Gatinhos, cartões de Natal com esses felinos fofíssimos!

17 12 2011

Essa postagem é dedicada à minha cunhada que trabalha incessantemente para a proteção dos animais abandonados e que tem um fraco por gatinhos.

Há pouco o que dizer sobre os animais no Natal, exceto que eles aparecem em centenas e centenas de cartões, em cartões postais, todos com as carinhas mais deliciosas.

A minha escolha foi feita, pelos mais bonitos e tentei também colocar os menos conhecidos.

Este é um achado!  Dentro da bota vermelha!

Mais moderno, gosto de ver os três gatinhos de cachecol olhando para a árvore de Natal ao fundo. Uma simetria tranquila, apesar de sabermos que logo logo esses bichanos irão embora, afinal, onde está o quentinho nesse monte de neve?

Os cartões franceses tem a tendência de mostrar nossos gatinhos fazendo as travessuras de sempre parecendo nos perguntar: não sou engraçadinho?

Gosto do lustro do pelo desse gatinho laranja!

São muito poucos os gatinhos interagindo com alguém, nos cartões de Natal.  E quando aparecem com um ser humano em geral é uma menina.  Fato é que não tenho um único cartão de Natal, ou postal em que um menino esteja brincando com um gatinho.  Isso, entre 3128 imagens de cartões de Natal.  Interessante, não é mesmo?

Sim, eles aparecem em cestas.  Uma coisa natural não é mesmo?  Eles que gostam de se meter em caixas, em sacos de papel…

E aparecem fazendo aquilo de que mais gostam: descansando…

Na maior parte das vezes, eles aparecem aos pares. São inúmeros os cartões com dois gatinhos.

Mas gostam muito de brincar com Papai Noel e com os enfeites de Natal.

——–

NOTA:  Na minha coleção de imagens de cartões de Natal e postais, um pouco mais de 3000 imagens, hoje, há mais cartões franceses com gatinhos do que de qulauqer outro país.  Mas há uma curiosidade que não abordei aqui e que ficará para a próxima oportunidade: os franceses são adeptos da personificação do gato, ou seja eles representam os gatinhos como humanos, fazendo coisas humanas, como namorar, jogar bola de neve, etc.  Essa personificação acontece em todos os países, mas os franceses se destacam.   É uma avenida interessante para se explorar no estudo da iconografia.  Aqui fica um exemplo:





O guarda-chuva tem cara de Natal? Sim, veja os cartões de Natal.

16 12 2011

Nos muitos e muitos anos que morei fora do Brasil, no hemisfério norte, pude verificar a ineficiência de um guarda-chuva como abrigo para a neve.  Na maior parte das vezes a neve não cai diretamente de cima para baixo como uma chuva pesada de verão.  Mais vezes do que se imagina, a neve mais ou menos que flutua, caindo levemente como se fosse feita de pluminhas, sem peso, indo em direções múltiplas, podendo até subir dependendo da brisa.  É, sem dúvida,  uma surpresa ver a quantidade de vezes em que o guarda-chuva é um elemento usado nos cartões de Natal.

Guarda-chuvas não oferecem nenhuma proteção possível para a neve, a não ser que seja uma neve muito pesada.  Fora do normal.  No entanto, o que acredito seja o caso, é simplesmente uma solução gráfica para o assunto.

Vejamos, uma paisagem com neve, com campos, telhados, árvores, tudo com neve, é um campo de brancos.  É um estudo nos diversos tons da cor branca e o guarda-chuva, oferece um pequeno campo de contraste, de uma cor forte que pode servir de fundo para a cena principal como mostra esse cartão de Natal francês.

O cartão acima, cujo desenho é provavelmente de origem alemã, dadas as semelhanças entre as crianças e as peças de porcelana decorativa Goebel, é um caso que parece demonstrar exatamente isso, num campo enorme de branco temos as carinhas dos nossos personagens colocadas numa moldura feita pelo semi-círculo do guarda-chuva que os abriga.  Este parece ser o caso em diversos cartões colocados a seguir:

Neste cartão com crianças inglesas de final de século XIX (ainda que eu ache que as letras são bem mais recentes…

Neste cartão com crinaças holandesas de virada do século XIX para o XX.

Neste cartão de Natal inglês

A este cartão de Natal francês dos anos 1960-70.  Tudo parece muito certinho, até que nos deparamos com as representações de Papai Noel no final do século XIX na Europa, um da Alemanha e os outros da Inglaterra.  Aí fica tudo sem explicação mesmo porque os cartões são repletos de cores e não precisariam de um campo de cor para constraste.  Vejam a seguir:

Tudo indica que Papai Noel é um homem vaidoso que mudou muito de roupas através das décadas e que entre seus accessórios temos o guarda-chuva.  Ele tem guarda-chuvas de muitas cores. E esse accessório o acompanha até hoje.

As crianças evidentemente adoram os guarda-chuvas… Aliás não deve ser isso não.  Os adultos adoram ver as crianças com guarda-chuvas, não é mesmo?

Mocinhas casadouras também parecem ser uma preferência:

Homens de neve, ou bonecos de neve parecem ter também muita necessidade de guarda-chuvas.  Mas com eles, acredito que a minha teoria inicial sobre a necessidade de se ter cores contrastantes prova ser correta.  Vejamos.

Até os pássaros e os gatinhos precisam se proteger com um guarda-chuvas no Natal





Papai Noel viaja de carro! — cartões postais de Natal!

14 12 2011

Papai Noel com o carro estacionado.

