Todo mundo lê!

20 02 2023




Mais três telas de Rafael Falco!

22 01 2016

 

 

Rafael Falco (Brasil, 1885-1967), Piçarras, otcp,30 x 20 cm, Col. Part. Fabiano WolffVista de Piçarras

Rafael Falco (Argélia/Brasil, 1885-1967),

óleo sobre tela colada em placa, 30 x 20 cm

Coleção Fabiano Wolff

[com localização e dedicatória no verso ao pintor EmílioWolff]

 

 

Em 2011, neste blog, lancei um pergunta sobre o pintor brasileiro Rafael Falco, que poucos conhecem por nome, mas que muitos conhecem pelas obras históricas tal como Tiradentes ante o carrasco, de 1941, que de vez em quando aparece na televisão como pano de fundo de entrevistas políticas porque faz parte do acervo da Câmara dos Deputados em Brasília.  Minha pergunta: por que conhecemos tão pouco a respeito de alguém cuja obra apareceu em verso de papel moeda, em ilustrações de livros de história?  [Rafael Falco, um pintor brasileiro. Alguém tem mais informações?] Esse questionamento levou a um interessante diálogo, de alguns anos, que permanece vivo até hoje com familiares do pintor, colecionadores e outros estudiosos da pintura brasileira.

Por causa desse questionamento informações adicionais foram publicadas sobre a obra de Rafael Falco como ilustrador da revista Caça e Pesca, cujas fotos foram gentilmente cedidas por Paulo Araújo de Almeida, chegaram ao blog em 2012. [Pintor Rafael Falco, ilustrador da revista Caça e Pesca]

 

 

Rafael Falco (Argelia-Brasil, 1885-1967), Natureza morta, ost, 44x 36cm, Col. Part. Fabiano WolffNatureza morta

Rafael Falco (Argélia-Brasil, 1885-1967)

óleo sobre tela, 44 x 36cm

Coleção Fabiano Wolff

 

 

Hoje voltamos ao assunto através da coleção particular de Fabiano Wolff que, atenciosamente, cedeu fotografias de três obras de Rafael Falco: a paisagem retratando o balneário de Piçarras em Santa Catarina,  a natureza morta com uva, garrafa e tacho de cobre e o retrato do pintor brasileiro Emílio Wolff, todos postados aqui.

 

Rafael Falco (Argelia-Brasil, 1885-1967), Retrato do pintor Emílio Wolff, 1952,ost, 44x 36cm, Col. Part. Fabiano WolffRetrato do pintor Emílio Wolf, 1952

Rafael Falco (Argélia-Brasil, 1885-1967)

óleo sobre tela, 44x 36 cm

Coleção Fabiano Wolff

[com data e dedicatória do pintor ao amigo pintor]

 

A técnica de Rafael Falco parece bastante influenciada pelo impressionismo.  Ainda que eu não tenha visto nenhuma dessas obras em pessoa, posso observar a pincelada solta, desprendida.  Há realce da luz.

Se você também tem uma obra de Rafael Falco, e gostaria de contribuir para esse tema por favor nos contate.  Tenha cuidado com a fotografia. Mande-me os detalhes das obras: técnica, tamanho, localização. E teremos grande prazer em continuar com o tema.





Entrando no espírito da estação com antigos desenhos de Disney

24 11 2015

 

presente para o mickeyMickey recebe um presente de Natal, ilustração Walt Disney.

 

presente para clarabelaClarabela recebe um presente de Natal, ilustração Walt Disney.

 

 

presente para o horacioHorácio recebe um presente de Natal, ilustração Walt Disney.

 

 

presente para minieMinie recebe um presente de Natal, ilustração Walt Disney.

 

 

presente para o patetaPateta recebe um presente de Natal, ilustração Walt Disney.

 

 

presente para o pato donaldPato Donald recebe um presente de Natal, ilustração Walt Disney.

 

 

presente para o plutoPluto recebe um presente de Natal, ilustração Walt Disney.




Trova do amor

14 06 2015

 

 

Casal, na escada, clarence coles phillipsIlustração Clarence Coles Phillips (EUA, 1880-1927).

 

Dizem que o amor é feitiço,

é mágoa, alegria e dor.

– Mas se amor não fosse isso,

que graça teria o amor?

 

(Lilinha Fernandes)





Imagem de leitura — Julien Jacques LeClerc

12 06 2015

 

 

Julian Jacques Leclerk, une petite dame dans le trainUma senhorita no trem

Julien Jacques LeClerc (França, 1885-1972)

ilustração para La Vie Parisiènne, década de 1920





Imagem de leitura — Dennis Nolan

22 04 2015

 

 

Bedtime.jpgDennis Nolan,Hora de dormir

Dennis Nolan (EUA, 1945)





A formiga e a cigarra, poesia de Afonso Louzada

18 12 2014

 

la cigale et la fourmiIlustração para a fábula de La Fontaine, de Calvet-Rogniat.

 

 

A formiga e a cigarra

 

Afonso Louzada

 

 

Depois de acumular barras e barras de ouro,

a formiga, afinal, sentiu o último alento,

pesarosa, talvez, como bom avarento,

de não poder levar consigo o seu tesouro.

