Dia a dia…

20 10 2024

 

RARO ENCONTRO

Algumas se conhecem há 15+ anos
Outras há pouco menos
Conversamos todos os dias, de tudo: das leituras às flores
Conhecemos umas às outras nas horas boas e não tão boas
Raramente nos encontramos em pessoa
Somos membros de um grupo nacional com sede em Pernambuco
Obra de Regina Porto Valença
Somos entusiastas divulgadoras da leitura
Já contribuímos para a formação de diversas bibliotecas em áreas carentes:  MG, PE, ES, BA entre outros estados.  Aqui está parte das cariocas, representantes do LIVRO ERRANTE

Em encontro há muito tempo prometido.

18/10/2024





Concurso estimula hábito de leitura entre criança e jovens

14 04 2009

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Luluzinha

 

 

A Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) recebe, até o próximo dia 30, inscrições para quatro concursos destinados à promoção do hábito de leitura entre crianças e adolescentes. Os concursos são realizados em parceria com a Petrobras. Os regulamentos estão disponíveis no site da fundação, no endereço http://www.fnlij.org.br.

 

O 14º concurso Os Melhores Programas de Incentivo à Leitura junto a Crianças e Jovens de todo o Brasil 2009 visa a premiar projetos com pelo menos dois anos de existência. “Pode ser em qualquer lugar. Pode ser na escola, na biblioteca, na rua. São projetos que já tenham uma experiência, um trabalho desenvolvido há pelo menos dois anos e que privilegiem a literatura”, afirmou a secretária-geral da FNLIJ, Elizabeth Serra.

 

Esse concurso foi lançado pela fundação em 1994 e retomado em 1997. Em 2003, foi iniciada a parceria com a Petrobras. “A finalidade é estimular e dar conhecimento dessas experiências que a gente sabe que há pelo Brasil, cada vez mais, de pessoas e empresas que estão procurando levar a leitura a crianças mais distantes”, explicou.

 

Outro concurso, o Leia Comigo, está em sua oitava edição e visa a premiar textos de adultos brasileiros ou estrangeiros residentes no país. “São dois tipos de relatos. Podem ser relatos reais, de coisas que tenham ocorrido de fato, ou relatos imaginados, ficcionais sobre essa idéia de ler junto. O que a gente está querendo promover é a importância de ler para o outro. Esse hábito estabelece relações entre membros da família, como pai e filho, irmão e avó. Como isso é rico e faz mover a leitura”!

 

Mais dois concursos – o Curumim e o Tamoios – são voltados, respectivamente, para leitura de obras de escritores indígenas e textos de escritores indígenas. Esta será a sexta edição de cada um deles.

 

Elizabeth Serra disse que os dois concursos são feitos em conjunto com o Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual (Inbrapi). Ela lembrou que embora a cultura indígena tenha a tradição da oralidade, a preservação da escrita voltada para as crianças garante a perpetuação dessa cultura e sua difusão.

 

O concurso Tamoios procura incentivar a produção de textos para crianças e jovens por escritores adultos indígenas residentes no Brasil. Já o Curumim premia o relato de trabalhos que as escolas fazem com os livros desses autores. “Então, a gente visa aos dois lados: promover a autoria desses indígenas, com textos para crianças e jovens e, por outro lado, estimular a leitura desses livros nas escolas”.

 

Os vencedores dos quatro concursos serão conhecidos no site da FNLIJ até o fim de maio. A premiação será feita durante o Salão do Livro Infantil e Juvenil, programado para o período de 10 a 21 de junho.

 

Os três vencedores do 14º Concurso FNLIJ “Os Melhores Programas de Incentivo à Leitura” receberão certificados, livros e prêmios em dinheiro que variam de R$ 10 mil a R$ 3 mil. Nos demais concursos, os ganhadores receberão certificados e livros e terão seus textos publicados no informativo mensal da fundação. São concedidas também menções honrosas.

 

 Agência Brasil





Ônibus-biblioteca, iniciativa de Mário de Andrade se expande

5 01 2009

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São Paulo:  Iniciativa de Mário de Andrade vai à periferia Ônibus-biblioteca, criado em 1930, tem itinerário definido por moradores

 

 Além dos conteúdos clássicos de bibliotecas em obras literárias de referência da língua portuguesa, como Machado de Assis, Eça de Queiroz e Fernando Pessoa, o acervo da maior parte dos projetos de leitura é formado por muita poesia, muitos livros infanto-juvenis, muitas revistas e jornais. E também livros de culinária, de autoajuda, de curiosidades.

