Grandes começos, I de XII, escolha de Ana Maria Machado

6 03 2015

 

Mary Cassatt (1844-1926) The Reader 1877 Oil on canvasLeitora, 1877

Mary Cassatt (EUA, 1844-1926)

óleo sobre tela, 81 x 64 cm

Crystal Bridges Museum of American Art

 

 

Grandes começos na literatura, escolha da escritora Ana Maria Machado:

 

“Em meus anos mais jovens e mais vulneráveis, meu pai me deu um conselho que, desde então, tenho feito virar e revirar em minha mente. ‘Sempre que tiver vontade de criticar alguém‘, disse, ‘lembre-se de que nem todo mundo teve a vantagens que você teve‘”.

 

Scott Fitzgerald, O grande Gatsby.

 

Em: Iscas de leitura, Ana Maria Machado, coluna publicada no jornal O Globo de sábado, 27 de dezembro de 2014, 1º caderno, página 16.

 





Palavras para lembrar — José Eduardo Agualusa

3 03 2015

 

 

 

Jenny Nyström, Dagmar vid bordetDagmar à mesa branca, 1924

Jenny Nyström (Suécia,1854-1946)

óleo sobre tela, 46 x 65 cm

 

“Os bons escritores são aqueles que conseguem colocar os leitores na pele do outro.”

 

José Eduardo Agualusa





O escritor e o leitor — Fred Coelho

25 02 2015

 

 

André Netto, About little secrets 38, Óleo sobre Tela, 110 x 100About Little Secrets 38

André Netto (Brasil,contemporâneo)

óleo sobre tela, 110 x 100 cm

www.andrenetto.com

 

“Quem gosta de literatura sabe que o escritor e o leitor ocupam o mesmo lugar na hierarquia do texto. Ainda que o primeiro exiba uma força maior de visibilidade (o leitor é, em tese, anônimo na hora da leitura), sem o segundo ele simplesmente vaga solitário no deserto das palavras. Aos que leem, cabe a libertação da escrita em direção aos múltiplos sentidos que ela pode e deve oferecer ao mundo.”

 

Fred Coelho

 

Em: O Globo,coluna Responsas, 2º caderno, quarta-feira, 25/02/2015, p. 2.

 

Link para a coluna inteira





Empatia e entendimento do mundo aumentam com leitura de ficção

14 02 2015

 

 

kai-mccall-retratos-imaginados livroO grito está todo lá, 2008

[The screaming is all there]

Kai McCall (Canadá, 1968)

óleo sobre tela, 81 x 53 cm

www.kaimccall.com

 

 

Todo mundo já sabe que ler faz bem ao cérebro, aumenta a conectividade entre partes da nossa massa cinzenta, como comprovado por um estudo feito em 2013 na Emory University nos EUA.

Mas ler ficção é ainda mais interessante.

Você gosta de ler ficção? Mistérios, Romances, Espionagem, Ficção Científica, Ficção Histórica, Memórias? Pois saiba que as pessoas que gostam de ler ficção, em geral, têm maior empatia por outros seres humanos. Consequentemente leitores de ficção são bons amigos, capazes de se sensibilizar com as emoções dos outros. Na instituição New School for Social Research, os psicólogos David Comer Kidd e Emanuele Castano aprofundaram o estudo sobre leitura, contrastando a ficção literária com a ficção comercial mais estereotipada.  Concluíram que a ficção literária ainda é melhor para o nosso entendimento do mundo, da sociedade que nos circunda, por apresentar uma realidade com personagens mais complexos que melhor refletem a vida real.

Ler, na verdade, ativa o nosso cérebro de tal maneira que ele imita as ações que lemos, passando para o leitor um pouco das emoções vividas pelos personagens fictícios.

[A título de curiosidade: recentemente senti meu coração bater mais rápido do que o normal, ao ler uma cena aterrorizante, de um inimigo batendo na porta de um apartamento onde se escondia um personagem, herói, na trilogia 1Q84, de Haruki Murakami.]

Tudo indica que quanto mais complexos os personagens, quanto mais ambíguos, quanto menos estereotipados, maior é o leque de emoções que permite o leitor de ter empatia pelo próximo  e melhor compreensão do mundo à sua volta.  No fundo, você se torna uma pessoa melhor.

