essas estranhezas, senão não há grupo.
Além dos livros que discutimos, há os livros em paralelo.  Corre entre nós o empréstimo de livros que rodam paralelamente à leitura do mês.

Lemos mesmo é ficção.

Nós nos encontramos uma vez por mês, no terceiro domingo do mês.  Há raras excessões quanto ao domingo, mas sempre uma vez por mês.  As excessões levam em conta o Carnaval ou algum outro acidente de percurso, mas são raras.  No início do ano já sabemos todas as datas em que nos encontraremos, até dezembro.  É uma questão de organização.   A pessoa que tem a responsabilidade de organizar, passa em dezembro a lista com a data de todos os encontros do próximo ano, já com adaptações quanto a feriados, etc.  Essa lista também é acompanhada da lista de todos os membros seus telefones e suas datas de aniversário. Por exemplo em 2012 nos encontraremos nas seguintes datas: 01/22; 02/26; 03/18; 04/15; 05/20; 06/17; 07/15; 08/19; 09/16; 10/21; 11/18 e 12/16.  Como é importante que haja compromentimento, essa é uma das maneiras.  Todo mundo já sabe desde o início do ano as datas que precisarão ser bloqueadas.  Se alguém não pode participar, falta.   Mais de seis faltas, perguntamos se essa pessoa realmente quer continuar.  Nesses anos de encontros isso só aconteceu uma vez.  Outras pessoas saíram, é claro.

Uma semana antes do encontro a pessoa que organiza manda um email para os membros lembrando do encontro.

ORGANIZANDO O GRUPO

O que percebi pelos emails e pedidos para entrada no Papa-livros é que as pessoas gostariam de já entrar para um grupo formado.  Há vantagens:  você não precisa bolar a organização e se não quiser continuar é mais facil de sair…

Mas a minha sugestão é que se você quer um grupo de leitura convide 2 amigos ou conhecidos para começar…  Assim você fará o seu grupo, com amigos que têm mais ou menos o seu perfil, que trarão amigos de gostos semelhantes para a sua vida e aumentarão a sua área de convívio social.  As pessoas têm muito medo do compromisso… Mas sem esse compromisso nada vai adiante.  E depois do compromisso inicial é preciso sermos bons na manutenção do grupo.

Nem todos que começam a participar continuam.  Prepare-se para que alguns desapareçam.  Há muitos motivos.  Às vezes a pessoa gosta da idéia de ler, mas não faz tempo para ler; ou entra no grupo por culpa, sabendo que deveria ler mais, mas não consegue manter o ritmo.  Há quem desista porque não consegue abrir espaço naquelas datas, com aquela regularidade.  Há quem não goste das escolhas dos livros, quem prefira os clássicos, ou quem prefira mangás… ou o que seja.  Essas rejeições não podem afetar o grupo.  Outra pessoa entrará…

Uma tarde no Salon, s/d,  Salvador Sanchez Barbudo Morales (Espanha, 1858-1917)

A menor reunião que tivemos foi num domingo de fim de semana com feriado, quando na véspera meia cidade havia ficado debaixo d’água por causa de tempestades.  Fizemos o encontro assim mesmo, 5 pessoas e decidimos sobre o próximo livro.  No encontro seguinte fizemos uma breve discussão do livro anterior para que todos participassem, mas sem entrar muito a fundo.

Quando, no início, eu dizia a amigos e conhecidos: 1 vez por mês! —  eu via seus olhos se arregalarem, como se aquilo fosse muito compromisso, muito tempo, muita frequência, muito sistemático.  Todos queriam uma coisa assim, mais leve, digamos: venha quando puder… venha quando gostar do livro…   Como se viessem só na base do Vamos conversar sobre o livro do Janjão Bolinha….  Venha se puder….   Não dá.  Isso é igual a trabalho voluntário.  Só porque é voluntário não quer dizer que pode não vir, pode faltar, pode vir quando quiser…  Nada se constrói dessa maneira, nem mesmo as amizades que se fazem através dos anos.   E elas contam, e elas são importantes.

