Casamento, poema infantil de Luísa Ducla Soares

27 09 2009

cigarras

 

 

CASAMENTO

                                              Luísa Ducla Soares

Casei um cigarro
com uma cigarra,
fizeram os dois
tremenda algazarra
porque o cigarro
não sabe cantar
e a cigarra
detesta fumar.

Não digam que errei
(mania antipática!)
só cumpri a lei
que manda a gramática.

Em: Poemas da Mentira e da Verdade, Livros Horizonte, 1999.

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Luísa Ducla Soares (Lisboa, 1939) escritora, tradutora, consultora literária e jornalista.  Mais recentemente sua produção  é dedicada ao público infanto-juvenil.  Formada em Filologia Germânica.

Obras:

Contrato (Poesia), 1970

A História da Papoila, prosa (Infanto-juvenil), 1972 ; 1977

Maria Papoila, prosa (Infanto-juvenil), 1973 ; 1977

O Dr. Lauro e o Dinossauro, prosa (Infanto-juvenil), 1973 ; 1988

Urso e a Formiga, prosa (Infanto-juvenil), 1973 ; 2002

O Soldado João, prosa (Infanto-juvenil), 1973 ; 2002

O Ratinho Marinheiro (Poesia para a infância), 1973 ; 2001

O Gato e o Rato, prosa (Infanto-juvenil), 1973 ; 1977

Oito Histórias Infantis, prosa (Infanto-juvenil), 1975

O Meio Galo e Outras Histórias, prosa (Infanto-juvenil), 1976 ; 2001

AEIOU, História das Cinco Vogais, (prosa) (Infanto-juvenil), 1980 ; 1999

O Rapaz Magro, a Rapariga Gorda, prosa (Infanto-juvenil), 1980 ; 1984

Histórias de Bichos, prosa (Infanto-juvenil), 1981

O Menino e a Nuvem, prosa (Infanto-juvenil), 1981

Três Histórias do Futuro, prosa (Infanto-juvenil), 1982

O Dragão, prosa (Infanto-juvenil), 1982 ; 2002

O Rapaz do Nariz Comprido, prosa (Infanto-juvenil), 1982 ; 1984

O Sultão Solimão e o Criado Maldonado (Poesia para a infância), 1982

Poemas da Mentira… e da Verdade (Poesia para a infância), 1983 ; 1999

O Homem das Barbas, prosa (Infanto-juvenil), 1984

O Senhor Forte, prosa (Infanto-juvenil), 1984

A Princesa da Chuva, prosa (Infanto-juvenil), 1984

O Homem alto, a Mulher baixinha, prosa (Infanto-juvenil), 1984

De Que São Feitos os Sonhos: A Antologia Diferente, prosa (Infanto-juvenil), 1985 ; 1994

O Senhor Pouca Sorte, prosa (Infanto-juvenil), 1985

A Menina Boa, prosa (Infanto-juvenil), 1985

A Menina Branca, o Rapaz Preto, prosa (Infanto-juvenil), 1985

6 Histórias de Encantar, prosa (Infanto-juvenil), 1985 ; 2003

A Vassoura Mágica, prosa (Infanto-juvenil), 1986 ; 2001

O Fantasma, prosa (Infanto-juvenil), 1987

A Menina Verde, prosa (Infanto-juvenil), 1987

Versos de Animais (Antologia de Literatura Tradicional), 1988

Destrava Línguas (Antologia de Literatura Tradicional), 1988 ; 1997

Crime no Expresso do Tempo, prosa (Infanto-juvenil), 1988 ; 1999

Lenga-Lengas (Antologia de Literatura Tradicional), 1988 ; 1997

O Disco Voador, prosa (Infanto-juvenil), 1989 ; 1990

Adivinha, Adivinha: 150 adivinhas populares (Antologia de Literatura Tradicional), 1991 ; 2001