 

–“A minha vida foi um trabalho incessante!

Trabalhei! Trabalhei sem parar um instante!”

 

Naquele mesmo dia, estranha coincidência,

exausta de cantar, a boêmia da cigarra

o derradeiro adeus deu, cheia de eloquência,

à vida que levara, ao léu, sempre na farra.

 

— “Cantei! Cantei, alheia ao mais, despreocupada,

que a vida é só amor; o resto não é nada!”

 

E, juntas, para o céu elas foram subindo.

A cigarra cantava, estuante de alegria:

— “Mas que dia! E que sol! Como tudo está lindo!”

— “O meu ouro ficou…” a formiga gemia.

 

Foi recebê-las Deus: — “Responde-me cigarra;

o que fizeste lá? O que fizeste, narra.”

 

— “Cantei. Sempre cantei, em meio à humana dor,

a alegria da vida, a alegria do amor”.

 

— “E tu?” — “Eu trabalhei. E tudo lá ficou…”

Depois de ouvi-las, Deus bondoso lhes falou:

 

–“O trabalho merece e a glória do Paraíso.

Mas tu, (disse esboçando esplêndido sorriso,

 

sob a fascinação do canto da cigarra)

se levaste, afinal, uma vida bizarra

 

alegraste, porém os corações aflitos

que sangravam de dor, dos humanos precitos”.

 

…  E à flor dos lábios tendo seu melhor sorriso,

abriu para a cigarra as portas do Paraíso.

 

 

Em: Noturnos, Afonso Louzada, Rio de Janeiro, Imprensa Nacional: 1947, pp, 11-12.

 





Trova da madrugada

3 11 2014

 

 

Noite no campo, Sylvie DaigneaultNoite no campo, ilustração de Sylvie Daigneault.

 

Orvalha, e da flor molhada

brota uma lágrima, e corre.

— Silêncio!, que a madrugada

pranteia a noite que morre…

 

(Elton Carvalho)





Fábula: O macaco e o gato, texto de Monteiro Lobato

24 08 2013

monkey-and-catIlustração inspirada no trabalho de Marcus Gheeraerts, o velho (Bélgica, c. 1520- c. 1590)

O macaco e o gato

Monteiro Lobato

Simão, o macaco, e Bichano, o gato, moram juntos na mesma casa. E pintam o sete. Um furta coisas, remexe gavetas, esconde tesourinhas, atormenta o papagaio; outra arranha os tapetes, esfiapa as almofadas e bebe o leite das crianças.

Mas, apesar de amigos e sócios, o macaco sabe agir com tal maromba que é quem sai ganhando sempre.

Foi assim no caso das castanhas.

A cozinheira pusera a assar nas brasas umas castanhas e fora à horta colher temperos.  Vendo a cozinha vazia, os dois malandros se aproximaram. Disse o macaco:

— Amigo Bichano, você que tem uma pata jeitosa, tire as castanhas do fogo.

O gato não se fez insistir e com muita arte começou a tirar as castanhas.

— Pronto, uma…

— Agora aquela lá… Isso. Agora aquela gorducha… Isso. E mais a da esquerda, que estalou…

O gato as tirava, mas quem as comia, gulosamente, piscando o olho, era o macaco…

De repente, eis que surge a cozinheira, furiosa, de vara na mão.

— Espere aí, diabada!…

Os dois gatunos sumiram-se aos pinotes.

— Boa peça, hem? — disse o macaco lá longe.

O gato suspirou:

— Para você, que comeu as castanhas. Para mim foi péssima, pois arrisquei o pelo e fiquei em jejum, sem saber que gosto tem uma castanha assada…

O bom-bocado não é para quem o faz, é para quem o come.

Em: Fábulas, Monteiro Lobato, São Paulo, Ed. Brasiliense:1966, 20ª edição, pp 97-98.

José Bento Monteiro Lobato, (Taubaté, SP, 1882 – 1948).  Escritor, contista; dedicou-se à literatura infantil. Foi um dos fundadores da Companhia Editora Nacional. Chamava-se José Renato Monteiro Lobato e alterou o nome posteriormente para José Bento.

Obras:

