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Olhos negros, cismadores…
Olhos de intenso brilhar.
Olhos que falam de amores
e vivem sempre a sonhar.
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(Therezinha Radetic)
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Olhos negros, cismadores…
Olhos de intenso brilhar.
Olhos que falam de amores
e vivem sempre a sonhar.
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(Therezinha Radetic)
Samudra come seu bolo de aniversário!
O elefantinho Samudra, Sam para os íntimos, comemorou seu primeiro aniversário ao lado da mamãe Rose-Tu, no zoológico da cidade de Portland, no estado de Oregon, nos Estados Unidos.
Meninas
Stanislaw Wyspianski ( Polônia, 1869-1907)
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Inicio de ano prolongado… Estou aproveitando o tempo para limpar o escritório e colocar coisas em ordem. Assim, antes de descartar algumas resenhas que foram feitas para outros fins, que não o blog, venho aqui postá-las para não perder de todo o controle do que li, e das minhas reações a certas leituras. Começo com um romance que me comoveu bastante, do escritor peruano Alonso Cueto, cuja resenha escrevi em 31/01/2008, antes de começar este blog.
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Amizade, lealdade, ira e vingança num romance moderno e atual
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Vi este livro em diversas livrarias em Lima, no Peru, em Outubro. Mas não leio muito bem em espanhol. Então, quando cheguei de volta ao Rio de Janeiro achei interessante ver que havia acabado de ser lançado no Brasil. Não conhecendo o autor, resolvi comprá-lo como uma recordação da minha viagem. E ainda levei um tempinho para lê-lo principalmente porque seu título não me interessava: ênfase no tamanho ou no peso de uma mulher era um assunto que me repelia. Mas, acabei enfrentando a fera. Como gostei! É um excelente livro e descobri, chegando ao final, e algumas horas depois e alguns dias mais tarde, que é um livro que fica enraizado na nossa imaginação; que mantem um diálogo vivo com os nossos botões. Gosto de livros que me fazem pensar.
Duas adolescents são amigas de escola. Esta amizade é muito importante para cada uma delas, enquanto a amizade durou. Anos mais tarde, elas se encontram, já adultas. Cada qual bem sucedida na sua vida, cada qual com sua parcela de sucesso e sorte. À medida que elas voltam a se comunicar, descobrem não só como são importantes as emoções que cada qual guarda a respeito da amizade que teve, mas também recordam o evento trágico que separou-as, que destruiu o que haviam construído: uma amizade que era importante para cada uma delas.
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A narrativa é clara, assim como a maneira em que os personagens são retratados. Há muita atenção nos detalhes do dia a dia, coisa que no início parecia inconseqüente, talvez até um maneirismo do autor, mas que mostra ser essencial para detalhar as emoções, para retratar a vida interioir de cada personagem, vida essa submersa nos detalhes corriqueiros.
Com um excelente ritmo, texto coloquial e moderno, Alonso Cueto se mostra em domínio total da narrativa, do inicio ao fim. À medida que estas duas mulheres rememoram suas vidas, descobrimos suas fraquezas e principalmente a necessidade de cada uma de “pertencer” de “fazer parte” de um grupo. E nos lembramos também de como os adolescentes podem ser cruéis consigo mesmos e com seus amigos e colegas. E aos poucos percebemos como podem ser profundas as feridas sentidas nestes anos de formação, assim como a dificuldade de cada um, de superá-las.
Depois de ler este romance de Alonso Cueto, não me surpreendi ao descobrir que ele é um autor peruano muito conhecido, com mais de uma dúzia de títulos publicados e que já recebeu diversos prêmios literários inclusive o Prêmio Viracocha, em 1985, com o livro Tigre Branco; em 2005 ganhou o prêmio Herralde com o livro Hora Azul. Em 2002 ele recebeu a bolsa para escritores da Guggenheim e em 2003 seu livro Grandes Moradas tornou-se um filme de Francisco Lombardi.
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Alonso Cueto
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Este é um livro sobre amizade, lealdade, ira e vingança. Retrata as almas sofridas e as técnicas de sobrevivência usadas por aqueles que carregam feridas emocionais por muito tempo. É um romance com um final surpreendente: iconográfico e belo. Sutil. Não é supresa, então, que tenha sido um livro finalista para o Prêmio Planeta – Romance Ibero-americano – em 2007. Recomendo com entusiasmo a leitura deste romance.
31/01/2008
Esta resenha apareceu em: Living in the Postcard; e na Amazon. Ambas em inglês. Tradução e adaptação, minhas.
