Imagem de leitura — Berthe Morisot

23 11 2014

 

 

Berthe_Morisot_Reading edmaLeitura, nome original: a sombrinha verde, 1873

[Edma Morisot lendo]

Berthe Morisot (França, 1841-1895)

Óleo sobre tecido, 46 x 71 cm

Cleveland Art Museum, Ohio, EUA





Ruminando sobre famílias, texto de Andréa Pachá

23 11 2014

 

Tarsila do Amaral, A família, 1925, ost, 79x101,5cm Coleção Torquato Sabóis Pessoa, SPA família, 1925

Tarsila do Amaral (Brasil, 1886-1973)

óleo sobre tela, 79 x 101 cm

Coleção Torquato Sabóia Pessoa, SP

 

É uma pena que os reencontros nem sempre suscitam os sentimentos de que o tempo não passa. Festas de família, amigos e  parentes afastados pelo fluxo natural da vida costumam, de alguma maneira, resgatar o frescor da juventude e a carinhosa atividade quando vez ou outra se juntam compulsoriamente na maturidade. Não é rara a transformação de velório, antessalas de hospitais, missas e Natais em datas de celebração da saudade e de desejo de reviver momentos nos quais a única preocupação era compartilhar as mesmas alegrias e os mesmos prazeres.

 

É verdade que nem todas as famílias e nem todos os amigos traduzem esse desejo. Há os que a vida sepulta e afasta para sempre, roubando de cada um o pedaço de humanidade e do que temos de melhor na experiência de dar e receber amor.

Eu olhava os cinco irmãos, todos com mais de meio século de idade, se acomodando para o início da audiência e me perguntava em que momento eles perderam a intimidade que seguramente existiu, ainda que em uma longínqua infância. Brincaram de pique e de amarelinha? Mataram aulas em segredo? Foram cúmplices nas traquinagens e nos primeiros amores?

Não se olhavam com saudade e, exceto pelo gesto de Letícia que aos 53 anos buscava acolhida nos ombro de Lígia, a mais velha, pareciam estranhos ou, no máximo, conhecidos.  Aos 62 anos de uma vida que não deve ter sido fácil, Lígia parecia mãe da irmã caçula. Os três do meio eram homens. Fisicamente se pareciam bastante, tanto pelos traços marcantes quanto pelo destino duro que a vida lhes impôs.

A mãe morreu quando todos já eram maiores de idade. Na ausência do pai, cresceram como foi possível. Econômicos nas manifestações de carinho, tinham urgência de sair rapidamente do fórum, cada qual com o seu compromisso. ”

 

Em: Segredo de Justiça, Andréa Pachá, Rio de Janeiro, Agir: 2014, pp: 102-103, capítulo 21: Acerto sem contas.





Trova do chapéu

22 11 2014

 

chapéu amarelo, al parkerChapéu amarelo, ilustração de Al Parker.

 

Que chapéu extravagante

dessa madame travessa!

Virou moda de elegante

– por chapéu sem ter cabeça!

 

(Eva Reis)

 





“Te tratarei como uma rainha”, de Rosa Montero: resenha

20 11 2014

 

_70026996_saturday_night_1993Jack Vettriano's Another Saturday Night is one of many paintings which explore the power of sexOutro sábado à noite, 1993

Jack Vettriano (Escócia, 1951)

 

 

Antes de mais nada friso que, há algum tempo, sou fã de Rosa Montero. Desde que me conquistou com a História do Rei Transparente, a escritora se tornou única no meu horizonte de ficcionistas: não só consegue se metamorfosear, como não tem me decepcionado a cada nova obra.

Te tratarei como uma rainha (originalmente publicado em 1983) em tom e temática se alinha com Instruções para salvar o mundo (2008). Vinte e cinco anos os separam. E ainda que as histórias sejam muito diferentes, há alguns paralelos significativos: as vidas pequeninas dos frequentadores de bares sórdidos; as decepções não mitigáveis das pessoas comuns; a solidariedade inesperada e quase aleatória entre os que sofrem; a vida à beira do abismo emocional de todos na trama. Estamos no mundo Montero, um mundo quase real, sem firulas e sem grandiosidade. Não há heróis. Sobreviver é um ato de determinação e rendição ao destino.