Quando os carros se tornaram um pouquinho mais populares, Papai Noel viu a chance de entregar seus presentes com maior rapidez e aderiu ao carro, dirigindo-o por terra e pelo ar.

Cartão de Natal de 1910, carro de Papai Noel, genérico.

Quando dirige sua barba voa.  Isso me diz que para cumprir com suas obrigações de visitar as casas de todas as crianças do mundo ele tem que colocar o pé na tábua!

Cartão de Natal francês.

Nesse período — final do século XIX e início do XX — quando os carros começavam a fascinar a população, não importava se Papai Noel estivesse na Inglaterra, na França, na Alemanha, nos Estado Unidos, ele era um velhinho sábio que usava um carro eficiente e genérico.

Cartão de Natal, alemão.

Seus carros parecem frágeis, este por exemplo tem treliça!

Papai Noel e anjo passeiam de carro para enttregar presentes.

Às vezes seu carro é tão genérico que nem parece ter motor, mas o guidão e os faróis estão ali para trazerem conforto nas curvas e nas viagens noturnas.

Carro de Papai Noel, entulhado, cartão postal da 1ª década do século XX.

Reparem que Papai Noel confia no seu carrinho, com velocidade suficiente para o gorro e as fitas da guirlanda na mala do carro voarem, ele atravessa o caminho de neve, já ao escurecer, quando as casas já acenderam as luzes.

Papai Noel viaja na neve, cartão de 2009.

Mesmo com um carrinho que parece um trator, Papai Noel viaja até por cima dos pinheiros e acaba parando nos telhados das casas que visita.

Papai Noel no telhado de uma casa, jogando brinquedos pela chaminé.

Frequentemente ele precisa da ajuda de um elfo, um anjo ou às vezes até mesmo de uma menina ou um menino para a viagem noturna.

Papai Noel e seu ajudante, com a lanterna na mão, quase voando.  Faróis acesos.

Tudo indica que seus mais alegres auxiliares são alguns anjinhos franceses, como os dois postais seguintes refletem.

Às vezes ele dá uma caroninha para crianças bem comportadas…

Que será que essas crianças pensam de passear com Papai Noel?

Raramente Papai Noel é visto simplesmentes dirigindo com calma, como nos cartões acima.

Em geral ele está correndo contra o tempo …

De tal maneira que seu gorro de arminho, não consegue ficar preso à cabeça…

E ele passa chispando pela nossa casa, só tem tempo mesmo de acenar para o boneco de neve…

E quanto mais brinquedos ele distribui, mais brinquedos enchem o seu carro”

São bonecas. de todos os tamanhos, cavalinhos de madeira,

Tambores, ursinhos, bolas, marionetes…

Às vezes os presentes vêm embrulhados com laçarotes vistosos, que até os animais param para ver…

A medida que as horas passam, Papai Noel fica um pouquinho cansado.

Só nos tempos modernos ele passou a dirigir alguns carros de marca:

Ele e os elfos ajudantes gostam de um carro conversível…

E na Finlândia ele até para para colocar gasolina Polar, com elfos ajudantes calibrando o pneu….

Papai Noel é capaz de dirigir também muitos outros tipos de veículos que veremos em futuras postagens…  Até a próxima!





O transporte de Papai Noel: cartões postais de Natal contam histórias… (1)

12 12 2011

Papai Noel chega no carrinho de mão, cartão de Natal, de época,  inglês.

Quando eu era criança, Papai Noel vinha trenó puxado por renas, na noite de Natal. Era a única época do ano em que as palavras rena e trenó faziam sentido.  É claro, naquela mesma época Papai Noel chegava ao Rio de Janeiro, por volta do dia 8 de dezembro de helicóptero.  Não me lembro bem como nós mantínhamos essas duas chegadas simultaneamente, fazendo sentido… Mas criança gosta de Papai Noel de qualquer maneira.

Cartão postal com Papai Noel em trenó puxado a renas, 1909.

Fiquei surpresa de ver um cartão de Natal em que Papai Noel aparece sendo transportado num carrinho de mão.  Não tenho a menor idéia do que esse cartão inglês representa, acredito que reflita alguma história conhecida na Inglaterra, pois é muito curioso.

Papai Noel a pé na neve, acompanhado de um anjinho.

Mas quando pesquisamos em antigos cartões postais vemos que o meio de transporte de Papai Noel, pode mudar.  No século XIX ele aparece na maioria das vezes a pé. E até empurra um carrinho de mão, parecido com aquele do primeiro cartão postal, cheio de presentes, frutos e traz também a árvore de Natal.

A pé, ele também pode chegar esquiando ou deslizando com patins nos  lagos gelados.

Mas ele pode chegar a cavalo, a cavalo voador, de carruagem e de carroça puxada a burro.

Papai Noel chega em seu cavalo branco, cartão de Natal finlandês, século XX.

Cavalo voador, cartão de Natal, Ucrânia.

Carruagem cheia de presentes, neste cartão de Natal.-
Cartão do século XIX.

Papai Noel chega de carroça neste cartão francês.

E pode ter um ou outro acidente no percurso como mostra o cartão de Natal abaixo:

Dependendo da parte da Europa onde ele se encontra, seu trenó é puxado por um cavalo:

ou, como na Rússia, seu trenó sempre puxado por 3 cavalos, quer brancos ou não.

Mas Papai Noel pode surpreender ainda mais, seguir os passos de Hanibal e levar uma manada de  elefantes para sua viagem…

Pelo ar ele tem também muitas opções, por exemplo: o balão, Papai Noel pode viajar de balão:

Pode andar de avião:

Papai Noel atravessa os céus num monomotor.

