Aleijadinho no Museu do Forte de Copacabana

1 06 2009

aleijadinho banner

 

       Felizmente consegui um tempinho para dar uma passada pela exposição de trabalhos de Aleijadinho no Museu do Forte de Copacabana: uma exposição muito melhor do que eu esperava, e por isso corro a sugerir a quem possa ir, que o faça.   A exposição inclui diversas obras pequenas de Antônio Francisco Lisboa,  mas verdadeiras obras-primas.  Um exemplo entre muitos é a imagem de São Francisco de Gusmão, que reproduzo abaixo.

 

domingos

Foto do catálogo da exposição: São Domingos de Gusmão.

 

São Domingos de Gusmão, 1781-1790

Antônio Francisco Lisboa (Brasil, 1730-1814)

Madeira policromada, 17 cm de altura

 

Talvez porque algumas das peças estejam em condições de inusitada conservação, como a peça acima, guardando ainda toda a beleza da pintura e da ornamentação a ouro,  esta exposição  brinca com a nossa imaginação e prima por trazer mais do que as obras do nosso grande escultor, mas a sensação de uma época inteira, mostrando a importância da religiosidade no Brasil setecentista. 

Ao som de música religiosa numa tonalidade bastante atraente ( alta o suficiente para ser apreciada, baixa o suficiente para não atrapalhar), a exposição começa numa sala do primeiro andar com diversas pinturas de mestres do Barroco brasileiro assim como santos, um antar, bancos de capela, e mais…

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 Aspecto da sala no primeiro andar, antes da exposição propriamente dita.

Depois de uma pequena caminhada, onde podemos apreciar a beleza do cenário carioca, olhando-se do Forte para a praia de Copacabana, chegamos ao segundo andar.  Aí sim, a totalidade da força do trabalho de Antônio Francisco Lisboa, nos invade.   Cada peça extremamente bem iluminada e ao alcance de até mesmo dos mais míopes olhos, tem seu lugar de destaque.  A grande maioria é de pequenos santos, pertencendo a altares particulares,  onde o drapeado dos mantos, o encaracolado dos cabelos, a posição dos pés pode ser facilmente apreciada.  Não são obras monumentais, assim podemos estabelecer um relacionamento íntimo com cada qual.    

 

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Santa Bárbara, 1791-1812

Antônio Francisco Lisboa (Brasil,  1730-1814)

Cedro, sem policromia, 68 cm de altura.

 

A exposição é completada por reproduções de documentos do Arquivo Público Mineiro, onde podemos ver a assinatura do mestre escultor;  com anedotas da vida diária e algumas interessantes comparações entre ele e Michelangelo; documentos, um belíssimo catálogo com um preço mais do que amigo. 

Em suma, perderá um boa oportunidade para se enriquecer, quem por qualquer motivo faltar à esta exposição.  Vá!  Não perca!

Serviço:

Museu Histórico do Exército e Forte de Copacabana 

 Av Atlântica,  Posto 6,

 Copacabana Rio de Janeiro-RJ Brasil CEP 22070-020

Tel: +55 21 2521-1032

Exposição: “O Aleijadinho e a Religiosidade Brasileira” — até 14 de junho de 2009.

Curador: José Marcelo Galvão de Souza Lima

Quando: 15/05 a 14/06/09 (terça a domingo)

Horário: 10 às 20h

Entrada

Ingressos: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia)

– Meia entrada: estudantes com carteira e maiores de 60 anos;

– Isentos: maiores de 65 anos, crianças até 10 anos, portadores de necessidades especiais e grupos escolares agendados.





Revolução artística na Casa Branca? Deixe-me rir!!!

26 05 2009

arte moderna e donald

Pato Donald e Margarida,  ilustração de Walt Disney.

 

Na postagem anterior, com a tradução do artigo publicado pelo Wall Street Journal podemos testemunhar um traço marcante da cultura americana que é com freqüência ignorado no Brasil: o grande conservadorismo naquele país.