 

capaLivro-3102_macro

 

Adaptar-se à realidade dos sonhos desfalecidos, aos sofrimentos inesperados é um ato de coragem, nem sempre bem sucedido, quase sempre doloroso, principalmente para aqueles que descobrem que os anos passaram. Um dia acordam, veem seus ansejos escorridos nos ralos, desintegrados no esgoto emocional da sobrevivência: pobres, feios, gordos, velhos, drogados, desiludidos. Sós. Explorados pelos espertos, refugiados em seus ninhos baratos, sem aconchego, menosprezados, segurando-se aos poucos fios que ainda os mantêm com algum amor-próprio. Por fim, se encontram nos bares à noite, com um vago senso de comunidade. A decadência lhes é conhecida. Reconforta. Esta é a vida moderna no mundo de Rosa Montero.

E, no entanto a prosa se adequa ao realismo, perfeitamente objetiva. Não derramamos uma lágrima. A nós cabe contribuir com os sentimentos. Testemunhamos silenciosamente as limitações desses heróis do cotidiano. Acende-se a compaixão. Mas não há exploração emocional. Não fazemos parte de uma produção hollywoodiana que atrela sentimentalismo à narrativa. Ficamos conhecendo a dor do desapontamento, a frustração dos pequenos desejos insatisfeitos e o desespero que leva a acreditar naquela última e bem-vinda chance de realização. Um raio de esperança, um futuro um pouco mais benevolente. Todos esses sentimentos encontram eco em nosso âmago. Também já passamos por situações semelhantes. Quem nunca? Os personagens se humanizam e nós também.

 

author_rosa_monteroRosa Montero

Não há dúvida de que Rosa Montero se preocupa com a condição da mulher. É considerada uma escritora essencialmente feminista. E a consistência de seu anseio com a índole das mulheres que retratou em suas obras justifica esse rótulo. Não é diferente neste texto. O que agoniza é vermos que nada mudou nos mais de 30 anos desde que Te tratarei como uma rainha foi escrito. São três, as principais mulheres delineadas no romance. Cada uma representante de diferentes inquietações, todas, no entanto, na expectativa de realização através de uma ligação amorosa: a maturidade de Bela, a virgindade de Antonia e a procura por segurança de Vanessa. E elas sofrem. No fundo são ingênuas, mesmo as mais experientes. E acreditam. Acreditam nos homens que as cercam. Mas eles também são figuras tristes. E mesmo que sejam causadores, de fato, de muito sofrimento, são por sua vez merecedores da nossa compaixão: são limitados, têm a mente estreita e a braguilha perpetuamente aberta. São patéticos.

É difícil acreditar que 198 páginas concisas possam despertar a complexidade de considerações sobre a sobrevivência emocional no ser humano. Acredito que o mundo de hoje não seja nem um pouco diferente do de nossos antepassados. Os sofrimentos parecem ser semelhantes. Somos violentos com aqueles a quem mais amamos, esperamos mais da vida do que muitas vezes ela pode dar, limitamos nossas possibilidades às regras extrínsecas ao nosso bem-estar. É desolador perceber que pouco muda. Mas são histórias como essa que nos fazem pensar e quem sabe dar um passo a frente para que haja, no futuro, um maior equilíbrio entre sonho e realidade. Definitivamente um livro para ler. E ponderar.





Belém, soneto de Correa Pinto

18 11 2014

 

 

Landi-catedraldoparaA Catedral de Belém do Pará, gravura.

 

Belém

 

Correa Pinto

 

Três séculos e meio tens de idade

Mas, ao beijo do sol equatorial,

Reconquistas a eterna mocidade

Como a Iara em seu banho matinal.

 

Enfeitiçante e cálida cidade!

Encerras um mistério sem igual:

Longe de ti morre-se de saudade

Como quem lembra uma paixão sensual.

 

Na verde alcova de tuas avenidas

Ao capitoso aroma das mangueiras,

Como é romântico, Belém, te amar

 

Cidade em flor, que ao êxtase convida,

Bendigo as fortes gerações primeiras,

Que te plantaram entre o rio e o mar!