A Barca de Gleyre, 1944

A Caçada da Onça, 1924

A ceia dos acusados, 1936

A Chave do Tamanho, 1942

A Correspondência entre Monteiro Lobato e Lima Barreto, 1955

A Epopéia Americana, 1940

A Menina do Narizinho Arrebitado, 1924

Alice no País do Espelho, 1933

América, 1932

Aritmética da Emília, 1935

As caçadas de Pedrinho, 1933

Aventuras de Hans Staden, 1927

Caçada da Onça, 1925

Cidades Mortas, 1919

Contos Leves, 1935

Contos Pesados, 1940

Conversa entre Amigos, 1986

D. Quixote das crianças, 1936

Emília no País da Gramática, 1934

Escândalo do Petróleo, 1936

Fábulas, 1922

Fábulas de Narizinho, 1923

Ferro, 1931

Filosofia da vida, 1937

Formação da mentalidade, 1940

Geografia de Dona Benta, 1935

História da civilização, 1946

História da filosofia, 1935

História da literatura mundial, 1941

História das Invenções, 1935

História do Mundo para crianças, 1933

Histórias de Tia Nastácia, 1937

How Henry Ford is Regarded in Brazil, 1926

Idéias de Jeca Tatu, 1919

Jeca-Tatuzinho, 1925

Lucia, ou a Menina de Narizinho Arrebitado, 1921

Memórias de Emília, 1936

Mister Slang e o Brasil, 1927

Mundo da Lua, 1923

Na Antevéspera, 1933

Narizinho Arrebitado, 1923

Negrinha, 1920

Novas Reinações de Narizinho, 1933

O Choque das Raças ou O Presidente Negro, 1926

O Garimpeiro do Rio das Garças, 1930

O livro da jangal, 1941

O Macaco que Se Fez Homem, 1923

O Marquês de Rabicó, 1922

O Minotauro, 1939

O pequeno César, 1935

O Picapau Amarelo, 1939

O pó de pirlimpimpim, 1931

O Poço do Visconde, 1937

O presidente negro, 1926

O Saci, 1918

Onda Verde, 1923

Os Doze Trabalhos de Hércules,  1944

Os grandes pensadores, 1939

Os Negros, 1924

Prefácios e Entrevistas, 1946

Problema Vital, 1918

Reforma da Natureza, 1941

Reinações de Narizinho, 1931

Serões de Dona Benta,  1937

Urupês, 1918

Viagem ao Céu, 1932

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Esta fábula de Monteiro Lobato é uma das centenas de variações feitas através dos séculos da fábulas de Esopo, escritor grego, que viveu no século VI AC.  Suas fábulas foram reunidas e atribuídas a ele, por Demétrius em 325 AC.  Desde então tornaram-se clássicos da cultura ocidental e muitos escritores como Monteiro Lobato, re-escreveram e ficaram famosos por recriarem estas histórias, o que mostra a universalidade dos textos, das emoções descritas e da moral neles exemplificada.  Entre os mais famosos escritores que recriaram as Fábulas de Esopo estão Fedro e La Fontaine.

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Modelos de comportamento nas ilustrações de livros infantis

31 07 2013

ajudando a consertar a cercaConsertando a cerca, Ilustração de J. H. Wingfield (Inglaterra, 1910-2002).

Uma nova pesquisa sobre livros infantis ilustrados, feita nos Estados Unidos, constatou que os estereótipos de gênero, como as mães dando carinho e os pais sendo responsáveis pelo sustento da família, continuam teimosamente persistentes até os dias de hoje.

Os livros continuam retratando o que hoje pode ser considerada uma ficção dando preferência a uma realidade incompatível com o presente, no dia a dia da criança.  Os livros infantis nos EUA  estão com ilustrações anacrônicas, com papéis sexuais das histórias ilustradas estagnados a décadas atrás.

A pesquisa se baseou em uma amostra aleatória de 300 livros infantis “fáceis” de mais de 1.400 listados no catálogo de livros infantis, usado para ajudar bibliotecas escolares e comunitárias na escolha de livros de qualidade.  Os livros foram então divididos de acordo com a data de publicação, começando com um grupo de 50, publicados entre 1900 e 1959. Grupos adicionais de 50 foram escolhidos a partir de cada uma das últimas quatro décadas do século XX. Os últimos 50 foram escolhidos dentre os livros publicados no ano de 2000.

ajudando a fazer a camaFazendo a cama, ilustração de J. H. Wingfield (Inglaterra, 1910-2002)

Os pesquisadores procuraram por atitudes específicas dos pais representados, observando o comportamento de pais e mães nas ilustrações. Dividiram em comportamentos de afeto  ou conforto à criança;  comportamentos de prestação de cuidados (como preparar refeições ou limpar a criança); comportamentos disciplinares (como repreensão), companheirismo (como brincar com a criança ou dar um passeio), e o trabalho fora de casa.

Ninguém se surpreendeu de ter encontrado uma grande quantidade de estereótipos de gênero. Mas ao contrário das expectativas, esta tendência não diminuiu significativamente com o passar do tempo.  Pais em geral sendo retratados trabalhando fora e as mães sendo as principais cuidadoras das crianças. Os pesquisadores relatam esses estereótipos têm suavizado ao longo das décadas, mas apenas ligeiramente e de forma esporádica. Houve  um pico de de ilustrações de comportamentos mais modernos,  em 1970, mas desde então tudo permaneceu no mesmo patamar até o ano 2000.

“Os pais, em livros publicados em 2000, se mostraram, nas ilustrações como capazes de  maior prestação de cuidados e carinho do que em  períodos anteriores, e as mães foram representadas em maior número trabalhando fora de casa”, sugeriram os pesquisadores. “Mas falta significância nos resultados estatísticos para que isso seja considerado uma tendência.  O exemplo de 1970 mostra que pode haver picos de mudanças e depois as coisas darem para trás.  Há evidentemente uma teimosia cultural que não deixa o retrato da vida no presente.  Há uma idealização de papéis? .

FONTE: PS MAGAZINE