É Preciso Crescer, ( infanto- juvenil (1992

A Nau Catrineta, prosa (Infanto-juvenil), 1992

À Roda dos Livros: Literatura Infantil e Juvenil (Divulgação), 1993

Diário de Sofia & Cia aos Quinze Anos(Infanto-juvenil), 1994 ; 2001

Os Ovos Misteriosos, prosa (Infanto-juvenil), 1994 ; 2002

O Rapaz e o Robô, prosa (Infanto-juvenil), 1995 ; 2002

S. O. S.: Animais em Perigo!…, prosa (Infanto-juvenil), 1996

O Casamento da Gata, poesia (Infanto-juvenil), 1997 ; 2001

Vamos descobrir as bibliotecas (Divulgação), 1998

Vou Ali e Já Volto, prosa (Infanto-juvenil), 1999

Arca de Noé, poesia (Infanto-juvenil), 1999

A Gata Tareca e Outros Poemas Levados da Breca (Poesia para a infância), 1999 ; 2000

ABC, poesia (Infanto-juvenil), 1999 ; 2001

25 (Poesia para a infância), 1999

Seis Contos de Eça de Queirós (Contos), 2000 ; 2002

Com Eça de Queirós nos Olivais no ano 2000 (Divulgação), 2000

Com Eça de Queirós à roda do Chiado (Divulgação), 2000

Mãe, Querida Mãe! Como é a Tua?, prosa (Infanto-juvenil), 2000 ; 2003

Lisboa de José Rodrigues Miguéis (Divulgação), 2001

Roteiro de José Rodrigues Miguéis: do Castelo ao Camões (Divulgação), 2001

A flauta, prosa (Infanto-juvenil), 2001

Uns óculos para a Rita, prosa (Infanto-juvenil), 2001

Todos no Sofá, poesia (Infanto-juvenil), 2001

1, 2, 3, poesia (Infanto-juvenil), 2001 ; 2003

Alhos e Bugalhos (Divulgação), 2001

Meu bichinho, meu amor, prosa (Infanto-juvenil), 2002

Cores, prosa (Infanto-juvenil), 2002

Gente Gira, prosa (Infanto-juvenil), 2002

Tudo ao Contrário!, prosa (Infanto-juvenil), 2002

Viagens de Gulliver, adaptação livre (Teatro para a infância), 2002

O Rapaz que vivia na Televisão, prosa (Infanto-juvenil), 2002

Contrários, poesia (Infanto-juvenil), 2003

Quem está aí?, prosa (Infanto-juvenil), 2003

A Cavalo no Tempo, poesia (Infanto-juvenil), 2003

Pai, Querido Pai! Como é o Teu?, prosa (Infanto-juvenil), 2003

A Carochinha e o João Ratão, poesia (Infanto-juvenil), 2003

Se os Bichos se vestissem como Gente, prosa (Infanto-juvenil), 2004

A festa de anos, prosa (Infanto-juvenil), 2004

Contos para rir, prosa (Infanto-juvenil), 2004

Abecedário maluco, poesia (Infanto-juvenil), 2004

Histórias de dedos, prosa (Infanto-juvenil), 2005

A Cidade dos Cães e outras histórias, prosa ( Infanto- juvenil ), 2005

Há sempre uma estrela no Natal, contos ( Infanto-juvenil ) Civilização,2006

Doutor Lauro e o dinossauro, prosa (Infanto-Juvenil), 2.ª ed, Livros Horizonte, 2007

Mais lengalengas (recolhas ),Livros Horizonte,2007

Desejos de Natal (Infanto-juvenil ), Civilização,2007

A fada palavrinha e o gigante das bibliotecas





PAPA-LIVROS: Veronika Peters, O que cabe em duas malas

24 09 2009

Freira lendo no interior de igreja, Enrico Coleman (Itália 1846-1911)Freira lendo no interior de uma igreja, 1877.

Enrico Coleman (Itália, 1846 – 1911)

Aquarela,  54,25 cm x 36 cm

 

Milhares de pessoas, muitas das que temos entre nossos amigos, parecem estar sempre à procura de um significado maior em suas vidas, de uma paz espiritual que não encontram no dia a dia,  de uma comunhão, talvez, um encontro transcendental.  Alguns procuram esta espiritualidade nas filosofias orientais ou no estudo de conceitos metafísicos.  Tenho certeza grande parte do sucesso de muitas das obras do mago brasileiro, Paulo Coelho, se deve,  justamente, a esta procura por um significado maior do que os limites físicos de cada ser.  Poucas pessoas, no entanto, se entregam à esta procura na curiosa maneira em que a autora deste livro autobiográfico relata:  entrada para um convento. 