 

Sempre me choca a demonstração de brasileiros, principalmente jovens, que acreditam que o radicalismo encontrado nas palavras de músicas populares; que a revolução da forma, das cores e dos materiais nas artes plásticas; que a tendência de revolta contra o passado, é predominante nos EUA.  Há a expectativa de que todos ajam dessa maneira radical, que todos estejam cientes dos modismos, das radicalizações.  Das drogas aos palavrões.  Esta visão que temos da cultura americana é muito míope e bastante limitada a pequenos grupos nos grandes centros do país. Nova York (8.274.527 h.), Los Angeles (3.834.340 h.), Chicago (2.836.658 h.), Houston (2.208.180 h.) e Filadélfia (1.449.634 h.), as cinco mais populosas cidades, juntas não chegam a representar nem 7% da população do país de aproximadamente 306.000.000 de habitantes em 2008.  E todo o radicalismo cultural nestes centros populacionais não chega a envolver nem 20% desta população urbana.  Nossa visão, muito baseada nas imagens de Hollywood, corriqueiramente se engana ao ver hábitos representados no telão, como hábitos de um país inteiro. 

 

alien-tattoo-whole-body- cool optical illusions

 

Lembrei-me desta imagem que leva o título: Alien,  da página: cool optical illusions. 

 

O que esquecemos, porque a nossa tendência no Brasil é oposta, é que os EUA são um país de pequenas cidades.  Miami, a Meca de tantos brasileiros, o lugar chamado a Capital da América Latina, não chega a contar com meio milhão de pessoas, sua população em 2007 era de 409.719 e é a 43ª cidade americana em termos de população.  Não vou falar aqui de violência urbana, principalmente porque não gostaria de dar a impressão de que estou achando desculpas para a violência que encontramos nos grandes centros do Brasil. Mas, com franqueza, é mais fácil manter uma cidade de meio milhão de habitantes, como Miami, sem violência do que São Paulo ou Rio de Janeiro. Culturalmente, no entanto, pequenas cidades não se prestam a grandes radicalismos, porque nelas é mais fácil a sociedade exercer sua influência; é mais fácil para os que não querem se adaptar à cultura dominante de serem empurrados muito a contragosto para o ostracismo social local. 

 small town, example, Marietta, Ohio

Volto então ao radicalismo nas artes plásticas atribuído ao casal Obama na Casa Branca.  É risível!  Grande parte dos “radicais” abstratos que eles escolheram para decorar a residência enquanto moram na Casa Branca, são grandes nomes da arte mundial, cujos trabalhos (pinturas, esculturas) já se encontram em dezenas de museus através do mundo, como exemplos sim de uma revolução cultural, mas de meados do século passado.  Na verdade, é difícil imaginar hoje em dia, que ainda possamos considerar os trabalhos de Jasper Johns, de Rauschenberg, de Nicolas de Staël e certamente de Joseph Albers, como radicais.  Eles são os acadêmicos do século XX.  Francamente, eles já estavam nos currículos de História da Arte – por natureza um dos cursos de formação mais conservadores do mundo – quando eu entrava para pós-graduação.   Grande parte dos “revolucionários”, dos “extremistas” escolhidos pelo casal Obama para a Casa Branca, já morreu e já têm seguidores de segunda e terceira geração!  O auê causado pela escolha de abstratos chega à Casa Branca com 100 anos de atraso!  Vamos lembrar que Kasimir Malevich, — líder do Suprematismo, e um dos primeiros pintores a trabalhar com o puro abstracionismo, já pintava um quadrado negro sobre um quadrado branco em 1915!   O que os Obama estão fazendo, radical até pode vir a ser, é fazer a Casa Branca, finalmente aceitar um século inteiro de mudanças nas artes plásticas.  A meu ver, um pouco tarde, para todos os efeitos. 

 

Quadrado Negro, 1915

Quadrado Negro, 1915

Kasimir Malevich ( Rússia, 1878-1935)

Óleo sobre tela, 53,5 x 53, 5 cm

Museu Hermitage, São Petersburgo

Rússia





Novos quadros na Casa Branca dos Obama

25 05 2009

quadros, pregar

Peninha, ilustração de Walt Disney.

