Imagem de leitura — Edward Thompson Davis

11 09 2015

 

 

A Quiet Moment, Edward Thompson Davis. English (1833-1867).Um momento de quietude

Edward Thompson Davis, (GB, 1833-1867)

óleo sobre madeira, 45 x 34 cm





Resenha: “O sentido de um fim”, Julian Barnes

6 09 2015

 

 

Anthony Morris (Grã-Bretanha, 1938) Retrato de Roger 1999Retrato de Roger

Anthony Morris, RP (Grã-Bretanha, 1938)

óleo sobre tela

 

 

 

Recentemente tive uma discussão acalorada com meu irmão sobre a lembrança de um evento da nossa infância. Cada um de nós, únicos protagonistas da aventura, se lembrava de coisas diferentes e em diferente ordem. Mais revelador ainda: cada qual só tinha a memória daquilo mais significativo para si mesmo. Guardamos para o futuro, para o nosso banco de memórias, para o perfil do nosso passado, só o momento de nosso próprio ato de bravura. Os dois haviam sido corajosos, individualmente, mas uma única lembrança, pessoal, individual, em que fomos heróis, se manteve.  Não chegando a um acordo, partimos frustrados, como se tivéssemos sido traídos pelo outro. Aí estava uma prova, para mim, historiadora, que de fato a reconstituição do passado é sempre ficcionalizada de acordo com o narrador. Faz parte do dia a dia, de quem se dedica à história, considerar que memórias são seletivas.  Julian Barnes adverte o leitor sobre esse fenômeno desde o início da narrativa, através de Adrian, um adolescente precoce em conversa com seu professor: “Esse é um dos principais problemas da história, não é senhor? A questão da interpretação subjetiva versus a interpretação objetiva, o fato de que nós precisamos conhecer a história do historiador, a fim de entender a versão que é colocada diante de nós.” [18]

O sentido de um fim, de Julian Barnes, trata diretamente da memória e da narrativa que damos às nossas vidas.  Trata da maneira sucinta e por vezes poética com que narramos nossas próprias lembranças; reeditando-as com a a passagem do tempo.  Julian Barnes também trata de maneira sucinta e poética o tema,  revelando a enorme dimensão do que pode existir por trás dos detalhes que escolhemos lembrar, dos fatos que obliteramos, e como a cada narrativa podemos encontrar uma nova interpretação.   Esta é uma obra magistral.  Pequena, enxuta, prova de que conteúdo não precisa ser copioso para ter impacto.

 

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Inicialmente O sentido de um fim parece estar contido nos preparativos a que, aos sessenta anos, Tony Webster, protagonista e narrador, se dedica ao colocar a vida em ordem para um futuro incerto.  Mas à medida que se recorda do passado e conclui que não realizara nada do que sonhara, é forçado a reconsiderar o que havia feito de sua própria vida, de seu casamento. Fora nada mais do que a vida de um homem comum. Tem vívidas recordações de sua adolescência e dos amigos de então. Lembra-se de sua primeira namorada e dos hábitos diferentes de relacionamentos  na época de sua juventude.  Esse início, a primeira parte da história, marca o tom de meditação que permeia a narrativa: uma longa ponderação sobre as expectativas que temos sobre o futuro, e sobre o comportamento humano.

As lembranças, cada qual acessada a partir de um gatilho diferente parecem sempre surpreendentes. Tudo é próximo da realidade e enigmático.  Revisto dezenas de vezes e sempre novo.  Como num processo de psicanálise ou inquérito policial, a cada recontagem, a cada rearrumação de fatos, uma lembrança resgatada, uma revelação, nem tão clara, nem tão nebulosa, mas presente.  A verdade?  Está em algum lugar e não chega a ser mencionada.

O título O sentido de um fim toma conotações inesperadas, imprevistas.   Muito mais do que estabelecer ordem em uma vida que se prepara para o fim, essa trama nos leva a questionar a veracidade das nossas certezas.  Somos, afinal, quem pensamos ser?

 

julian barnes, booker 2011Julian Barnes, ©AP Photo/Kathy Willens

 

De repente, a história singela, franca, desafetada, que prendeu nossa atenção até o final, levanta dúvidas. Sérias.  Não sobre si mesma. Mas ela interage conosco. Questiona.  No mesmo tom meditativo da narrativa, embarcamos numa ponderação a respeito do passado.  Rever a ficção das nossas vidas, não é fácil. Saberemos catar nos rincões da memória o que é verdade?  Separá-la, mesmo não conhecendo todos os fatos?  Sim, porque é isso o que somos, um conglomerado de ficções e alguns fatos aos quais damos a nossa identidade, não é mesmo?  Tony Webster, adolescente, não percebe a ficção do dia a dia. “Esse era outro de nossos temores: que a Vida não fosse igual à Literatura” [21]. Mas é.  A vida é igual à literatura.  Somos protagonistas da história que desenvolvemos, editamos, burilamos. Eliminamos fatos indesejados, colorimos a gosto. E em algum lugar, em algum ponto, essa fantasia toma uma vida própria, ambulante e acreditamos nela. Só mesmo um acontecimento inesperado, um evento de grandes proporções — como acontece em O sentido de um fim —  pode  desvendar a proporção de realidade que escolhemos esconder dos outros e de nós mesmos. Mas mesmo assim, não revelará tudo. Só o suficiente para o entendimento geral de uma determinada situação.

