Trova do aprendizado

19 02 2016
moça chapéu de palha Harrison Fisher (1875 - 1934)Moça com chapéu de palha, Ilustração de Harrison Fisher.

 

 

Na vida que vou vivendo,

Muitas coisas aprendi;

E, afinal, fiquei sabendo:

Não posso passar sem ti.

 

 

(Maria Thereza de Andrade Cunha)





Oração, poesia de Marialzira Perestrello

16 02 2016

 

silentprayerOração silenciosa

Anna Razumovskaya (Rússia, contemporânea)

 

 

Oração

 

Marialzira Perestrello

 

 

A poesia é minha oração

meu modo de rezar

meu Magnificat

meu Te Deum

meu De Profundis

meu Requiem

A poesia é minha prece.

 

 

 

Em: Mãos Dadas, Marialzira Perestrello, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1989, p. 26





Trova do meu coração

14 02 2016

 

amor, atração, lendo, revista, parque,Nestor se distrai, ilustração Disney.

 

 

Não bata assim, coração!

Cuidado!… Jamais me assuste,

pois uma nova ilusão

pode ser um novo embuste.

 

 

(Zeni de Barro Lana)





Sublinhando…

9 02 2016

 

Jean-Baptiste-CamilleCorot, Young girl reading, 1868, National Gallery of Art, Washington, DC (2)Jovem lendo, 1868

Jean Baptiste Camille Corot (França, 1796-1875)

óleo sobre papelão sobre madeira, 32 x 41 cm

National Gallery, Washington, DC

 

 

“Fechar ao mal de amor a nossa alma adormecida
é dormir sem sonhar, é viver sem ter vida…”

 

 

Menotti del Picchia (Brasil, 1892-1988) em Juca Mulato.

 





Trova do esquecimento

8 02 2016

 

moça com chapéu sentada, buda,Fabius LorenziIlustração de Fabius Lorenzi.

 

 

Existem coisas na vida

Que não posso compreender:

— Como é que sendo esquecida,

Não te consigo esquecer!

 

 

(Maria Thereza de Andrade Cunha)





Sob um pessegueiro, poesia de Paulo Setúbal

4 02 2016

 

 

amor, romance, Russell Sambrook (1891 – 1956)Ilustração de Russell Strambrook.

 

 

Sob um pessegueiro

Paulo Setúbal

Ao Ademar, irmão e amigo

 

 

Foi pelo tempo alegre da moenda,

Quando aos quinze anos, tudo nos sorria,

Que nós tecemos, juntos, na fazenda,

Toda uma história de infantil poesia.

 

E sob um pessegueiro, amplo e robusto,

Cheio de frutos e de passarinhos,

Foi que nós ambos, pálidos de susto,

Nos encontramos certa vez, sozinhos.

 

Tão confusos, tão tímidos ficamos,

Ao vermo-nos juntinhos no pomar,

Que nós, olhando os pêssegos nos ramos,

Nem tínhamos coragem de falar.

 

Mas de repente — que ventura louca!

Ela sorriu-me, trêmula de pejo,

E eu lhe furtei da pequenina boca,

Um pequenino e delicioso beijo…

 

Foi desde então que na minh’alma eu trouxe,

Como lembrança desse amor fagueiro,

Esse beijinho estaladinho e doce,

Que nós trocamos sob o pessegueiro.

 

 

Em: Alma cabocla,Poesias de Paulo Setúbal, Paulo Setúbal, São Paulo, Ed. Carlos Pereira:s/d, 5ª edição [ Primeira edição foi em 1920]p. 87-88

 

 





Domingo, poesia de Olavo Bilac

31 01 2016

 

 

BUSTAMANTE SÁ, Rubens Forte (1907 - 1988) - Figuras no cotidiano, o.s.t. - 46 x 56 cm.Figuras no cotidiano

Rubens Bustamante Sá (Brasil, 1907-1988)

óleo sobre tela, 46 x 56 cm

 

 

Domingo

 

Olavo Bilac

 

 

Domingo… Os sinos repicam

Na igreja, constantemente,

E todas as ruas ficam

Alegres, cheias de gente.

 

Todo um dia de ventura…

Como o domingo seduz!

O homem, cansado, procura

Ter paz, ter ar, e ter luz.

 

Paradas e sem trabalho,

Dormem na roça as enxadas;

Dormem a bigorna e o malho

Nas oficinas fechadas.

 

Também, meninos cansados,

Os vossos livro deixai!

Deixai lições e ditados!

Dormi! Sorride! Cantai!

 

Fechem-se as aulas! E o bando

Ruidoso das criancinhas

Livre se espalhe, voando,

Como um bando de andorinhas!

 

Deus, quando o mundo fazia,

Sete dias trabalhou,

E ao fim do sétimo dia

Do trabalho descansou…

 

 

Em: Poesias infantis, Olavo Bilac, Rio de Janeiro, Francisco Alves: 1949, 17 ª edição, pp- 47-8.





Trova dos livros

15 01 2016

 

 

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Janeiro, um ano de boas leituras.. à frente. WPA Projeto para Bibliotecas, estado de Illinois.

 

Na biblioteca há mil sábios

a nosso inteiro dispor.

Sem querer mover os lábios,

cada livro é um professor.

 

(A. A. de Assis)

 

 





Profissão de Fé, soneto de Carvalho Júnior

7 01 2016

 

 

Malcolm_Liepke_Pensive.2001, litografia, 47 x 58 cmPensativa, 2001

Malcolm Liepke (EUA, 1953)

Litografia, 47 x 58 cm

 

 

Profissão de Fé

 

Carvalho Júnior

 

Odeio as virgens pálidas, cloróticas,

Beleza de missal que o romantismo

Hidrófobo apregoa em peças góticas,

Escritas nuns acessos de histerismo.

 

Sofismas de mulher, ilusões óticas,

Raquíticos abortos do lirismo,

Sonho de carne, compleições exóticas,

Desfazem-se perante o realismo.

 

Não servem-me esses vagos ideais

Da fina transparência dos cristais,

Almas de santa e corpo de alfenim.

 

Prefiro a exuberância dos contornos,

As belezas da forma, sem adornos,

A saúde, a matéria, a vida enfim.

 

Publicado em 1879.

 

Em: Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Parnasiana, editado por Manuel Bandeira, Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro: 1951, p. 56

 

Francisco Antônio de Carvalho Júnior (Brasil, 1859-1929)

 





Trova dos teus braços

5 01 2016

 

 

BEIJO ROUBADO, howard chandler christy, 1904Beijo roubado, ilustração de Howard Chandler Christy, 1904.

 

 

Fico em teus braços… Depois,

rogo a Deus, mais uma vez,

que o segredo de nós dois

fique só entre nós três.

 

(Cezário Brandi Filho)