 

Os Obamas mandaram novas ondas de choque pelo mundo da arte mundial depois de colocarem um pedido de empréstimo a museus, galerias e colecionadores particulares, mostrando que gostariam, para a Casa Branca,  de arte moderna produzida por artistas negros, asiáticos, hispânicos e por mulheres.  Dando uma guinada radical da arte do século XIX  que domina as paredes da Casa Branca como pintura de gênero, paisagens bucólicas e muitos retratos, o casal Obama está incluindo, entre outras, obras de arte abstrata.

 

As escolhas do presidente do EUA podem afetar os valores de mercado das obras e dos artistas escolhidos para decorarem a Casa Branca.  Curadores de museus e colecionadores decidiram rapidamente oferecer obras para inclusão no local.

As escolhas que fizerem terão inevitavelmente algumas implicações políticas.  E poderão servir como uma ferramenta para impulsionar a mensagem de uma administração mais inclusiva do que as anteriores.   O presidente Clinton recebeu elogios após ter selecionado Simmie Knox, um americano negro, artista do estado de  Alabama, para pintar seus retratos oficiais.   Enquanto que a administração do presidente Bush ganhou aprovação quando adquiriu Os construtores, uma pintura do artista negro americano Jacob Lawrence, recebeu também algumas críticas porque este quadro retrata homens negros fazendo trabalho servil.

 

jacob_lawrence, (1947) tempera sobre madeira, 50 cm x 60 cm

Os Construtores

Jacob Lawrence (EUA 1947)

Têmpera sobre madeira

50 x 60 cm

Coleção da Casa Branca, Washington DC

 

Na semana passada, sete novas obras, de empréstimo vieram do Hirshhorn Museum and Sculptural Garden em Washington DC.  Elas foram transportadas e instaladas na Casa Branca, na parte da residência particular da família.  Entre elas estão “Sky Light” e “Watusi (Hard Edge),” um par de pinturas abstratas em azul e amarelo pela pouco conhecida pintora negra americana Alma Thomas, aclamada por suas pinturas pós-guerra de formas geométricas e cores alegres.

 

alma thomas, skylight

Skylight, 1973

Alma Thomas (EUA 1891- 1978)

Acrílica sobre tela,  50 x 60 cm

Hishhorn Museum & Sculpture Garden,

Em empréstimo à Casa Branca, Washington DC

 

A National Gallery of Art, em Washington DC,  emprestou à família, pelo menos, cinco obras este ano, incluindo os “números, de 0 a 9“, uma escultura em relevo de Jasper Johns, “Berkeley No. 52,” em grande escala, a espalhafatosa pintura de Richard Diebenkorn, e um quadro vermelho-sangue Edward Ruscha, em que na tela estão escritas as  palavras, “eu acho que talvez eu vá …“, montagem que parece própria para um presidente conhecido por longos momentos contemplação.  A escultura de Jasper Johns foi instalada na ala  residencial da Casa Branca,  no dia da inauguração,  junto com outras obras de arte moderna de Robert Rauschenberg e Louise Nevelson, que também foram emprestadas para a Casa Branca pela National Gallery of Art.

 

Jasper Johns, 0 through 9, embossed lead relief, 30 x 23,5 inches

De 0 a 9, 1961

Jasper Johns (EUA 1930 – )

Relevo em chumbo

National Gallery, Washington DC

Em empréstimo à Casa Branca

 

Depois que George W. Bush trouxe para a Casa Branca o artista de El Paso, Texas,  Tom Lea’s “Rio Grande” — uma visão de um cacto foto-realista de encontro a nuvens cinzentas, e colocou-a na Oval Office, o preço das pinturas deste artista subiu cerca de 300%, diz Adair Margo, dono de uma galeria em El Paso que representa o trabalho de Lea. [Lea faleceu em 2001, o que também ajudou a aumentar o valor do seu trabalho].