Considerando-se que Veronika Peters não havia sido educada dentro do catolicismo e que havia saído de casa ainda jovem adolescente de 14-15 anos, rebelde,  sua entrada num convento de freiras beneditinas aos 21 anos, já demonstra desde o início desta narrativa a ânsia de um significado maior em sua vida; a incrível sede de reflexão e auto-conhecimento que a absorvem; todas características que a levam a testar seus limites, seguidamente pelos 12 anos que permance no convento.   Inicialmente, a autora parece ciente do teste a que se submete:

O que vai acontecer se eu for privada de toda espécie de “distração”: sem rádio, sem televisão, sem telefone?  Vou enlouquecer, ou fazer alguma descoberta?  Seja como for, quero conhecer a experiência do silencio, quero sem me distrair, refletir sobre Deus, sobre a minha vida, sobre o mundo….  [pág.45]

Mas, a medida que a vida no convento continua, Veronika, ao contrário do que poderíamos esperar ou ao contrário do que ela mesma esperava, continua procurando por respostas e acalentando dúvidas quanto a sua permanência no local, sem se esquecer de que ainda há algo que lhe escapa. 

Vou bem aqui, é provável que ainda permaneça por algum tempo.  Um pequeno mundo próprio, onde não me sinto mais tão estranha como nos primeiros dias, espera aos poucos ser descoberto por mim.  Viver por algum tempo nesse lugar, com estas mulheres, em conformidade com esta idéia, parece-me ser a oportunidade para descobrir coisas, que em nenhum outro lugar serei capaz de aprender.  Algumas delas possuem algo que eu também gostaria de possuir. [pág 67-68, em carta a sua amiga Lina].

E assim passam-se doze anos no convento.  De noviça à freira, Veronika procura por respostas a perguntas que não sabe formular, mas que sente estarem presentes em sua vida.  Através desses anos, temos uma interessante visão da vida num convento moderno.   Para quem, como eu, que só conhece o interior dos conventos através de turismo histórico,  da leitura de Vida de Santa Teresa e de produções Hollywoodianas, foi uma verdadeira lição do modernismo católico.   Mas mesmo através destes estágios todos para total aceitação da vida como freira, Veronika se sente em descompasso com a comunidade e é frequentemente advertida por isso:

— Você está me ouvindo? Por que fica tão dura assim atrás do volante?

— Desculpe, eu ainda não me sinto muito à vontade no meu novo papel.

— Você não está representando papel nenhum.

— Ainda preciso me exercitar para ser o que represento com esta roupa.

— Isso todas nós precisamos.  [pág. 89]

 

veronika peters 1

A autora, Veronika Peters.

Eventualmente  Veronika sai do convento.  E escreve o livro sobre sua vida lá.   A popularidade deste romance,  (Was in zwei Koffer passt), foi um dos dez livros mais vendidos na Alemanha em 2007, onde permaneceu na lista da Der Spiegel por mais de seis meses, é um testemunho do grande número de pessoas se identificam com a procura espiritual.  E como o texto da editora mesmo diz, esse verdadeiro fenômeno editorial já demonstra um significativo sintoma social.  Um texto leve, de leitura muito rápida, que encoraja todos seus leitores a perseguirem os caminhos — mesmo que difíceis — na procura de sua própria espiritualidade.





Árvore, texto de Coelho Neto, para celebrar a primavera!

23 09 2009

cavalinhos, 1940

Ilustração Paul Bransom (1885-1979), copyrighted 1940.

A árvore

Coelho Neto

A árvore não é só o enfeite da terra; ora em flor, ora em fruto,  ela é a purificadora do ar que respiramos, a garantidora do manancial que jorra para nossa sede e para rega das lavouras.  Movendo docemente os seus ramos, trabalha como fiandeira do sol:  recebendo na copa os raios ardentíssimos, desfia-os em brando calor, agasalhando assim os que se chegam à sua sombra.

Ela é medicina e é beleza frondejando à beira da nossa morada, e ainda  é confidente dos nossos pezares e alegrias, quando, sob seus galhos, recordamos saudades ou edificamos no sonho.

Assim é a árvore viva.