É claro que Papai Noel também pode viajar de tapete mágico!

E quem procura por Papai Noel também vai pelos ares:

E se precisar descer rapidamente, há sempre um pára-quedas à disposição:

OUTRAS POSTAGENS EXAMINARÂO OUTROS MEIOS DE TRANSPORTE DESSE VELHINHO AVENTUREIRO…





5 de dezembro, dia de Krampus. Quem é aquela figura estranha ao lado de Papai Noel?

5 12 2011

Krampus moderno, art digital.

Se você ainda não ouviu falar no Krampus, não se preocupe, poucas pessoas o conhecem.  Mas quem o conhece, não esquece.  O Krampus [grafia alemã] é um ser mítico, fantástico  — definitivamente um ser do Mal —  muito conhecido das populações das aldeias e  cidadezinhas dos Alpes.  Ele também habita a imaginação européia através do folclore na Áustria, Alemanha, Alsácia,  Suíça, Eslovênia, e demais áreas  das montanhas alpinas.  Faz parte da cultura local desde tempos imemoriais.  Apesar de muito antigo e limitado geograficamente aos Alpes, sua influência afeta alguns costumes natalinos de outras terras, até hoje.

De acordo com as lendas, Krampus começa as festividades do Natal na noite do dia 5 de dezembro.  Ele é um companheiro de São Nicolau, ou como dizemos por aqui, de Papai Noel.  Ele é o contraponto ao Papai Noel, e ao invés de dar presentes às criancinhas das aldeias, Krampus invade as casas das pessoas e retira delas as crianças que foram más, que mentiram, que fizeram pirraça…  E ele as leva.  Nada de presentes para crianças más…

Cartão de Natal com as representações de Krampus e São Nicolau, século XX, década de 20-30.

Krampus não é nada mais nada menos do que a inserção nas festividades natalinas de um demônio bastante conhecido nessas regiões e já temido por todos, que foi incorporado pelo cristianismo.  Ele aparece lado a lado com o mais bondoso dos santos, aquele que distribui presentes às crianças.  Assim, ajuda a equilibrar as forças do bem e do mal, servindo como um freio social, como um lembrete de que  as  crianças precisam ser boazinhas e comportadas para ganharem presentes de Natal: presentes não vêm automaticamente .  Foi uma maneira inteligente de manter em cheque as crenças pagãs que teimavam em ressucitar.   Já no século IV da nossa era, o Papa Gregório, havia aconselhado Santo Agostinho a permitir que esse personagem pagão fosse incorporado às festividades desde que fosse rebatizado.  Krampus é o novo nome dessa entidade: Percht ou Perchta.  Bartl,  Ruprecht, Knecht Ruprecht, são alguns dos muitos outros nomes de Krampus.

Krampus e São Nicolau.

Perchta era uma deusa pagã da região alpina, que aparece em duas formas: ou sedutora belíssima, branca como a neve, ou como um demônio em trapos.  A ela cabia a vigilância dos animais no início do inverno e a visita às casas para se certificar de que a fiação da lã estava sendo feita corretamente.  Seu dia festivo era o dia 6 de janeiro e sua festa foi incorporad às festas da Epifania no calendário cristão.

São Nicolau acompanhado por Krampus, cartão postal 1901.

Até hoje, tradicionalmente, jovens rapazes das regiões Alpinas se vestem como Krampus – principalmente na cidade que é centro de comércio na Bavária, chamada Berchtesgaden, e desfilam acompanhando São Nicolau, durante as primeiras duas semanas de dezembro.

Procissão de São Nicolau acompanhado de seus ajudantes Krampus.  Região alpina da Alemanha.

Até 1969, quando a Igreja Católica Apostólica Romana retirou do seu calendário oficial a Festa de São Nicolau, celebrada no dia 6 de dezembro, grande ênfase dessa procissão e das travessuras feitas pelos rapazes vestidos de Krampus, era dada à noite do dia 5 de dezembro, véspera do dia da festa em que trocava-se presentes na região.

São Nicolau chega à cidade acompanhado de Krampus, cartão de Natal da Bavária.

Os rapazes reproduziam o que todos sabiam que Krampus fazia:  andavam sem objetivo nas ruas, alarmando as crianças, colocando medo naquelas que haviam se comportado mal e arrastavam pesadas correntes de ferro aumentando a algazarra.  A imagem de Krampus é aquele ser com uma longa língua vermelha, coberto de pelos, carrega correntes e tem na mão um freixo de galhos de madeira com o qual ameaça as crianças que se comportam mal ou que não sabem suas lições.

Krampus levando as crianças embora.

Na Áustria, Krampus pode mais comumente  ter chifres e cascos de cabra no lugar dos pés.  Sua aparência é a de um diabo, como é representado mais comumente.   Foi só no final do século XIX, por volta de 1890 que sua imagem começou a aparecer nos cartões de Natal acompanhando São Nicolau.   Aparecia frequentemente com os dizeres “Gruss vom Krampus” [Saudações de Krampus] ou com a frase “Brav Sein!” [Comporte-se!].

Menino ameaçado por Krampus.

No final do século XIX a popularidade de Krampus era grande e passou a fazer suas aparições também ao norte da Alemanha.

Krampus com as crianças.

Krampus estava sempre pronto a punir as crianças que não se comportavam.  E evidentemente colocava-as em fila e as levava para algum lugar.  Ainda não consegui descobrir para onde iam.

Visitas: São Nicolau e Krampus.  As crianças parecem apavoradas!

Saudações de Nicolau!