 

“Para nossa surpresa, nas pesquisas que fizemos, percebemos que os livros mais retirados pelas pessoas são os de poesia e que o principal público é formado por donas de casa e estudantes“, afirma Marta Nosé, supervisora do ônibus-biblioteca da Prefeitura de São Paulo, um projeto que leva livros a bairros da periferia, onde não há equipamentos culturais ou de lazer. “Acreditamos que a popularidade da poesia seja porque ela é mais fácil de ler, curta, a pessoa pode ler aos poucos, no caminho pro trabalho, numa folga que tenha”, conta ela.

 

 

ONIBUS DE LEITURA

 

 

 

O projeto é colocado em prática por quatro ônibus adaptados, que percorrem 28 itinerários diferentes, alguns sugeridos pelas próprias comunidades. Onde o ônibus estaciona é estendido um toldo na parte externa do veículo, sobre mesas e cadeiras para a população.

 

A idéia de levar os livros até as pessoas é antiga e nasceu em 1930, quando o escritor Mário de Andrade era responsável pelo departamento de cultura da cidade. Na época, um carro levava livros pela região central, fazendo empréstimos à população. Hoje, com a mudança no perfil socioeconômico e geográfico da cidade, o foco se deslocou para a periferia.

 

As pessoas muitas vezes se sentem intimidadas com uma biblioteca“, diz Marta. Ela acredita que o ônibus, por estacionar em locais de referência nos bairros, como praças ou parques, favorece a aproximação – tanto que, em média, são feitos cerca de 350 atendimentos por dia, que chegam até a 500 em alguns locais. Outro número positivo é o de livros não devolvidos: em torno de 1%.

 

Dona de casa, Maria Aparecida Santos de Souza, de 29 anos, conta que pegou hábito de frequentar o ônibus quando ele passa pelo Jardim Ângela (zona sul) e que a cada visita retira um livro diferente.

 

“No começo pegava os que os bibliotecários me recomendavam. Agora já escolho. Tem semana que leio revista, tem semana que leio poesia”, conta. “Agora meu filho, de 9 anos, também pegou gosto. Quando eu falo que vou ler, ele pega o livrinho dele, senta sozinho no sofá e me imita.”

 

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MARESIA

 

Em Angra dos Reis, no Rio, um projeto chamado Biblioteca Espumas Flutuantes funciona no barco Irmãos Unidos II, que presta serviço transportando alunos e professores das praias da Ilha Grande para as escolas municipais de locais como Praia Grande de Araçatiba, Provetá e do Abraão.

 

Os primeiros começam a viagem por volta das 6 horas e devem chegar à escola até as 8h30. “Os estudantes ficavam ociosos por três, quatro horas no barco, todos os dias, por isso criamos o projeto. Pensamos que seria um bom momento para levarmos os livros até eles“, conta Maria Sebastiana Marques Palmeira, coordenadora de bibliotecas municipais da prefeitura de Angra.

 

Quando o projeto começou, ainda em caráter experimental, o acervo inicial tinha apenas 24 livros, reunidos na prefeitura. Com a aceitação das pessoas e a popularização do projeto no barco, doações constantes passaram a ser recebidas. Por causa delas, agora os baús somam cerca de 230 títulos, entre vários gêneros literários. Uma dificuldade é o fato de o ambiente e a maresia prejudicarem os livros, que têm tempo de vida útil mais curto do que num outro ambiente. Isso faz com que novas reposições precisem ser feitas sempre. O resto da estrutura é bem simples: um armário de madeira, por causa da maresia, e dois professores que se responsabilizam pelas orientações e empréstimos.

 

 

Autoria:  Simone Iwasso

 

FONTE:  O Estado de São Paulo, 4/01/2009

 





10 passos para que seus filhos se tornem bons leitores

20 11 2008

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A Leitura, s/d

Sharon Wilson (Bermudas)

Pastel a óleo sobre papel

 

 

1          Leia em voz alta com eles.  Explore com eles os livros e outros materiais de leitura – revistas, jornais, folhetos, almanaques, cartazes, placas.

