Leitura infantil: Lenda da noite

25 05 2011

Noite, ilustração de Anton Pieck (Holanda, 1895-1987).

Lenda da noite

                                              Theobaldo Miranda Santos

A filha da Cobra Grande casou-se e disse ao marido:

— Meu esposo, tenho muita vontado de ver a noite.

Minha mulher, só existe o dia, respondeu-lhe o marido.

— A noite existe sim!  Meu pai guarda-a no fundo das águas.  Mande seus criados buscá-la, suplicou a moça.

Os criados partiram ligeiros em busca da noite.  E transmitiram ao pai o pedido da filha.  A Cobra Grande então entregou-lhe um coco de tucumã, avisando-os:

— Muito cuidado com este coco!  Se ele for aberto, tudo escurecerá e todas as coisas se perderão.

Durante a viagem, os criados ouviram, dentro do coco, um barulhinho assim: xê-xê-xê, tem-tem-tem…  Curiosos, os criados abriram o coco e tudo escureceu.

A moça disse então ao marido: — Meu esposo, os criados soltaram a noite.  Agora tudo ficará escuro e todas as coisas se perderão.

O marido, espantado, perguntou-lhe: Que faremos!  Precisamos salvar o dia!

A filha da Cobra Grande, então, arrancou um fio de seus cabelos e disse:  Com este fio, vou separar o dia da noite.  Feche os olhos, meu esposo…  Agora pode abri-los e reparar.  A madrugada já vem chegando.  os pássaros cantam anunciando o sol.

Mas quando os criados voltaram, a filha da Cobra Grande os transformou em macacos, por sua infidelidade.  Assim nasceu a noite.  Assim surgiram os macacos.

Em: Leitura infantis:  2º livro,  para as escolas primárias, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir: 1962





O trabalho, leitura escolar, Assis Cintra

2 05 2011

Menina tricotando, s/d

Julian Alden Weir ( EUA, 1852-1919)

óleo sobre tela

O trabalho

Cora e Paulina eram duas meninas muito boazinhas que tinham um único defeito: eram preguiçosas.

Posso dizer que começaram uma vez a fazer um trabalho para dar à sua mãe e que só o acabaram ao fim de dois anos.  

Muitas vezes D. Leonor dizia:

— Minhas filhas, porque não fazem algum trabalho, em vez de andarem sempre brincando?  É tão feio uma menina ser preguiçosa!

— Ora, mamãe!  Era a resposta.   Estou com tanto calor!  Não tenho coragem para ficar parada.  Quando vier o inverno hei de trabalhar bastante para recuperar o tempo perdido.

Os meses passaram chegando o inverno; e quando a mãe lhes lembrou a promessa feita responderam:

— Está fazendo tanto frio!  Como é que a gente pode trabalhar com as mãos geladas?

E assim o tempo ia correndo.

Um dia, em que estava fazendo muito frio, uma coleguinha chegou à escola com os beicinhos roxos, e tremendo tanto que fazia pena.

— Por que você não pôs um capote? perguntou Cora.

Está gelado, isto há de lhe fazer mal, Paulina acrescentou.

— E porque não pede à sua mãe que lhe compre ao menos um xale? 

— Mamãe não o pode comprar.  Somos muito pobres. 

Cora e Paulina ficaram com muita pena da sua colega pobre.  Logo que chegaram em casa, pediram à D. Leonor que comprasse um agasalho para a infeliz pequena. 

— Não posso, não tenho dinheiro disponível.  Tenho alguns novelos de lã, mas falta-me tempo para fazer o xale, respondeu a mãe.

— Nós o faremos, exclamaram as duas meninas ao mesmo tempo.

— Vocês são tão preguiçosas!  Poderiam começá-lo, mas com certeza não chegariam ao fim, ou então levariam dois anos.   E, enquanto isso, a pequena morreria de frio.

— Não, a senhora verá como o  xale fica pronto depressa.

E tanto insistiram que D. Leonor foi buscar a lã.

As meninas começaram a trabalhar,  e com tanto ardor trabalharam, que no fim de alguns dias a menina pobre teve a surpresa de encontrara na sua carteira uma xale bem quentinho.

Quando Cora e Paulina voltaram da escola e descreveram a alegria da coleguinha, D. Leonor falou com grande contentamento:

— Sou feliz, vendo as minhas filhas tão caridosas.  Mas como é que vocês, cheias de preguiça, puderam fazer o xale?  Pensei que desistiriam.

