Aviões para bombardear Buri — Revolução de 1932

24 08 2008

 

Avião usado pelos Constitucionalistas em 1932.

                    Avião usado pelos Constitucionalistas em 1932.

20 de agosto de 1932

 

 

Muito boato.   Levantes por toda parte: Rio, Minas, Rio Grande, Paraná,  Amazonas.  Se boatos ganhassem batalhas, a luta se teria terminado hoje.

 

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Tropas do RS acampadas no campus do Instituto Biológico em 1932.

Tropas do RS acampadas no campus do Instituto Biológico em 1932.

 

 

21 de agosto de 1932

 

Nada de importante a registrar hoje.  Um avião de caça e uma esquadrilha foram bombardear Buri.

 

 

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300 soldados governistas passam para o lado Constitucionalista.

300 soldados governistas passam para o lado Constitucionalista.

 

Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 138, em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

Batalha nas trincheiras.  Foto Coleção Carlos de Souza Nazar.

Batalha nas trincheiras. Foto Coleção Carlos de Souza Nazar.





Prisões e chamadas à polícia, à granel. Revolução 1932

23 08 2008

Na capital, mulheres paulistas continum seu apoio.

          Na capital, mulheres paulistas continuam o seu apoio.

18 de agosto de 1932

 

Calmaria na frente de combate.  Prisões e chamadas à polícia, à granel.  Parece haver um verdadeiro exército de espionagem.  Qualquer palavrinha, qualquer pequeno deslize é tido como suspeição.

 

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Relação dos presos na cidade do Rio de Janeiro, na Revoluçao de 1932

Relação dos presos na cidade do Rio de Janeiro, na Revoluçao de 1932

 

19 de agosto de 1932

 

Calmaria.  Frio.  Nuvens densas no céu não são favoráveis aos combatentes do ar.   Aviões não nos visitaram.  Cidade algo desguarnecida de forças.  Boatos poucos.

 

 

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A Ditadura recua em Itararé e em Cunha, 1-8-1932

A Ditadura recua em Itararé e em Cunha, 1-8-1932

 

 

 

Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 137- 138, em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 





Em cada cabeça… uma opinião. Revolução de 1932

19 08 2008
Ouro para o bem de São Paulo

Ouro para o bem de São Paulo

 

 

15 de agosto de 1932

 

 

 

Relativa calma na cidade.  Fisionomia tristonha de muita gente.  As opiniões são várias.  Quod capita  Para uns a demora do desfecho final é favorável a São Paulo, para outros, quem mais lucra com a demora é o governo federal!

 

 

 

 

 

Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 137, em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

Ouro doado para a causa constitucionalista

              Doações de metais preciosos para a causa constitucionalista.

Todos contribuiram, em solidariedade nunca antes antecipada!

         Todos contribuiram em solidariedade nunca antes antecipada!





Forças da ditadura receam o trem blindado

19 08 2008

Ataque de carro blindado das forças constitucionalistas.

            Ataque de carro blindado das forças constitucionalistas.

14 de agosto de 1932

 

 

 

Algumas escaramuças na zona sul.  Consta que as tropas paulistas perderam uma trincheira em Buri e que as forças da ditadura se infiltram para oeste e leste da estrada de ferro que evitam receosos de novo ataque do trem blindado.

 

 

 

 

 

 

Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 136, em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

O Estado de São Paulo

O Estado de São Paulo

 

 

    Abaixo:  General Brasílio Tabords, das forças revolucionárias em Santos.

 

General Brasilio Tabords, das forças revolucionárias em Santos.





Guerra de rádios, transmissões da P.R.A.E. Revolução ’32

11 08 2008

                         Cavalaria preparada para a guerra.

Cavalaria preparada para a guerra.

9 de agosto de 1932

 

Pequenos choques.  Alguns soldados aparecem com pequenas escoriações de estilhaços.  Algum boato sem importância.

 

 

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Guerra continua no Sul do Estado de São Paulo e em Santos.

    Guerra continua no Sul do Estado de São Paulo e em Santos. 1932

10 de agosto de 1932

 

Poucos boatos, assim mesmo murmurados a medo.  Boatos de prisões.  Pequenos ataques na zona sul.

 

 

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Bonus a favor da Constituinte.

Bonus a favor da Constituinte.

 

11 de agosto de 1932

 

Algumas irradiações da P.R.A.E.   Guerra de rádio.  Guerra de boatos.  As estações radiantes também pregam suas mentirazinhas!

 

 

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Getúlio Vargas

Getúlio Vargas

Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 135-136, em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.





