Sinuosamente sedutor, resenha: “A linha da beleza”, de Alan Hollinghurst

2 03 2015

 

Beer-street-and-Gin-laneBeer Street, 1751

[Uma de um par: Gin Lane, 1751 é a outra gravura]

William Hogarth (Inglaterra, 1697-1764)

gravura

 

A Linha da beleza é uma linha curva, em forma de esse [S], ou de serpentina, batizada pelo pintor, escritor e poeta inglês William Hogarth, em seu livro teórico, Análise da Beleza, de 1753. Hogarth defendia que essa linha, que vai e volta, teria a capacidade de ativar a atenção do espectador, de mostrar vivacidade e movimento sedutores, inigualáveis, principalmente quando comparada à linha reta, ou às linhas paralelas e até mesmo às linhas cruzadas. Essas outras estariam associadas a objetos inanimados e à morte. Alan Hollinghurst menciona essa linha, no título, e mais tarde a meio caminho da narrativa: “O arco duplo era a ‘linha da beleza’ de Hogarth, a tremulação de um instinto, de duas compulsões mantidas em um movimento não desdobrado (190). O título emprestado de Hogarth explica a trajetória de vida do personagem principal. Como em uma peça teatral, o romance é divido em três atos: primeiro Nick Guest no início de sua estadia como convidado [guest] na casa de um membro do Parlamento inglês; depois seu desempenho pós-graduação em Oxford e primeiras aventuras amorosas; por último, o momento em que se desliga daquela mansão, quatro anos mais tarde. Esses três tempos, seguem o movimento sinuoso que Hogarth considerava atraente: começa de um ponto zero, ganha volume e consistência na segunda parte e se fecha à saída de Nick Guest do convívio da família politicamente poderosa, já em outro estágio de maturidade emocional.

Semelhante sinuosidade é demonstrada pelo próprio Nick Guest que desliza sedutoramente por entre personagens do livro aliciando membros da família com quem vive. Loquaz, ágil, habilidoso na maneira se colocar, de dar apoio quando necessário, preocupa-se em agradar para não perder privilégios, à procura sempre da palavra certa. A impetuosidade não é uma de suas características. Ele é calculista. Procura compreender qualquer situação para dela tirar maior proveito; é um mestre da esperteza social, ciente do efeito que seus gestos, palavras ou ações podem ter entre aqueles com quem se relaciona. É o exemplo da vivacidade, do movimento sedutor e da atitude cativante com o fim de obter conquistas de âmbito pessoal. É o personagem principal, não chega a ser um anti-herói, mas está longe de ser um homem de caráter exemplar ou um ser humano confiável e idôneo. No entanto, talvez por conhecer sua maneira singular de pensar e seus motivos, somos seduzidos a saber o que acontece com ele do início ao fim da leitura.

 

Sign-painter-Beer_StreetDETALHE, o pintor de letreiros, na gravura de Hogarth que abre esta postagem.

 

Esta é a história de Nick Guest, que ao terminar os estudos em Oxford e decidir fazer o doutoramento em literatura, dá início a uma nova fase em sua vida. Não só ele se debruçará sobre a obra de Henry James, mas irá explorar sua homossexualidade até então confinada a sonhos e devaneios. Ambicioso, Nick não perde oportunidade para parecer aquilo que não é: membro da elite social e financeira do país. Confiando na sua habilidade de conversar, no seu conhecimento de música e literatura, na disciplina de prestar atenção aos detalhes de luxo e de estilo, e na curiosidade de observar aqueles à sua volta, Nick consegue negociar uma estadia por tempo indeterminado, na residência de uma família rica e influente na política. Com o conhecimento de antiguidades adquirido através de seu pai, um comerciante no ramo, Nick julga de longe o valor dos objetos que encontra nas casas que frequenta e considera seus donos pelo que possuem. Por isso mesmo, não tem um debate emocional interno ou qualquer crise de consciência ao aceitar presentes finos e luxuosos por favores sexuais, agindo como qualquer amante em relações às escondidas. Também fica longe de se considerar em dívida de fidelidade para com os membros da família que o acolheu. Nick observa as pessoas como objetos, mesmo aqueles que diz amar. Há um distanciamento palpável entre o que diz sentir e o que faz. Dar-se, abrir-se ao outro sem restrições, não faz parte de seu caráter. Nick é egoísta e tem um único objetivo: ser bem sucedido no amor.