O sentido de um fim é uma joia, uma obra prima.

 

 

NOTA: Com este livro Julian Barnes ganhou o Booker Prize de 2011.





Esmerado: Insígnia “The Strafford George”

24 08 2015

 

 

After Raphael, Lesser George, ‘The Strafford George’, Onyx, brown, light grey, dark grey, gold, silver, enamel, Dutch rose-cut diamonds, 25 years 17th century. Courtesy Royal Collection Trust .Her Majesty Queen Elizabeth II 2013Insígnia conhecida como: The Strafford George, século XVII
[D’Après Rafael]
Ônix marrom, cinza claro, ouro, prata esmalte, diamantes
Courtesia: Royal Collection Trust .Her Majesty Queen Elizabeth II

 

A miniatura em esmalte de São Jorge e o dragão, no reverso dessa insígnia é uma cópia de um quadro de Rafael, de 1506, hoje na National Gallery em Washington D.C.

 

Saint_george_raphaelSão Jorge e o dragão, 1506
Raphael Sanzio (Urbino, 1483-1520)
óleo sobre madeira, 28 x 21 cm
National Gallery, Washington DC




Imagem de leitura — Frank Owen Salisbury

20 08 2015

 

 

Mrs C.C. Greenwood and her Daughter, (oil on canvas)Sra C.C. Greenwood e filha

Frank Owen Salisbury (GB, 1874-1962)

Óleo sobre tela, 116 x 154 cm

Coleção Particular





Imagem de leitura — Thomas Gainsborough

26 07 2015

 

 

14sequeiIsaac Henrique Sequeira

Thomas Gainsborough (Inglaterra, 1727-1788)

Óleo sobre tela, 127 x 102 cm

Museu do Prado, Madri





Imagem de leitura — John Henry Henshall

25 07 2015

 

 

thoughts-1883-by-john-henry-henshall.jpgThoughts -1883 by John Henry Henshall ...Pensamentos, 1883

John Henry Henshall (Inglaterra, 1858-1926)

óleo sobre tela, 135 x 78 cm





Imagem de leitura — Charles Haigh-Wood

29 06 2015

 

 

Charles Haigh Wood - Storytime 1893Hora das histórias, 1893

Charles Haigh-Wood (Grã-Bretanha, 1856-1927)

óleo sobre tela, 30 x 38 cm





As noivas de branco…Desde quando?

12 06 2015

 

 

Casamento russo 3Casamento na Rússia, década de 1960. Ignoro a autoria dessa ilustração.

 

“Até meados do século XVII, as noivas usavam vestidos coloridos, com pedrarias e bordados. Tons vermelhos e dourados  eram os mais comuns. Foi a rainha Vitória, da Inglaterra, que inaugurou o visual da noiva mais usado até hoje — ao se casar de branco com seu primo, o príncipe Albert. Ela também acrescentou ao seu traje nupcial um véu — detalhe, na época era proibido para rainhas que, para provarem sua identidade e soberania, nunca deveriam cobrir o rosto. O mais curioso é que ela o pediu em casamento, pois não se permitia fazer esse pedido diretamente à rainha. Com a chegada da burguesia, o vestido branco ganhou outro significado: o da virgindade.”

 

Em: Sempre, às vezes, nunca – etiqueta e comportamento, Fábio Arruda, São Paulo, Arx: 2003, 8ª edição, p: 44.





Em três dimensões: Henry Moore

11 05 2015

 

 

1024px-Henry_Moore_-_Two_Piece_Reclining_Figure_5_-_KenwoodFigura recostada em duas peças nº 5, 1964

Henry Moore (GB, 1898-1986)

Bronze

Kenwood House Gardens, Londres

 

 





Palavras para lembrar — Tony Bellotto

26 04 2015

 

 

 

Augustus egg, companheiras de viagem, 1862, ost, birminghamCompanheiras de viagem, 1862

Augustus Leopold Egg (Inglaterra, 1816-1863)

óleo sobre tela, 65 x 78 cm

Birmingham Museum and Art Gallery, Inglaterra

 

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“Nunca deixe de levar consigo um livro, o melhor companheiro do viajante solitário.”

Tony Bellotto