O elefantinho, poesia infantil de Vinícius de Moraes

14 10 2013

elefante na janelaDesconheço a autoria dessa ilustração.  Se você conhece o autor, me diga. Obrigada.

O elefantinho

Vinicius de Moraes

Onde vais, elefantinho

Correndo pelo caminho

Assim tão desconsolado?

Andas perdido, bichinho

Espetaste o pé no espinho

Que sentes, pobre coitado?

– Estou com um medo danado

Encontrei um passarinho!

Em: A arca de Noé:poemas infantis, Vinícius de Moraes, Companhia das Letrinhas, São Paulo:1991





Brasil que lê: fotografia tirada em lugar público

13 10 2013

???????????????????????????????Cedo de manhã, Avenida Ataulfo de Paiva, no Leblon, RJ.




Anedota apócrifa sobre Isadora Duncan e George Bernard Shaw

13 10 2013

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Dizem que a famosa bailarina norte-americana Isadora Duncan, grande apreciadora da obra  de George Bernard Shaw, uma vez escreveu para esse escritor  irlandês dizendo que, pelos princípios da eugenia, eles dois deveriam ter um filho juntos.

— “Pense!”, disse ela entusiasmada,”com o meu corpo e o seu cérebro, que maravilha esse filho não seria!”

George Bernard Shaw não demorou a responder:

— “Sim.  Mas… e se nascesse com o meu corpo e o seu cérebro?”

*****





Quadrinha da humildade

13 10 2013

desculpaDona Cebola pede desculpas ao Seu Cebola, ilustração de Maurício de Sousa.

Quem não cultiva a humildade

dentro do seu coração

por orgulho ou por vaidade

não sabe pedir perdão.

(José Augusto Fernandes)





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos

9 10 2013

Antonio Henrique Amaral, Composição com frutas, 1980, ost, 76x76Composição com frutas, 1980

Antônio Henrique Amaral (Brasil, 1935-2015)

óleo sobre tela, 76 x 76 cm





Subúrbio, poema de Martins D’Alvarez

9 10 2013

Paisagem de subúrbio, 1930

Emiliano Di Cavalcanti  (Brasil, 1897-1976)

óleo sobre tela

Subúrbio

Martins D’Alvarez

Subúrbio…

Fim da cidade!…

Em frente fica a Estação,

ostentando na fachada

a tabuleta pintada

com nome e quilometragem

do rincão.

Por trás da estação,

há casas

e mato

e casas

e mato…

Ruas tortas, mutiladas…

Praças que se arrependeram…

Lá no alto, a capela branca…

E mato, cercas, buracos,

alguns becos sem destino;

boteco da Dona Guida…

Tudo cheio de menino.

De vez em quando,

bufando,

passa o trem pela estação.

Esse trem para o subúrbio

representa o coração,

a vida, no movimento

dos que vêm

e dos que vão.

Mas, o subúrbio é cardíaco,

o trem só anda atrasado,

daí o pobre coitado

sofrer da circulação.

De madrugada e de noite

é que o subúrbio desperta,

o casario se alegra,

não se vê rua deserta,

chove gente em toda parte,

ruge-ruge…

Vaivém.

E há quem acorde bem cedo

pra na birosca do Alfredo

castigar um mata-bicho

antes de tomar o trem.

Durante o dia,

marasmo,

pasmaceira,

fuxicada,

da turma desocupada

que não se foi pro batente.

Mexericos de comadres

que exibem secretamente

as nódoas da roupa-suja

guardadas por muita gente.

Só nos domingos de folga,

o subúrbio pega fogo…

Há de tudo para todos:

missa pra quem é de missa,

jogo pra quem é de jogo…

Há batida com feijoada,

dança, namoro, pelada,

briga, tragédia, conflito

que leva gente ao distrito

e, às vezes, não leva nada.

Subúrbio, fim de caminho…

Começo de outra jornada!

Em: Poesia do cotidiano, Martins D’Alvarez, Rio de Janeiro, Edições Clã: 1977.