Krampus, São Nicolau, crianças e gatinho.

As visitas que Krampus fazia às casas das pessoas para verificar quem era bom e quem não era, não só fizeram algum sucesso nas artes gráficas como também, devidamente digeridas, sanitarizadas e embelezadas vieram a fazer parte do panorama cultural dos Estados Unidos, terra que acolheu imigrantes de todo o mundo cada qual com suas tradições e hábitos culturais.  O resultado são referências a tradições de outros lugares do mundo, no dia a dia americano.  No caso da celebração do Natal há uma evidente correspondência entre outros aspectos ao da letra de uma das músicas mais conhecidas de Natal, nos EUA: Santa Claus is coming to town. [Papai Noel está chegando].  Vejamos se não é uma referência a dupla alpina que ocupa as nossas atenções hoje?

You better watch out                                                  
You better not cry   
Better not pout 
I’m telling you why
Santa Claus is coming to town 
He’s making a list 
And checking it twice;   
Gonna find out Who’s naughty and nice 
Santa Claus is coming to town     
He sees you when you’re sleeping  
He knows when you’re awake 
He knows if you’ve been bad or good  
So be good for goodness sake! 
O! You better watch out!
You better not cry
Better not pout   
I’m telling you why
Santa Claus is coming to town 
Santa Claus is coming to town
——

É melhor tomar cuidado
É melhor você não chorar
Melhor não emburrar
Estou dizendo porque
Papai Noel está vindo para cá
Ele está fazendo uma lista
E verificando-a duas vezes;
Vou descobrir quem é levado e quem não é
Papai Noel está vindo para a cidade
Ele vê quando você está dormindo
Ele sabe quando  está acordado
Ele sabe se você foi mau ou bom
Então, seja bom pelo amor de Deus!
O! É melhor tomar cuidado!
É melhor você não chorar
Melhor não emburrar
Estou dizendo porque
Papai Noel está vindo para a cidade
Papai Noel está vindo para a cidade .

Não tenho mais informações sobre Krampus além de saber que  depois de quase desaparecer, voltou a ser invocado e a fazer suas trapalhadas na mesma região em que nasceu.  Krampus é hoje em dia um dos personagens que gera festas, eventos, e todo tipo de manifestação cultural na Áustria, na Bavária, na região alpina.

A seguir outras imagens de Krampus encontradas em cartões ou em postais de Natal.

São Nicolau e Krampus.

Menina implorando a Krampus.

Krampus entra em casa um pouquinho à frente de São Nicola…

Menina com boneco de Krampus na mão.

Papai Noel com boneco Krampus nas mãos.

Obra digital século XXI, Krampus no jardim, São Nicolau na casa.




Pintarroxo, o pássaro do Cartão de Natal por excelência!

3 12 2011

Pintarroxo, década de 1990

O pintarroxo, pássaro comum na Europa, no norte da África e ao oeste da Ásia, talvez seja o pássaro com maior participação nas representações do espírito natalino, no hemisfério norte.  Seu equivalênte na América do Norte, o Robin Americano, marca presença até os dias de hoje.

Ora aparece em grupos, ora sozinho.  Quase sempre piando, cantando, feliz da vida, pousado num galho de azevinho coberto de neve.

Cartão postal de Natal de 1913, com pintarroxos na cerca nevada.

Sempre aparecem com o peito estufado deixando aparente a plumagem avermelhada característica da espécie.

É representado repolhudo, com a plumagem eriçada, como os pássaros fazem para se esquentar no frio.

Cartão de Natal, EUA.

Cartão postal de Natal, Inglaterra.

Cartão postal de Natal, EUA.

Cartão de Natal, década de 1970: pintarroxo na paisagem.

Cartão postal de Natal, décadas de 1920-30 , período Art Deco, EUA.

Pintarroxos do peito vermelho em vôo.  Cartão postal de Natal,  1930.

Cartão de Natal, final do século XX, EUA.

Cartão de Natal com pintarroxo num tronco, neve e azevinho, EUA.
Sete pintarroxos em galho coberto de neve, cartão de Natal, por A.F. Lydon.

Pintarroxos são também os pássaros que se apresentam, na época de Natal, personificados, ou seja, agindo de maneira como dos homens:  trazendo cartas como carteiro, segurando velas, passeando com carrinho de bebê, como mostram as fotos a seguir.

Vestidos de carteiros, eles vêm entregar à janela os desejos de um Feliz Natal.

Uma família de pintarroxos passeia, empurrando o carrinho com dois bebês pintarroxos, na neve, Inglaterra.
Que toda a alegria possa iluminar as horas do seu Natal!” [acredito que seja da Inglaterra]

O bom pintarroxo, cartão de Natal da época Vitoriana, com mendigos, Inglaterra.

Pintarroxos com roupinhas de humanos, se alimentando na neve.  França, década de 1970.




Decidindo sobre os cartões postais de obras de arte

7 11 2011

Longos feriados em geral me levam a grandes projetos.  Não gosto de sair em mini-férias nas semanas com feriados.  Tudo fica muito cheio, o trânsito horrível, acabo cansada e irritada.  Esta semana com o feriado na quarta-feira fiquei sem saber se emendava para do domingo anterior ou para o domingo seguinte.  Acabou que não fiz nem uma coisa nem outra.  Só tirei “férias” das minhas atividades corriqueiras.  E comecei  — PERIGO!  — a organizar aquelas coisas que a gente sempre tem a intenção de arrumar e não consegue.  Fui checando diversos itens que estavam para serem revistos, portanto não se surpreendam se eu voltar a esse assunto nas semanas que seguem, principalmente porque já estou me preparando para continuar – e quem sabe conseguir terminar o que comecei — no dia 15, feriado nacional.