 

 

Em: A lira na minha terra: poetas antigos e contemporâneos no Pará, Clóvis Meira, Belém: 1993, p. 91-92

 

 

Augusto Correa Pinto Filho poeta, ensaísta, contista. Nasceu em Óbidos, Pará, em 1915. Faleceu em 1976 no Rio de Janeiro.

Obras:

Fascinação, poesia, 1943

Sonetos, poesia, 1964

Exaltação a Portugal, 1964

Oração da Humanidade, 1951

Perfil de Paulo Maranhão, 1956

Machado de Assis, ensaio, 1958

Belém: Imagens e Evocações, 1968

Fim, Análise de um Mundo que Morre, 1961.





Trova dos passarinhos

17 11 2014

 

 

pasarinho azul, Ariane Beigneux (1918, American)Ilustração de Ariane Beigneux.

 

Oh! quanta beleza… quanta!

nessa algazarra dos ninhos!

Parece até que Deus canta

pela voz dos passarinhos!

 

Joubert de Araújo Silva





Resenha de “O trem dos órfãos” de Christina Baker Kline

16 11 2014

 

Agostinho Batista,Trem(1978),29 x 44 cmTrem, 1978

Agostinho Batista de Freitas (Brasil, 1927-1997)

acrílica sobre tela, 29 x 44 cm

 

Daqui a dez anos, não vou me lembrar deste livro. O que ficará comigo da leitura de O trem dos órfãos? Fica o fato histórico, uma revelação mesmerizante, mesmo para quem está familiarizado com a história dos Estados Unidos: por mais de cinquenta anos houve um trem de órfãos. Mas é só. Só isso que ficará comigo. O resto não criou raízes, não me afetou. Na verdade me irritou muitas vezes quando me senti manipulada emocionalmente.

O título e a chamada na capa traseira da edição brasileira já preparam o leitor para um drama e direcionam a nossa opinião para uma injustiça social. “Entre 1854 e1929, os chamados ‘trens dos órfãos’ percorriam regularmente cidades da costa leste até fazendas do meio-oeste dos Estados Unidos, carregando milhares de crianças abandonadas cujo destino seria determinado simplesmente pela sorte”. Note-se que a sugestão de que nossas emoções serão testadas começa aí, quando faz-se a notificação de que o “destino[ das crianças] seria determinado simplesmente pela sorte”, ou seja que elas estariam abandonadas à sua sorte, por causa do trem que as levava.  Este é o alerta às nossas lágrimas e soluços, que vem da sugestão de que só o destino dessas crianças é determinado pela sorte, quando que sabemos muito bem que todo ser humano, assim como essas crianças, tem sua sorte determinada em grande parte por seu destino. Começamos, portanto, a leitura guiada, enviesada, para achar o ‘trem dos órfãos’ uma prática desumana e inaceitável.

 

O_TREM_DOS_RFAOS__1399996119B.jpg

Há um grande problema com releituras de fatos históricos: a tendência de julgarmos o passado com os olhos de hoje. O que eram práticas comuns em Roma antiga, por exemplo, não conseguem ser aceitas hoje: escravidão, estupro dos vencedores sobre as mulheres dos vencidos na guerra, relações licenciosas entre meninos e homens maduros. Não se aceita, no presente, que o dono de uma terra tenha o direito à primeira noite de núpcias da jovem com quem seu inquilino se casara, como podia acontecer em comunidades medievais. O comportamento humano é passível de mudança, mas qualquer historiador sabe que o ser humano é cruel com o seu semelhante. Mas sabemos também que as condições históricas de cada momento não conseguem ser pensadas com integridade, quando o leitor contemporâneo se encontra sentado no conforto de sua poltrona preferida, desfrutando de luxos como uma semana de 40 horas de trabalho, ar-condicionado para os dias de calor e um carro potente a levá-lo sem esforço a comprar os suprimentos necessários à sua vida. Sem maior conhecimento de história, não nos lembramos que esses luxos foram adquiridos só depois da segunda metade do século XX. E é aí que se encontra o ponto mais fraco do romance de Christina Baker Kline, a falta de contexto histórico que localize para o leitor as razões desse experimento social. Um bom romance com temática histórica implica uma revelação contextualizada. Nesse livro o contexto aparece superficialmente e com o viés moralista da atualidade. Não descobrimos claramente o porquê. Por que havia tantos órfãos ou crianças abandonadas nas ruas das grandes cidades americanas? Seria o mesmo fenômeno social apresentado nos livros de Charles Dickens, o escritor inglês que se distinguiu pela descrição dos moleques de rua, criminosos, na Londres vitoriana, como acontece em Oliver Twist? Não sabemos. A história centrada nos dois personagens que se opõe na idade mas que são semelhantes em sua exclusão social se apequena às experiências das duas protagonistas. O tema é muito maior… e se perde.

