Emeric Essex Vidal (Inglaterra, 1791-1861)
aquarela sobre papel, 17 x 25 cm
Museu Imperial de Petrópolis
Emeric Essex Vidal (Inglaterra, 1791-1861)
aquarela sobre papel, 17 x 25 cm
Museu Imperial de Petrópolis
Ilustração do Journal des Dames et des Modes, 1811 (França)
Zadie Smith, autora de Sobre a Beleza, tem 10 conselhos para quem deseja ser escritor:
1 – Ainda criança trate de ler muitos livros. Passe mais tempo fazendo isso do que qualquer outra atividade.
2 – Já adulto, tente ler seu próprio trabalho como uma pessoa estranha o faria, ou melhor, como faria o seu inimigo.
3 – Não romantize a sua vocação.Você ou escreve bem, boas frases, ou não escreve. Não há isso de estilo de vida de escritor. O que importa é o que você deixa escrito no papel.
4 – Evite seus pontos fracos. Mas não se convença de que o que você não consegue fazer não vale a pena fazer. Não esconda as dúvidas que você tem sobre sua própria capacidade com a máscara do desprezo.
5 – Deixe um bom tempo entre escrever alguma coisa e editá-la.
6 – Evite grupinhos, turmas e bandos. A presença de um grupo não irá fazer a sua escrita melhor do que ela é.
7 – Trabalhe em um computador que não esteja ligado à internet.
8 – Proteja o tempo e o espaço em que você escreve. Mantenha todo mundo do lado de fora, até mesmo as pessoas que lhe são mais caras.
9 – Não confunda honrarias com realizações.
10 – Fale a verdade através de qualquer uma das roupagens com que ela venha, mas diga a verdade. Resigne-se à tristeza pela vida inteira, por do não estar nunca satisfeito.
John William Waterhouse (Inglaterra, 1849-1917)
óleo sobre tela
Coleção Particular
Precisa-se de uma bola de cristal
que mostre um futuro grávido de paz:
que a paz brilhe no escuro
com o brilho especial que algumas
palavras possuem
mas que seja mais do que a palavra,
mais do que promessa:
seja como uma chuva que sacia a sede da terra.
Em: Classificados Poéticos, Roseana Murray, Belo Horizonte, Miguilim:1984, 17ª edição, p. 38
P. J. Crook (Inglaterra, 1945)
[Pamela June Crook]
Um exemplo de povo que lê nos chega de bem longe, quase da terra do Papai Noel. Na Islândia, dar e receber livros é uma das tradições natalinas. E isso é uma tradição de muitas e muitas décadas.
A Islândia publica mais livros per capita do que qualquer outro país do mundo, com cinco títulos publicados para cada 1.000 islandeses. Mas o que é realmente incomum é a época em que esses livro são vendidos: do final de setembro ao início de novembro. Tudo por causa da tradição nacional, de celebrar o Natal com livros. Eles dão o nome a esse fenômeno cultural: “Enchente de Livros de Natal [Jolabokaflod].
O hábito da população é trocar presentes na noite do dia 24 de dezembro. E as pessoas passam a noite de 24 para o dia 25 lendo. Esse hábito faz com que as vendas dessa época sejam a espinha dorsal dos negócios editorais islandesas. Como a semana do Natal e do Ano Novo é em geral de feriados seguidos, a tradição é passar essas “férias” tendo a leitura como entretenimento.
Com 320.000 pessoas, o país tem estatísticas impressionantes sobre a leitura. Em 2009, os empréstimos de livros na biblioteca municipal de Reykjavik chegaram a 1.200.000 – um milhão e duzentos mil — para a população de 200.000 pessoas na cidade.
Os islandeses amam a leitura. E não é só um grupo de pessoas que compra a maior parte dos títulos como acontece em países com uma saudável indústria editorial como a Grã-Bretanha ou os Estados Unidos. Na Islândia toda a população é leitora e compradora de livros. Entre os tipos de livros preferidos pelos islandeses estão biografias e ficção – esta de todos os gêneros da histórica ao suspense – passando por todos os outros subgêneros.
O hábito da leitura nas férias é comum nos países mais letrados. Há até nos Estados Unidos publicações mais leves a que são dadas o cognome de “beach read” – leitura para praia – que são livros divertidos, que não exigem muita concentração.
A leitura de mistérios e livros leves também foi uma tradição da minha família. Nos meses de verão, que antecediam o Carnaval, líamos mistérios, romances leves, livros de espionagem: histórias com gosto de férias. E vocês? Vocês leem nas férias? Levam livros nas malas junto aos biquínis e às pranchas de surfe?
Fonte: NPR
Etelredo II, o Despreparado, c. 1220
(Reinado: c. 968-1016)
Iluminura no manuscrito:
Crônicas de Abindon, MS Cott. Claude B.VI folio 87, verso, The British Library
Um caçador de tesouros amador descobriu um grande tesouro de moedas anglo-saxãs, durante um evento anual de fim de ano. Esse evento era exclusivo para os membros de um clube de caçadores de tesouros amador. Em um local com raízes históricas na Idade Média, foi encontrado um dos maiores tesouros da Grã-Bretanha. Seu valor se aproxima a 1 milhão de libras. Acompanhado por seu filho e um amigo, Paul Coleman, tomou parte na escavação de um terreno em Lenborough, Buckinghamshire, pouco antes do Natal.
