Imagem de leitura — Jose de Togores i Llach

2 10 2011

Renée e o gato, s/d

Jose de Togores i Llach (Espanha 1893-1970)

óleo sobre tela

Jose de Togores i Llach nasceu em Cerdanyola del Vallès, Catalunha em 1893.  Aos treze anos contatou meningite que o deixou surdo.  Isso fez com que se interessasse pela pintura.  Começou sua formação artística com Joan Llaverias, Fernández de la Torre  e Fèlix Mestres. Em 1907 ganhou uma bolsa de estudos para Paris.  Foi o primeiro passo para uma conexão Paris-Barcelona: alternando estadia em ambas dessas cidades através dos anos.  Morreu em Barcelona, na Catalunha em 1970  em um acidente de trânsito.





Quadrinha infantil sobre o livro

25 09 2011

Leitura à luz da lâmpada, 1973

Daniele Akmen (França, 1945)

acrílica sobre tela, 116 x 89 cm

Nos momentos de alegria,

Ou nas horas de aflição,

O livro é um companheiro,

É um amigo, um irmão.

(Walter Nieble de Freitas)





Sonhos revelados — vendo as imagens dos seus sonhos

23 09 2011
Cascão conta porquinhos, ilustração Maurício de Sousa.

Usando ressonância magnética funcional (fMRI) e modelos computacionais, cientistas da Universidade da Califórnia Berkeley conseguiram decodificar e reconstruir a dinâmica das experiências visuais dos seres humanos – assistindo trailers de filmes de Hollywood.  Esse estudo que poderá no futuro auxiliar pessoas que têm dificuldades de comunicação verbal: vítimas de derrames, pacientes em coma e pessoas com doenças neurodegenerativas.  A esperança é que eventualmente esse estudo sirva de base para uma interface cérebro-máquina para que pessoas com paralisia cerebral ou paralisia, por exemplo, possam acionar computadores com suas mentes.

Até o momento, a técnica usada só conseguiu reconstruir clipes dos filmes que as três pessoas que participaram do estudo haviam visto. No entanto, a descoberta abre caminho para reproduzir as imagens dentro de nossos cérebros que ninguém mais vê, tais como sonhos e lembranças.    Os cientistas são os primeiros a apontar que esse estudo poderá levar  a leitura de pensamentos e às intenções de outras pessoas, como já foi retratado em alguns clássicos da ficção científica, entre eles, o filme Brainstorm [Douglas Turnbull, 1983], no qual os cientistas gravaram as sensações de uma pessoa para que outros pudessem experimentá-las.

A atividade cerebral foi gravada enquanto os voluntários observavam o primeiro conjunto de clipes.  Essa informação foi direcionada a um programa de computador, segundo a segundo, para relacionar os padrões visuais do filme com a atividade cerebral correspondente.

Nossa experiência visual natural é como assistir a um filme“, lembrou Shinji Nishimoto, principal autor do estudo e pesquisador pós-doutorado, “para que esta tecnologia tenha ampla aplicabilidade, devemos entender como o cérebro processa a dinâmica das experiências  visuais no cotidiano. Precisamos saber como o cérebro funciona em condições normais“, disse Nishimoto. “Para isso, precisamos primeiro entender como o cérebro funciona quando estamos assistindo a um filme.”

Fontes:  Terra, Science Daily





A solução de Rosa Montero: consideração para com o nosso semelhante, em Instruções para salvar o mundo

14 09 2011

A bebedora de absinto, 1901

Pablo Picasso (Espanha, 1881-1973)

Óleo sobre tela,

Hermitage, São Petersburgo, Rússia

Meu primeiro contato com Rosa Montero foi através do fantástico História do rei transparente [Ediouro: 2006], que devorei em dois dias.  Amei!  Mais tarde, vim a ler A louca da casa, [Ediouro: 2004],  Histórias de mulheres [Agir: 2008], A filha do canibal [Ediouro:2007] e agora, este mês, Instruções para salvar o mundo [Record: 2010].  O que surpreende nessa escritora espanhola é o camaleonismo, ou melhor, como cada um de seus livros parece ter um estilo diverso, um narrador diferente, um tema inesperado.  O que os une, a todos, é uma voz narrativa que carrega o leitor por tortuosos e imaginativos caminhos.  Essa também é a característica de Instruções para salvar o mundo.