Um gesto que fala: Paulo Coelho na Feira do Livro de Frankfurt

8 10 2013

GEORGINA DE ALBUQUERQUE (1885-1962) A Leitura ost, Ass. cid 42 x 32 cm.A leitura, s/d

Georgina de Albuquerque (Brasil, 1882-1962)

óleo sobre tela, 42 x 32 cm

No início de setembro uma pequena notícia, durante a Bienal do Livro, aqui no Rio de Janeiro, atraiu a minha atenção: descobriu-se que apesar das vendas de livros de ficção terem aumentado muito no Brasil, os leitores brasileiros preferiam a ficção estrangeira.  Preferem-na em grandes números.  A leitura de ficção no Brasil aumentou no último ano 42%, mas só tivemos 11% de aumento nas vendas do mesmo gênero por escritores nacionais.  Os brasileiros se recusam a comprar e a se render ao encanto dos escritores brasileiros. Isso não me pareceria normal não estivesse eu envolvida em projetos de divulgação da leitura. Sei que é verdadeiro. É uma daquelas nossas vergonhas, que varremos para debaixo do tapete, porque desvendá-la e trazê-la à luz, estragaria os prazeres de muita gente que se acredita responsável pela cultura nacional.

Aplaudo portanto o gesto de Paulo Coelho quando se recusou a participar como representante dos escritores brasileiros na maior feira de livros do mundo, a Feira de Frankfurt, na Alemanha, onde o Brasil é o país homenageado, este ano. Como divulgado pela Folha de São Paulo o escritor brasileiro mais vendido no mundo inteiro fez um ato de imolação a favor dos autores de ficção no Brasil, os verdadeiramente aclamados pelo público, aqueles que são lidos e relidos, e que representam a sociedade brasileira, de fato.

Reynaldo Fonseca, Leitura interessante, glicê, 55x65cm tiragem 10Leitura interessante

Reynaldo Fonseca (Brasil, 1925)

gravura glicée, tiragem 10

Paulo Coelho não aprova “a maneira como o Brasil representa sua literatura“.  Concordo.  Os critérios de escolha são uma incógnita.  Por que?  Porque uma feira como a de Frankfurt, uma feira comercial que tem representantes de editoras estrangeiras querendo fazer negócios, comprar livros brasileiros de autores brasileiros, deveria ser um local onde os escritores que mais agradam aos brasileiros, os escritores que mais vendem no Brasil, fossem escolhidos para nos representar. Por que imaginar que eles gostariam de comprar autores que não têm apoio dos leitores?  As editoras não são ONGS.  São negócios.  Vivem de comprar e vender.  Se não apresentamos autores vendáveis, roubamos de nós mesmos a oportunidade de fazermos a nossa cultura conhecida.

Fico surpresa com as escolhas de autores.  Como explicar, por exemplo, que escritores como Eduardo Spohr, Thalita Rebouças, André Vianco, Raphael Draccon só para citar alguns, não estejam na lista daqueles que representam o gosto do leitor brasileiro?  Alguns dos escritores brasileiros indo à feira só são fenômeno de vendas porque têm contratos governamentais.  Cadê na lista os escritores que conseguem se fazer sem qualquer desses apoios?  Que conseguem se apoiar em si mesmos, naquilo que escrevem?

Maria Sylvia cordeiro, menina lendo, ost 80 x 100Menina lendo, s/d

Maria Sylvia Cordeiro (Brasil, contemporânea)

óleo sobre tela, 80 x 100 cm

Manoel Costa Pinto disse que os autores escolhidos eram aqueles agraciados com os principais prêmios de literatura do país e com “qualidade estética”.  “Qualidade estética”?  O que é isso? E, sinceramente, escolher os autores que ganharam prêmios literários…  esse é justamente o problema do Brasil.  Na maioria da vezes damos prêmios a quem o brasileiro não lê e ignoramos acintosamente aqueles que são sucesso comercial. Eliminar quem é sucesso de vendas no Brasil é uma posição pretensiosa, de quem usa uma forma e quer que seus representantes sejam só desse ou daquele jeito, que caibam nos limites da “qualidade estética” do momento.  Isso é um posicionamento elitista de quem acredita que o leitor, que não subscreve certa política, certa filosofia, o leitor, que não leva a sério as considerações filosóficas dos “profetas” da nossa literatura,  é um ignorante, um imbecil, que não sabe escolher.  É uma posição anacrônica que não cabe numa sociedade pluralista, numa sociedade onde ler faz parte daquilo que se faz por entretenimento, por diversão, por gosto.

Vergonha nacional este tipo de escolha “que vem de cima”.  Esta lista nos rouba de uma melhor representação de quem somos para o mundo.  Uma vergonha que Eduardo Sphor, autor que já vendeu mais de 600.000 volumes no Brasil, não esteja lá nos representando, nem Vianco, nem Thalita Rebouças, nem Raphael Draccon que são autores com fã-clube no Brasil.  Pobre Brasil que continua a ver literatura como uma maneira de seleção de classe social, como um divisor de águas entre “os iluminados” e o povo. Estamos muito mal servidos, como em tudo o mais no país, para ser franca.





