Sublinhando…

13 06 2016

 

 

Katya Gridneva (Ucrânia, 1965) espera, ostEspera

Katya Gridneva (Ucrânia, 1965)

óleo sobre tela

 

 

“Criança, adolescente, os livros me salvaram do desespero: isso convenceu-me de que a cultura é o mais alto valor, e eu não consigo encarar essa certeza com olho crítico.”

 

 

Simone de Beauvoir





Palavras para lembrar: Padre Antônio Vieira

30 05 2016

 

 

Heinz_Pinggera(Austria, n. 1900- )Poesia, ostPoesia

Heinz Pinggera (Itália, 1900 – ?)

óleo sobre madeira, 31 x 26 cm

 

 

“O livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morte que vive.”

 

 

Pe. Antônio Vieira





Sublinhando…

25 05 2016

 

 

George Seton Coggeshall (EUA, 1914-1994) girl in redJovem de vermelho

George Seton Coggeshall (EUA, 1914-1994)

 

 

“Quando descubro um livro que me agrada, um escritor com o qual me identifico, o que sinto é uma alegria imensa, como ganhar um amigo que me acompanhará o resto da vida.”

 

 

José Eduardo Agualusa

 

Em: “A escritora que me derrotou”, O Globo, 23/05/2016, 2º caderno, página 2.

 





Palavras para lembrar — Emily Dickinson

23 05 2016

 

 

Frederick Simpson Coburn (Canadian, 1871-1960) – The LetterA carta, c. 1905

Frederick Simpson Coburn (Canadá, 1871-1960)

óleo sobre tela, 77 x 62 cm

Coleção Particular

 

 

“Não há melhor fragata que um livro para nos levar a terra distantes.”

Emily Dickinson





Sublinhando…

18 05 2016

 

Remy boquirenMoça com livro

Remy Boquiren (Filipinas, 1940)

 

 

“Pois só quem ama pode ter ouvido
capaz de ouvir e entender estrelas.”

 

 

Olavo Bilac (Brasil, 1865-1918), em Via Láctea, 1888, XIII [Ouvir estrelas].





Minutos de sabedoria: Juan Gabriel Vásquez

12 05 2016

 

 

Elizabeth Peyton (1965 - )  Nick Reading Moby Dick, 2003, osm, © Courtesy of the artist & Museum of Contemporary Art, Los AngelsNick lendo Moby Dick, 2003

Elizabeth Peyton (EUA, 1965 – )

óleo sobre madeira

Museum of Contemporary Art, Los Angeles

 

 

 

“Não há mania mais funesta nem capricho mais perigoso do que a especulação ou a conjectura sobre os caminhos que não tomamos.”

 

 

 

juan gabriel vásquezJuan  Gabriel Vásquez




Palavras para lembrar: Romain Rolland

1 05 2016

 

 

Delamonica didierDidier Delamonica (França, 1950)

 

 

“Nunca lemos só um livro. Nós nos lemos através dos livros, seja para nos descobrirmos, seja para nos controlarmos.”

 

 

Romain Rolland





O bicho, texto de Judith Schalansky

25 04 2016

 

 

morcego, ilustração em preto e brancoIlustração anônima.

 

 

“Lohmark ficara acordada na última noite. Devia ser antes das quatro da manhã. Ainda estava tudo escuro. Uma corrente de ar acariciou seu rosto.Uma vez. Outra vez. O pulso de repente a cento e oitenta. Palpitação. Uma borboleta grande? Uma mariposa-beija-flor, mas, na verdade, era tarde demais para uma dessas. Então, paz. Talvez tivesse pousado. Talvez também não estivesse mais lá. Ela precisou tatear por um tempo até alcançar o interruptor da luminária no criado-mudo. Quando finalmente clareou, o bicho lançou-se me pânico pelo quarto. Voava em grandes círculos. Oitos imaginários, três palmos abaixo do teto. Revoada de trem fantasma. Um morcego! Um jovem morcego-anão que se perdera. O sistema de radar falhou, seu sentido de orientação infalível o deixou na mão. A bocarra estava aberta, ele gritava. Mas não se ouvia o grito.