Quatro personagens principais preenchem o espaço desse romance.   Três são o centro do drama:  Matias, um taxista viúvo, que agoniza diariamente pela perda de sua esposa para o câncer;  Daniel um médico frustrado,  mais ambicioso do que sua capacidade de  dedicação profissional e com a satisfação na vida pessoal inexistente  e Fatma,  natural de Serra Leone, belíssima mulher e prostituta.   Eles parecem ter pouco em comum, mas invadem o nosso mundo imaginário quando suas vidas se mostram interligadas, apesar de extremamente solitárias.  Em contraponto, quase que preenchendo o papel que seria do coro numa tragédia grega, temos Cérebro, cognome de uma ex-professora universitária, uma cientista, cuja linha de pensamento nos mostra o caminho de Rosa Montero.  Cérebro não só é minha personagem favorita pela clareza de seu raciocínio, como é também quem dá a dimensão da tragédia que testemunhamos.  Aos poucos, e graças à força narrativa da autora, esses dois homens e duas mulheres nos envolvem e participamos silenciosamente da absoluta solidão em que vivem,  presenciamos o desespero calado que os corrói.   A falta de perspectiva de uma vida melhor parece inviável para cada um.  E sufoca.

Os personagens vivem num caos emocional que praticamente os deixa anestesiados para a vida cotidiana.  Ou, porque não conseguem perceber nada além do vazio interno que os preenche,  ou porque se dopam, ou se retiram do momento atual, do presente,  para algum lugar  íntimo, interior, onde podem sobreviver as penas de um cotidiano irreparável, como acontece com Fatma.  O mundo externo, fora dessas emoções contidas e reprimidas, está também presente no caos das mudanças climáticas que os rodeiam, refletido no calor fora de época da cidade.  Todos quatro são cidadãos de uma gigante metrópole, igual a dezenas de outras, parecidas com aquelas em que vivemos.  E, como muitos desses cidadãos, como habitantes dessas zonas urbanas, eles passam a vida paralisados nas suas angústias, entorpecidos nas suas emoções.

Rosa Montero

A solução de Rosa Montero para saciar esse desespero interno de cada um é a bondade.  A bondade com o nosso semelhante, o desprendimento.  Talvez uma solução por demais ingênua e idealista para essa leitora.  Algo de irreal, de conto de fadas nessa solução me dá pausa.  Sinto-me crítica.  Talvez eu mesma já esteja, como os personagens da trama, cáustica, amarga, incrédula para considerar tal sugestão com o peso que uma autora como Rosa Montero merece.   Este é o grande senão que tenho com o romance.   As questões sobre o que está acontecendo com a humanidade, o que está acontecendo com o lugar em que vivemos que inevitavelmente temos que levar em conta ao longo da leitura de Instruções para salvar o mundo não só são difíceis de responder, mas também impossíveis de serem solucionadas por ato tão simples e pequeno, quanto esse romance.    Mas fica aqui a minha admiração por quem tem a coragem de levantar essas questões.

Aqui, uma entrevista da autora em espanhol, legendada:






Imagem de leitura — Frank Wright

13 09 2011

Retrato de Clarice Smith, 1978

Frank Wright ( EUA, contemporâneo)

óleo, 63 x 75cm

http://www.gwu.edu/~fwright/

 

 

Frank Wright  é professor de pintura e desenho tanto na George Washignton University, como na Corcoran Gallery ambas no Distrito de Columbia, capital dos EUA.  Estudou por um longo período em Paris, com S. W. Hayter.  Pintor figurativo, tem predileção por retratos e paisagens. Para ver seu trabalhos:

http://www.gwu.edu/~fwright/





Currículo, poema de Gilberto Mendonça Teles

13 09 2011

Estudante, s/d

Roberto de Souza ( Brasil, 1943)

óleo sobre tela,  88 x 55 cm

Currículo

Gilberto Mendonça Teles

Fiz meu curso de madureza,

passei nos testes com bom conceito:

conheço tudo de cama e mesa,

tenho diplomas dentro do peito.