Anita Malfatti ( Brasil 1889-1964)
óleo sobre tela, 37 x 50 cm
Coleção Particular
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Clara dos Anjos de Lima Barreto, escrito em 1922, no ano de morte do autor e só publicado postumamente em 1948, era uma leitura que me faltava. Graças a amigos astutos, rápidos no empréstimo de obras sensacionais, passei, o período das festas, atracada com diversos livros que valeram a pena ler. Entre eles, esta primorosa obra de um pouco mais que cento e poucas páginas. Há na narrativa muitas e muitas passagens que retratam bem o carioca e o Rio de Janeiro. Lima Barreto é mordaz na avaliação do comportamento humano e incomparável nas descrições tanto de personalidades como da paisagem física e emocional da antiga capital do Brasil. Há uma descrição, no capítulo VII , dos subúrbios cariocas que vale a leitura mesmo que fora do contexto da obra. Hoje, 90 anos depois da publicação de Clara dos Anjos, os subúrbios cariocas já não lembram tanto a descrição que se segue. Mas ainda encontramos esta mesma realidade mais adiante, nas comunidades carentes que seguem a beira da Via Dutra, ou até mesmo nos pontos mais altos dos morros cariocas. O texto parcial se encontra abaixo. As fotos que a acompanham foram retiradas do Flicker do contribuinte Antolog.
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CAPÍTULO VII
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O subúrbio propriamente dito é uma longa faixa de terra que se alonga, desde o Rocha ou São Francisco Xavier, até Sapopemba, tendo para eixo a linha férrea da Central.
Para os lados, não se aprofunda muito, sobretudo quando encontra colinas e montanhas que tenham a sua expansão; mas, assim mesmo, o subúrbio continua invadindo, com as suas azinhagas e trilhos, charnecas e morrotes. Passamos por um lugar que supomos deserto, e olhamos, por acaso, o fundo de uma grota, donde brotam ainda árvores de capoeira, lá damos com um casebre tosco, que, para ser alcançado, torna-se preciso descer uma ladeirota quase a prumo; andamos mais e levantamos o olhar para um canto do horizonte e lá vemos, em cima de uma elevação, um ou mais barracões, para os quais não topamos logo da primeira vista com a ladeira de acesso.
Há casas, casinhas, casebres, barracões, choças, por toda a parte onde se possa fincar quatro estacas de pau e uni-las por paredes duvidosas. Todo o material para estas construções serve: são latas de fósforos distendidas, telhas velhas, folhas de zinco, e, para as nervuras das paredes de taipa, o bambu, que não é barato.
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Estação de Trem de Marechal Hermes, RJ. Foto: Antolog/Flicker
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Há verdadeiros aldeamentos dessas barracas, nas coroas dos morros, que as árvores e os bambuais escondem aos olhos dos transeuntes. Nelas, há sempre uma bica para todos os habitantes e nenhuma espécie de esgoto. Toda essa população pobríssima, vive sob a ameaça constante da varíola e, quando ela dá para aquelas bandas, é um verdadeiro flagelo.
Afastando-nos do eixo da zona suburbana, logo o aspecto das ruas muda. Não há mais gradis de ferros, nem casas com tendências aristocráticas: há o barracão, a choça e uma ou outra casa que tal. Tudo isto muito espaçado e separado; entretanto, encontram-se por vezes, “correres” de pequenas casas, de duas janelas e porta ao centro, formando o que chamamos “avenida”.
As ruas distantes da linha da Central vivem cheias de tabuleiros de grama e de capim, que são aproveitados pelas famílias para coradouro. De manhã até a noite, ficam povoadas de toda espécie de pequenos animais domésticos: galinhas, patos, marrecos, cabritos, carneiros e porcos, sem esquecer os cães, que, com todos aqueles, fraternizam.
Quando chega a tardinha, de cada portão se ouve o “toque de reunir”: “Mimoso”! É um bode que a dona chama. “Sereia”! É uma leitoa que uma criança faz entrar em casa; e assim por diante.
Carneiros, cabritos, marrecos, galinhas, perus – tudo entra pela porta principal, atravessa a casa toda e vai se recolher ao quintalejo aos fundos.
Se acontece faltar um dos seus “bichos”, a dona da casa faz um barulho de todos os diabos, descompõe os filhos e filhas, atribui o furto à vizinha tal. Esta vem a saber, e eis um bate-boca formado, que às vezes desanda em pugilato entre os maridos.
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Estação de Madureira, Rio de Janeiro. Foto: Flicker/Antolog
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A gente pobre é difícil de se suportar mutuamente; por qualquer ninharia, encontrando ponto de honra, brigando, especialmente as mulheres.
O estado de irritabilidade, provindo das constantes dificuldades por que passam, a incapacidade de encontrar fora de seu habitual campo de visão motivo para explicar o seu mal-estar, fazem-nas descarregar as suas queixas, em forma de desaforos velados, nas vizinhas com que antipatizam por lhes parecer mais felizes. Todas elas se têm na mais alta conta, provindas da mais alta prosápia; mas são pobríssimas e necessitadas. Uma diferença acidental de cor é causa para que possa se julgar superior à vizinha; o fato do marido desta ganhar mais do que o daquela é outro. Um “belchior” de mesquinharias açula-lhes a vaidade e alimenta-lhes o despeito.
Em geral essas brigas duram pouco. Lá vem uma moléstia num dos pequenos desta, e logo aquela a socorre com os seus vidros de homeopatia.
Por esse intrincado labirinto de ruas e bibocas é que vive uma grande parte da população da cidade, a cuja existência o governo fecha os olhos, embora lhes cobre atrozes impostos, empregados em obras inúteis e suntuárias noutros pontos do Rio de Janeiro.