— Muitas vezes, disse Paulina, tivemos a tentação da preguiça, mas logo nos lembrávamos dos lábios roxos e trêmulos da coleguinha pobre.  Isso parece que nos dava novas forças.

— E, ajuntou Cora, no fim já gostávamos de trabalhar.  Quero que a senhora me arranje logo um outro trabalho.  O tempo parece que passa depressa e a gente é mais feliz.

D. Leonor, muito contente, abraçou as filhas dizendo-lhes:

— Eu sempre lhes falava nisso, e vocês não acreditavam.

Os vadios e preguiçosos é que estão descontentes e acham o tempo demorado.  Só os que trabalham é que são completamente felizes.

Em: Pequenas histórias, Assis Cintra, Rio de Janeiro, Francisco Alves: 1924 — obra pela Diretoria Geral da Instrução Pública de São Paulo e adotada na escola modelo e grupos escolares do estado de São Paulo.

Francisco de Assis Cintra (Bragança Paulista, 1887 – São Paulo, 1953), jornalista, filólogo e historiador





Seis quadrinhas escolares sobre Tiradentes por Walter Nieble de Freitas

17 04 2011

6 quadrinhas escolares  para o Dia de Tiradentes

                                               Walter Nieble de Freitas

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Por ter sido descoberto

Por Pedro Álvares Cabral,

O Brasil, caros colegas,

Pertenceu a Portugal.

Ouvi dizer que homens bravos,

Chefiados por Tiradentes,

Receberam nesse tempo,

O nome de inconfidentes.

Os nossos inconfidentes

Nutriam um ideal:

Desejavam separar

O Brasil de Portugal.

Joaquim Silvério dos Reis

Traiu os incoonfidentes,

Destruindo dessa forma,

O sonho de Tiradentes.

No dia Vinte e Um de Abril,

Sob vivas estridentes,

Foi, no Rio de Janeiro,

Enforcado Tiradentes.

O exemplo que Tiradentes

nos deu a Vinte e Um de Abril

É a página mais linda

da História do Brasil.

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Em: 1000 Quadrinhas Escolares, Walter Nieble de Freitas, São Paulo, Difusora Cultural: 1965





A coruja e a águia — fábula, texto de Monteiro Lobato

12 04 2011
A águia e a coruja, ilustração de J. J. Grandville.

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A coruja e a águia

                                                      Monteiro Lobato

Coruja e águia , depois de muita briga resolveram fazer as pazes.

— Basta de guerra — disse a coruja.  —  O mundo é  grande, e tolice maior que o mundo é andarmos a comer os filhotes uma da outra.

— Perfeitamente — respondeu a águia. — Também eu não quero outra coisa.

— Nesse caso combinemos isso:  de ora em diante não comerás nunca os meus filhotes.

— Muito bem.  Mas como posso distinguir os teus filhotes? 

— Coisa fácil.  Sempre que encontrares uns borrachos lindos, bem feitinhos de corpo, alegres, cheios de uma graça especial, que não existe em filhote de nenhuma outra ave, já sabes, são os meus.

— Está feito! — concluiu a águia.

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Ilustração francesa.

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Dias depois, andando à caça, a águia encontrou um ninho com três monstrengos dentro, que piavam de bico muito aberto.

— Horríveis bichos! — disse ela.  — Vê-se logo que não são os filhos da coruja.

E comeu-os.

Mas eram os filhos da coruja.  Ao regressar à toca a triste mãe chorou amargamente o desastre e foi justar contas com a rainha das aves.

— Quê?  — disse esta admirda.  — Eram teus filhos aqueles monstrenguinhos?  Pois, olha não se pareciam nada com o retrato que deles me fizeste…

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Para retrato de filho ninguém acredite em pintor pai.  Lá diz o ditado: quem o feio ama, bonito lhe parece.

Em:  Fábulas, Monteiro Lobato, São Paulo, Brasiliense, s/d, 20ª edição.