Aluno médio de neolatinas,

vi línguas mortas, literaturas…

Mas eram tantas as disciplinas,

as biografias, nomenclaturas,

tantos os rumos na encruzilhada,

tantas matérias sem conteúdo,

que acabei não sabendo nada,

embora mestre de quase tudo.

Doutor em letras, as minhas cartas

são andorinhas nos vãos dos templos;

ensino o fino das coisas fartas

e amores livres com bons exemplos.

Livre-docente, sou indecente

e nunca ensino o pulo-do-gato:

esta a razão por que há sempre gente

contra o meu jeito de liter-rato.

Com tantos títulos e uma musa,

sou titular, mas jogo na extrema:

o ponta-esquerda que nunca cruza,

que sempre dribla nalgum poema.

Sou bem casado, mas já fiz bodas;

Já fui cassado, tive anistia:

e, buliçoso, conheço todas

as coisas boas de cada dia.

Só não conheço o que mais excita,

o que me envolve por todo lado:

talvez a essência da coisa escrita,

talvez a forma de um mau-olhado.

Em: Plural de nuvens, Gilberto Mendonça Teles, Rio de Janeiro, José Olympio: 1990

Gilberto Mendonça Teles (Bela Vista de Goiás, 30 de junho de 1931) é um poeta e crítico literário brasileiro.

Obras:

Alvorada, 1955.

Estrela-d’Alva, 1958

Fábula de Fogo, 1961

Pássaro de Pedra, 1962

Sonetos do Azul sem Tempo, 1964

Sintaxe Invisível, 1967

La Palabra Perdida (Antología),1967

A Raíz da Fala, 1972

Arte de Armar. Rio de de Janeiro: Imago, 1977

Poemas Reunidos, 1978

Plural de Nuvens, 1984

Sociologia Goiana, 1982

Hora Aberta, 1986

Palavra (Antologia Poética),1990

L ´Animal (Anthologie Poétique), 1990

Nominais, 1993

Os Melhores Poemas de Gilberto Mendonça Teles

Sonetos (Reunião), 1998

Casa de Vidrio (Antología Poética, 1999





Uma visão adolescente dos turistas, em Tchick, de Wolfgang Herrndorf

13 09 2011

Turistas, s/d

Charles Hawes ( EUA, 1909)

aquarela

www.charleshawes.org

Estou lendo Tchick, de Wolfgang Herrndorf, e me divertindo muito com o nosso adolescente narrador.  Perspicaz e intrépido ele tem observações muito boas e frequentemente hilárias.  Posto hoje uma passagem em que ele observa alguns turistas numa pequena cidade da Alemanha.  Ele está na companhia de seu amigo Tchick.  É verão e eles se aventuram por pequeninas estradas à procura do que der e vier…

A cada meia hora, um ônibus com turistas aparecia na praça do mercado.  Em algum lugar alto da cidade havia um pequeno castelo.  Tchick estava sentado de costas para o ponto de ônibus, mas eu ficava o tempo todo olhando para os aposentados que saíam aos borbotões do ônibus.  Pois eram exclusivamente aposentados.  Todos eles usavam roupas marrons ou beges e um chapeuzinho ridículo, e quando passavam pela gente, onde havia uma pequena subida, eles bufavam com se tivessem corrido uma maratona.