Meu filho, bata-se por São Paulo e pelo Brasil…

10 08 2008

 

Soldados nas trincheiras, Revolução de 1932

    Soldados nas trincheiras, Revolução Constitucionalista de 1932

8 de agosto de 1932

 

30° dia de luta.  O povo se mostra entusiasmado.  Fala-se em breve do reconhecimento do estado de beligerância para São Paulo.  Nota-se mais coragem nos soldados, cuja correspondência é mais aguerrida deixando transparecer certa bravura espartana.

 

Quer tenha havido ou não precipitação de São Paulo nesta peleja começada em 9 de julho, o fato é que São Paulo se empolgou todo pela causa que defende e se convenceu de que deve lutar até o fim.  Nota-se esse pensamento nas cartas dos soldados, e nos rostos dos combatentes seja na hora do recuo como na hora do avanço.  Parece-me que estou vivendo na antiga Sparta quando as mães mandavam os filhos para a guerra orgulhosas deles derramarem seu sangue pela pátria.  Se a espartana dizia aos soldados que voltavam da guerra: “eu não quero saber se meu filho morreu; eu estou perguntando é se Sparta venceu”, — as paulistas também dizem: “meu filho, bata-se por São Paulo e pelo Brasil”.  “Meu filho, vá para a trincheira defender a honra de São Paulo”.

 

 

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Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 134-135, em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

Todo o apoio das mulheres.

                          Todo o apoio das mulheres paulistas.





Sinagoga Kahal Zur Israel, Recife, Século XVII

10 08 2008
Sinagoga Kahal Zur Israel, Recife, Século XVII

Sinagoga Kahal Zur Israel, Recife, Século XVII

Na penúltima vez que estive em Recife esta sinagoga ainda não estava aberta ao público. Mas recentemente, visitando o nordeste, pude verificar este grande marco do Brasil colônia que foi a primeira sinagoga oficial de todas as Américas: Sinagoga Kahal Zur Israel (ou Congregação Rochedo de Israel).  Aberta no Período em que Recife era o centro do governo holandês. A foto mostra o nome da Rua dos Judeus, onde ela está localizada.  Este era o antigo nome da rua.  Hoje em dia chama-se Rua do Bom Jesus.

 

Diz-se que foi a primeira sinagoga oficial porque sabemos da existência de uma sinagoga anterior: Maguen Abraham (Escudo de Abraão).  Tudo indica que esta ficava na antiga ilha de Antônio Vaz, que depois se chamou Maurícia.  Mas até hoje ainda não foram encontrados vestígios arqueológicos desta sinagoga.  Há relatos também de sinagogas formadas em pequenas comunidades na Paraíba e na Bahia.

 

 

No século XVI é certo houve um grande número de judeus vindo para o Brasil.  Quando as prisões portuguesas foram esvaziadas e seus presos trazidos para o Brasil com a intenção de popular a terra, muitos dos que se encontravam presos eram novo-cristãos que haviam sido presos por continuarem praticas judaizantes.   Ainda que Portugal estivesse sob orientação da Inquisição, havia um grande problema nas mãos do reinado:  a necessidade de popular  a terra descoberta, com terras costeiras de perímetro generoso e defendê-las mesmo assim contra invasores.  Isto tudo para um dos menores países europeus com uma população também pequena.

 

Rua do Bom Jesus antiga Rua dos Judeus, Recife, PE

Rua do Bom Jesus antiga Rua dos Judeus, Recife, PE

 

 

 

 

 

 

 

Com a invasão holandesa, o Nordeste brasileiro passa a ser regrado pelas leis e costumes dos invasores.  Assim um grupo de judeus vem se estabelecer no Novo Mundo, contando com  a liberdade religiosa já existente no país flamengo.   Foi só nesta época que a sinagoga Kahal Zur Israel esteve ativa sendo sustentada por 180 famílias de judeus brasileiros e europeus no Recife.

 Junto a esta sinagoga havia duas escolas religiosas: Etz Hayim e Talmud Torah.   Mas estas não foram recuperadas.  O que se tem hoje é o edifício onde o templo exercia suas funções religiosas.  Ocupava duas casas, como pode ser visto na foto da fachada postada anteriormente. A comunicação entre as duas casas era feita por uma única pequena porta bem na frente; enquanto que o acesso ao segundo andar era feito exclusivamente por uma das casas, através de uma bela escada de madeira nos moldes do mobiliário vistos aqui.

Interior da sinagoga; segundo andar.

Interior da sinagoga; segundo andar.

