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Canto das esferas, s/d
Lilian Westcott Hale (EUA, 1881 -1963)
óleo sobre tela, 133 x 114cm
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Ilustração, autoria desconhecida.–
Lenços brancos, acenando,
para a Maria Fumaça,
que vão, também retirando
o “cisco” que o olhar embaça!
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(Therezinha Radetic)
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Ilustração, Emiliano Ponzi.–
Liberdade é conviver
com sua própria razão,
sem a niguém ofender,
nem magoar o coração.
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(Durval Lobo)
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Em: O sabiá dos sabiás: homenagem ao 1º centenário de nascimento de Adelmar Tavares, Academia Brasileira de Trova, Rio de Janeiro, 1988, p. 42
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São gêmeos o riso e o pranto,
em doce-amargo torpor,
porque a lágrima vem tanto
no prazer como na dor…
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(Venturelli Sobrinho)
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Os antigos gregos tiveram um papel importante no desenvolvimento do alfabeto. As duas primeiras letras do alfabeto grego chamam-se Alfa e Beta. Juntas elas nos deram a palavra alfabeto que significa o conjunto de todas as letras que escrevemos que são usadas na língua que falamos. A palavra alfabeto é uma herança cultural de mais de 2.800 anos! Esta palavra — alfabeto — é muito semelhante, quase igual, nas linguas faladas no mundo ocidental. Senão, vejamos:
Português — alfabeto
Espanhol — alfabeto
Francês — alphabet
Italiano — alfabeto
Inglês — alphabet
Alemão — alfabet
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Antônio Rocco (Itália, 1880 – Brasil, 1944)
óleo sobre tela, 50 x 60 cm
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Carmen Freire
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Nascida na ternura ou na tristeza
Límpida gota dos orvalhos d’alma
Tu, lágrima saudosa, muda e calma,
Que força enorme tens nessa fraqueza?
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Possuis mais que o poder da realeza,
Quando és filha da dor que o pranto acalma,
E, qual gota de orvalho em verde palma
À pálpebra chorosa ficas presa!
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Estrela da saudade, flor de neve,
Que o vento da tristeza faz brotar,
Amo o teu brilho nessa luz tão breve
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De breve globo teu… imenso mar
Cujos fundos arcanos não se atreve
Nem se atreveu ninguém jamais sondar!
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Em: Poetas cariocas em 400 anos, selecionados por Frederico Trotta, Rio de Janeiro, Editora Vecchi: 1965, pp. 176-177 —
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Carmen Freire, Baronesa de Mamanguape, nasceu no Rio de Janeiro em 1855. “De família de poucos recursos, aos 13 anos torna-se Baronesa de Mamanguape, pelo casamento com o senador e latifundiário Barão Flávio Clementino da Silva Freire. Faleceu em 1891, quase ao mesmo tempo que o marido, depois de uma rápida enfermidade.
“Espírito de grande versatilidade e atraída pela literatura e artes, Carmen Freire se notabilizou pelas famosas tertúlias poéticas, realizadas em seu palacete, com a presença de literatos do tempo: Olavo Bilac, Guimarães Passos, Paula Ney, Coelho Neto, Aluísio Azevedo, Pardal Mallet, Rodolfo Amoedo...” [para mais informações veja: Dicionário crítico de escritoras brasileiras 1711-2001, Nelly Novaes Coelho, São Paulo, Editora Escrituras: 2002]–
Obras:
Visões e sombras, 1897, poesia (póstuma)
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Cláudio Dantas (Brasil, 1959)
óleo sobre tela, 70 x 100 cm
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No fim de semana passado li o artigo Is music the key to success? de Joanne Lipman no The New York Times, onde a autora relata um fato curioso: muitas das pessoas de sucesso nos EUA tiveram anos e anos de dedicação à música. E mesmo que não tenham levado adiante a profissão de músico — os exemplos são muitos: Condolezza Rice, Allan Greenspan, Bruce Kovner entre outros – essas pessoas se referem à educação musical como importante em suas vidas profissionais.
Levando em consideração as diferentes interpretações de sucesso, gostaria de me adicionar à lista das pessoas que sentem que a educação musical foi importante no desenvolvimento profissional. Tenho consciência, já há muito tempo, que por menores que sejam as minhas conquistas pessoais, todas foram, até certo ponto, conseqüência de dois treinos que recebi muito cedo: o estudo de uma língua estrangeira, no meu caso o francês, que comecei a estudar aos 9-10 anos; e os anos de aprendizado do piano, começados mais ou menos aos 11 anos, o que já era considerado ‘tarde’ quisesse eu ter me dedicado a uma carreira musical como pianista.
O primeiro ensinamento que esses cursos extra-curriculares me deram foi: disciplina, disciplina, disciplina. Segundo: repetir, repetir, repetir até fazer certo. Depois, “errar é aprender”. E voltar a fazer a mesma coisa, inúmeras vezes, e uma vez mais ainda quando a língua ou os dedos já estão cansados, quando a exaustão parece querer nos dominar, até fazer certo. Isso foi válido para o francês e certamente para o piano.
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Ingres Speltri (Brasil, 1940)
óleo sobre madeira, 50 x 70 cm
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O francês se tornou a minha segunda língua e só não se impôs mais fortemente, porque fui fazer todo o meu treino profissional como historiadora da arte nos Estados Unidos. Mas o piano foi mais do que um hobby, muito mais do que uma complementação na educação, ele foi meu amigo do peito na adolescência, lugar onde derramei as lágrimas de frustração e de alegria como jovem rebelde. Ambos os treinos vieram a ser essenciais na minha vida adulta. Fui fazer a faculdade de letras em francês que abandonei para seguir história da arte, onde eventualmente acabei envolvida com diversos períodos da arte belga, cultura parcialmente francófona.