Vamos ler…

 

Fonte: Mic





Resenha de “Americanah”: um olhar sobre os EUA

21 01 2015

 

 

Heidi Berger, (alemanha, 1944) Leitura 2(1) 2010Leitura 2, 2010

Heidi Berger (Alemanha, 1944)

técnica mista

www.heidiberger.com

 

 

Americanah visa primeiramente o leitor americano, seguido de possíveis imigrantes. Gira, sobretudo, em torno das maneiras de inclusão e exclusão social por raça nos Estados Unidos, concentrando-se nas distinções e nas nuances sociais adotadas pela sociedade inteira: brancos, negros e todas as outras variantes de raça em que o país se subdivide. Lido por quem nunca viveu por lá, o romance corre o risco de dar origem a interpretações redutivas do escopo cultural daquela sociedade. Essa simplificação pode também ser uma barreira na apreciação do leitor estrangeiro aos diversos desdobramentos do romance que relata quase verbatim situações do cotidiano americano que passam despercebidas tanto pelos nativos – iludidos pela própria familiaridade da vida comum–, como pelos visitantes estrangeiros que não conseguem notar os diferentes matizes da ironia e da separação de tribos naquela sociedade. Mais do que isso, Chimamanda Ngozi Adichie, nascida na Nigéria, explora o ambiente para o qual imigra, de uma posição inigualável: observadora detalhista, estrangeira com forte identidade cultural nativa e negra. Consegue com essa base segurar um enorme espelho que reflete a sociedade americana, como um todo, com sua enorme classe média e os intelectuais politicamente corretos.

A pergunta é: estará o americano comum aberto a ver sua própria imagem de um ângulo diferente, incapaz de usar a desculpa de que a crítica vem de uma pessoa com os paradigmas colonialistas? Não sei. A julgar pela resposta de vendas do livro nos EUA, pode-se dizer que pelo menos uma boa parcela dos leitores do país tentou ver a América pelos olhos da autora. Não se pode deixar de frisar, no entanto, que muito do que foi escrito pela autora, não teria sido aceito não fosse ela africana e negra. Ninguém melhor do que ela, portanto, para chamar atenção sobre as pequenas variações de comportamento a que um imigrante precisa se submeter para finalmente se perder na nova sociedade que escolheu. A autora também tomou para si mostrar, através de exemplos, a complexa trama que suporta e separa, que desagrega e asfixia a população negra no país.

 

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Não me surpreende que este livro tenha sido recipiente de um dos maiores prêmios literários americanos o National Book Critics Circle Award, além de ser considerado um dos dez mais importantes livros do ano pelo The New York Times, em 2013, é bem escrito e aborda um tema polarizante de maneira diferente. Em breve: a personagem principal, Ifemelu, criada na classe média nigeriana, consegue uma bolsa de estudos para uma pequena universidade no estado da Pensilvânia. Chegando lá tem que encontrar emprego para sobreviver e pagar ainda uma quantia que resta da bolsa de estudos parcial que recebeu. O trabalho que alavanca sua carreira é o de babá de uma família bem situada. Eventualmente Ifemelu namora o primo desta senhora para quem trabalha, o primeiro relacionamento sério que tem depois de ter deixado na Nigéria o amor de sua vida, Obinze. O namorado, um verdadeiro príncipe encantado, alto, louro, boa pinta, e rico, muito rico, a trata muitíssimo bem. Nesse meio tempo, Ifem [Ifemelu] que continuara com seus estudos, trabalha e começa um blog, que trata da visão de um negro africano sobre o racismo, os negros americanos, e também questões de identidade. O blog tem grande sucesso e logo logo Ifem se vê deixando o emprego para trás, pois consegue viver de palestras sobre esse tema, nas mais diversas localidades. Tem a vida perfeita, mas lhe falta algo. Eventualmente um novo relacionamento surge, desta vez com um professor universitário, negro, americano, intelectual engajado. O relacionamento é bom, mas Ifem depois de algum tempo percebe que há um espírito autoritário neste homem, que prefere a sua interpretação da realidade à dela. Passados quinze anos nos EUA, depois de uma pletora de experiências, Ifem, que ainda sentia que algo lhe faltava, embarca de volta à Nigéria. Encontra-se mudada. A dificuldade de se adaptar é inicialmente um choque. Procura o amor de sua vida e é só através dele, como vemos na última cena, que finalmente Ifemelu se rende em aceitar a Nigéria, em si mesma.

 

p018kb6nChimamanda Ngozi Adichie

 

A Segunda Guerra Mundial e suas consequências foram o mais importante tema literário do século XX, seguido próximo da imigração, problemas de identidade do imigrante e o retorno à terra materna. Mas o imigrante africano nos Estados Unidos é um tema novo, cheio de observações interessantíssimas. Chimamanda Ngozi Adichie tenta esgotá-lo. Mas há muito ainda a ser analisado. Digo que a autora tenta esgotar o assunto por sua intermitente tentativa de colocar a personagem Ifem em variadas circunstâncias, que depois sugerem uma entrada no blog, que nós leitores do romance acompanhamos a cada postagem. O blog é de longe a melhor parte dessa narrativa, misto de jornalismo e estudo antropológico, repleto de ironias e de fino humor, para mim, acabou sendo o ponto de apoio do romance. Por isso mesmo, há muitas ocasiões em que o enredo parece se contorcer para justificar uma entrada no blog. Isso leva a que detalhes sejam esquecidos ou muito levemente pincelados. Exemplos que vêm à mente são: a) a traição de Ifem ao príncipe encantado – algo que em nenhum lugar antes do evento o leitor é levado a desconfiar b) incomoda a falta de detalhes de como Obinze, o verdadeiro amor de Ifemelu, se torna milionário na Nigéria,depois de ter dado com os burros n’água na sua tentativa de imigração para a Inglaterra. Com 516 páginas, umas poucas frases para arrematar a história não seriam nenhuma adição extenuante ao romance.