 

tom lea, rio grande, 1954, ost

Rio Grande, 1954

Tom Lea,  (1907-2001)

Óleo sobre tela, 56 x 80 cm

Esteve em empréstimo no Oval Office

da Casa Branca no governo de G. W. Bush.

 

O interesse do casal Obama por arte moderna vem de longa data, de muito antes da mudança que fizeram para Washington.  A casa da família em Hyde Park tinha arte moderna e  fotografias em preto-e-branco, é o que afirmam vários amigos de Chicago.  Vale a pena lembrar, também, que  em um de seus primeiros encontros,  Obama levou Michelle para uma visita ao Art Institute de Chicago.

 

O porta-voz da Casa Branca diz que o casal Obama aprecia desfrutar todo tipos de arte, mas que deseja “complementar a coleção permanente” e “dar nova voz” aos modernos artistas americanos de todas as raças e origens.

 

As mudanças na arte da Casa Branca acompanham o desejo da administração do presidente  Obama  para o aumento do orçamento para as artes. Obama incluiu $ 50 milhões de dólares em seu pacote de estímulo econômico para a National Endowment for the Arts e na segunda-feira Michelle Obama falou sobre a reabertura da ala do Metropolitan Museum, dedicada à arte americana.

 

ed ruscha

Eu acho… talvez eu vá, 1983

Ed [Edward] Ruscha  (EUA 1937 – )

Óleo sobre tela, 138 x 160 cm

National Gallery, Washington DC

Em empréstimo à Casa Branca

 

Michelle  e Barack Obama começaram a pensar na arte que colocariam na Casa Branca pouco depois da eleição em novembro, explica curador de arte William Allman. Michael Smith, um decorador baseado em Los Angeles, contratado pelo casal Obama para redecorar seus cômodos particulares trabalhou com o Sr. Allman, com a secretária social da Casa Branca Desirée Rogers e outros da equipe de transição para determinar quais obras fariam o casal se sentir em casa, em Washington.

 

O casal fez uma lista de cerca de 40 artistas e pediu por escrito numa carta ao Museu Hishhorn  por potenciais empréstimos, de acordo com Kerry Brougher, diretor adjunto do museu e curador-chefe.  Uma das imposições dos Obama foi que quaisquer empréstimos deveriam vir das obras armazenadas da coleção do museu e em hipótese alguma seus pedidos deveriam depenar as paredes de exposição da instituição.  

 

A coleção permanente da Casa Branca é um excelente documento da força artística da América dos séculos XVIII e XIX”, diz  Michael Smith. “As peças de arte selecionadas para empréstimo servem de ligação entre esse legado histórico e as diversas vozes de artistas do século 20 e 21.”

 

Na semana passada, Michelle e Barack Obama decidiram tomar emprestado “Nice“, um quadro abstrato de 1954 do pintor francês de origem russa, Nicolas de Staël, de retângulos vermelho, preto e verde-musgo; um par de pinturas de quadrados do pintor alemão Josef Albers, da famosa série “Homenagem ao Quadrado” em tons de ouro, vermelho e lavanda, e também “Dançarina colocando meia” e “Primeira Bailarina”, dois bronzes decorativos do escultor e pintor francês, Edgar Degas.  O museu também enviou um trabalho sobre a segregação racial do artista de Nova York  Glenn Ligon: “Black Like Me”, [Negro como eu]  entre outros que o casal ainda pondera, de acordo com um porta-voz Casa Branca.

 

Nicolas de Stael, Nice, 1954

Nice, 1954

Nicolas de Staël (França 1914- 1955 )

Óleo sobre tela,

Hishhorn Museum & Sculpture Garden,

Em empréstimo à Casa Branca

 

Obras existentes no Oval Office incluem a paisagem de 1895 de Thomas Moran «Três Tetons‘ e a escultura ‘Bronco Buster” (1903) de Frederic Remington.   O presidente pode pendurar o que ele quiser na residência e nos escritórios, incluindo o  Oval Office, mas a arte colocada em salas públicas, como a Sala Verde, por exemplo, deve ser primeiro aprovada pelo curador da Casa Branca e  pelo Comitê para a Preservação da Casa Branca , um conselho consultivo sobre qual a primeira-dama atua como presidente honorário.