 

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Hollinghurst mostra seus personagens sem exageros, de maneira realista e usa a ironia sutil, como base sólida para a análise do que retrata. Mesmo assim, não se pode deixar de lembrar que se trata de uma sátira da vida na Grã-Bretanha, na década de 1980. A narrativa é de grande precisão e distanciamento. Cenas difíceis de sexo, de promiscuidade e traições, todas são narradas com rigor e clareza. O extenso uso de drogas é claramente delineado. A procura obsessiva e indiscriminada por amor e aceitação, feita através do sexo, é necessidade do personagem principal e parte de sua angústia e de sua carência. No entanto, tudo é retratado de maneira tão exata e rigorosa que nos distanciamos e não somos capazes de sentir nem compaixão, nem ojeriza. Nick Guest não é melhor nem pior do que aqueles que o cercam, mas não consegue se identificar com grupo nenhum. Tampouco com homens ou mulheres. “Agora talvez ele realmente pudesse ir lá para cima e gozar a liberdade de ser o convidado avulso. Não se encaixava em nenhum dos ambientes “(145). Mais do que um convidado, Nick é um intruso em qualquer ambiente que habite. Ele não se encontra em lugar nenhum. Ao visitar sua cidade natal, sente-se um forasteiro, na Londres a que anseia pertencer não tem a credibilidade de nascimento ou dinheiro para entrar. Talvez por isso mesmo suas relações amorosas mais significativas sejam com imigrantes estrangeiros. O primeiro, que lhe dá o fora quando descobre que ele não tem dinheiro. E o segundo para quem se transforma em amante teúdo e manteúdo. Nick poderia até ser um personagem merecedor da nossa simpatia e compreensão. Mas não há nesse romance nenhum personagem merecedor desses sentimentos. Todos, sem exceção, são desprezíveis.

 

Alan-HollinghurstAlan Hollinghurst

 

A narrativa de Alan Hollinghurst é extraordinária. Ímpar. Referências à obra de Henry James são numerosas com o propósito de ilustrar o assunto da tese de doutoramento de Nick Guest. Mas é evidente que a mágica narrativa de James tem influência neste romance, se não pelo estilo, pelo menos pela ambientação. Aqui, como em James, os personagens são caracterizados por seu comportamento de encontro às expectativas que se tem deles. Temos uma visão de um grupo social – a classe da alta burguesia inglesa – de seus amores ilícitos e da ruptura dos códigos sociais em exercício e até mesmo de sua moralidade. As preocupações de Nick Guest com sua posição social, a vida amorosa de seus pares, o desejo de ascensão social interpretadas por ele muitas vezes com ironia colocam este romance em contexto semelhante ao encontrado no teatro, nas comédias de costume. O tom é por vezes cômico, satírico, espirituoso, repleto de diálogos vivos e contemporâneos. Hollinghurst tem ciência da posição que assume na história da literatura inglesa. E mais, suas constantes referências a escritores assumidamente homossexuais ou aos que, hoje, consideramos como homossexuais revelam que ele sabe exatamente onde sua obra deve se inserir na linha histórica da literatura gay inglesa: Shakespeare, Oscar Wilde, E. M. Forster, Henry James são apenas alguns dos parâmetros entre os quais sua obra se encerra. Mas considerar essa obra primeiramente um romance gay é extremamente redutivo e um desserviço ao mundo literário. Em questão está um romance cujo personagem principal tem características e personalidade universais: gosto pela luxo, beleza, posição social. Ele é egoísta, sinuoso, traiçoeiro. Superficial. E ele também é gay. Fazer de A linha da beleza uma obra, sobretudo gay é contribuir para a perpetuação de um preconceito. Este é um romance, um drama universal, pronto para uma série televisiva daquelas em que os ingleses se esmeram.

 

Este livro foi recipiente do Prêmio Man-Booker em 2004, o maior prêmio de literatura para os países da Commonwealth.

 

NOTA, 2/3/2015 — Acabo de ser informada que, de fato, o romance resenhado acima tornou-se uma série televisiva da BBC2, levada ao ar em 2006, com Dan Stevens [conhecido no Brasil como Mathew Crawley, da série Downton Abbey] no papel principal de Nick Guest.

The_Line_of_Beauty_DVD





Imagem de leitura — Carlton Alfred Smith

23 02 2015

 

 

Carlton Alfred Smith - The Young Readers 1893As jovens leitoras, 1893

Carlton Alfred Smith (Inglaterra, 1853-1946)

óleo sobre madeira, 29 x 47 cm





Livros, os melhores do século XXI pela BBC, quais deles você já leu?