Desde que me mudei – passaram-se 14 meses! – estou para dar ordem a algumas das centenas e centenas de cartões postais que tenho.  Antes de me mudar para um local com menos espaço, selecionei todos os postais brasileiros de minha coleção, que haviam sido impressos na primeira metade do século vinte e mandei para leilão.  Mas guardei comigo outros tantos, quase todos de obras de arte. Por razões emocionais.

Na época em que precisei fazer provas orais de reconhecimento de obras de arte e estilos – parte do processo normal da finalização do curso de mestrado em história da arte, a maneira de estudar era através de cartões postais, que eu e meus colegas na universidade, mostrávamos uns aos outros testando os conhecimentos:  “ Isto é, Fantin-Latour, Natureza Morta.” “Ingres, Retrato de Mlle Rivière, 1805”; “Sátiro com bacantes, Clodion”; “Venus Consolando o Amor, Boucher”; e assim por diante.  As provas orais do mestrado eram divididas em 3 partes:  duas delas incluíam conhecimento geral, da Idade da Pedra ao momento presente com o reconhecimento darte projetada na tela.  E havia também a defesa da tese de mestrado.  Era a prova oral de reconhecimento das obras de arte, esta a que me referi ainda agora, em que os slides eram projetados por 30 segundos, mais ou menos, quando tínhamos que reconhecer e identificar o que estava sendo projetado, que era a parte que mais nos dava medo.  Mesmo a segunda fase desse torneio de reconhecimento de obras de arte, aquela em que  o aluno tinha que dar uma pequena aula de cinco minutos  sobre o que estava na tela, não apavorava tanto, parecia  mais fácil, porque dava tempo de pensarmos: cinco minutos para cada projeção, além é claro da possibilidade de uma boa dose de “embromol” [que diga-se de passagem, ao contrário do que muitos pensam, não é uma invenção brasileira].  Mas a parte de identificação era muito traumática, a meu ver, porque tínhamos que fazê-lo na hora, de imediato, “na lata”, qualquer obra da Idade da Pedra ao presente.

As provas orais para o doutoramento também se dividiam em duas partes, duas provas orais: a defesa da tese de doutoramento e a parte que incluía identificação [ao acaso] e até de obras sem autor conhecido para você atribuir e dizer porque atribui.  Essas eram em dias separados.  Mas sempre me pareceram mais fáceis porque eram obras [pintura, escultura e arquitetura] dentro da sua área de especialização, e é claro, tínhamos a obrigação de saber.  Passáramos anos a fio estudando exclusivamente um determinado período da história para isso mesmo, para sermos especialistas.

De modo que os muitos cartões postais de obras de arte que tenho comigo têm um simbolismo grande.  Alguns já estão amarelando.  Se levar em consideração as fotografias modernas muito mais precisas do que as do passado, devo me desfazer deles. Mesmo assim não tive coragem de jogá-los fora, pelo menos alguns deles.  Vou dizer a razão.

A pergunta que me preocupou nesses dias: devo me desfazer deles ou não?  É difícil. E é difícil responder de maneira satisfatória.  Mantê-los é  de um luxo, que viver no Rio de Janeiro talvez não me permita desfrutar: o espaço para guardá-los é preciosíssimo.   Por outro lado, já não olho mais para esses postais.  Na maioria das vezes quando penso em algum quadro corro para a internet e o acho.  Mantive os postais por acreditar, que tinha obras reproduzidas em postais que eu considerava de artistas muito pouco conhecidos.  Eles vinham das minhas viagens [não há historiador da arte que se preze que não viaje, porque não há como ver um quadro a não ser em pessoa] ou de amigos e familiares que visitaram lugares distantes, digamos a Eslovênia, ou a Ucrânia, ou até mesmo lugares mais corriqueiros, mas em datas onde já havia outras edições de postais.  Essas pessoas gentilmente traziam imagens das obras de arte encontradas em museus locais.  Meu pai chegou ao extremo de num tour da Europa me trazer uma maleta repleta de cartões postais de obras de arte, pesadíssima, que ele, um cardíaco, não deveria ter-se aventurado a  carregar, todos postais únicos, não repetidos entre si, só para me ajudar na difícil tarefa de sucesso nas provas orais.

A surpresa é que hoje já encontro muitas, a maioria dessas obras de arte, na rede.  E estou grata por isso.  Artistas cujos trabalhos pareciam tão fora do meu alcance ou dos olhos de qualquer um de nós, agora estão simplesmente a alguns cliques dos meus olhos. E essa é uma das maiores vantagens da rede.  O acesso ao conhecimento, mesmo que esse conhecimento se resuma a uma familiarização visual, está muito próximo.  Democraticamente próximo.  Exceto que temos que ter o conhecimento prévio do que queremos para poder achar.  É preciso saber procurar, e é aí que vem o conhecimento não só dos artistas, mas de línguas também, não só do inglês e do francês.  Um historiador da arte precisa pelo menos ler em alemão, não importa a sua área de especialização.  Diz o ditado que quem procura acha.  Mas quem procura precisa saber daquilo que quer achar…