 

 

2       – Ofereça a eles um ambiente favorável à leitura: fazendo atividades com leitura, mesmo com bebês e crianças bem pequenas.

 

 

3       – Converse com seus filhos e escute-os quando falam.  Isso ajuda muito no desenvolvimento da linguagem oral.

 

 

4       – Peça para eles recontarem histórias que você leu em voz alta para eles.   (Isso não é aula!  Cuidado!  Precisa ser descontraído e agradável!)

 

 

5       – Incentive seus filhos a desenhar e fazer de conta que escrevem as histórias que ouviram.  Depois peça a eles que “leiam” as histórias que eles desenharam.

 

 

6       – Dê o exemplo: faça com que eles vejam você lendo e escrevendo.

 

 

7       – Vá à biblioteca mais próxima de sua casa regularmente e leve seus filhos com você.

 

 

8       – Crie uma pequena biblioteca em casa e uma prateleira de livros para sua criança, onde ela se acostume a colocar livros, guardá-los e buscá-los.

 

 

9       – Faça um pouquinho de mistério com os livros ou as histórias a serem contadas, aguce a curiosidade da criança, faça com que ela deseje um certo livro, uma história específica.

 

 

10  – Leve seus filhos sempre que houver Hora do Conto, teatro infantil e atividades similares na comunidade, na escola, no município onde você mora. 

 

 

 

Texto adaptado do Passaporte da Leitura: brincar de ler, do Instituto EcoFuturo, publicado pela Editora Globo:2008

 

 

 

 





José Mindlin em entrevista fala sobre livros no Brasil

24 10 2008

 

 

No Jornal do Comércio de hoje (24/10/2008) José Mindlin o bibliófilo brasileiro, que decidiu doar sua vasta biblioteca de 45.000 volumes, para a Universidade de São Paulo, fala um pouco mais de sua paixão pela democratização do acesso ao livro no Brasil.  Entrevistado por Marcone Formiga para a Revista Brasília em Dia, o imortal brasileiro defende primeiro que tudo a abertura de mais bibliotecas públicas no país inteiro e lembra que elas deveriam funcionar à noite e em fins de semana.  Aqui está uma fração da entrevista:

 

MF: O senhor contou, no início da entrevista, que desde cedo devorava livros.  Hoje, com a internet, existe a possibilidade de a literatura perder a importância?

 

JM: Eu tenho através de netos e alguns bisnetos, contato com a infância e a mocidade, constatando muito interesse por leitura, também.  Não só pelo desenvolvimento tecnológico.  Agora, tem que existir um exemplo em casa de leitura, para estimular as crianças.  Não há regras para isso.

 

MF: Muita gente alega que não tem tempo para a literatura…

 

JM: Quem afirma não ter tempo, na realidade não procurou ler.  É muito mais fácil não ler e afirmar que não teve tempo.  Mas essas pessoas não sabem o que estão perdendo, porque a leitura é uma fonte de prazer permanente.

 

MF: O livro no Brasil é muito caro.  Isso é um fator desestimulante?

 

JM: Ele é caro, custa muito dinheiro para uma grande maioria da população.  É caro para produzir e para distribuir.  Não existe exploração de um  modo geral na questão da venda de livros.  Agora, a solução seria abrir mais bibliotecas públicas, porque ler não devia depender de possuir um livro.  Nos Estados Unidos, um país altamente desenvolvido, as bibliotecas são em grande quantidade e uma biblioteca particular não é regra.  Uma boa biblioteca particular é exceção, em qualquer cidadezinha há uma boa biblioteca pública.  Nós estamos longe disso, mas eu acho que é esse o objetivo, que tem que ser procurado alcançar.  

 

MF: O governo poderia ter a iniciativa de incentivar a leitura, reduzindo impostos das editoras, das gráficas?

 

JM: A impressão dos livros tem uma série de sanções.  Eu não conheço isso em detalhes, mas acho que há um incentivo.  Agora o grande incentivo é a formação de bibliotecas com bons bibliotecários que orientem os leitores, que mostrem o que há de interessante nos livros.  Tudo é uma questão de formação de um hábito que preencha a biblioteca que, aliás, deveria existir também de modo generalizado nas escolas.  

 

 

[Este é um trecho da entrevista publicada hoje no Jornal do Comércio, versão impressa.]