Minuto de sabedoria — Lin Yutang

23 04 2014

Tea-Time-by-Emilio-Sala-y-FrancesTea Time by Emilio Sala y Frances.Hora do chá

Emilio Sala y Frances (Espanha, 1850-1910)

óleo sobre tela, 56 x 39 cm

Coleção Particular

“Há alguma coisa na natureza do chá que nos leva a um mundo de contemplação silenciosa da vida.”

Lin Yutang

200px-Linyutang





Reflexões infinitas, “Livro” de José Luís Peixoto

14 04 2014

29_Drawing Hands by Escher

Mãos desenhando, 1948

M. C. Escher (Holanda, 1898-1972)

Litografia, 28 x 33 cm

Não sei como a prosa de José Luís Peixoto soa aos ouvidos portugueses, aos meus, brasileiros, soa rica, dinâmica, orgânica. Deslumbra a expansão dos significados de palavras comuns, conhecidas. Antes mesmo de nos envolvermos com a trama, a língua portuguesa seduz. Com José Luis Peixoto embarcamos numa prazerosa e aventureira narrativa construída por vocábulos, que por engenhosa inflexão, nos fazem ver por ângulos incomuns as mesmas cenas que em qualquer outro escritor passariam desapercebidas. Precisávamos disso na nossa língua torná-la mais jocosa, folgazã. Mais ágil.

A trama é trabalhada de modo tão criativo quanto a língua. A impressão que tenho é que José Luís Peixoto brinca conosco, diverte-se com o impacto que terá sobre o leitor e se entretém ao considerar o rumo da narrativa.  Inventivo, ele nos faz sorrir quando nos deparamos com suas reviravoltas;  e ao divertir-se ele amplia os limites do que consideramos romance.  A trama inicial situada em um vilarejo do  Alentejo na década de sessenta, encontra eco na França, meio livro adiante, onde os mesmos protagonistas se encontram, fugidos da economia caótica do período Salazarista.  Fogem do país, mas não fogem de si.  Emigram levando com eles os sonhos, os amores e até mesmo a pequenice do lugar de onde procedem. A reinvenção de cada um é um processo difícil e conturbado.  Penoso para todos. E inicialmente até parece que deixaram para trás os grilhões da terra natal.  Mas quando percebemos, estamos presos aos destinos deles e nos vemos de volta ao início como  numa gravura do mundo paralelo de M.C. Escher. Nas gravuras do artista holandês, voltamos aos temas iniciais achando que chegamos a algum lugar novo só para descobrirmos que nos encontramos aparentemente fazendo o caminho anterior, são escadas que descem mas também sobem; cachoeiras cujas águas desaguam em suas fontes ou  mãos que se desenham. O romance, que traz o título sui generis e inegavelmente astuto, se transforma numa fita de Möbius, que mexe com o desenrolar natural da voz narrativa, oscilando entre o universo conhecido e outro paralelo.

Índice

Este livro podia acabar aqui. Sempre gostei de enredos circulares. É a forma que os escritores, pessoas do tamanho das outras, tem para sugerir eternidade. Se acaba conforme começa é porque não acaba nunca…” José Luís Peixoto nos diz claramente a que veio ao final da primeira parte: quer escrever uma história que não acabe nunca. E consegue.  Como um mágico de cartola, tira, sabe-se lá de onde, a ideia de fazer a história se arrevesar uma vez mais, mas de maneira mais completa. Não se trata mais de um espelhar de comportamentos, de um retrato de infinitas estruturas sociais que comprimem os indivíduos e os faz robôs de seus próprios preconceitos. Nem tampouco das idas e vindas dos personagens ou da narrativa que nos leva a diversos recomeços.  Agora, quando entramos na segunda parte, temos que trocar de marcha, refletir ainda uma vez sobre o texto. Porque descobrimos que ali há mistério. Faz-se necessário reconsiderar uma questão importante: quem narra esse romance?  E chegando a uma conclusão, como bons leitores que somos da narrativa linear, temos que voltar ao início e considerar as ramificações daquilo que descobrimos. Eureka!  Eternidade à vista! Fizemos a volta completa, mas com uma virada, aquela virada da fita de Möbius, aquele giro que faz do inicio o fim com um truque. Não se trata da forma circular, mas da elíptica com uma torção. Nasce um texto hermético.