Talvez sua inteligência bastasse para que ele voasse pela janela entreaberta e reconhecesse que ali não era um buraco em um celeiro, nem uma fenda de árvore ou uma abertura num muro de alguma central de energia, mas não para encontrar novamente a da janela e assim a saída. Deveria ter vindo de uma colônia-berçário que agora, no fim do verão, se dissolveu. Cada animal estava por conta própria. Em busca de um novo lar.

Lohmark apagou a luz e foi em silêncio para o porão. Por segurança, puxou o cobertor sobre a cabeça. Bom que Wolfgang tinha um sono tão profundo. Teria se apavorado com a visão. Um fantasma em sua ronda noturna. Ela ainda ouviu os roncos quando parou diante da estante com os potes a vácuo.

Então, foi tudo muito rápido. Provavelmente o animal sentiu que ela era sua salvação. Escapuliu algumas vezes, mas, quando ela quis cobrir seu pequeno corpo com o vidro, se rendeu por puro medo. Por um instante ele se debateu, em seguida dobrou as asas e a encarou. Parecia morto. Empalhado. Muito frágil: marrom com pelo grossos de rato. A membrana fina das asas. Articulações vermelhas salientes. As garras pretas dos polegares alongadas. A cabeça achatada. Um focinho brilhante, úmido. Dentes mínimos vampirescos. A boca aterrorizada de um recém-nascido. Olhos parados de medo. Tanto medo. Pareciam mais aparentados com seres humanos do que com camundongos. O mesmo conjunto de ossos: antebraço, rádio, cúbito e carpos. Nas orelhas afuniladas, a mesma cartilagem. Além disso, órgãos sexuais anatomicamente idênticos. Um par de tetas no peito. O pênis pendia. Um ou dois filhotes ao ano. E nasciam quase totalmente pelados.

Por um instante, ela ainda pensou se poderia usar o morcego em aula. Apresentar à nova classe uma típica espécie sinantrópica. O menor de todos os mamíferos. Mas ela quis se livrar o mais rápido possível da criatura. Abriu a janela. E, então, o vidro. Bem devagar, o animal esgueirou-se para fora, primeiro caiu, então se endireitou, estendeu as asas e desapareceu na escuridão, para algum lugar na direção da garagem. Rapidamente, ela fechou a janela e voltou a se deitar. Apenas quando começou a clarear foi que finalmente adormeceu.”

 

 

Em: O pescoço da girafa, de Judith Schalansky, tradução de Petê Rissatti, Rio de Janeiro, Alfaguara:2016, pp: 55-59.





Sublinhando…

15 04 2016

 

Jacquet-Gustave-Jean-1846-1909-Attentive-readingLeitora atenta

Gustave-Jean Jacquet (França, 1846 -1909)

 

 

“Também as catedrais são sinfonias.”

 

Martins Fontes (1884-1927) poema: O espírito da matéria





A companhia de um cão, texto de William Boyd

14 04 2016

 

393.0LJovem homem e seu cão, 2005

Mihail Aleksandrov (Rússia/EUA, 1949)

óleo sobre tela,  55 x 65 cm

 

 

“Senti uma espécie de aflição tão intensa e pura, que achei que fosse morrer. Uivei feito um bebê com meu cachorro nos braços. Então coloquei-o em uma caixa de vinho, e o levei para o jardim onde o enterrei debaixo de uma cerejeira.

Ele é só um cachorro velho, digo para mim mesmo, e viveu uma vida de cachorro plena e feliz. Mas o que me deixa indescritivelmente triste, é que, sem ele, fico sem amor na vida. Pode parecer estúpido, mas eu o amei e sei que ele me amou. Isso significou que houve um fluxo descomplicado de amor recíproco na minha vida e acho difícil admitir que terminou. Olhe só para mim, murmurando, mas é verdade, é verdade. E, ao mesmo tempo, sei que uma parte da  minha tristeza é apenas autopiedade disfarçada. Precisei daquela troca e estou preocupado por não saber como viverei sem ela nem se conseguirei arranjar um substituto — quem dera fosse tão fácil quanto comprar um novo cachorro. Sinto muita pena de mim mesmo — é isso que é aflição.”

 

Em: As aventuras de um coração humano, William Boyd, Rio de Janeiro, Rocco: 2008, tradução de Antônio E. de Moura Filho, p. 503-4.