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Ilustração de Lisa Hutton, para a revista Better Homes & Gardens, de julho de 1929.
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Primavera! Que beleza!
A campina toda em flor.
É como se a natureza
despertasse para o amor.
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(Álvaro Teixiera Fº)
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Primavera! Que beleza!
A campina toda em flor.
É como se a natureza
despertasse para o amor.
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(Álvaro Teixiera Fº)
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Alfredo Volpi (Brasil, 1896-1988)
Óleo sobre tela, 54 x 81 cm
Museu de Arte Contemporânea – USP
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– – – Murilo Mendes
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Alfredo Volpi, substantivo próprio, indica um artesão que opera um horizonte proposto, implanta a cor quadrada no quadrado, ajuda a demarcar a cidade terrestre limpa excluindo a bomba.
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Volpicor Volpiespaço Volpitempo Volpiaberto área de recorte exato campo preciso da cidade pilotado programado.
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Volpi A figurativo. Volpi B abstrato concreto. Divide-se em duas metades que afinal se justapõem; aderindo à realidade, um só corpo, uma só cabeça. Informação múltipla.
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Um solo Volpi: Volpi sobre Volpi. Janela brancaverdeazul. Bandeira de rigor e sem fronteiras.
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Em: Transistor: antologia de prosa, Murilo Mendes, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1980
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Alfredo Volpi (Brasil, 1896-1988)
têpera sobre tela, 44 x 22 cm
Museu de Arte Contemporânea — USP
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Murilo Rodrigues Mendes (1901 —1975) poeta, cronista, jornalista, professor. Nasceu em Juiz de Fora, Minas Gerais. Mudou-se definitivamente para o Rio de Janeiro em 1920. Formou-se em medicina. Percorreu o mundo divulgando a cultura brasileira. Na década de 1950 estabeleceu-se na Itália onde ensinou literatura brasileira na Universidade de Pisa. Faleceu em Lisboa em 1975.
Obra:
Poemas, 1930
Bumba-meu-poeta, 1930
História do Brasil, 1933
Tempo e eternidade – com Jorge de Lima, 1935
A poesia em pânico, 1937
O Visionário, 1941
As metamorfoses, 1944
Mundo enigma, 1945
O discípulo de Emaús, 1945
Poesia liberdade, 1947
Janela do caos, [França] 1949
Contemplação de Ouro Preto, 1954
Office humain [França], 1954
Poesias [Obra completa até esta data], 1959
Tempo espanhol [Portugal], 1959
Siciliana [Itália], 1959
Poesie [Itália], 1961
Finestra del caos [Itália], 1961
Siete poemas inéditos [Espanha], 1961
Poemas [Espanha],1962
Antologia Poética [Portugal], 1964
Le Metamorfosi [Itália], 1964
Italianíssima (7 Murilogrami) [Itália],1965
Poemas inéditos de Murilo Mendes [Espanha], 1965
A idade do serrote, 1968
Convergência, 1970
Poesia libertá [Itália], 1971
Poliedro, 1972
Retratos-relâmpagos, 1ª série, 1973
Antologia Poética, 1976
Poesia Completa e Prosa, 1994
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“Muito riso e pouco sizo”,
diz-nos o velho ditado.
Mas eu digo que um sorriso
sempre dá bom resultado…
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(Lucina Long)
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Simplicidade, s/d
Reinaldo de Almeida Barros ( Brasil, contemporâneo)
acrílica sobre papel
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Olegário Mariano
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Amo-te, ó minha terra, por tudo o que me tens dado:
Pelo azul do teu céu, pelas tuas árvores, pelo teu mar;
Pelas estrelas do Cruzeiro que me deixam anestesiado,
Pelos crepúsculos profundos que põem lágrimas no meu olhar.
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Pelo canto harmonioso dos teus pássaros, pelo cehiro
Das tuas matas virgens, pelo mugido dos teus bois;
Pelos raios do sol, do grande sol que eu vi primeiro…
Pelas sombras das tuas noites, noites ermas que eu vi depois.
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Pela esmeralda líquida dos teus rios cristalinos,
Pela pureza das tuas fontes, pelo brilho dos teus arrebóis;
Pelas tuas igrejas que respiram pelos pulmões dos sinos,
Pelas tuas casa lendárias, onde amaram nossos avós;
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Pelo ouro que o lavrador arranca de tuas entranhas,
Pela bênção que o poeta recebe do teu céu azul.
Pela tristeza infinita, infinita das tuas montanhas,
Pelas lendas que vêm do norte, pelas glórias que vêm do sul.
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Pelo trapo da bandeira que flamula ao vento sereno,
Pelo teu seio maternal onde a cabeça adormeci,
Sinto a dor angustiada de ter o coração pequeno
Para conter a onda sonora que canta de mor por ti.
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Em: Criança brasileira: quarto livro de leitura, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir: 1949
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Olegário Mariano Carneiro da Cunha (Brasil, 1889 — 1958) Usou também o pseudônimo João da Avenida, poeta, político e diplomata brasileiro. Em 1938, foi eleito Príncipe dos Poetas Brasileiros, substituindo Alberto de Oliveira que morrera e que, por sua vez, havia substituído Olavo Bilac. Membro da Academia Brasileira de Letras.