Hoje o Papa-livros  é um grupo de  amigos.  A úlitma pessoa a entrar foi em março de 2011.   Substituiu uma médica que saiu porque  está fazendo cursos para outra especialização.  Além do encontro mensal, não fazemos muito mais juntos.  Saímos ocasionalmente para um ou outro programa fora do grupo de leitura… É um cinema, é um teatro, um concerto, etc.  Mas afinal quantos amigos você realmente vê uma vez por mês?  Tenho certeza de que poucos.  Quando saimos não vamos em grupo, as 15 pessoas.  Vão duas ou três fazer isso,  duas ou três fazer aquilo, até porque nem todos gostam da mesma coisa, nem todos têm o mesmo tempo ou o mesmo interesse em outras atividades.  Mas aos poucos vamos nos tornando amigos.  Uma amizade interessante que escuta muito, que está sempre ali, pelo menos uma vez por mês…  No nosso grupo, desde que começamos, já tivemos viuvez, divórcio, casamentos de filhos, divórcio de filhos,  reconciliação de casamento, troca de empregos, filho sem emprego, filho em vestibular,  pais idosos precisando de atenção, perda de pais ou entes queridos e assim por diante.  Só não tivemos nascimentos de filhos…  Porque uma coisa que descobrimos é que pessoas com crianças pequenas, têm realmente mais dificuldade de manter compromissos.  Até mesmo na nossa festa de Natal, que todos detestam perder, tivemos esse ano uma falta, porque a filha de 12 anos de um membro tinha um recital de dança justamente naquele domingo…  15 pessoas de diferentes idades, com vidas normais, no período de quase 9 anos passam por tudo isso, e nem por isso faltam aos encontros, porque amizades são formadas  e porque também estávamos lá nas horas de tristeza e de alegria, sem nos intrometermos.   É justamente o fato de estarmos sempre mantendo o estipulado que dá a establidade ao grupo.  Nao posso ressaltar mais esse aspecto.

Alfredo’s Café in Capri, 1990, Pauline Comanor,  aquarela.

A DISCUSSÃO 

No nosso grupo ninguém é especialista em leitura ou em literatura.  As discussões partem da visão de cada leitor sobre a obra.  Às vezes começamos muito simplesmente com um: Não gostei…  ou,  Achei muito bonito mas faltou um final conclusivo…  Daí, partimos para a discussão porque invariavelmente alguém vai ter uma outra impressão.  Ou alguém vai ter uma idéia brilhante que ninguém mais teve.  A maioria dos membros anota passagens que justificam as suas posições e ilustram suas observações. É só isso.  Simples assim…  Uma boa idéia é para a pessoa que dirige o encontro ( isso pode ser sempre a mesma pessoa ou pode ser selecionada por revesamento, ou ainda por sorteio) ter uma série de perguntas sobre o texto que a princípio são usadas só para a conversa começar.

PAPA-LIVROS NO BLOG:

Fiz uma tentativa no ano passado para abrir uma discussão no blog sobre os mesmos livros que o Papa-livros escolheu.  Mas não acredito que teha dado muito certo.  Em parte, por meu problema de não estar com tempo para dar atenção à discussão.  Há também o fato do Papa-livros raramente ler um best-seller, um livro da moda.  Temos a tendência de sair um pouco do que está sendo lido, do que está sendo discutido por todos… Então os títulos escolhidos pelo grupo nem sempre são os que seriam comprados pelos nossos leitores.  Acredito que eu não vá continuar essa tentativa de discussão no blog.  Vou me limitar às resenhas dos livros de que gostei, como tenho feito desde o início.





Imagem de leitura — Steve Hanks

21 01 2012

Um livro favorito, s/d

Steve Hanks (EUA, 1949)

aquarela

http://www.stevehanksartwork.com

Steve Hanks nasceu em 1949 em San Diego, Califórnia, no seio de uma família militar.   Cresceu na costa da Califórnia, passou a adolescência no Novo México e entrou para a Academia de Belas Artes de São Francisco em artes gráficas e comerciais, mas acabou se formando pela Escola de Artes e Ofícios da Califórnia.  Depois de formado, passou quatro anos e meio num emprego num estabelcimento de verão para meninas.  Pagavam mal, mas a casa era de graça e ele tinha os meses de inverno livres.  Foi aí que se dedicou a melhorar sua habilidade de desenhista e pintor, tendo liberdade de experimentar com óleos,acrílicas, aquarelas e todo tipo de mídia.  Optou pot fim pela aquarela.  Hoje é um dos maiores aquarelistas dos Estados Unidos, optando pelo que chama de “realismo emocional” — pintura de gênero com uma toque de sonho.  Para mais informações veja sua página citada acima.