JLP © Helena CanhotoJosé Luís Peixoto — Foto: Helena Canhoto

 

José Luís Peixoto arrisca, aposta, se aventura e se expõe nesse romance. Vai à procura da Pedra Filosofal e encontra vestígios de que ela existe. A caminho, ele enfeita e adorna a língua materna, diverte-se vadiando pela narrativa, como se estivesse mesmo a interpretar um escritor. A emigração portuguesa ilegal  para a França não é nada mais do que ponto de partida para uma corajosa investigação sobre os limites da narrativa. Joga verde e colhe maduro. Pratica e treina uma nova forma diante dos nossos olhos.  Ou será que os títulos dos capítulos estão lá por acaso?  Ou talvez as palavras circundadas por elipses, que remontam de novo à primeira parte do livro, foram invencionices da moda?  José Luís Peixoto se arremessa numa nova forma, atira no incerto e ganha o certo; dispara imagens gráficas e de linguagem.  E finalmente lança o leitor na montanha russa de uma narrativa sem fim.  Não há dúvidas de que ele é inovador, inventivo.  Nem de que ele sente os limites da forma e da língua como camisas de força. Para chegar lá ele brinca, graceja e se diverte. Leva-nos junto. E o resultado é muito produtivo, um trabalho realisticamente inovador.





De volta aos anos 60 com Hilary Mantel em “Um experimento amoroso”

10 03 2014

Charles Blackman (Austrália, 1928) Schoolgirls 1954. Esmalte sobe papel colado em placa,98 x 130Meninas de escola, 1954

Charles Blackman (Austrália, 1928)

Esmalte sobre papel colado em placa,  98 x 130 cm

O inglês é uma língua prática e precisa.  À maneira do português do Brasil incorpora expressões estrangeiras com facilidade mas, diferente da nossa língua, cada palavra adquirida recebe um significado bem preciso, específico.  Sinto essas diferenças diariamente em conversa  com meu marido, que além de ter o inglês como língua nativa e ser professor de literatura americana,  ao tentar se expressar em português considera o que falamos extraordinariamente vago; enrola-se com os nossos sujeitos ocultos e com as diferenças  que umas poucas letras no final das palavras podem fazer — letras que qualquer americano ignoraria num diálogo informal. Falo dos femininos e masculinos,  da conjugação verbal que permite a ocultação do pronome pessoal [porque este já está incorporado na conjugação] e assim por diante.  Acabo de me lembrar mais uma vez desse contraste entre as duas línguas,  quando procurei usar a palavra ‘proustiana’.  Com a manha de quem passou a vida entre as duas línguas decidi ir ao dicionário para ver o significado em português.  Aqui ‘proustiano’ tem unicamente a ver com a “capacidade de se recuperar fato retidos na memória à maneira de Proust”, enquanto que em inglês ‘proustiano’  já deixou de lado sua simbiose com o escritor francês,  e passou a significar uma memória involuntária qualquer.  Demonstração exemplar das diferenças entre essas línguas.  ‘Proustiana‘, como memória involuntária é a maneira de narrar usada por Hilary Mantel em Um experimento amoroso [Record: 1999].

O romance narra vida de Carmel McBain e de sua vizinha, Karina, nem sempre amiga, mas sempre colega dos bancos escolares, meninas que nasceram no norte da Inglaterra, na região próxima a Manchester, no seio de famílias da classe média baixa, pobre, operária e católica.  Famílias que se sacrificam, cada qual à sua maneira, para educar as filhas e lhes dar meios de uma ascensão social mais veloz. De maneira proustiana, desordenada, ora na adolescência, ora na primeira infância,  acompanhamos Carmel desde os primeiros anos escolares até o amadurecimento da fase adulta.  Hilary Mantel é escritora de palavra precisa, texto sucinto, e uma enorme capacidade de escolher o detalhe certo para com ele traçar um mundo de inferências que dão profundidade ao texto e empurram a narrativa para frente. Não dá vontade de se deixar de lado a história, relutantemente apaga-se a luz antes de dormir; por outro lado, leva-se o livro na bolsa para aproveitar os 20 minutos no transporte público.