 

“Todas as obras destinadas à coleção permanente da Casa Branca muitas vezes, passam por rigoroso e longo controle antes de a Casa Branca aceitá-los como brindes ou, por vezes, comprá-los usando doações privadas”, diz o Sr. Allman, que atuou como curador-chefe, uma posição permanente na Casa Branca, onde ele atua desde 1976.

 

Adições à coleção permanente deve ter, pelo menos, 25 anos.  A Casa Branca não aceita normalmente peças de artistas vivos para a sua recolha, porque sua inclusão poderia impactar no valor de mercado do artista escolhido para a coleção permanente. um valor de mercado. O resultado é que não há muitas opções de arte moderna na coleção, disse Allman.

 

Não somos uma galeria de arte”, Allman continua, “não somos um museu.  As pessoas vêm para a Casa Branca, uma vez na vida e já têm uma certa percepção de que eles verão”.

 

No momento, das 450 e poucas peças da coleção permanente só  cinco obras são de artistas negros: os retratos Clinton, por Knox; “Os Construtores” por Lawrence; “Dunas ao por do sol em Atlantic City” de Henry Ossawa Tanner, que está no Quarto Verde e foi comprado durante o governo Clinton e “A Fazenda Desembarque“, uma tranqüila paisagem pintada em 1892 pelo artista, de Rhode Island, Edward Bannister, adquirido com doações em 2006.

 

A Casa Branca também pode temporariamente selecionar obras de museus, galerias e de colecionadores para decorar quer a residência particular, quer os cômodos públicos. Os presidentes devolvem os empréstimos no final do seu governo.

 

albers

Homenagem ao quadrado, 1964

Joseph Albers (Alemanha 1888- 1976 )

Óleo sobre tela,

Em empréstimo à Casa Branca

 

Muitos dos mesmos colecionadores abastados que ajudaram Obama a financiar sua campanha presidencial estão agora oferecendo obras de arte.  ET Williams, um colecionador de Nova York  de arte americana de artistas negros, que já trabalhou no conselho de museus, incluindo o Museu de Arte Moderna de Nova York, está entre os candidatos à doadores.

 

No início deste mês, Williams, um banqueiro aposentado e investidor imobiliário, examinando a coleção que mantém em  seu apartamento em Manhattan analisou esta verdadeira jóia de sua coleção, um retrato de um homem com chapéu de Lois Mailou Jones.  A pintura está avaliada em $ 150.000, 00 dólares, mas ele disse que ficaria feliz se pudesse doá-lo para a coleção permanente da Casa Branca.  Ele também confirmou que o presidente pode “pegar emprestado tudo o de que gosta” de sua coleção, que inclui obras de Romare Bearden e Hale Woodruff.

 

Williams diz  que apesar de um empréstimo ou uma doação para a Casa Branca poder vir a  aumentar o perfil de sua coleção, a oferta que faz é motivada por um desejo de apoiar o presidente.  Um porta-voz Casa Branca confirmou que qualquer doação em potencial para a coleção permanente deve ser considerada através do curador do escritório.

 

Os colecionadores de arte negra americana imediatamente ficaram a postos  quando a notícia se espalhou de que o casal Obama procurava por arte para empréstimo, diz Bridgette McCullough Alexander, curadora de arte e que foi conselheira para o ensino médio com a primeira-dama.   Ela diz que alguns de seus clientes colecionadores manifestaram interesse em emprestar obras para a Casa Branca.

 

Para os colecionadores, foi como se os Obama tivessem pedido que lhes enchessem a geladeira. Como na mercearia, a lista de artistas só cresceu “, diz ela.