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Afonso Henriques de Lima Barreto (Rio de Janeiro, 13 de maio de 1881 – Rio de Janeiro, 1 de Novembro de 1922), jornalista e escritor.
Obras:
1905 – O Subterrâneo do Morro do Castelo
1909 – Recordações do Escrivão Isaías Caminha
1911 – O Homem que Sabia Javanês e outros contos
1915 – Triste Fim de Policarpo Quaresma
1919 – Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá
1920 – Cemitério dos Vivos
1920 – Histórias e Sonhos
1923 – Os Bruzundangas
1948 – Clara dos Anjos (póstumo)
1952 – Outras Histórias e Contos Argelinos
1953 – Coisas do Reino de Jambom
Cartão Postal, Europa oriental, década de 1950.
José Albano
Bom Jesus, amador das almas puras,
Bom Jesus, amador das almas mansas,
De ti vêm as serenas esperanças,
De ti vêm as angélicas doçuras.
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Em toda parte vejo que procuras
O pecador ingrato e não descansas,
Para lhe dar as bem-aventuranças
Que os espíritos gozam nas alturas.
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A mim, pois, que de mágoa desatino
E, noite e dia, em lágrimas me banho,
Vem abrandar o meu cruel destino.
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E, terminado este degredo estranho,
Tem compaixão de mim, Pastor Divino,
Que não falte uma ovelha ao teu rebanho!
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José de Abreu Albano (Brasil, CE, 1882 — França, 1923). Católico fervoroso, eruditíssimo, de temperamento explosivo e comportamento extraordinário. Pouco publicou em vida, e sua obra, pequenina no tamanho, mas grandíssima no valor, permaneceria desconhecida do grande público, não fosse a edição de sua obra pelo poeta Manuel Bandeira em 1948.
Obras:
Rimas de José Albano: Redondilhas (1912),
Rimas de José Albano – Alegoria (1912)
Rimas de José Albano – Cançam a Camoens (1912)
Ode à Língua Portuguesa (1912)
Comédia Angelica de José Albano (1918),
Four sonets by José Albano, with Portuguese prose-translation (1918)
Antologia Poética de José Albano (1918)
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Uma cripta merovíngia (séculos V a VIII) e 125 sarcófagos foram descobertos em ótimo estado de conservação junto com vestígios de uma igreja funerária da abadia de Luxeuil-les-Bains. Este é um dos lugares mais ricos da França no estudo arqueológico dos séculos VII ao X.
Essa descoberta mostra uma concentração de sarcófagos inigualável na parte leste do país. Os sarcófagos de pedra, estão em condições excepcionais de conservação de acordo com o pesquisador Sébastien Bully. A cripta externa, conhecida com Saint Valbert, nome do terceiro abade de Luxeuil, foi trazida à tona em ótimo estado de conservação. “Poucas criptas deste tipo foram encontradas na França”, diz Sébastien Bully, continuando “a partir desta abadia em Luxeuil, fundada no século VI pelo monge irlandês Colomban, monges e abades viajaram por toda a Europa para fundar outros locais de culto.”
“Dos séculos VII ao X, Luxeuil era uma verdadeira capital monástica que se expandiu além dos limites regional e nacional, tornando-se uma verdadeira referência para os monastérios do Ocidente,” continuou ele. A escavação, que compreende 650 m2, começada em 2008 está prevista para se desenvolver até janeiro de 2010 e permitiu que se estabelecesse a sucessão dos diversos dos usos e prédios no mesmo lugar: um centro urbano do século II, uma necrópole pagã do século IV, uma basílica paleo-cristã dos séculos V e VI preenchem uma parte dos sarcófagos e em seguida a cripta de Saint Valbert do ano 670. Esta reconstruída RR modificada ao longo dos séculos seguintes. A igreja foi finalmente destruída depois da Revolução Francesa em 1797.
Em meados de dezembro, Michel Raison, prefeito de Luxeuil-les-Bains, pediu que as descobertas fossem protegidas como patrimônio histórico. Um museu no local está sendo projetado.
Tradução e adaptação, Ladyce West
Fonte: AFP através do Mondial.
Feliz Natal, cartão de Natal, França, 1910-1915.
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(J. G. de Araújo Jorge)
Auta de Sousa
É meia noite … O sino alvissareiro,
Lá da igrejinha branca pendurado,
Como num sonho místico e fagueiro,
Vem relembrar o tempo do passado.
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Ó velho sino, ó bronze abençoado,
Na alegria e na mágoa companheiro!
Tu me recordas o sorrir primeiro
De menino Jesus imaculado.
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E enquanto escuto a tua voz dolente,
Meu ser que geme dolorosamente
Da desventura, aos gélidos açoites …
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Bebe em teus sons tanta alegria, tanta!
Sino que lembras uma noite santa,
Noite bendita mais que as outras noites!
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Auta de Souza (Macaíba, 12 de setembro de 1876 — Natal, 7 de fevereiro de 1901) foi uma poetisa brasileira. Considerada a a maior poetisa mística do Brasil.
Obras:
Horto, 1900