UM_EXPERIMENTO_AMOROSO_1311980387P

Romances de amadurecimento em geral são menos complexos do que este.  Tradicionalmente, essas histórias têm como personagem principal um jovem adolescente, O apanhador no campo de centeio, de Salinger vem à mente. Mas, na última década, tive o prazer de ver essa produção literária centrada em meninas adolescentes, na literatura para adultos.  [Outro romance que aborda esse tema, já resenhado aqui é obra do escritor peruano Alonso Cueto: O sussurro da mulher baleia]. Hilary Mantel no entanto não se detém em uma única experiência de ritos de passagem, já que acompanha a vida de Carmel desde os primeiros dias na escola.  Por isso mesmo, quando finalmente nos deparamos com climax  narrativo dessas memórias nossa surpresa, que foi cuidadosamente elaborada, traz a profundidade de anos de conhecimento da vida através dos olhos de nossa heroína.

Crescer, amadurecer emocionalmente, não é fácil. O mundo não é aconchegante, a vida é cheia de decepções. Famílias com boas intenções nem sempre se sensibilizam às dificuldades do crescimento, principalmente quando estão vivendo no limite, trabalhando horas exageradas, economizando todos os centavos.  Além disso, há as barreiras que cada sociedade  impõe: classe social, religião, origem, sotaques.  Diferenças que para alguém de fora podem parecer irrelevantes, para quem vive rodeada desses valores parece muito difícil libertar-se deles. Carmel e Karina têm que se submeter aos desejos de seus pais.  Karina é obrigada a ajudar em casa, sua mãe trabalha dois turnos. A Carmel, por outro lado, não é permitido o trabalho doméstico. A pressão é para que estude. Ambas sofrem. Exclusão, buling, anomalias alimentares, tudo está presente nesses anos. Tudo isso e a religião católica, que para essas meninas não ajuda.  A história se passa na década de 1960, quando a pílula já estava disseminada na Inglaterra e há liberdade sexual para as jovens mulheres.  Como cada uma resolve seus sentimentos em relação ao sexo e à religião, acaba por demonstrar os valores que permaneceram no amadurecimento.

Hilary-Mantel-001Hilary Mantel

O título, Um experimento amoroso, que parece tão abstrato, aplica-se aos diversos tipos de amor por que os personagens passam, do amor maternal ao sexual.  Hilary Mantel narra com um ritmo pulsante até o final, mesmo com as idas e vindas ao passado próximo e ao passado longínquo.  Algumas decisões de Carmel, que parecem insignificantes, no final nos levam ao retrato detalhado da personalidade da jovem. Esse é também um bom retrato da Inglaterra dos anos 60 do século passado, assim como do distanciamento natural entre pais e filhos. As dúvidas de Carmel e de suas amigas nos lembram das grandes mudanças nos últimos 5o anos.  Para melhor, sem dúvida. Mas essas mudanças podem ter sido simplesmente externas.  Os seres humanos me parece que permaneceram os mesmos.  Recomendo sem restrições esse romance reflexivo, intenso e sedutor.





Bibliotecas públicas no Rio: livros mais procurados

4 03 2014

Fabricio Fontolan,(Paraná, Brasil)  Reading, 2005, oil on canvasLendo, 2005

Fabrício Fontolan (Brasil, contemporâneo)

óleo sobre tela, 40 x 50 cm

fontolan paintings

-C

Neste fim de semana de Carnaval o jornal O Globo publicou os resultados de uma pesquisa entre as bibliotecas públicas municipais e estaduais no Rio de Janeiro que listava os livros mais requisitados e emprestados ao público [Ranking de leitura, estrangeiros no topo]. Foi constatado que leitores preferem os livros das listas dos mais vendidos e mais falados.  Livros que na maioria são escritos por  autores estrangeiros.  Não importa onde essas bibliotecas estejam localizadas, se em bairro de classe média, rica ou pobre o interesse pelos campeões de venda é o mesmo.