 

richard Diebenkorn Berkeley n 52, 1955, ost

Berkeley no. 52, 1955

Richard Diebenkorn (EUA 1922- 1993)

Óleo sobre tela,

Propriedade do espólio de Richard Diebenkorn

Em empréstimo à Casa Branca

 

A Casa Branca é, já, há muito tempo, uma verdadeira porta giratória de preferências artísticas. Dolley Madison salvou o célebre retrato de George Washington feito por  Gilbert Stuart. Jacqueline Kennedy ficou conhecida por elevar o perfil da arte na Casa Branca quando mandou tirar dos armazéns que guardam as obras da casa, oito pinturas de Cézanne que fazem parte da coleção permanente.

 

As últimas administrações têm tentado preencher as lacunas na coleção permanente de arte americana. Hillary Clinton teve sucesso em convencer o comitê  de Preservação da Casa Branca para aceitar o trabalho abstrato de 1931 de Georgia O’Keeffe  “Bear Mountain Lake, Taos.” Os críticos insistiam em dizer que o quadro  não se enquadrava na elegância da Sala Verde, característica do século XIX.   

 

 

bear lake, new mexico, georgia O keeffe (1887-1986) 1930, acervo casa branca

Bear Mountain Lake, NM,  1931

Geórgia O’ Keeffee ( EUA 1887-1986)

Acervo da Casa Branca, Washington DC

 

Laura Bush  também conseguiu convencer a comissão de preservação a aceitar um Andrew Wyeth, uma pintura doada pelo artista, numa rara exceção à proibição de obras de artistas vivos. “Graças a Deus que o aceitaram porque logo depois que Wyeth morreu e a Casa Branca nunca teria sido capaz de comprá-lo,” lembrou o historiador da arte William Kloss, que tem servido na comissão de preservação desde 1990.   

 

Em 2007, o Fundo de Aquisições para a Casa Branca, uma organização sem fins lucrativos que financia aquisições  de arte aprovadas pelo comitê de preservação, pagou US $ 2,5 milhões por um  Jacob Lawrence da cor de ferrugem colagem de trabalhadores no local de um edifício.  Pagou quatro vezes a sua elevada estimativa e  ultrapassando em muito os $ 968.000, 00 preço recorde para o artista em leilão na época, lembrou Eric Widing, chefe do departamento de pintura americana da Christie’s.  A compra pode ter dado um impulso ao mercado Lawrence, pois na primavera seguinte, um colecionador pagou $ 881.000, 00  para Christie’s  por um outro Lawrence,– o terceiro mais alto preço pago por uma de suas obras.

 

A aquisição de 1995 do quadro de Henry Ossawa Tanner,  Cena de praia em Atlantic City teve o efeito inverso.  A Casa Branca comprou o trabalho direto da sobrinha neta do artista por US $ 100.000,00 um preço bem inferior a $ 1 milhão de dólares, pedido por semelhantes quadros de Tanner.  O modesto preço da compra foi altamente comentado e divulgado.  Imediatamente o preço de quadros de Tanner desabaram no mercado, atestam vários marchands.  

 

hENRY OSSAWA TANNER, aTLANTIC CITY, 1885,OST, 73 X 137 CM

Cena de praia em Atlantic City, 1885

Henry Ossawa Tanner (EUA 1855- 1937)

Óleo sobre tela, 73 x 137 cm

Acervo permanente da Casa Branca

 

 

Laura Bush pendurou um trabalho moderno de Helen Frankenthaler na residência particular e pleiteou a aquisição de um Lawrence, enquanto G.W. Bush cobria as paredes de seu escritório com pelo menos seis paisagens do Texas.

 

Bush gostava de coisas que lhe lembrassem o Texas e disse que queria no Oval Office olhar como uma pessoa otimista que trabalha lá “, explicou Anita McBride, ex-chefe de equipe da Sra. Bush. Ela lembrou também que todos os quadros emprestados ao presidente anterior, já foram devolvidos.