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Esta fábula de Monteiro Lobato é uma das dezenas de varições feitas através dos séculos da fábulas de Esopo, escritor grego, que viveu no século VI AC.  Suas fábulas foram reunidas e atribuídas a ele, por Demétrius em 325 AC.  Desde então tornaram-se clássicos da cultura ocidental e muitos escritores como Monteiro Lobato, re-escreveram e ficaram famosos por recriarem estas histórias, o que mostra a universalidade dos textos, das emoções descritas e da moral neles exemplificada.  Entre os mais famosos escritores que recriaram as Fábulas de Esopo estão Fedro e La Fontaine.

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José Bento Monteiro Lobato, (Taubaté, SP, 1882 – 1948).  Escritor, contista, dedicou-se à literatura infantil. Foi um dos fundadores da Companhia Editora Nacional. Chamava-se José Renato Monteiro Lobato e alterou o nome posteriormente para José Bento.

Obras:

A Barca de Gleyre, 1944  

A Caçada da Onça, 1924  

A ceia dos acusados, 1936  

A Chave do Tamanho, 1942  

A Correspondência entre Monteiro Lobato e Lima Barreto, 1955  

A Epopéia Americana, 1940  

A Menina do Narizinho Arrebitado, 1924  

Alice no País do Espelho, 1933  

América, 1932  

Aritmética da Emília, 1935  

As caçadas de Pedrinho, 1933  

Aventuras de Hans Staden, 1927  

Caçada da Onça, 1925  

Cidades Mortas, 1919  

Contos Leves, 1935  

Contos Pesados, 1940  

Conversa entre Amigos, 1986  

D. Quixote das crianças, 1936  

Emília no País da Gramática, 1934  

Escândalo do Petróleo, 1936  

Fábulas, 1922  

Fábulas de Narizinho, 1923  

Ferro, 1931  

Filosofia da vida, 1937  

Formação da mentalidade, 1940  

Geografia de Dona Benta, 1935  

História da civilização, 1946  

História da filosofia, 1935  

História da literatura mundial, 1941  

História das Invenções, 1935  

História do Mundo para crianças, 1933  

Histórias de Tia Nastácia, 1937  

How Henry Ford is Regarded in Brazil, 1926  

Idéias de Jeca Tatu, 1919  

Jeca-Tatuzinho, 1925  

Lucia, ou a Menina de Narizinho Arrebitado, 1921  

Memórias de Emília, 1936  

Mister Slang e o Brasil, 1927  

Mundo da Lua, 1923  

Na Antevéspera, 1933  

Narizinho Arrebitado, 1923  

Negrinha, 1920  

Novas Reinações de Narizinho, 1933  

O Choque das Raças ou O Presidente Negro, 1926  

O Garimpeiro do Rio das Garças, 1930  

O livro da jangal, 1941  

O Macaco que Se Fez Homem, 1923  

O Marquês de Rabicó, 1922  

O Minotauro, 1939  

O pequeno César, 1935  

O Picapau Amarelo, 1939  

O pó de pirlimpimpim, 1931  

O Poço do Visconde, 1937  

O presidente negro, 1926  

O Saci, 1918  

Onda Verde, 1923  

Os Doze Trabalhos de Hércules,  1944  

Os grandes pensadores, 1939  

Os Negros, 1924  

Prefácios e Entrevistas, 1946  

Problema Vital, 1918  

Reforma da Natureza, 1941  

Reinações de Narizinho, 1931  

Serões de Dona Benta,  1937  

Urupês, 1918  

Viagem ao Céu, 1932

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 Jean Ignace Isidore Gérard (França, 1803 — 1847), conhecido pelo pseudonimo J. J. Grandville, foi um grande ilustrador e caricaturista francês.





Destino, poesia infantil de Menotti del Picchia

8 05 2010

Destino

                                                                                         Menotti Del Picchia

Amanhã eu vou pescar.

Há um peixe fatalizado

que a Ritinha vai guisar

na panela de alumínio

que brilha mais que o luar.

Hoje ele está no seu líquido

e opaco mundo lunar.

Pequena seta de prata

furando a carne do mar.

Qual será?  O bagre flácido

de cabeça triangular?

O lambari que faísca

como uma mola a vibrar?

O feio e molengo polvo

monstruoso, tentacular?

O peixe-espada de níquel,

a viva espada do mar?

Hoje estão vivos e lépidos

os lindos peixes do mar.

Amanhã…

Nem pensem nisso!

Amanhã… eu vou pescar!