Não fiquei surpresa. Acho natural que todos queiram estar a par  dos assuntos nas conversas nos cafés, nas escolas e na internet.  Principalmente os adolescentes e jovens adultos, que sabem muito  bem os livros que andam fazendo sucesso em outros países.  Esse costume brasileiro de querermos ler o que é escrito no exterior não é de hoje.  No século XIX  até meados do século XX era a França que ditava o que os brasileiros liam. Nem por isso deixamos de ter um Machado de Assis.

O importante é que nossas bibliotecas públicas tenham para emprestar os livros que as pessoas queiram ou precisem ler. É uma maneira simples de garantir a leitura.  Ler é o mais importante. De longe.  Depois que a leitura se estabelece como um hábito, o leitor por si mesmo irá se encaminhando para outros livros, para outros horizontes.

Os autores Nicholas Sparks e J. K. Rowling lideram os empréstimos dessas bibliotecas.





Uma descrição primorosa na obra de Hilary Mantel

2 03 2014

William Kay BlacklockEnsinando a irmã a coser ou A lição, s.d.

William Kay Blacklock (Inglaterra, 1872-1922)

aquarela e guache sobre papel

Nem todos os escritores se dedicam a uma boa descrição.  Hilary Mantel é uma extraordinária artesã no texto descritivo.  Fiquei particularmente fascinada com a caracterização que ela faz de uma mulher — a mãe da narradora do romance Um experimento amoroso.  São dois parágrafos sucintos, mas de grande riqueza. Ao final dessa leitura, conhecemos a personagem descrita.  Vejam:

“Meu pai era escriturário; eu soube desde muito cedo em minha vida, por causa do hábito de minha mãe de me dizer: “seu pai não é apenas um escriturário, sabe.” Toda noite ele fazia um jogo de palavras cruzadas. De vez em quando minha mãe lia livros da biblioteca ou folheava revistas, que também chamava de “livros”, mas mais fequentemente fazia tricô ou costurava, a cabeça inclinada sob a lâmpada do abajur. O trabalho dela era requintado: a tapeçaria, o trabalho de bainha aberta. Nossas fronhas eram bordadas, branco sobre branco, com rosas esparramadas de talos longos, com ramalhetes em cestas trançadas, com laços em guirlandas de nós graciosos. Meu pai tinha um blusão de lã tricotado diferente para cada dia da semana, se quisesse usar. Todas as minhas, cortadas e feitas por ela, tinham babados de renda na bainha e – e também na bainha do lado esquerdo – um bordado com o mesmo tema representando a inocência: um botão-de-ouro,por exemplo, ou um gatinho.

Posso ver que minha mãe,  como pessoa, não era nada requintada. Tinha o queixo firme e uma voz alta, ressonante. O cabelo estava ficando grisalho e era rebelde, preso por pregadores de mola. Quando franzia o cenho, uma nuvem passava sobre a rua. Quando erguia as sobrancelhas – como fazia com frequência, espantada a cada hora pelo que Deus esperava que ela suportasse –, um sistema de trilhos de bonde de cidade pequena surgia em sua testa. Ela era brigona, dogmática e esperta; sua maneira de falar era assustadoramente franca, ou então desnorteadamente cheia de rodeios. Os olhos eram grandes e alertas, verdes como vidro verde, sem nada de amarelo ou amêndoa neles; sem nenhum dos compromissos que as pessoas têm quando se trata de olhos verdes. Quando ria, ela raramente sabia porque, e quando chorava, sabia menos ainda. Suas mãos eram grandes, nodosas e cheias de calos, feitas para segurar um rifle, não uma agulha”.

Em: Um experimento amoroso, Hilary Mantel, tradução de Ana Deiró, Rio de Janeiro, Record: 1999, pp. 14-15





Minuto de sabedoria — Abe Kobo

24 01 2014

Auguste Macke, elisabeth lebdo com frutas à mesa, 1908Elizabeth lendo com frutas à mesa, 1908

Augusto Macke (Alemanha, 1887-1914)

óleo sobre tela

“A liberdade não consiste só em seguir a sua própria vontade, mas às vezes também em fugir dela.”

images  Abe Kobo





Anedota apócrifa sobre Isadora Duncan e George Bernard Shaw

13 10 2013

unnamed

Dizem que a famosa bailarina norte-americana Isadora Duncan, grande apreciadora da obra  de George Bernard Shaw, uma vez escreveu para esse escritor  irlandês dizendo que, pelos princípios da eugenia, eles dois deveriam ter um filho juntos.