11 02 2015

 

Alex Cree contemporary Great Britain Bridget Reading 2005Bridget lendo, 2005

Alex Cree (Inglaterra, contemporâneo)

www.alexcree.co.uk

 

Os ingleses são mestres de listas.  Já expliquei anteriormente que gosto de listas porque ela me fazem pensar sobre assuntos que passariam em branco… Os melhores livros do século XXI já foram causa de postagem aqui em abril do ano passado quando o jornal inglês The Guardian fez a pergunta a seus leitores: “daqui a cem anos que livros publicados no século XXI ainda serão lidos?”  — Se interessado, aqui está a minha resposta.

Desta vez, falo da lista feita pela BBC sobre os melhores livros do século até o momento e pergunto: você já leu algum deles?

 

1 – A fantástica vida breve de Oscar Wao — de Junot Diaz, publicado no Brasil pela Record.

2 – O mundo conhecido — de Edward P. Jones, publicado no Brasil pela José Olympio

3 – Wolf Hall — de Hilary Mantel, publicado no Brasil pela Record.

4 –  Gilead — de Marilynne Robinson, publicado no Brasil pela Nova Fronteira.

5 –  As Correções — de Jonathan Frazen, publicado no Brasil pela Cia das Letras

6 – As incríveis aventuras de Kavalier e Clay — de Michael Chabon, publicado no Brasil pela Record

7 –  A visita cruel do tempo — de Jennifer Egan, publicado no Brasil pela Intrínseca

8 – Billy Lean’s Long Hallftime Walk — de  Ben Fountain, sem publicação no Brasil

9 – Reparação —  de Ian McEwan — publicado no Brasil pela Cia das Letras

10 – Meio Sol Amarelo — de Chimamanda Ngozi Adichie, publicado no Brasil pela Cia das Letras

11 – Dentes Brancos — Zadie Smith, publicado no Brasil pela Cia das Letras

12 – Middlesex — de Jeffrey Eugenides, publicado no Brasil pela Cia das Letras

 

LISTA DA BBC

 

De posse desta lista vou passar o Carnaval no ar condicionado, lendo. Na mesinha de cabeceira estão: Middlesex — versão em inglês comprado no seu lançamento (2003) e ainda não lido, mas outros membros da casa leram e gostaram.  Dentes Brancos, versão em português também não lido apesar de comprado quando publicado no Brasil, por recomendação do marido.  Wolf Hall que está na mesma situação. MAS, há algo a meu favor: conheço boa parte dos autores por outras publicações…  Por que ainda não li estes livros?  Prestem atenção ao número de páginas…. Tem que ser muito bom para que valha toda a dedicação.  Há alguns autores que têm crédito comigo: Hilary Mantel é uma autora cujas obras conheço desde os tempos em que morei fora do Brasil. Já li muitos de seus romances… Já ouvi ótimas opiniões sobre Meio Sol Amarelo, mas acabo de ler Americanah da mesma autora e vou dar um tempo. Ian McEwan também é velho conhecido e Reparação já vi duas vezes no cinema.  Preciso espaçar o envolvimento com o tema, apesar de gostar bastante de sua prosa.

Mas saio deste Carnaval certamente enriquecida por alguma excelente leitura.

E você, o que vai ler neste Carnaval?




Rio de Janeiro, comemorando 450 anos!

30 01 2015

 

 

???????????????????????????????Enseada de Botafogo, 1835

Emeric Essex Vidal (Inglaterra, 1791-1861)

aquarela sobre papel, 17 x 25 cm

Museu Imperial de Petrópolis





10 regras para o escritor, por Zadie Smith

27 01 2015

 

ournal des Dames et des Modes (1811).Ilustração do Journal des Dames et des Modes, 1811 (França)

 

Zadie Smith, autora de  Sobre a Beleza, tem 10 conselhos para quem deseja ser escritor:

 

1 – Ainda criança trate de ler muitos livros. Passe mais tempo fazendo isso do que qualquer outra atividade.

2 – Já adulto, tente ler seu próprio trabalho como uma pessoa estranha o faria, ou melhor, como faria o seu inimigo.

3 – Não romantize a sua vocação.Você ou escreve bem, boas frases, ou não escreve. Não há isso de estilo de vida de escritor.  O que importa é o que você deixa escrito no papel.

4 – Evite seus pontos fracos.  Mas não se convença de que o que você não consegue fazer não vale a pena fazer.  Não esconda as dúvidas que você tem sobre sua própria capacidade com a máscara do desprezo.

5 – Deixe um bom tempo entre escrever alguma coisa e editá-la.

6 – Evite grupinhos, turmas e bandos. A presença de um grupo não irá fazer a sua escrita melhor do que ela é.

7 – Trabalhe em um computador que não esteja ligado à internet.