 

Paulo Menotti Del Picchia (São Paulo, 1892 — 1988) foi um poeta, escritor e pintor modernista brasileiro. Foi deputado estadual em São Paulo.   Foi também advogado, tabelião, industrial, político entre outras funções assumidas durante sua vida.

Com Oswald de Andrade, Mário de Andrade e outros jovens artistas e escritores paulistas, participou da Semana de Arte Moderna de Fevereiro de 1922 no Teatro Municipal de São Paulo. Em 1943, foi eleito para a cadeira 28 da Academia Brasileira de Letras, tendo sido suas principais obras Juca Mulato (1917) e Salomé (1940). Um livro seu de elevada popularidade é Máscaras (1920), pela sua nota lírica.

Obras:

A “Semana” Revolucionária Crítica, teoria e história literárias, 1992  

A Angústia de D. João, Poesia 1922  

A Crise Brasileira: Soluções Nacionais Crítica, teoria e história literárias 1935  

A Crise da Democracia Crítica, teoria e história literárias 1931  

A Filha do Inca, Romance e Novela 1949  

A Longa Viagem Crítica, teoria e história literárias 1970  

A Mulher que Pecou Romance e Novela 1922  

A Mulher que Pecou Romance e Novela 1923  

A Outra Perna do Saci Romance e Novela 1926  

A República 3000, 1930  

A Revolução Paulista Crítica, teoria e história literárias 1932  

A Revolução Paulista Através de um Testemunho do Gabinete do Governador Crítica, teoria e história literárias 1932  

A Tormenta, Romance e Novela 1932  

A Tragédia de Zilda, Romance e Novela 1927  

Angústia de João, Poesia 1925  

As Máscaras, Poesia 1920  

Chuva de Pedra, Poesia 1925  

Curupira e o Carão, Conto 1927  

Dente de Ouro, Romance e Novela 1922  

Dente de Ouro, Romance e Novela 1925  

Flama e Argila, Romance e Novela 1919  

Homenagem aos 90 anos, Outros 1982  

Jesus: Tragédia Sacra Teatro 1933  

Juca Mulato Poesia 1917  

Juca Mulato Poesia 1924  

Kalum, o Mistério do Sertão Romance e Novela 1936  

Kummunká Romance e Novela 1938  

Laís Romance e Novela 1921  

Máscaras Poesia 1924  

Moisés Poesia 1924  

Moisés: Poema Bíblico Poesia 1917  

Nacionalismo e “Semana de Arte Moderna” Discursos e sermões (textos doutrinários e moralizantes) 1962  

Nariz de Cleópatra Crônicas e textos humorísticos 1923  

No país das formigas Literatura Infanto-juvenil   

Novas Aventuras de Pé-de-Moleque e João Peralta Romance e Novela   

O Amor de Dulcinéia Romance e Novela 1931  

O Árbrito Romance e Novela 1959  

O Crime daquela Noite Romance e Novela 1924  

O Curupira e o Carão Crítica, teoria e história literárias   

O Dente de Ouro Romance e Novela 1924  

O Despertar de São Paulo Crítica, teoria e história literárias 1933  

O Deus Sem Rosto Poesia 1968  

O Gedeão do Modernismo Crítica, teoria e história literárias 1983  

O Governo de Júlio Prestes e o Ensino Primário Crítica, teoria e história literárias   

O Homem e a Morte Romance e Novela 1922  

O Homem e a Morte Romance e Novela 1924  

O Momento Literário Brasileiro Crítica, teoria e história literárias   

O Nariz de Cleópatra Romance e Novela 1922  

O Nariz de Cleópatra Conto 1924  

O Nariz de Cleópatra Conto 1924  

O Pão de Moloch Miscelânea 1921  

Pelo Amor do Brasil, Discursos Parlamentares Crítica, teoria e história literárias   

Pelo Divórcio, s/d   

Poemas Poesia 1946  

Poemas do Vício e da Virtude Poesia 1913  

Poemas Sacros: Moisés e Jesus Poesia 1958  

Poesias Poesia 1933  

Poesias (1907-1946) Poesia 1958  

Por Amor do Brasil Discursos e sermões (textos doutrinários e moralizantes) 1927  

Recepção do Dr. Menotti Del Picchia na Academia Brasileira de Letras Discursos e sermões (textos doutrinários e moralizantes) 1944  