— “Pense!”, disse ela entusiasmada,”com o meu corpo e o seu cérebro, que maravilha esse filho não seria!”

George Bernard Shaw não demorou a responder:

— “Sim.  Mas… e se nascesse com o meu corpo e o seu cérebro?”

*****





Inspirações certeiras de Jonathan Swift e Voltaire?

3 10 2013

523px-J._VERMEER_-_El_astrónomo_(Museo_del_Louvre,_1688)

O astrônomo, 1668

Johannes Vermeer (Holanda,1632-1675)

Óleo sobre tela, 50 x 45 cm

Museu do Louvre, Paris

Jonathan Swift  em 1726 publicou o livro Viagens de Gulliver, hoje considerado uma das obras precursoras da ficção científica. Nesse romance picaresco  no capítulo III, intitulado Viagem a Laputa, astrônomos, personagens de Swift, descrevem duas luas em Marte, mencionando seu tamanho e órbita. A descrição foi bastante próxima da realidade encontrada 150 anos mais tarde, quando  Asaph Hall em 1877 descobriu as luas Phobos e Deimos circulando em volta de Marte.

Mas Swifft não foi o único a escrever sobre as duas luas de Marte.  Voltaire, 24 anos depois de Swift, em 1750, publicou o conto Micromégas, onde também descrevia essas duas luas de Marte.  Teria ele sido influenciado por Swift?  Teriam ambos tido uma ajuda externa?  De algum visitante extra-terrestre?

Hoje há duas crateras em Deimos chamadas de Swift e Voltaire em homenagem a esses dois escritores.





Anedota sobre Fontenelle na revista O Espelho de 1859

14 09 2013

charles-henry-tenre-the-interval-at-the-theatre-145479Intervalo no teatro

Charles Henry Tenré (França, 1864-1926)

óleo sobre tela

Fontenelle estava na Ópera, em Paris, e tinha nessa ocasião cem anos. Um inglês entra-lhe pelo camarote e diz:

— Vim de propósito de Londres para ver o autor de Thetis e Peleu.

— Pois, senhor, respondeu Fontenelle; dei-lhe bastante tempo para isso.”

Em:  O Espelho: revista de literatura, modas, indústria e artes, n. 17,  25 de dezembro de 1859, p.11. da edição em facsímile, Rio de Janeiro, MEC:2008, p. 230.





Você lê ficção brasileira?

10 09 2013

benoît van innisIlustração de Benoît van Innis.

Na semana passada foi divulgado na imprensa carioca, durante a Bienal do Livro no Rio de Janeiro, que a literatura estrangeira foi o segmento editorial que mais cresceu em vendas no Brasil. 33% de livros vendidos no primeiro semestre deste ano  foram livros de ficção estrangeira.   Isso reflete um crescimento de 42%, sobre o ano passado, enquanto o mercado de vendas de livros de um ano para o outro cresceu muito menos, só 11%.

Os 30 livros de ficção mais vendidos no Brasil representam 36% das vendas. O poder de um best-seller internacional é bem forte, na pesquisa, feita pela companhia multinacional alemã GFK, ficou claro que sem as vendas do livro Cinquenta tons de cinza, da editora Intrínseca, a venda de ficção estrangeira teria vendido muito menos só 23% em vez de 42%.  Não há falta de leitores no país.  Não é uma questão de preço, porque os livros estrangeiros em geral são mais caros porque custam mais (considere-se direitos autorais e de publicação pagos em outra moeda e despesas com tradução).  O problema não é nem falta de leitores, nem falta de dinheiro.  Então, há uma pergunta que se faz necessária:

Por que os autores brasileiros de ficção não conseguem vender tão bem quanto os estrangeiros?

Fonte: Jornal O Globo, 27 de agosto de 2013.