De fato, esta observação leva a outra crítica: será que realmente a autora precisava de meio milheiro de páginas para contar sua história? Esta se encomprida no meio, parece repetitiva. Mesmo intrigada pelo retrato da sociedade americana que conheço bem, achei que a autora deu muitas voltas, desnecessárias, para levar a história à frente. Senti falta do editor que aconselha ao corte, que ajuda o escritor a se tornar mais leve, menos narcisista com seu texto. Por tudo isso, recomendo com algumas restrições ao leitor brasileiro, o romance Americanah.

 

 

Nota: tenho que agradecer às integrantes do grupo de leitura Papa-livros que me ajudaram a esclarecer alguns pontos importantes dessa leitura. Em ordem alfabética: Camille Ramos, Chaia Zismán, Inez de Mello e Souza e Maria Eugênia Pondé. Obrigada, meninas, pelo carinho.





5 livros publicados para cada 1.000 habitantes, por ano, na Islândia

5 01 2015

 

Crook, P.J. (1945-...) 9th November, 20029 de novembro, 2002

P. J. Crook (Inglaterra, 1945)

[Pamela June Crook]

www.pjcrook.com

 

 

Um exemplo de povo que lê nos chega de bem longe, quase da terra do Papai Noel. Na Islândia, dar e receber livros é uma das tradições natalinas. E isso é uma tradição de muitas e muitas décadas.

A Islândia publica mais livros per capita do que qualquer outro país do mundo, com cinco títulos publicados para cada 1.000 islandeses. Mas o que é realmente incomum é a época em que esses livro são vendidos: do final de setembro ao início de novembro. Tudo por causa da tradição nacional, de celebrar o Natal com livros. Eles dão o nome a esse fenômeno cultural: “Enchente de Livros de Natal  [Jolabokaflod].

O hábito da população é trocar presentes na noite do dia 24 de dezembro. E as pessoas passam a noite de 24 para o dia 25 lendo. Esse hábito faz com que as vendas dessa época sejam a espinha dorsal dos negócios editorais islandesas. Como a semana do Natal e do Ano Novo é em geral de feriados seguidos, a tradição é passar essas “férias” tendo a leitura como entretenimento.

Com 320.000 pessoas, o país tem estatísticas impressionantes sobre a leitura. Em 2009, os empréstimos de livros na biblioteca municipal de Reykjavik chegaram a 1.200.000 – um milhão e duzentos mil — para a população de 200.000 pessoas na cidade.

Os islandeses amam a leitura. E não é só um grupo de pessoas que compra a maior parte dos títulos como acontece em países com uma saudável indústria editorial como a Grã-Bretanha ou os Estados Unidos. Na Islândia toda a população é leitora e compradora de livros. Entre os tipos de livros preferidos pelos islandeses estão biografias e ficção – esta de todos os gêneros da histórica ao suspense – passando por todos os outros subgêneros.

O hábito da leitura nas férias é comum nos países mais letrados. Há até nos Estados Unidos publicações mais leves a que são dadas o cognome de “beach read” – leitura para praia – que são livros divertidos, que não exigem muita concentração.

A leitura de mistérios e livros leves também foi uma tradição da minha família. Nos meses de verão, que antecediam o Carnaval, líamos mistérios, romances leves, livros de espionagem: histórias com gosto de férias. E vocês? Vocês leem nas férias? Levam livros nas malas junto aos biquínis e às pranchas de surfe?

 

Fonte: NPR





Palavras para lembrar — Joseph Brodsky

4 01 2015

 

Linda Apple  CoffeeTimeHora do café, 2009

Linda Apple (EUA,contemporânea)

óleo sobre tela, 20 x 15 cm

http://lindaapple.blogspot.com

 

 

“Há crimes piores do que queimar livros. Um deles é não lê-los.”

 

Joseph Brodsky

 





Imagem de leitura — David Brooke

7 12 2014

 

David Brooke (Inglaterra) , Reading in bed, acrílica 10 x 10 inchesLendo na cama

David Brooke (Inglaterra, contemporâneo)

acrílica sobre tela, 25 x 25 cm





Imagem de leitura — Eva Gonzales

3 12 2014

 

 

ÉVA GONZALÈS(1849 -1883), A janela1870,  55.6 x 47.9 cm,col partA janela, 1870

Eva Gonzales (França, 1849-1883)

óleo sobre tela, 55x 47 cm

Coleção Particular





Imagem de leitura — Georgina de Albuquerque

26 11 2014

 

GEORGINA DE ALBUQUERQUE (1885 - 1962) - Carta de Amor, óleo s tela, 55 x 47. Assinado no c.i.dCarta de amor, s/d

Georgina de Albuquerque (Brasil, 1885-1962)

óleo sobre tela, 55 x 47 cm