República dos Estados Unidos do Brasil Poesia 1928  

Revolução Paulista, 1932  

Salomé Romance e Novela 1940  

Seleta em Prosa e Verso Poesia 1974  

Sob o Signo de Polumnia Crítica, teoria e história literárias 1959  

Soluções Nacionais,  1935  

Suprema Conquista Teatro 1921  

Tesouro de Cavendish: Romance Histórico Brasileiro Crítica, teoria e história literárias 1928  

Toda Nua Romance e Novela   

Viagens de João Peralta e Pé-de- Moleque Literatura Infanto-juvenil





A mãe, poesia para crianças de Luísa Ducla Soares

5 05 2010

 

Mãe e filho, s/d

Arsen Kurbanov  (Makhachkala, Daghestan, Rússia, 1969)

óleo sobre tela

50cm x 42 cm

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A Mãe

                                                                             Luísa Ducla Soares

A mãe 

é uma árvore 

e eu uma flor. 

A mãe 

tem olhos altos como estrelas. 

Os seus cabelos brilham 

como o sol. 

A mãe 

faz coisas mágicas: 

transforma farinha e ovos 

em bolos, 

linhas em camisolas, 

trabalho em dinheiro. 

A mãe 

tem mais força que o vento: 

carrega sacos e sacos 

do supermercado 

e ainda me carrega a mim. 

A mãe 

quando canta 

tem um pássaro na garganta. 

A mãe 

conhece o bem e o mal. 

Diz que é bem partir pinhões 

e partir copos é mal. 

Eu acho tudo igual. 

A mãe 

sabe para onde vão 

todos os autocarros, 

descobre as histórias que contam 

as letras dos livros. 

A mãe 

tem na barriga um ninho. 

É lá que guarda 

o meu irmãozinho. 

A mãe 

podia ser só minha. 

Mas tenho de a emprestar 

a tanta gente… 

A mãe 

à noite descasca batatas. 

Eu desenho caras nelas 

e a cara mais linda 

é da minha mãe.

Em: Poemas da Mentira e da Verdade, Lisboa, Livros Horizonte, 1983; 2005

 

 

Luísa Ducla Soares (Lisboa, 1939) escritora, tradutora, consultora literária e jornalista.  Mais recentemente sua produção  é dedicada ao público infanto-juvenil.  Formada em Filologia Germânica.

Obras:

Contrato (Poesia), 1970

A História da Papoila, prosa (Infanto-juvenil), 1972 ; 1977

Maria Papoila, prosa (Infanto-juvenil), 1973 ; 1977

O Dr. Lauro e o Dinossauro, prosa (Infanto-juvenil), 1973 ; 1988

Urso e a Formiga, prosa (Infanto-juvenil), 1973 ; 2002

O Soldado João, prosa (Infanto-juvenil), 1973 ; 2002

O Ratinho Marinheiro (Poesia para a infância), 1973 ; 2001

O Gato e o Rato, prosa (Infanto-juvenil), 1973 ; 1977

Oito Histórias Infantis, prosa (Infanto-juvenil), 1975

O Meio Galo e Outras Histórias, prosa (Infanto-juvenil), 1976 ; 2001

AEIOU, História das Cinco Vogais, (prosa) (Infanto-juvenil), 1980 ; 1999

O Rapaz Magro, a Rapariga Gorda, prosa (Infanto-juvenil), 1980 ; 1984

Histórias de Bichos, prosa (Infanto-juvenil), 1981

O Menino e a Nuvem, prosa (Infanto-juvenil), 1981

Três Histórias do Futuro, prosa (Infanto-juvenil), 1982

O Dragão, prosa (Infanto-juvenil), 1982 ; 2002

O Rapaz do Nariz Comprido, prosa (Infanto-juvenil), 1982 ; 1984

O Sultão Solimão e o Criado Maldonado (Poesia para a infância), 1982

Poemas da Mentira… e da Verdade (Poesia para a infância), 1983 ; 1999

O Homem das Barbas, prosa (Infanto-juvenil), 1984

O Senhor Forte, prosa (Infanto-juvenil), 1984

A Princesa da Chuva, prosa (Infanto-juvenil), 1984

O Homem alto, a Mulher baixinha, prosa (Infanto-juvenil), 1984

De Que São Feitos os Sonhos: A Antologia Diferente, prosa (Infanto-juvenil), 1985 ; 1994