 

Poucas semanas depois da posse Obama causou um auê, quando  removeu do Oval Office um busto de bronze de Winston Churchill, emprestado pela Embaixada Britânica e o substituiu por um busto de Martin Luther King Jr. do escultor Charles Alston, emprestado pela National Portrait Gallery em Washington DC.

 

No próximo mês, o casal Obama decidirá sobre o empréstimo de quatro obras do artista negro americano William H. Johnson, incluindo o seu ” A Lenda de Booker T. Washington“, um óleo sobre madeira compensada representando um ex-escravo no ato de educar um grupo de estudantes negros.  O quadro pertence ao Museu de Arte Americana do Smithsonian.   Nesse meio tempo, o Art Institute of Chicago planeja enviar aproximadamente 10 obras para a família Obama  considerar, entre elas, peças do artista americano negro Beauford Delaney e um trabalho expressionista abstrato de  Franz Kline.

 

Steve Stuart, um historiador amador que vem estudando a Casa Branca por três décadas, acha que os Obama não necessitam se vincular demais às tradições.  “Você não deveria ter de olhar para a cara da Sra. Hoover sobre sua cama por quatro anos, se não o quisesse”, disse ele.

 

 

Artigo: THE WALL STREET JOURNAL

Autores: Amy Chozick e Kelly Crow

Tradução liberal ( isto quer dizer, não ao pé da letra) de Ladyce West





Descoberta: estátuas do reinado Cushe no Sudão, 300 AC

17 12 2008

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REUTERS/René-Pierre Dissaux/Section Française de la Direction des Antiquités du Soudan/Handout

Três estátuas em pedra datadas do período Meroe (450 a.C. e 300 d.C.) foram descobertas nos sítios arqueológicos do Sudão, na África.  As esculturas, que contêm inscrições da antiga escrita meroítica, são as mais completas já encontradas.  Até hoje só se encontrara fragmentos de peças desta época.  Todas as esculturas encontradas são de um carneiro que sabemos representava o deus Amun, considerado rei dos deuses egípcios e força criadora da vida.  A curiosidade sobre as estátuas descobertas desta vez é que todas têm inscrições muito antigas e difíceis de interpretar.

 

Meroe (ou Meroé) é o nome de uma antiga cidade na margem leste do rio Nilo, na Núbia.  Ficava na região do vale do rio Nilo que hoje é é ocupada pelo Egipto e pelo Sudão, aproximadamnete a  300 km NE de Cartum.  No século VII antes de Cristo, Cartum fora a capital do reino de Cushe por mais de mil anos, ( entre o século VII a.C. e o século IV da nossa era) sabendo-se ser uma das primeiras civilizações do vale do rio Nilo. Neste período os núbios  desenvolveram uma escrita própria, chamada pelos estudiosos de “escrita meroítica”. É a mais antiga língua escrita do Saara meridional.

 

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A importância das estátuas que foram descobertas há três semanas em el-Hassa, próximo às pirâmides de Meroe, é que suas inscrições estão gravadas numa língua mais antiga do que todas as inscrições que se conhece do Meroe.  Isto as torna de  difícil interpretação.  Mas demonstra uma maior coplexidade e antiguidade da língua, da qual sabemos muito pouco.  “É uma importante descoberta”, afirmou o pesquisador Vincent Rondot à BBC.   

 

Estas estátuas  ainda mostram pela primeira vez uma dedicação real com escrita completa.  Meroe, lembrou o arqueólogo Rondot: é uma das últimas línguas da antiguidade que ainda não entendemos completamente.  Nós conseguimos ler.  Não temos problemas pronunciando as letras, mas não conseguimos ainda entendê-la por completo.  Entendemos algumas palavras longas e os nomes das pessoas mencionadas.  No momento os especialistas estão se valendo de fragmentos encontrados anteriormente para poderem decifrar as novas legendas encontradas.

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REUTERS/René-Pierre Dissaux/Section Française de la Direction des Antiquités du Soudan/Handout

 

Estas escavações são financiadas pelo ministério de relações exteriores da França, e feitas pela seção Francesa do Departamento de Antiguidades do Sudão.   E estão também trazendo à tona informações sobre um rei muito mal conhecido — Amanakharequerem — e que é mencionado nas inscrições das estátuas dos cordeiros.