Quem tem “Medo de voar” com Erica Jong no dias de hoje?

6 10 2013

CRI_151186Aniversário, 1915

Marc Chagall (Rússia, 1887– França1985)

óleo sobre papelão , 81 x 100 cm

MOMA, Nova York

Foi com assombro que me lembrei hoje do livro de Erica Jong Fear of Flying [Medo de Voar — nos dias de hoje publicado no Brasil em formato bolso]. NPR [National Public Radio] nos Estados Unidos comemorou os quarenta anos da publicação desse livro que se tornou, quase imediatamente após sua publicação, um marco no movimento pela igualdade de direitos das mulheres.  Minha leitura desse romance, onde a heroína se dá ao direito de querer e gostar de ter uma vida sexual ativa, foi um tempinho depois da publicação. Eu estava na faculdade, nos Estados Unidos, quando o li e mesmo assim foi um livro de grande impacto.  Não era, nem pretendia ser, uma obra  de grande valor literário.  Mas foi marcante. Na época, eu morava em Baltimore e viajava todos os dias, ida e volta, de trem para College Park,  mais ou menos uma hora de viagem entre as cidades, para estudar na Universidade de Maryland.  Lembro-me de ler este livro nessas longas viagens de trem; e de que, encabulada com o realismo das cenas retratadas, encapei o volume com papel de presente, para não alardear o que eu lia.  A mente era pudica, mesmo que eu já fosse casada.  Na época eu era membro da NOW (National Organization for Women], totalmente engajada,  defendendo, o que considerava ser uma das maiores injustiças no mundo, um dos direitos femininos mais básicos, ainda não completamente satisfeito: a igualdade de salários entre os que fazem o mesmo trabalho.  Nunca voltei a ler Medo de voar.  Já sugeri sua leitura a algumas amigas. Tenho certeza de que se o relesse hoje perderia sua mágica, porque para tudo há o momento certo e revisitar o passado em geral desaponta.  Mas não podia deixar de marcar essa passagem assim como a própria NPR não pode deixar de fazê-lo.  É o retrato de uma época, de uma preocupação.  Um momento da história cultural.





Quadrinha das pedras no caminho

6 10 2013

jardinagem anne andersonIlustração de Anne Anderson

Quando as pedras do caminho
causam lágrimas e dores,
basta um gesto de carinho
para mudá-las em flores.

(Lucina Long)





Uma lista curiosa: livros abandonados em hotéis

5 10 2013

1948833

Ode a uma pilha de livros de arte, 2012

Paul Bloomfield (EUA, contemporâneo)

Óleo sobre tela colada em madeira, 60 x 50 cm

www.paulbloomfield.artspan.com

A cadeia de hoteis inglesa Travelodge recolheu no ano passado 22.648 livros que foram ou esquecidos ou abandonados em suas dependências.  Como acontece todos os anos, a companhia hospedeira conta e faz a lista completa dos livros encontrados.  No ano passado  50 tons de cinza foi o livro mais encontrado pela companhia.  Não é de surpreender já que foi um dos maiores best-sellers de todos os tempos no mundo inteiro.  Este ano, a mesma autora, E. L. James, encabeça a lista com o livro Cinquenta tons de liberdade.

Ver a lista dos mais abandonados, deixados, esquecidos ou lidos e deixados para trás nos quartos de hotel nos dá aquele prazer benigno da bisbilhotice.  Mas não deixa de ser uma curiosa maneira de constatarmos a popularidade de autores e títulos.  Aqui está então a lista do livros mais achados pelo pessoal do hotel.

1. Fifty Shades Freed, E.L. James
2. Bared To You, Sylvia Day
3. The Marriage Bargain, Jennifer Probst
4. Gone Girl, Gillian Flynn
5. The Casual Vacancy, J.K. Rowling
6. Fifty Shades Of Grey, E.L. James
7. Reflected In You, Sylvia Day
8. My Time, Bradley Wiggins
9. Entwined With You, Sylvia Day
10. Fifty Shades Darker, E.L. James
11. My Story, Cheryl Cole
12. The Marriage Trap, Jennifer Probst
13. Camp David, David Walliams
14. Call The Midwife, Jennifer Worth
15. Before I Go To Sleep, S.J. Watson
16. The Marriage Mistake, Jennifer Probst
17. The Racketeer, John Grisham
18. The Carrier, Sophie Hannah
19. Oh Dear Silvia, Dawn French
20. The Great Gatsby , F. Scott Fitzgerald

Fonte: Book Patrol