500 anos de Giorgio Vasari: visite a biblioteca nacional em homenagem!

20 01 2012

Entrada principal da Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro.

Está na Biblioteca Nacional, a exposição 500 anos de Giorgio Vasari, inventor do artista moderno, que deveria ser visitada por todos os artistas visuais, críticos e historiadores de arte e quaisquer pessoas cujas vidas profissionais têm relação com as artes plásticas.  Por que?  Porque foi Giorgio Vasari (1511-1574)  foi o primeiro historiador da arte,  alcançando esta posição quando publicou as VidasLe Vite de’ più Eccellenti Pittori, Scultori e Architettori] em 1550.  Foi também quem ajudou a sociedade florentina a reconhecer o valor da profissão de artista.  Foi ele, através de sua Academia de Artes do Desenho que reformulou o processo de formação de artistas, que até aquele momento,  ainda obedecia às antigas normas da Guilda de São Lucas estabelecida no início do século XIV.  Essa guilda  incluía pintores, escultores e outros profissionais relacionados ao que hoje chamamos de artes plásticas.  Com esses dois marcos, a publicação de Vidas e com a Academia,  Vasari deu o impulso necessário para que pintores, escultores e arquitetos pudessem ser considerados  como indivíduos, conhecidos por seus nomes, ganhando fama e status  e não  parte de uma massa trabalhadora amorfa, anônima, substituível.

Outra razão para se visitar essa exposição é poder ver o fabuloso acervo literário de obras raras da Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro. Poucas são as bibliotecas do mundo que mantêm tão rico acervo não só de obras raras como de desenhos e gravuras tais como os exibidos nessa ocasião.
É uma exposição imperdível.

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SERVIÇO

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Giorgio Vasari e a Invenção do artista moderno
A partir de 21 de outubro no Espaço Cultural Eliseu Visconti

Endereço: Rua México, s/n – Centro – Rio de Janeiro (acesso pelo jardim da Biblioteca Nacional)
De terça a sexta das 10h às 17h
Sábados das 10h Às 17h
Domingos das 12h às 17h

Entrada franca

ou veja informações no portal da Biblioteca Nacional





Imagem de leitura — Jean Monti

19 01 2012

Menina lendo, s/d

Jean Monti ( EUA, contemporânea)

óleo

Jean Monti crresceu no estado de Rhode Island, onde ainda vive.  Depois de se formar em 1987 pela Rhode Island School od Design, trabalhou como ilustradora autônoma, para anúncios e propaganda, assim como mais de 70 capas de livros.   Depois que resolveu ter uma família, deixou de lado a profissão de ilustradora e passou a pintar retratos e pintura de gênero.





Imagem de leitura — Anders Zorn

17 01 2012

Estudo para um nu feminino, 1910

Anders Zorn (Suécia, 1860-1920)

óleo

Anders Zorn nasceu em Dalarma, na Suécia, em 1860.   Foi educado pelos avós no interior.   Só na época do ensino médio deixa a fazenda para Enköping uma cidade um pouco maior.  De 1875 a 1880 estudo na Academia Real de Belas Artes em Estocolmo.   Depois de formado viaja extensivamente para Paris, Londres, Espanha, Itália, os Balcãs e para os Estados Unidos.  Ganha fama internacional como retratista.  Até 1887, praticamente só trabalha com aquarelas, meio pelo qual ficou famoso pela luminosidade.  Depois, passa a pintar em óleo.  Além de retratista também se dedica aos nus femininos e à pintura de gênero, onde fica conhecido pela representação  realista dos reflexos na água. O sucesso lhe trouxe fama e riqueza.  Morreu em 1920, aos 60 anos de idade.