No meu campo, nas artes visuais, por causa dessa educação mais abrangente que engloba muito mais do que o mínimo necessário, há países que se destacam com a riqueza das imagens que encontramos na rede.  Os Estados Unidos, Inglaterra  e  Canadá são hors-concours, realmente tenho a impressão de que tudo deles está na rede, ainda que seja só impressão.  E muito do que está na rede é para ser usado, para ser divulgado, os museus não fazem pequenos truques para evitar a reprodução na rede de suas obras de arte como encontramos por aqui.  Está tudo aberto, aberto ao público, a todos.  Devo lembrar que a Rússia não fica atrás.  Há portais russos oficiais e de amantes das artes que batem de longe muitos dos portais que encontro por cá, com reproduções em grande resolução,  com  clareza de informações.  Muito bons também são os portais quer oficiais, quer de amantes das artes dos Países Baixos (incluo entre eles a Holanda e a Bélgica).  A França tem um maravilhoso leque de imagens das obras em seus museus, mas, típico daquele país,  a maioria delas postada pelos próprios museus e consequentemente pelo governo.  O público em geral é mais retraído.  A Itália é muito pobre nesse âmbito, pouquíssima informação extra-oficial.  A impressão que tenho da Itália, pelos portais nas artes visuais é que o italiano ainda está numa outra era da vida na rede.  No Brasil a vida na rede está em grande parte nas mãos de adolescentes ou jovens adultos com pouca escolaridade.

O que me fascina  nas artes visuais na rede são as pessoas que “dividem” os seus conhecimentos, as suas obsessões com as artes e estas estão justamente nos países em que a instrução é levada a sério.  No caso brasileiro, encontro muito pouco da produção nacional de obras de arte ao alcance do público.  Temos falta da participação das organizações oficiais, tais como museus de arte, museus históricos.  Não temos um cadastro das obras encontradas em cada museu brasileiro – como há ao alcance de todos na rede francesa — e há acima de tudo a falta do “amador” no Brasil,  daquela pessoa que é digamos, engenheiro, técnico de fertilização in vitro, técnico na agricultura, o bancário,  taxista, pessoas que amam a arte, ou amam alguma coisa, maior do que si mesmos, que se disponham a dividir com o mundo, com outros brasileiros,  aquilo de que gostam, aquilo que ocupa sua imaginação.  Falta aquela pessoa que queira dividir com o público, ou com outros aficionados o que tem, o que conhece, o que o deslumbra, sem a intenção de lucro.  Aqui todo mundo quer dinheiro pela informação.  Há um consenso cultural de que informação é coisa preciosa e que se você quiser saber terá de pagar por isso.  É uma das muitas conseqüências do viés da inequalidade brasileira.  Falam muito do capitalismo americano, mas nos portais americanos, canadenses, ingleses, encontramos o apaixonado, o colecionador, a pessoa que gostaria de dividir com o mundo aquilo de que gosta, aquilo que sabe.  É nesses países, as estrelas do capitalismo, que encontramos o maior conhecimento ao menor preço. Vejam os blogs de cidadãos desses países, eles não se limitam a diários da minha aventura amorosa da noite passada.    Na rede, no Brasil, o que encontramos nas arte visuais, a maioria deve ser paga, ou precisa de conhecimentos especiais…  O acervo dos nossos museus na rede é ridículo,  e além disso, quando encontrado depende de fotografia de baixa resolução, são portais em geral  mal elaborados.  Esse é o reflexo, em grande escala, da falta de instrução, da falta de um conhecimento um pouco acima do mínimo requerido para a sobrevivência do corpo.  Dizem que estamos com uma deficiência de quesitos morais, que perdemos a noção dos valores.  Mas valores são adquiridos quando passamos do limite da instrução mínima necessária.  A vida interior não pode, nem deve, ser domínio único da religião.  Há outros caminhos para uma vida interior rica, generosa, excitante e capaz.  São esses caminhos os que nos ajudam na criatividade, na liderança, no pulo do gato da ciência.  As artes são um deles.  As ciências também.  O conhecimento é a grande alavanca da criatividade e de valores morais.

Ah, sim, a decisão: vou manter os cartões postais de arte brasileira.  A maioria ainda não está na rede.

©Ladyce West, Rio de Janeiro: 2011





O mundo em 11 x 16 cm — cartões postais para onde foram?

15 08 2011

Modelo escrevendo cartões postais, 1906

Carl Larsson ( Suécia, 1853-1919)

Meu avô materno me apresentou ao passatempo de colecionar cartões postais e com isso plantou as sementes da viajante em mim, um grande desejo de conhecer o mundo.  Ele descobriu outros países a trabalho, mas sempre achou uns minutos para mandar cartões postais variados, com pequenas notas de viagem para cada membro da família: três filhas, esposa, netos, genros e amigos.   Vem desse tempo a minha fascinação por postais.  Talvez tenha sido nessa época o início do meu gosto pelas artes gráficas.  Não sei.  Mas cartões postais fizeram parte de toda a minha infância e adolescência: do Oiapoque ao Chuí, do Senegal à Suíça, o mundo se descortinava para mim, com cada visita do carteiro.  O formato era o mesmo, um envelope comum de 11 x 16 cm, mas o conteúdo, ah… como variava!   Havia os cartões com fotografias de locais pitorescos, dos principais monumentos do mundo; havia os postais com bonequinhas com roupas de diferentes regiões dos países europeus, bordadas no cartão e alguns postais com curiosidades esdrúxulas: da feira de produtos agrícolas da Sérvia, aos tocadores de cornetas na Suíça, com seus instrumentos tão longos que pousavam na terra, em gramados impecáveis por entre as montanhas alpinas.  Havia também os postais que eram fotos de vovô: à beira do Lago …, nos Jardins de Luxemburgo…  Cartões que hoje imagino terem sido tirados em lambe-lambes locais ou seus equivalentes no estrangeiro.  Os postais do Brasil eram sempre em preto e branco, alguns mais avermelhados,  com o nome dos locais escritos em branco sobre as fotos.   Alguns postais eram quase desenhados, fotos trabalhadas com tinta e coloridos posteriormente…  Além, dos cartões postais com desenhos interessantes:  na Páscoa pintinhos e ovos ou no meu aniversário, uma cestinha com gatinhos falando em francês: Joyeux anniversaire!

