Menina lendo livro, 2015
Michael Pracht (EUA, contemporâneo)
óleo sobre tela, 61 x 91 cm
“Um clássico é um livro que todos gostariam de ter lido e que ninguém quer ler.”
Mark Twain
Menina lendo livro, 2015
Michael Pracht (EUA, contemporâneo)
óleo sobre tela, 61 x 91 cm
Mark Twain
Moça lendo no banco
Sebastia Boada (Espanha, 1935-2022)
óleo sobre tela
Nós todos temos autores favoritos. Ray Bradbury lista os seus.
“Você tem uma lista de escritores favoritos, eu tenho a minha: Dickens, Twain, Wolfe, Peacock, Shaw, Molière, Jonson, Wycherly, Sam Johnson. Poetas: Gerard Manley Hopkins, Dylan Thomas, Pope. Pintores: El Greco, Tintoretto. Músicos: Mozart, Haydn, Ravel, Johann Strauss (!). Pense em todos esses nomes e você vai pensar em entusiasmos, apetites, fomes, grandes ou pequenas, mas de qualquer forma, importantes. Pense em Shakespeare e Melville e você vai pensar em trovão, raio, vento. Todos sabiam da alegria de criar em formatos grandes ou pequenos, em telas ilimitadas ou restritas. Esses são os filhos dos deuses. Souberam se divertir em seu trabalho. Não importa se a criação foi difícil aqui e ali, ao longo do caminho, ou se doenças e tragédias acometeram sua vida mais íntima. As coisas importantes são aquelas que nos foram transmitidas por suas mãos e mentes, e essas coisas estão cheias até a tampa de vigor animal e vitalidade intelectual. Seus ódios e desesperos foram relatados com uma espécie de amor.
Em: Zen na arte da escrita, Ray Bradbury, tradução de Petê Rissatti, Rio de Janeiro, Globo: 2020, p. 15-16
“Pessoas com vidas interessantes não têm fricote. Elas trocam de cidade. Investem em projetos sem garantia. Interessam-se por gente que é o oposto delas. Pedem demissão sem ter outro emprego em vista. Aceitam um convite para fazer o que nunca fizeram. Estão dispostos a mudar de cor preferida, de prato predileto. Começam do zero inúmeras vezes. Não se assustam com a passagem do tempo. Sobem no palco, tosam o cabelo, fazem loucuras por amor, compram passagens só de ida.”
Martha Medeiros
Interior da floresta, c. 1900
[Petrópolis]
Antônio Parreiras (Brasil, 1860-1937)
óleo sobre tela, 16 x 24 cm
“… o termo “rios voadores da Amazônia” designa a enorme quantidade de água processada pelas árvores e lançada na natureza em forma de umidade. – A selva funciona como uma gigantesca bomba d’água que capta água do solo e a lança na atmosfera em forma de vapor, e as correntes de ar se encarregam de espalhar pelo mundo. Uma única árvore de modestos 10 metros de altura transpira em média 300 litros de água por dia, e uma mais frondosa, com a copa mais avantajada, de 20 metros de diâmetro, pode liberar até 1.000 litros. Imaginem a quantidade de líquido precioso produzida pelos milhões e milhões de árvores da Amazônia.
…
Uma parte desse vapor se transforma em chuvas que caem sobre a própria floresta, a outra fica à mercê dos ventos. Estima-se que a quantidade de água transportada pelos rios voadores seja igual ou superior à vazão do rio Amazonas. São 200 mil metros cúbicos de água por segundo. Na prática, a maior parte dos rios voadores são direcionados pelos ventos para o oeste até o paredão de 5 mil metros de altura formado pela Cordilheira dos Andes. O resultado desse represamento gigantesco são as enormes precipitações de chuva e neve, que dão origem às nascentes de vários rios, entre eles a do próprio Amazonas. Outra parte é ricocheteada pelas montanhas para o interior do continente, e abastece fartamente de água o Centro-Oeste, o Sudeste e o Sul do continente. Esse fenômeno explica por que no restante do mundo, nessa mesma latitude, encontramos grandes desertos, enquanto na América do Sul predomina um clima muito favorável para a agricultura. A combinação da floresta tropical amazônica com a Cordilheira dos Andes forma um dos maiores celeiros do mundo. Sem floresta, não haveria rios voadores, a umidade cairia a níveis desérticos e o ar ficaria muito mais quente. Seria um completo desastre para o clima e para a agricultura brasileira e mundial.”
Em: Nas pegadas da alemoa, Ilko Minev, São Paulo, Buzz Editora: 2021
Leitor, 1971
Louay Kayyali (Síria, 1934-1978)
óleo sobre tela
Ministério da Educação em Damasco
“Quando, Lídia, vier o nosso Outono,
com o Inverno que há nele, reservemos
um pensamento, não para a futura
Primavera, que é de outrem
nem para o estio, de quem somos mortos,
senão para o que fica do que passa
o amarelo atual que as folhas vivem
e as torna diferentes.”
Ricardo Reis
Molly lendo, c. 1920
Rose Mead (Inglaterra,1867-1946)
óleo sobre tela
Jules Renard
“O outono é a única estação civilizada. A primavera é um descontrole glandular da Natureza. O inverno é o preço que a gente paga para ter o outono, e por isso está perdoado. O verão é uma indignidade. […] Clássicos ao pé do fogo, um vago cachorro e sherry seco contra o catarro. Um gentleman não deve suar, meu caro.”
Em Algum Lugar Do Paraíso
Leitura, 2011
Reynaldo Fonseca (Brasil, 1925-2019)
óleo sobre tela
“O ciúme não nasce do amor, e sim do orgulho. O que dói neste sentimento, creia-me, não é a privação do prazer que outrem goza, quando também nós podemos gozá-lo e mais. É unicamente o desgosto de ver o rival possuir um bem que nos pertence ao cobiçarmos, ao qual nos julgamos com direito exclusivo, e em que não admitimos partilha. Há mais ardente ciúme do que o do avaro por seu ouro, do ministro por sua pasta, do ambicioso por sua glória? Pode-se ter ciúme de um amigo, como de um traste de estimação, ou de um animal favorito. Eu quando era criança tinha-o de minhas bonecas.”
José de Alencar, em Senhora, em domínio público.
O enterro de Siegfried
William Brown Macdougall (Escócia, 1868-1936)
do livro The fall of the Nibelungs, de Margaret Armour, Londres, 1897.
Beatriz Bracher
Café na margem esquerda do Sena
Leslie Ficcaglia (EUA, contemporânea)
Orwell [George] não era um escritor dado à imaginação. Ele precisava de acontecimentos concretos sobre os quais basear, aquela pessoa entrando num local cujas ações poderia descrever. Seu primeiro livro Down and Out in Paris [Na Pior em Paris e Londres] foi consequência de sua estadia em Paris — lavando pratos em um restaurante e sobrevivendo como um boêmio na Margem Esquerda [do Sena] — e vivendo junto aos pedintes do Leste de Londres [East London].
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Tradução livre: Ladyce West
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