8 – Proteja o tempo e o espaço em que você escreve. Mantenha todo mundo do lado de fora, até mesmo as pessoas que lhe são mais caras.

9 – Não confunda honrarias com realizações.

10 – Fale a verdade através de qualquer uma das roupagens com que ela venha, mas diga a verdade. Resigne-se à tristeza pela vida inteira, por do não estar nunca satisfeito.

 

The Guardian





Precisa-se de uma bola de cristal, poesia de Roseana Murray

10 01 2015

 

waterhouse_the_crystal_ball_skullA bola de cristal, 1902

John William Waterhouse (Inglaterra, 1849-1917)

óleo sobre tela

Coleção Particular

 

 

Precisa-se de uma bola de cristal

que mostre um futuro grávido de paz:

que a paz brilhe no escuro

com o brilho especial que algumas

palavras possuem

mas que seja mais do que a palavra,

mais do que promessa:

seja como uma chuva que sacia  a sede da terra.

 

 

Em: Classificados Poéticos, Roseana Murray, Belo Horizonte, Miguilim:1984, 17ª edição, p. 38





5 livros publicados para cada 1.000 habitantes, por ano, na Islândia

5 01 2015

 

Crook, P.J. (1945-...) 9th November, 20029 de novembro, 2002

P. J. Crook (Inglaterra, 1945)

[Pamela June Crook]

www.pjcrook.com

 

 

Um exemplo de povo que lê nos chega de bem longe, quase da terra do Papai Noel. Na Islândia, dar e receber livros é uma das tradições natalinas. E isso é uma tradição de muitas e muitas décadas.

A Islândia publica mais livros per capita do que qualquer outro país do mundo, com cinco títulos publicados para cada 1.000 islandeses. Mas o que é realmente incomum é a época em que esses livro são vendidos: do final de setembro ao início de novembro. Tudo por causa da tradição nacional, de celebrar o Natal com livros. Eles dão o nome a esse fenômeno cultural: “Enchente de Livros de Natal  [Jolabokaflod].

O hábito da população é trocar presentes na noite do dia 24 de dezembro. E as pessoas passam a noite de 24 para o dia 25 lendo. Esse hábito faz com que as vendas dessa época sejam a espinha dorsal dos negócios editorais islandesas. Como a semana do Natal e do Ano Novo é em geral de feriados seguidos, a tradição é passar essas “férias” tendo a leitura como entretenimento.

Com 320.000 pessoas, o país tem estatísticas impressionantes sobre a leitura. Em 2009, os empréstimos de livros na biblioteca municipal de Reykjavik chegaram a 1.200.000 – um milhão e duzentos mil — para a população de 200.000 pessoas na cidade.

Os islandeses amam a leitura. E não é só um grupo de pessoas que compra a maior parte dos títulos como acontece em países com uma saudável indústria editorial como a Grã-Bretanha ou os Estados Unidos. Na Islândia toda a população é leitora e compradora de livros. Entre os tipos de livros preferidos pelos islandeses estão biografias e ficção – esta de todos os gêneros da histórica ao suspense – passando por todos os outros subgêneros.

O hábito da leitura nas férias é comum nos países mais letrados. Há até nos Estados Unidos publicações mais leves a que são dadas o cognome de “beach read” – leitura para praia – que são livros divertidos, que não exigem muita concentração.

A leitura de mistérios e livros leves também foi uma tradição da minha família. Nos meses de verão, que antecediam o Carnaval, líamos mistérios, romances leves, livros de espionagem: histórias com gosto de férias. E vocês? Vocês leem nas férias? Levam livros nas malas junto aos biquínis e às pranchas de surfe?

 

Fonte: NPR





Encontrado tesouro do reinado de Etelredo II da Inglaterra enterrado 900 anos atrás

3 01 2015

 

Eteredo,o despreparadoEtelredo II, o Despreparado, c. 1220

(Reinado: c. 968-1016)

Iluminura no manuscrito:

Crônicas de Abindon,  MS Cott. Claude B.VI folio 87, verso, The British Library

 

 

Um caçador de tesouros amador descobriu um grande tesouro de moedas anglo-saxãs, durante um evento anual de fim de ano. Esse evento era exclusivo para os membros de um clube de caçadores de tesouros amador. Em um local com raízes históricas na Idade Média, foi encontrado um dos maiores tesouros da Grã-Bretanha. Seu valor se aproxima a 1 milhão de libras. Acompanhado por  seu filho e um amigo, Paul Coleman, tomou parte na escavação de um terreno em Lenborough, Buckinghamshire, pouco antes do Natal.