Eu ainda não conseguia me convencer de que algum dia eu mesmo seria um aposentado bege.  Mas todos os homens velhos que eu conhecia eram aposentados beges.  E todo as aposentadas eram assim também.  Todos beges.  Era incrivelmente difícil imaginar que essas mulheres velhas algum dia foram, necessariamente,  jovens.  Que tiveram a idade da Tatjana e que à noite se arrumavam e que freqüentavam salões de dança, onde é provável que tenham sido chamadas de belezinhas ou algo parecido, há cinqüenta ou cem anos.  Não todas, claro.  Algumas delas também deviam ser insípidas e feias já naquela época.  Mas também as insípidas e feias provavelmente tinham objetivos, elas com certeza fizeram planos para o futuro.  E as bem normais também tinham planos para o futuro, e era garantido que nesses planos não havia nada se tornarem aposentadas beges.  Quanto mais eu pensava sobre esses aposentados que desciam dos ônibus, mais me deprimia.  E o que mais me deprimia era pensar que entre essas aposentadas devia haver algumas que não tinham sido insípidas e chatas na juventude.  Que tinham sido bonitas, as mais bonitas do seu tempo, aquelas pelas quais todos tinham se apaixonado, e havia setenta anos, alguém sentado em sua torre de índio, ficou ansioso apenas vendo a luz do quarto delas se acender.  Essas garotas agora eram aposentadas beges também, mas não dava mais para distingui-las das outras aposentadas bege.  Todas tinham a mesma pele cinza, orelhas e narizes oleosos, e isso me deixava tão deprimido a ponto de eu quase passar mal.

Em: Tchick, de Wolfgang Herrndorf, tradução de Cláudia Abeling, São Paulo, Tordesilhas:2011, p. 110.





Papa-livros, leitura para setembro: Traduzindo Hannah, de Ronaldo Wrobel

8 09 2011

Evasão, 2008

Abderrahmane Chaouane (Argélia, 1958)

óleo sobre tela

Leitura para SETEMBRO, discussão nesse blog a partir do dia 20

Traduzindo Hannah, de Ronaldo Wrobel

SINOPSE

O sapateiro judeu Max Kutner é convocado para trabalhar na censura postal do regime Vargas, traduzindo cartas do iídiche para o português em busca de subversivos. Enquanto lida com o peso na consciência, Max se apaixona por uma desconhecida através de suas cartas e, determinado a encontrá-la, descobre mais do que pretendia – inclusive sobre si mesmo.

EDITORA: Record

Ano: 2010

Número de páginas:  272

A arte de Abderrahmane Chaouane






Imagem de leitura — Wojciech Weiss

5 09 2011

Renia Czytająca, 1908

Wojciech Weiss (Polonia,  1875 -1950)

óleo sobre tela

Wojciech Weiss nasceu na Polonia em 1875.  Estudou na Escola de Belas Artes de Cracau sob a orientação de J. Matejko, W. Łuszczkiewicz  e  J. Unierzyski.  Mais tarde estudou com  L.Wyczółkowski e J. Fałat.  Depois de graduado fez uma viagem a Paris e a Roma, voltando depois para Cracau onde ensinou na Academia de Belas Artes, sendo diretor dess instituição por duas vezes.   No início de sua carreira pintou dentro da escola simbolista.  Mais tarde, dedicou-se aos retratos e à pintura de gênero assim como às paisagens.  Dedicou-se também à escultura e às artes gráficas.  Morreu em Cracau em 1950.





Imagem de leitura — Thomas Love

26 08 2011

 

Notícias matutinas, ou De manhã, s/d

Thomas Love ( Canadá, contemporâneo)

aquarela,  32 x 52 cm

Thomas Love

Thomas Love nasceu em Saskatoon, Saskatchewan, mas morou a  maior parte de sua vida em Calgary e Edmonton na província de Alberta.  Depois de uma carreira no mundo dos negócios, enquanto os filhos eram pequenos, dedica-se hoje em tempo integral à pintura, pela qual nutria aspirações desde criança.  Especialista em pintura de gênero, paisagem e retrato.