Recentemente tive a idéia de voltar a alguns dos lugares brasileiros cujos postais guardei por tanto tempo.  A maioria está irreconhecível!  Aí sim, vemos o crescimento populacional, as mudanças na paisagem.  Estive em Teresópolis, no estado do Rio de Janeiro, com um cartão nas mãos, para ver à distância o Dedo de Deus.  No meu cartão eu deveria estar num campo cheio de cavalos pastando…  Hoje, daquele mesmo ângulo eu estaria no meio de alguns edifícios de muitos andares.   Tudo mudou.

Postais da minha estadia na Argélia.

Ontem, passando os olhos nos blogs do The New York Times, encontrei o interessante artigo de Charles Simic, titulado A decadente arte de escrever postais [The Lost Art of Postcard Writing], que me trouxe uma enxurrada de memórias, não só de cartões recebidos como de cartões mandados, das centenas de postais que encaixotei soltos, amarrados em grupos com cordões plásticos, com elásticos, em caixas de sapatos, em álbuns, pulando de residência em residência, de guarda-móveis a guarda-móveis, resultado de uma vida de inúmeras viagens e de longas moradias em quatro diferentes continentes.  Charles Simic está correto: estamos perdendo o hábito de mandar postais, e certamente de escrevê-los.  Mas ainda há muita gente adepta… Vejam a quantidade de postais à venda nos jornaleiros dos pontos próximos a lugares turísticos ou a hotéis no Rio de Janeiro.

O postal para mim foi sempre uma maneira de fazer uma pausa no quarto de hotel, no café da manhã, no bar de praça européia.  Um momento de reflexão sobre onde eu estava e o que havia visto.  Nunca fui de escrever:  Saudades.  Gostaria que você estivesse aqui…   O envio do postal, já indica  que estou pensando em quem o recebe.  E saudades também são assim expressadas.   Esse sentimento tão pessoal, delicado e fluido, quase melancólico não pertence, a meu ver, a uma mensagem que se encontra descoberta, exposta a qualquer um, nua, avidamente devorada pelos olhos de quem quer que manipule o cartão.  É pessoal demais…  Meus recados em postais são sempre baseados naquilo que eu diria para a pessoa a quem endereço as mensagens caso estivesse contando a minha viagem.  Sempre fui prolífica, principalmente com o pessoal da família.  Já até tive que colocar postais em envelopes, porque houve lugares – todos em países comunistas — em que os Correios achavam que tinha escrito demais no cartão, que já contava como carta…   Prolífica, todos que lêem esse blog já sabem que sou …

Cartão postal de Ghardaia [Pentápolis] — A praça do mercado

Querida mamãe: É assim mesmo!  O mercado na praça de Ghardaia.  Não tem o que tirar nem por. Você não pode imaginar o labirinto de ruas de +- 1,50m a 2m de largura pelo centro da cidade à medida que se sobe o morro para se chegar à mesquita no topo.  Só se vê homens – o meio de transporte é o burrico.  As mulheres que se vê têm véu e só deixam um olho aparecer.  Elas se viram de encontro à parede quando um homem passa.  Beijoca, L…

Cartão postal de Beni-Isguen [Pentápolis], cemitério do Palmeiral.

Querida mamãe: Este tipo de arquitetura dos oásis de Ghardaia, foi o que inspirou a arquitetura de Le Corbusier quando ele fez a Capela Ronchamp.  Outros arquitetos famosos como Frank Lloyd Wright também foram muito influenciados pela arquitetura dos Mozabites.  Beijocas, L…

Mostro o que escrevi, mas não me considero uma excelente “escritora” de postais. Isso porque tenho amigos que parecem mais sucintos, mais interessantes nas suas observações.  Recebi uma vez um cartão postal de um amigo que visitava Petrópolis, com a foto da casa de Santos Dumont, uma única frase:  Ele já morava nas alturas… para a volta à Torre Eifel foi um passo… Taí… Diferente… a continuação de uma conversa jogada no ar… Maravilha!

Charles Simic em sua postagem menciona algumas outras observações em postais feitas por amigos e lembra que não conhece nenhuma coletânea de escritos de cartões postais como as que existem de cartas, mas que se houvesse,  está certo de que a coletânea seria bastante interessante.    Pessoas que por uma frase, ou por uma observação revelam-se aos amigos de forma mais que imprevisível. Há muitos exemplos e Simic nos dá um bem humorado:

Queridos Mamãe e Papai, perdemos nosso último centavo e chegamos ao limite dos cartões de crédito em Las Vegas e estamos pegando carona desde então, às vezes passando a noite na cadeia de modo que pudemos tirar vantagem das cozinhas locais providenciadas pelas polícias do Texas.  Vocês vão gostar de saber que um padre levado à cadeia por dirigir bêbado e com quem dividimos uma cela recentemente nos disse que parecemos um casal de antigos mártires cristãos.  Os noivos.  