O Senhor Pouca Sorte, prosa (Infanto-juvenil), 1985

A Menina Boa, prosa (Infanto-juvenil), 1985

A Menina Branca, o Rapaz Preto, prosa (Infanto-juvenil), 1985

6 Histórias de Encantar, prosa (Infanto-juvenil), 1985 ; 2003

A Vassoura Mágica, prosa (Infanto-juvenil), 1986 ; 2001

O Fantasma, prosa (Infanto-juvenil), 1987

A Menina Verde, prosa (Infanto-juvenil), 1987

Versos de Animais (Antologia de Literatura Tradicional), 1988

Destrava Línguas (Antologia de Literatura Tradicional), 1988 ; 1997

Crime no Expresso do Tempo, prosa (Infanto-juvenil), 1988 ; 1999

Lenga-Lengas (Antologia de Literatura Tradicional), 1988 ; 1997

O Disco Voador, prosa (Infanto-juvenil), 1989 ; 1990

Adivinha, Adivinha: 150 adivinhas populares (Antologia de Literatura Tradicional), 1991 ; 2001

É Preciso Crescer, ( infanto- juvenil (1992

A Nau Catrineta, prosa (Infanto-juvenil), 1992

À Roda dos Livros: Literatura Infantil e Juvenil (Divulgação), 1993

Diário de Sofia & Cia aos Quinze Anos(Infanto-juvenil), 1994 ; 2001

Os Ovos Misteriosos, prosa (Infanto-juvenil), 1994 ; 2002

O Rapaz e o Robô, prosa (Infanto-juvenil), 1995 ; 2002

S. O. S.: Animais em Perigo!…, prosa (Infanto-juvenil), 1996

O Casamento da Gata, poesia (Infanto-juvenil), 1997 ; 2001

Vamos descobrir as bibliotecas (Divulgação), 1998

Vou Ali e Já Volto, prosa (Infanto-juvenil), 1999

Arca de Noé, poesia (Infanto-juvenil), 1999

A Gata Tareca e Outros Poemas Levados da Breca (Poesia para a infância), 1999 ; 2000

ABC, poesia (Infanto-juvenil), 1999 ; 2001

25 (Poesia para a infância), 1999

Seis Contos de Eça de Queirós (Contos), 2000 ; 2002

Com Eça de Queirós nos Olivais no ano 2000 (Divulgação), 2000

Com Eça de Queirós à roda do Chiado (Divulgação), 2000

Mãe, Querida Mãe! Como é a Tua?, prosa (Infanto-juvenil), 2000 ; 2003

Lisboa de José Rodrigues Miguéis (Divulgação), 2001

Roteiro de José Rodrigues Miguéis: do Castelo ao Camões (Divulgação), 2001

A flauta, prosa (Infanto-juvenil), 2001

Uns óculos para a Rita, prosa (Infanto-juvenil), 2001

Todos no Sofá, poesia (Infanto-juvenil), 2001

1, 2, 3, poesia (Infanto-juvenil), 2001 ; 2003

Alhos e Bugalhos (Divulgação), 2001

Meu bichinho, meu amor, prosa (Infanto-juvenil), 2002

Cores, prosa (Infanto-juvenil), 2002

Gente Gira, prosa (Infanto-juvenil), 2002

Tudo ao Contrário!, prosa (Infanto-juvenil), 2002

Viagens de Gulliver, adaptação livre (Teatro para a infância), 2002

O Rapaz que vivia na Televisão, prosa (Infanto-juvenil), 2002

Contrários, poesia (Infanto-juvenil), 2003

Quem está aí?, prosa (Infanto-juvenil), 2003

A Cavalo no Tempo, poesia (Infanto-juvenil), 2003

Pai, Querido Pai! Como é o Teu?, prosa (Infanto-juvenil), 2003

A Carochinha e o João Ratão, poesia (Infanto-juvenil), 2003

Se os Bichos se vestissem como Gente, prosa (Infanto-juvenil), 2004

A festa de anos, prosa (Infanto-juvenil), 2004

Contos para rir, prosa (Infanto-juvenil), 2004

Abecedário maluco, poesia (Infanto-juvenil), 2004

Histórias de dedos, prosa (Infanto-juvenil), 2005

A Cidade dos Cães e outras histórias, prosa ( Infanto- juvenil ), 2005

Há sempre uma estrela no Natal, contos ( Infanto-juvenil ) Civilização,2006

Doutor Lauro e o dinossauro, prosa (Infanto-Juvenil), 2.ª ed, Livros Horizonte, 2007

Mais lengalengas (recolhas ),Livros Horizonte,2007

Desejos de Natal (Infanto-juvenil ), Civilização,2007

A fada palavrinha e o gigante das bibliotecas





Cantiga de ninar, poema de Décio Valente

3 05 2010

Ilustração de um quadro de Donald Zolan.