Não pensaram em encontrar uma coleção intocada de mais de 5.000 moedas de prata feitas nos reinados de Etelredo, o Despreparado (978-1016) e Canuto II (1016-1035). É possível que essa descoberta esteja ligada a uma “casa da moeda” estabelecida por Ethelred em Buckingham. Este local de cunhagem de moedas permaneceu ativo durante o tempo do rei Canuto II.

Ao todos foram 5.251 moedas encontradas de uma só vez, guardadas em um recipiente forrado por chumbo e enterrado a 60 cm do chão.  O evento e a escavação foram acompanhados por um arqueólogo para garantir que o processo de escavação fosse correto. Apenas algumas dessas moedas foram limpas, mas todas provaram estar em excelente condição. Essa coleção remonta a um período extraordinário da história, durante o qual os vikings assumiram o controle da Inglaterra.

 

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Há moedas do reinado de Etelredo II, o Despreparado, que se tornou rei da Inglaterra aos sete anos, depois que seu meio-irmão Edward II foi assassinado em 978. Há também moedas do rei Canuto II, o Grande, rei da Dinamarca, Noruega, Escócia e Inglaterra que reinou de 1018 a 1035.

As moedas descobertas nesta semana, são de um momento pioneiro na produção de moedas cunhadas em prata sólida, em massa. A prata havia substituído o ouro romano que por seu turno havia substituído o cobre Anglo Saxão no século VIII.

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Quando Etelredo II assumiu o trono, havia mais de 70 “casas da moeda” na Inglaterra, em diversos locais como Londres, Winchester, Lincoln, e York. As moedas de um centavo foram as primeiras a ter a efígie desses primeiros monarcas, pioneiros em seu tempo. Trabalhadores reais especializados podiam carimbar mais de 2.000 moedas em branco por dia.

À medida a tecnologia foi se desenvolvendo as moedas se tornaram mais uniformes e muitas das tradições que existem até hoje foram estabelecidas nessa época, como a posição da cabeça de um monarca.

Espera-se agora a compra das moedas por algum museu inglês, provavelmente da região. O resultado da venda será dividido entre o escavador e o dono do terreno onde foi encontrado como regem as leis locais.





Imagem de leitura — David Brooke

7 12 2014

 

David Brooke (Inglaterra) , Reading in bed, acrílica 10 x 10 inchesLendo na cama

David Brooke (Inglaterra, contemporâneo)

acrílica sobre tela, 25 x 25 cm





DNA de Ricardo III sugere infidelidade histórica

3 12 2014

 

King_Richard_III_from_NPGRicardo III, rei da Inglaterra, 1452-1485.

Pintura anônima do final do século XV.

National Portrait Gallery, Londres

 

Ricardo III, figura controversa na história da Inglaterra, protagonista cruel de uma das peças teatrais de William Shakespeare, nunca foi tão popular quanto no século XXI, quase 700 anos depois de sua morte. Uma morte, lembre-se, que não só gerou a Guerra das Rosas entre as linhas familiares  dos ducados de Lancaster e de York mas também colocou um ponto final à linha Plantagenet no trono inglês.  O final da guerra traz como sabemos o início à linhagem Tudor, com Henrique VII no trono.

O único rei da Inglaterra a morrer no campo de batalha, Ricardo III teve os restos mortais descobertos  em 2012, no sítio da antiga Igreja de Grey Friars, incendiada a mando de Henrique VIII, na época da dissolução dos monastérios. Ricardo III havia sido enterrado às pressas, sem pompa, durante a batalha.  Com a destruição da igreja e de seu cemitério anos depois o local não havia sido registrado pela História.

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Há dois anos a descoberta de seus restos mortais, examinados e identificados através de exames de DNA, trouxe uma pequena revolução no estudo da história da Inglaterra por confirmar alguns traços físicos de Ricardo III e também descartar outras tantas teorias levantadas por estudiosos do final da época medieval inglesa.

Hoje, no entanto, Ricardo III volta às manchetes.  Sua linhagem parece não ter sido tão pura quanto se pensava.  Alguém, do lado da família de seu pai, Eduardo V, teve um caso amoroso, que se tornou séria infidelidade, com consequências históricas.  Este intruso, que não sabemos ainda quem é, se infiltrou na torre do castelo, balançou o coração da donzela e permaneceu no DNA de Ricardo III.  Um pouco tarde para se mudar o resultado da Guerra das Rosas, mas uma curiosidade que, sem dúvida, levará a muitas especulações mudando até certo ponto nossos preconceitos sobre a vida cotidiana nos castelos medievais.

 

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