O piano permaneceu como uma enorme ferramenta para a introspecção. Diferente dos que se dedicaram por um pouco mais de dez anos de aprendizado, nunca cheguei a ser uma grande intérprete. De todos os compositores para tocar prefiro Bach. De longe. Porque faz sentido. É lógico. Ele acerta os meus ponteiros internos.
Mas – e agora é que vem o ponto estranho do meu relacionamento com o piano – sempre me dediquei mais aos exercícios de escalas do que a qualquer outro tema. Poderia e posso passar umas quatro horas ao piano aumentando as dificuldades a cada volta, sem me aborrecer [certamente devo frustrar os que por acaso me ouvem]. Não sou uma pessoa dedicada à música como performer; sou uma pessoa dedicada ao encantamento provocado pela repetição de uma escala, com variações cada vez mais difíceis, quando meus dedos mecanicamente repetem os movimentos ao correr do teclado, repetidamente, incessantemente. Há cinco anos pratico ioga e a meditação. O resultado é semelhante. Não é igual. Acredito que o efeito dessa disciplina, da repetição do som e do exercício das mãos, seja como rezar o terço, o rosário, em voz alta, nas igrejas. Há aquela magia do som repetido infinitamente, a muitas vozes, um coro ritmado e mecânico, que eleva a alma, e a leva à outra realidade, que não é desse mundo, que não é de outro mundo, é entre – mundos. Preciso desse lugar para equilibrar o meu interior, minhas emoções, diariamente.
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Jovem lendo,ilustração de Joseph Christian Leyendecker.–
Ante a investida do mar,
no seu vaivém tão constante,
penso na vida a passar,
um vai-sem vem incessante.
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(Margarida Ottoni)
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Aula de aritmética, s.d.
Nicolai Bogdanov-Belsky (Rússia 1868-1945)
óleo sobre tela
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No ano de 1840 frequentava eu o Colégio de Instrução Elementar, estabelecido à rua do Lavradio n. 17, e dirigido pelo Sr. Januário Matheus Ferreira, a cuja memória eu tributo a maior veneração.Depois daquele que é para nós meninos a encarnação de Deus e o nosso humano Criador, foi esse o primeiro homem que me incutiu respeito, em que macatei o símbolo das autoridades. Quando me recolho da labutação diária com o espírito mais desprendido das preocupações do presente, e sucede-me ao passar pela rua do Lavradio pôr os olhos na tabuleta do colégio que ainda lá está na sacada do n. 17, mas com diversa designação; transporto-me insensivelmente àquele tempo, em que de fraque e boné, com os livros sobraçados, eu esperava ali na calçada fronteira o toque da sineta que anunciava a abertura das aulas. Toda minha vida colegial se desenha no espírito com tão vivas cores, que parecem frescas de ontem, e todavia mais de trinta anos já lhes pairaram sobre. Vejo o enxame dos meninos, alvoroçando na loja, que servia de saguão; assisto aos manejos da cabala para a próxima eleição do monitor geral; ouço o tropel do bando que sobe as escadas, e se dispersa no vasto salão onde cada um busca o seu banco numerado. Mas o que sobretudo assoma nessa tela é o vulto grave de Januário Matheus Ferreira, como eu o via passeando diante da classe, com um livro na mão e a cabeça reclinada pelo hábito da reflexão.Usava ele de sapatos rinchadores; nenhum dos alunos do seu colégio ouvia de longe aquele som particular, na volta de um corredor, que não sentisse um involuntário sobressalto.
Januário era talvez ríspido e severo em demasia; porém, nenhum professor o excedeu no zelo e entusiasmo com que desempenhava o seu árduo ministério. Identificava-se com o discípulo; transmitia-lhe suas emoções e tinha o dom de criar no coração infantil os mais nobres estímulos, educando o espírito com a emulação escolástica para os grandes certames da inteligência.Os modestos triunfos, que todos nós obtemos na escola, e que não vêm ainda travados de fel como as mentidas ovações do mundo; essas primícias literárias tão puras, devo-as a ele, a meu respeitável mestre que talvez deixou em meu ânimo o gérmen dessa fértil ambição de correr após uma luz que nos foge; ilusão que felizmente já dissipou-se. Dividia-se o diretor por todas as classes embora tivesse cada uma seu professor especial; desse modo andava sempre ao corrente do aproveitamento de seus alunos, e trazia os mestres como os discípulos em constante inspeção. Quando, nesse revezamento de lições, que ele de propósito salteava, acontecia achar atrasada alguma classe, demorava-se com ela dias e semanas, até que obtinha adiantá-la e só então a restituía ao respectivo professor. Meado, o ano, porém, o melhor dos cuidados do diretor voltava-se para as últimas classes, que ele se esmerava em preparar para os exames. Eram estes dias de gala e de honra para o colégio, visitado por quanto havia na Corte de ilustre em política e letras. Pertencia eu à sexta classe, e havia conquistado a frente da mesma, não por superioridade intelectual, sim por mais assídua aplicação e maior desejo de aprender. Januario exultava a cada uma de minhas vitórias, como se fora ele próprio que estivesse no banco dos alunos a disputar-lhes o lugar, em vez de achar-se como professor dirigindo os seus discípulos.
Como e porque sou romancista, José de Alencar, Rio de Janeiro, Leuzinger: 1893 em DOMÍNIO PÚBLICO