Um bom debate, caso esse livro chegue ao seu círculo de leituras, seria justamente descobrir que medidas tomar quando há um número extraordinário de órfãos, crianças abandonadas ou maltratadas. O ‘trem dos órfãos’ americano foi um experimento social que tinha como objetivo, proteger e melhorar as condições de vida dessas crianças. Pode não ter dado certo, ou pelo menos para alguns não deu certo, mas também foi capaz de dar casa e comida para muitos indigentes menores de idade cujo destino já se projetava nefasto, caso permanecessem onde estavam, abandonados nas ruas.

 

112421399995920G.jpgChristina Baker Kline

 

Quase todas as pessoas que encontrei gostaram da leitura de O trem dos órfãos, emocionadas com a trágica vida de Vivian Daly. Mas a trama é previsível e melodramática. Só faltava a orquestra de violinos em alguns momentos cinematográficos. Molly Ayer, uma menina quase adulta, que paga pela sua rebeldia com trabalhos sociais é um estereótipo, um personagem raso e improvável. A narrativa se apresenta com altos e baixos, aparecendo mais complexa só na descrição da nonagenária Vivian. Molly parece ter sido um personagem inserido posteriormente, como se uma obrigação – poderia ser a conselho do editor? — para contrabalançar a história de vida da velha senhora. Há momentos, principalmente a partir de meados do livro que a prosa parece ter sido escrita em um outro momento da autora e às pressas.

Tenho a impressão de que este foi um romance encomendado para o mercado jovem adulto. Muita emoção, muita reverberação fácil de questões de identidade, pouca preocupação com estilo. Não foi escrito com a intenção de permanecer na nossa imaginação dando frutos para experiências futuras. Não me surpreenderei ao ver essa história no cinema, onde garotas adolescentes encontrarão na sala escura, ambiente favorável ao debulhar de lágrimas tão necessárias para o equilíbrio das glândulas hormonais em desalinho. Dá saudades de grandes romancistas históricos contemporâneos como Philippa Gregory, Noah Gordon, Hilary Mantel entre outros escritores de ficção histórica.





Oportunidades perdidas, texto de Rosa Montero

15 11 2014

 

ALICE BRILL - Casario - OST - CID - dat 1988 - 79 x 42 cm.Casario, 1988

Alice Brill (Alemanha/Brasil, 1920-2013)

óleo sobre tela, 79 x 42 cm

 