[Dear Mom and Dad, We lost our last penny and maxed our credit cards in Las Vegas and have been hitchhiking ever since, spending a night in jail at times so we could avail ourselves of whatever local cuisine the law enforcement provides in Texas. A priest arrested for drunken driving who shared our cell recently told us that we look like a couple of early Christian martyrs, you’ll be happy to hear.  The Newlyweds]

A comunicação entre amigos e familiares mudou muito.  O telefonema internacional está do tamanho do bolso de quem viaja e as fotos digitais nos fazem participar das viagens de nossos amigos quase em tempo real.  Neste verão tive uma inundação de emails com fotografias das diversas aventuras internacionais de amigos e conhecidos e confesso que, como Charles Simic, senti saudades da comunicação por cartão postal.  Os avanços tecnológicos são facas de dois gumes: ao mesmo tempo que participamos gratuitamente do desenrolar de uma aventura, de uma viagem especial de nossos amigos e familiares, também temos nossas caixas postais entupidas por emails com fotografia mal tiradas, muitas vezes de celulares, onde vemos Fulano com a Torre Eifel ao fundo, Beltrano na muralha da China, e até o café da manhã de Sicrano na Polônia…   Será que precisamos mesmo dessa intimidade toda?

Se não recebemos as fotos por email, temos a coleção das mesmas estampadas nas nossas páginas no Facebook, como se todos os momentos das vidas de quem conhecemos fossem de interesse absoluto e essencial para todos os que dali participam.  Voltamos de uma maneira tortuosa ao passado, às noites em que nos reuníamos na companhia de parentes para ver uma infinita coleção de slides documentando as “férias fabulosas” de nossos conhecidos, dos nossos familiares, que apareciam em frente aos pontos turísticos mais conhecidos do mundo.  Um exercício de paciência e de sono contido.  Uma verdadeira maratona que testava a amizade e o amor ao próximo.   Pelo menos hoje em dia, podemos colocar uma ou duas observações em fotos no site de relacionamento e dar por encerrada a atividade voyeurística.

Praça Paris, cartão postal,  coleção Flicker, favaro JR.

A vantagem do cartão postal está na seleção da foto, que é sempre de qualidade.  E na breve mensagem escrita à mão, que revela a quem o recebe as características de quem o enviou.  Há também uma dupla filtragem, coisa maravilhosa, de forma e conteúdo: as escolhas da imagem do cartão e do texto.  A atividade requerida em escrever um texto que irá viajar pelo mundo, já pede que pensemos no que dizer e como dizer; enquanto que a escolha do que mostrar, da foto, da imagem que mandamos, também nos dá a oportunidade de dividir com uma pessoa específica um ponto de vista, um enfoque, uma ironia, uma piada, um carinho.  A facilidade da foto digital, mandada por email ou através de sites de relacionamento permite que não se selecione, nos permite a auto-indulgência, a promiscuidade visual.  Não há triagem, não há exigência.

Além disso, o cartão postal oferece não só uma visão do lugar que se visita, mas também, e não menos importante, uma visão do que o povo daquele lugar que se visita considera importante para que os turistas se lembrem daquele local.  Há uma troca. Quando morei na Argélia, por exemplo, tive grande dificuldade de encontrar cartões postais que refletissem o que via à minha volta.  Muitos dos postais eram reimpressões de outra época no país, quando ainda fazia parte da França.  À minha volta as coisas eram diferentes e essa discrepância me incomodava.  E, como havia muitos lugares onde não era permitido se fotografar – o governo não dava muita liberdade nem a turistas nem a residentes temporários como nós – ficava difícil poder repartir as minhas experiências com familiares e amigos.

Cartão postal, Praia de Copacabana, Rio de Janeiro, coleção Flicker: rio antigamente

A recente exposição Turismo no Rio de Janeiro, no Espaço Cultural Fundação Getúlio Vargas, mostrou como o cartão postal serve de testemunha da história de um local.  Muitas vezes  fotos de fotógrafos amadores se perdem.  Fotos dos meios de comunicação concentram-se mais no dia a dia local.  São justamente os cartões postais as imagens que nos dão uma idéia mais sistemática do crescimento de uma comunidade, de seus valores e de seus encantos.  E porque são produzidos aos milhares, têm uma melhor chance de serem preservados.

Da próxima vez que você viajar, mande um postal aos seus amigos e ajude a preservar a história daquele lugar, além é claro, de preservar a amizade e o carinho que você tem pelo seu correspondente.

©Ladyce West, Rio de Janeiro: 2011





Mais uns antigos postais de Natal — os anjos

24 12 2010

Cartão Postal, primeiras décadas do século XX, 1908-1912

E muitos países é o anjo no Natal  não está só associado ao aviso aos pastores sobre o nascimento do Menino Jesus.  Em muitos lugares os anjos são quem trazem  a árvore de Natal, ou que a acende.

Anjo acendendo velas na árvore, cartão postal de 1910-1920.

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Anjo de Natal com guirlanda, data desconhecida, cartão de Natal.

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Anjo de Natal, França, 1900

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Cartão de \Natal, França

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Cartão de Natal, Estados Unidos.

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Cartão de Natal, Inglaterra.

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Anjo do Natal, trazendo a árvore…  Grã Bretanha.

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E aqui ele vem acompanhado de São Nicolau [ hoje, aqui no Brasil, Papai Noel]

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Cartão de Natal, França.




Antigos cartões postais de Natal I

2 12 2010
Cartão postal francês com desejos de um Feliz Natal, de 1944 (durante a 2ª Guerra Mundial)

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Cartão de Natal, americano, 1925.

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Cartão postal francês, Viva São Nicolau, 1943.

 

Cartão postal francês, Feliz Natal, 1910.