Obras:
Angelus , 1911
Sonetos, 1921
Evangelho da sombra e do silêncio, 1913
Água corrente, com uma carta prefácio de Olavo Bilac, 1917
Últimas Cigarras, 1920
Castelos na areia, 1922
Cidade maravilhosa, 1923
Bataclan, crônicas em verso, 1927
Canto da minha terra, 1931
Destino, 1931
Poemas de amor e de saudade, 1932
Teatro, 1932
Antologia de tradutores, 1932
Poesias escolhidas, 1932
O amor na poesia brasileira, 1933
Vida Caixa de brinquedos, crônicas em verso, 1933
O enamorado da vida, com prefácio de Júlio Dantas, 1937
Abolição da escravatura e os homens do norte, conferência, 1939
Em louvor da língua portuguesa, 1940
A vida que já vivi, memórias, 1945
Quando vem baixando o crepúsculo, 1945
Cantigas de encurtar caminho, 1949
Tangará conta histórias, poesia infantil, 1953
Toda uma vida de poesia, 2 vols., 1957
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Cantiga da bela infância,
peteca, bola, pião …
Minha inocência pelada
nadando no ribeirão…
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(Clóvis Brunelli)
Roupa estendida, 1944
Eliseu Visconti (1866-1944)
óleo sobre tela 67 x 82 cm
Coleção Particular
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Jorge de Lima
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No fio de arame
tem roupa estendida,
tem roupa na corda,
ceroulas e cuecas
que dizem coisas brejeiras
às calçolas da sinhá
sinhá, sinhá
toma vento
senão vem um pé-de-vento
e carrega com sinhá!
no fio de arame
tem roupa pingando água,
deixa pingar
não faz mal nenhum…
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Em: Poesias completas, vol. IV, Jorge de Lima, Rio de Janeiro, José Aguilar:1974
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Jorge Mateus de Lima (União dos Palmares, AL, 23 de abril de 1893 — Rio de Janeiro, 15 de novembro de 1953) foi político, médico, poeta, romancista, biógrafo, ensaísta, tradutor e pintor brasileiro.
Obras:
Poesia:
XIV Alexandrinos (1914)
O Mundo do Menino Impossível (1925)
Poemas (1927)
Novos Poemas (1929)
O acendedor de lampiões (1932)
Tempo e Eternidade (1935)
A Túnica Inconsútil (1938)
Anunciação e encontro de Mira-Celi (1943)
Poemas Negros (1947)
Livro de Sonetos (1949)
Obra Poética (1950)
Invenção de Orfeu (1952)
Romance:
O anjo (1934)
Calunga (1935)
A mulher obscura (1939)
Guerra dentro do beco (1950)
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Henriqueta Lisboa
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Vento do Norte
vento do Sul
vento do Leste
vento do Oeste.
Quatro cavalos
em pêlo.
Quatro cavalos
de longas crinas,
de longas caudas,
narinas sôfregas
bufando no ar.
Quatro cavalos
que ninguém doma,
quatro cavalos
que vêm e vão,
que não descansam,
de asas e patas
varrendo os céus.
Cavalos sem dono,
cavalos sem pátria,
cavalos ciganos
sem lei nem rei.
Quatro cavalos em pêlo.
Animais em beira de rio, s/d
Alexandre Reider ( Brasil, SP, 1973)
Óleo sobre tela
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Julinda Alvim
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Sulcando a plaga serena
à luz da manhã dourada,
numa cantiga magoada,
chora o rio a sua pena.
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E uma bonita morena,
lavadeirinha engraçada,
canta saudosa balada,
descendo a margem amena.
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Chega e depõe a bacia
de roupa. Seu vulto espia
na flor do rio, cismando.
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Volve, escuta os passarinhos.
Depois a nuvem de linhos
mergulha na água, cantado…
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Em: Vamos estudar? – 3ª série primária – edição especial para o estado do Rio de Janeiro, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir: 1957
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Que grande travesso é o mar!
Molha de novo o lençol
que a praia para secar,
expôs aos raios do sol!
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(Walter Waeny)
Negra com paisagem ao fundo, 1935
Genesco Murta ( Brasil, MG 1885 — MG, 1967)
óleo sobre tela sobre eucatex, 58 x 48 cm
Coleção Particular
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Antônio Gedeão
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Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.
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Recolhi a lágrima
com todo cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.
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Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.
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Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.
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Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
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nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.
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Rômulo Vasco da Gama de Carvalho , rambém conhecido pelos pseudônimos : Antônio Gedeão ou por Rômulo de Carvalho. (Portugal, 1906-1997) Poeta, professor e historiador da ciência portuguesa. Teve um papel importante na divulgação de temas científicos, colaborando em revistas da especialidade e organizando obras no campo da história das ciências e das instituições. Revelou-se como poeta apenas em 1956, com a obra Movimento Perpétuo.
Obras poéticas:
Movimento perpétuo, 1956
Teatro do Mundo, 1958
Máquina de Fogo, 1961
Poema para Galileu 1964
Linhas de Força, 1967
Poemas Póstumos, 1983
Novos Poemas Póstumos, 1990