 

 

 

 

 

Hoje o andar térreo desta sinagoga está dedicado a uma exposição permanente da história desta comunidade judaica que construiu e estabeleceu este templo.  Pode-se ver as escavações do local, que passou para as mãos de João Fernandes Vieira, em 1656.  Podemos ver os alicerces da construção e examinar o  piso original holandês, a descoberto depois de terem sido encontrados 8 diferentes níveis, principalmente porque a história do edifício inclui diversas funções.  Em1679 o prédio foi doado aos padres da Congregação do Oratório de Santo Amaro.  Daí por diante há uma troca constante de funções sendo que até recentemente era uma casa de material elétrico.   No térreo pode-se observar  também o muro de contenção das águas do rio Beberibe, a fundação do Micvê,  assim como vitrines com pedaços de  louça, cachimbos, faiança, utensílios de barro esmaltado trazidos tanto pelos colonizadores portugueses como pelos holandeses.   

Fragmentos de louça encontrados nas excavações

Fragmentos de louça encontrados nas excavações

 

 

 

No primeiro andar está a sala de orações. Esse espaço está hoje destinado ao publico participante de conferências e seminários sobre a cultura judaica que fazem parte dos estudos realizados no centro de pesquisa localizado no andar de cima.  O mobiliário desta parte foi construído de acordo com os moldes usados nos Países Baixos na época.  Enquanto que o formato e o material do teto da sinagoga são baseados nas  sinagogas da península ibérica do século XVII.   A arca que contém a Torah está em frente ao púlpito.  O salão do serviço religioso se encontra na direção leste, como requerido.   No mezanino ficava a parte reservada às mulheres, que acompanhavam as cerimônias religiosas, separadamente.   No segundo andar  encontra-se a sede do Centro de Documentação da Memória Judaica de Pernambuco.

 

Com a retomada portuguesa do território sob  Maurício de Nassau  muitas das famílias judias pernambucanas, temendo a volta dos processos da Inquisição, saíram da cidade de Recife.  Algumas delas vieram para o sul do Brasil, para Minas Gerais, onde se juntaram aos bandeirantes na procura por metais e pedras preciosas. Outras 150 famílias decidiram retornar à Holanda.   23 destas famílias, que se encontravam a bordo do navio Valk, de regresso aos Países Baixos,  foram deixadas presas na Jamaica depois que a embarcação sofreu um ataque de piratas espanhóis.  Quando liberadas, tomaram um navio francês que seguia para a America do Norte e chegaram ao vilarejo de Nova Amsterdam,  com  1500 habitantes, no coração da ilha de Manhattan, em setembro de 1654.

 

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A sinagoga encontra-se aberta ao público desde 2001.  





Chegam soldados estropiados…

9 08 2008

Soldados Revolucionários condecorados por atos de bravura

                             Soldados Revolucionários condecorados por atos de bravura

 

7 de agosto de 1932

 

Chegam soldados estropiados para descanso.  Partem soldados para a frente.  Há uma certa ansiedade da população; dúvida no desfecho.  Boatos menores.  Os boateiros já não agem com desembaraço.

 

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Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 134, em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

Tropas marchando para a frente sul

                                                Tropas marchando para a frente.





Segundo trem blindado para Buri — Revolução de 1932

6 08 2008
Trem blindado usado pelos Constitucionalistas em 1932

5 de agosto de 1932

 

Nada de novo na frente sul.  Relativa calmaria.

 

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Sustenta Fogo que a Vitória é Nossa!

Cartaz: Sustenta Fogo que a Vitória é Nossa!

 

 

 

 

6 de agosto de 1932

 

Calma na frente sul.  Desce para Buri um trem blindado, o segundo para esta gente.  Segue um carro tanque para a zona de Guapiara.

 

 

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Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 133, em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

Um dos tanques paulistas





Alegria entre os que seguem para a luta. Revolução de 1932

4 08 2008

Cidade de Guara, após o bombardeio, 1932

Cidade de Guara após bombardeio pelas forças governistas.  Revolução de 1932.

3 de agosto de 1932

 

Boatos e mais boatos.  Pequenos encontros de tropas em Buri e Guapiara.

 

 

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4 de agosto de 1932

 

Boato de perturbação da ordem no Rio de Janeiro, prisões, etc.  Tropas que chegam de Buri, cansadas.  Tropas que partem para lá.  Alegria entre os que seguem para a luta.

 

 

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Transcrição do Diário de Gessner Pompílio Pompêo de Barros (MT 1896 – RJ 1960), Itapetininga, SP, página 133, em referência à Revolução Constitucionalista de 1932.

 

Estação de Engenheiro Neiva, durante a revolução de 1932

Estação de Engenheiro Neiva, durante a revolução de 1932