Não pensaram em encontrar uma coleção intocada de mais de 5.000 moedas de prata feitas nos reinados de Etelredo, o Despreparado (978-1016) e Canuto II (1016-1035). É possível que essa descoberta esteja ligada a uma “casa da moeda” estabelecida por Ethelred em Buckingham. Este local de cunhagem de moedas permaneceu ativo durante o tempo do rei Canuto II.
Ao todos foram 5.251 moedas encontradas de uma só vez, guardadas em um recipiente forrado por chumbo e enterrado a 60 cm do chão. O evento e a escavação foram acompanhados por um arqueólogo para garantir que o processo de escavação fosse correto. Apenas algumas dessas moedas foram limpas, mas todas provaram estar em excelente condição. Essa coleção remonta a um período extraordinário da história, durante o qual os vikings assumiram o controle da Inglaterra.
Há moedas do reinado de Etelredo II, o Despreparado, que se tornou rei da Inglaterra aos sete anos, depois que seu meio-irmão Edward II foi assassinado em 978. Há também moedas do rei Canuto II, o Grande, rei da Dinamarca, Noruega, Escócia e Inglaterra que reinou de 1018 a 1035.
As moedas descobertas nesta semana, são de um momento pioneiro na produção de moedas cunhadas em prata sólida, em massa. A prata havia substituído o ouro romano que por seu turno havia substituído o cobre Anglo Saxão no século VIII.
Quando Etelredo II assumiu o trono, havia mais de 70 “casas da moeda” na Inglaterra, em diversos locais como Londres, Winchester, Lincoln, e York. As moedas de um centavo foram as primeiras a ter a efígie desses primeiros monarcas, pioneiros em seu tempo. Trabalhadores reais especializados podiam carimbar mais de 2.000 moedas em branco por dia.
À medida a tecnologia foi se desenvolvendo as moedas se tornaram mais uniformes e muitas das tradições que existem até hoje foram estabelecidas nessa época, como a posição da cabeça de um monarca.
Espera-se agora a compra das moedas por algum museu inglês, provavelmente da região. O resultado da venda será dividido entre o escavador e o dono do terreno onde foi encontrado como regem as leis locais.
Ricardo III, rei da Inglaterra, 1452-1485.
Pintura anônima do final do século XV.
National Portrait Gallery, Londres
Ricardo III, figura controversa na história da Inglaterra, protagonista cruel de uma das peças teatrais de William Shakespeare, nunca foi tão popular quanto no século XXI, quase 700 anos depois de sua morte. Uma morte, lembre-se, que não só gerou a Guerra das Rosas entre as linhas familiares dos ducados de Lancaster e de York mas também colocou um ponto final à linha Plantagenet no trono inglês. O final da guerra traz como sabemos o início à linhagem Tudor, com Henrique VII no trono.
O único rei da Inglaterra a morrer no campo de batalha, Ricardo III teve os restos mortais descobertos em 2012, no sítio da antiga Igreja de Grey Friars, incendiada a mando de Henrique VIII, na época da dissolução dos monastérios. Ricardo III havia sido enterrado às pressas, sem pompa, durante a batalha. Com a destruição da igreja e de seu cemitério anos depois o local não havia sido registrado pela História.
Há dois anos a descoberta de seus restos mortais, examinados e identificados através de exames de DNA, trouxe uma pequena revolução no estudo da história da Inglaterra por confirmar alguns traços físicos de Ricardo III e também descartar outras tantas teorias levantadas por estudiosos do final da época medieval inglesa.
Hoje, no entanto, Ricardo III volta às manchetes. Sua linhagem parece não ter sido tão pura quanto se pensava. Alguém, do lado da família de seu pai, Eduardo V, teve um caso amoroso, que se tornou séria infidelidade, com consequências históricas. Este intruso, que não sabemos ainda quem é, se infiltrou na torre do castelo, balançou o coração da donzela e permaneceu no DNA de Ricardo III. Um pouco tarde para se mudar o resultado da Guerra das Rosas, mas uma curiosidade que, sem dúvida, levará a muitas especulações mudando até certo ponto nossos preconceitos sobre a vida cotidiana nos castelos medievais.
Vaso, pedestal e tampa, 1774-1780
Jacques-François-Josseph Saly (1717- depois de 1776)
Manufatura Porcelana Derby
Porcelana mole, moldada, pintada em cor de rosa e folha de ouro, com partes em porcelana fria, sem vitrificar.
Victoria & Albert Museum, Londres
Estes vasos, típicos do final do século XVIII, eram puramente decorativos. Ao estilo Neoclássico esses vasos copiavam genuínas antiguidades gregas e romanas, feitas populares através de gravuras retratando as descobertas arqueológicas dos séculos XVI ao XVIII.
John More, filho de Thomas More, s/d
Hans Holbein o jovem (Alemanha, 1497 – Inglaterra, 1543)
desenho carvão e giz colorido sobre papel
Coleção da Coroa Britânica
Retrato do arqueólogo Hormuzd Rassam, 1869
Arthur Ackland Hunt (Inglaterra, 1841-1914)
óleo sobre tela, 110 x 83 cm
Museu Britânico