 

Antes destas descobertas, nós tínhamos só quatro documentos que mencionavam seu nome.  Não sabemos nem  onde ele foi enterrado.   Agora estamos começando a compreender sua importância no reino. – disse Rondot.

 

 

O Sudão tem mais pirâmides do que o Egito.  Mas pouca gente visita estas ruínas arqueológicas por causa dos conflitos internos no país que ocupam seus habitantes há quase 46 anos.   Esses conflitos armados internos fazem qualquer trabalho tanto arqueológico como de turismo, extremamente difícil.

 

 





À sombra dos gênios: vida das esposas de Monet, Rodin e Cézanne

4 11 2008

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Senhora com parassol, 1875

[Retrato de Camille Doncieux Monet,

esposa do pintor]

Claude Monet (França 1840-1926)

Óleo sobre tela  — 119 x 100 cm

National Gallery of Washington, EUA

 

Acaba de ser lançado nos EUA o livro de Ruth Butler, Hidden in the Shadow of the Master: the model wives of Cézanne, Monet and Rodin [Escondidas na sombra do mestre: a esposas-modelo de Cézanne, Monet e Rodin].  Yale Univ. Press:2008.  Tudo indica ser um livro muito interessante porque se propões a detalhar a vida das companheiras deste famosos artistas plásticos; mulheres, cujos rostos, expressões faciais e corporais o mundo conhece tão bem, através dos trabalhos de seus respectivos maridos.  O público freqüentador de museus fica freqüentemente intrigado, esperando que a representação destas senhoras possa revelar as personalidades, que nos são elusivas, quando apreciamos as obras de arte em que elas aparecerem.

 

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Primavera: jovem com chapéu de palha, circa 1865

[retrato de Rose Beuret-Rodin,  esposa do escultor]

Auguste Rodin (França 1840-1915)

Bronze

 

 

As heroínas são  Hortense Fiquet  esposa de Paul Cezanne, Camille Doncieux, primeira mulher de Claude Monet e Rose Beuret, com que Auguste Rodin se casa duas semanas antes da morte dela e 50 anos depois do primeiro encontro entre os dois.  Essas três mulheres, vindas de famílias modestas, foram escolhidas por cada um desses artistas para modelos.  Elas três passaram a viver com estes homens, que lhes deram filhos bastardos até que cada um por sua vez se casou com elas (Rodin é o único que não reconhece o filho Auguste Beuret, nascido dois anos depois do escultor estabelecer residência com Rose Beuret).  Juntos cada casal passou pelos anos de dificuldades financeiras que precedem o sucesso e a fama.  Todas estas mulheres têm suas imagens conhecidas do público e, no entanto, estão entre os personagens mais elusivos da história da arte.

 

 

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Madame Cézanne com saia de listras, 1877

[retrato de Hortense Fiquet-Cézanne, esposa do pintor]

Paul Cézanne (França 1839-1906)

óleo sobre tela, 73 x 56 cm

Museu de Belas Artes de Boston, EUA

 

A autora defende que “estas mulheres não eram simplesmente modelos; elas trouxeram com elas um grande leque de emoções dando ao trabalho de seus companheiros substância emocional e textura que foram elementos que em muito contribuíram para o trabalho que os levou ao reconhecimento profissional.” 

 

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Um livro com uma tese interessante que há muito faltava na compreensão de uma época assim como na compreensão do papel da mulher no final do século XIX, para não dizer no entendimento de como estas personalidades artísticas conseguiram ter uma vida que se assemelhasse a uma vida dentro dos parâmetros considerados mais ou menos comuns da época.  

 

 

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25/2/2009  – adiciono este quadro de Maurício de Sousa

 

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Monica com sombrinha, 1991

Maurício de Sousa (Brasil)

Acrílica sobre tela, 127 cm x 107 cm

Instituto Ricardo Brennand, PE