“A máquina reduziu a velocidade e entrou em Bernal bufando. Antônia olhou pela janela, ainda meio tonta: uma estação vazia e quente; um carrinho de menino abandonado na plataforma; mais além, por cima das cercas onduladas, as torres de cimento de um bairro em expansão.  Antônia nunca tinha descido em Bernal, e esta cidade era para ela como um cenário de teatro: o costume havia convertido todo o itinerário em uma sucessão de cromos planos, de modo que Valbierzo era só os azulejos quebrados da estação; Valones, o relógio de marco de madeira que estava pendurado em um poste; e Bernal, estas plataformas e a ponta das torres sujas de cimento.  Mas agora Bernal adquiriu volume de repente, e Antônia compreendeu, pela primeira vez, que a cidade se estendia além do fragmento que abarcava a janela: centenas de ruas que nunca havia pisado, milhares de pessoas às quais nunca tinha visto. Engoliu saliva, deslumbrada frente a imensidão do mundo.  E se descesse? E se ficasse aqui? O colossal da ocorrência deixou-a sem fôlego. O trem tremia com respiração hidráulica e os minutos de parada se consumiam rapidamente. E se me levantasse, tirasse a maleta do compartimento, saísse dali, descesse do vagão? Que vertigem, que desfalecimento, que emoção. Estava com a passagem de volta, 5 mil pesetas que Antônio tinha dado para a mãe, 1.200 pesetas suas, uma muda de roupa interior, uma blusa sobressalente, uma camisola, as pantufas, uma escova de dentes, um pente, pó compacto, os remédios que o médico tinha receitado, uma garrafinha de plástico com colônia, dois lenços, as meias de seda da senhora Encarna, um pequeno estojo de cretone com utensílios de costura, uma jaqueta para o caso de fazer frio, um tubo de aspirinas, uma estampa de Niño del Remédio, um envelope com tirinhas, uma revista feminina. E se descesse? Agora era diferente. Agora as mulheres iam e vinham sozinhas para todos os lados, e eram médicas, e advogadas, e até policiais. Imaginou-se de pé na estação vazia, agarrada à sua nécessaire, contemplando como o trem apitava e se perdia ao longe, o caminho de Malgorta; tentou ir além e ver a si mesma saindo da estação em direção ao desconhecido, mas a cena desapareceu: era incapaz de imaginar aquilo que não conhecia. A locomotiva apitou, anunciando a saída. Agora, agora ou nunca, Bernal aí fora, esperando-a, Bernal imensa, cidade fabril, seca cidade da planície. Agora, agora ou nunca, mas o vagão rangia, e já começava a deslizar e Bernal resvalava lentamente ao outro lado da janela e suas dimensões contraíam-se ate fechar de novo no cromo plano e conhecido.

Antônia encostou-se no assento e suspirou com decepção e alívio. O trem ia adquirindo velocidade e atravessava já colinas nuas a caminho de Ruigarbo. O rapaz continuava lendo com o livro apoiado na opulência de suas coxas, o avô cuspia os brônquios em um acesso de tosse, as freiras passavam as contas do rosário entre seus dedos, e Antônia, fechando os olhos, decidiu se unir a elas em suas rezas e começou a murmurar para si mesma o terceiro mistério doloroso.”

Em: Te tratarei como uma rainha, Rosa Montero, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 2014, pp 84-86; tradução de Marcelo Barbão.

NOTA: Em espírito, este trecho me lembrou um dos mais interessantes contos de Henry James, A fera na selva, que no Brasil foi publicado como um romance, e nos Estados Unidos como um conto.  Se você não conhece essa obra de James vale a pena dedicar umas duas horas do seu tempo. É um trabalho muito importante.





Trova das mãos que trabalham

15 11 2014

 

 

76fc49784c0e3ee23c0701dc7ff4dcf4Ilustração anônima.

 

 

Mãos em obras, em conquistas,

mãos no campo, em hospitais,

mãos em prece, mãos de artistas,

tão diversas, tão iguais…

 

(Orlando Brito)





Patrimônio Cultural da Humanidade: Timbuktu

14 11 2014

 

 

TombouctouTimbuktu ©UNESCO

 

 

Mali

 

Timbuktu

 

Local da prestigiada universidade corânica Sankore e de outras madrassas, Timbuktu era um capital intelectual e espiritual e um centro para a propagação do Islã em toda a África nos séculos XV e XVI. Suas três grandes mesquitas, Djingareyber, Sankore e Sidi Yahia, lembram a era de ouro de Timbuktu. Embora continuamente restaurados, esses monumentos estão hoje sob ameaça de desertificação.  Sitiada na entrada para o deserto do Saara, dentro dos limites da zona fértil do Sudão e em um local excepcionalmente propício perto do rio, Timbuktu é uma das cidades da África, de maior ressonância histórica no continente.

Fundada no século V, o apogeu econômico e cultural de Timbuktu surgiu nos séculos XV e XVI. Foi um importante centro para a difusão da cultura islâmica, irradiando conhecimentos vindos da Universidade de Sankore, e de  180 escolas corânicas e 25.000 alunos. Também era uma encruzilhada de rotas pelo deserto e por isso mesmo um importante mercado para o comércio de manuscritos, sal de Teghaza no norte, o ouro,gado e de grãos do sul.