Cantiga de ninar

Décio Valente

Cai a chuva no telhado,

chuva boa, criadeira;

cai e corre, corre e pinga,

pinga e bate a noite inteira.

Bate, bate, pingo-d’água,

vai batendo pelo chão,

tique, taque, tique, taque,

como faz o coração.

Bate, chuva, de mansinho,

nos caixilhos da janela;

vai ninando esta criança,

pedacinho meu e dela…

Bate, chuva, vai batendo,

bate, bate, sem parar;

quero ouvir, a noite toda,

o teu canto de ninar.

Em: Cantigas simples, Décio Valente, São Paulo: 1971.

 

Décio Valente, nasceu em Capivari, SP.

Obras:

Anedotas e contos humorísticos, 1955

Cenas humorísticas, 1955

Cantigas simples, 1963

Seleta filosófica, 1964

Pensamentos e reflexões, 1966

Vida e obra de Euclides da Cunha, 1966

Coisas que acontecem…, 1969

Do medíocre ao ridículo, s/d

Ramalhete de trovas, 1977

O plágio, 1986





Quadrinha infantil do mar e do pescador

20 04 2010

pescador, Lucille HollingIlustração, Lucille Holling.

Quem vai ao mar deitar rede,

que tome cuidado, tome!

O mar nunca teve sede,

mas nunca vi tanta fome!

(Eno Teodoro Wanke)





Quadrinha infantil: conselho para plantar

31 03 2010

Ilustração, Maurício de Sousa.

Se um dia necessitares

Uma árvore derrubar,

Tu deves, no mesmo instante,

Plantar outra em seu lugar

(Walter Nieble de Freitas)





Bolinhas de gude, poema infantil de Maria Eugênia Celso

29 03 2010
 Ilustração Maurício de Sousa.

Bolinhas de gude

                                               Maria Eugênia Celso

Brancas, verdes, rajadinhas,

                               Amarelas,

                As bolinhas

                Vão rolando,

                Vão dançando

                Seja liso ou seja rude

                O chão onde vão rolando

                Lá vão elas, lá vão elas…

                               As bolinhas de gude.

Brincam os meninos com elas,

                               Estão jogando

                No jardim ou nas calçadas,

                As bolinhas vão correndo

                Azuis pardas, amarelas,

                               Rajadinhas,

E tão vivas, tão ligeira, tão alegres e estouvadas

                Que até fica parecendo

                               Que são elas

                                               As bolinhas

Que com eles estão brincando.

Em: Poesia Brasileira para a Infância, Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1968.

Maria Eugênia Celso

Maria Eugênia Celso Carneiro de Mendonça (São João Del Rey, Minas Gerais, 1886 – 1963), usou também o pseudônimo Baby-flirt.  Jornalista, escritora, poeta, teatróloga e sufragista.  Funcionária de carreira do Ministério da Educação e Cultura.  Veio de Minas Gerais para Petrópolis, ainda criança,  onde cursou o Colégio Sion.  Em 1920 começou sua carreira jornalística no Jornal do Brasil.  Participou ativamente do “Movimento Feminista”, em favor da emancipação política e social da mulher, dedicou-se ao assistencialismo junto às “Damas da Cruz Verde”, aparecendo como uma das lideranças que criaram a maternidade “Pro-Matre” do Rio de Janeiro.  Batalhou pelo direito das mulheres ao voto. Faleceu em 1963.

Obra:

Em Pleno Sonho, poesia, 1920

Vicentinho, 1925

Fantasias e Matutadas, poesia, 1925

Desdobramento, poesia, 1926

Alma Vária, poesia

Jeunesse, poesia

O Solar Perdido, poesia, 1945

Poemas Completos, 1955

Diário de Ana Lúcia, prosa,

De Relance, crônicas

Ruflos de Asas, teatro

Síntese Biográfica da Princesa Isabel, biografia