Morta, ela é tudo — o princípio e o fim: berço e esquife, e, entre esses dois polos, tudo é árvore — a casa e o templo, o leito e o altar, o carro que roda nas terras lavradas, o navio que sulca os mares, o cabo da enxada, a haste da lança, e tantos outros utensílios da vida.  Matar a árvore é estancar uma fonte.  Onde se devastam as florestas estende-se o deserto estéril — resseca-se o terreno, os rios minguam, somem-se os animais.  Assim, a árvore, sendo beleza, é ao mesmo tempo, a fiadora da vida.

*****

Em: Apologia da árvore, de Leonam de Azeredo Penna,  Rio de Janeiro, IBDF: 1973.





Literatura do absurdo melhora habilidades cerebrais!

20 09 2009

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Uma recente pesquisa, publicada na revista Psychological Science indica que a literatura do absurdo estimula o nosso cérebro.

Travis Proulx [Univ. da Califórnia, Santa Bárbara] e Steven Heine [Univ. da British Columbia], psicólogos, descobriram que a nossa habilidade de encontrar semelhanças e sentido é estimulada quando nos absorvemos na literatura do absurdo.  E mais interessante ainda: habilitando-se essa capacidade, ela reaparece aprimorada para resolver outras tarefas ou problemas fora do campo da leitura.

Essa descoberta é o resultado de uma pesquisa que inclui dois testes diferentes.  No primeiro 40 participantes canadenses, universitários, leram uma de duas versões diferentes da história de Franz Kafka:  O médico do interior.  Numa das versões, que foi um pouco modificada do original, “a narrativa começa a ser cortada, gradativamente, acabando abruptamente depois de uma série de trechos desordenados” disseram os pesquisadores.  Foram incluídas também, junto com o texto, ilustrações bizarras que nada tinham a ver com a história.  

 

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Na segunda versão, a história foi submetida a revisões: retiraram as partes sem conexão; colocaram uma narrativa convencional e acompanharam o texto com ilustrações relevantes ao sentido do mesmo.

Mais tarde, todos os participantes viram algumas séries de 45 letras, e foram instruídos a copiá-las.  Foram também informados que essas séries, de 6 a 9 letras cada, continham um padrão dificilmente decifrável.

Depois ainda, os participantes foram apresentados a novas séries, algumas das quais seguiam os padrões anteriores, enquanto que outras não.  E, foram instruídos a marcar as séries que seguiam o mesmo padrão.

Os que leram a história absurda selecionaram um maior número de séries consistente com o padrão.  Mas, ainda de maior relevância, “tiveram maior acuidade na identificação de séries de letras que teriam genuinamente seguido o padrão”, disseram os psicólogos.   Isso sugere que “os mecanismos cognitivos que são responsáveis pelo aprendizado instintivo da regularidade estatística” se aprimoram quando lutamos para achar significado numa narrativa fragmentada.

 

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Num segundo experimento, pediu-se aos participantes que se lembrassem de ocasiões em que eles se comportaram de maneiras diversas. Foram, então, instruídos a considerar a idéia de que “tinham duas pessoas diferentes habitando o mesmo corpo”. Este teste,  também obteve resultados semelhantes: quem havia seguido a literatura do absurdo, conseguiu melhores resultados em achar as séries das letras. Melhor do que outros membros do grupo de estudo.  “A divisão no desenrolar de um argumento com as diferentes unidade de ser  pareceram motivar as pessoas a acharem novas e diferentes associações em séries”.

Os psicólogos, Proulx e Heine, acreditam que essas experiências demonstram a necessidade humana de impor ordem no que nos atinge, criando parâmetros de significado.  Qualquer aparente ameaça a esse processo parece “ativar uma válvula que procura por um significado, que quando é ativado se lembra de qualquer outro tipo de associações a fim de restaurar um significado”.

 

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Então tudo indica que o filósofo Viktor Frankl estava correto quando enunciou: O homem está perpetuamente a procura de significado.  E se um romance de absurdo, à maneira de Kafka, parece estranho na superfície, pelo menos ele garante que nossos cérebros se acendam e procurem intensmente um significado num padrão aparentemente invisível.  Isso é, de fato, muito melhor do que acordarmos uma manhã para descobrirmos que nos tornamos numa barata gigante. 

 

FONTE:  Miller-Mccune





BLOGDAY 2009 — minhas recomendações

31 08 2009

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O que é o BlogDay?

 

O BlogDay foi criado na convicção de que os bloggers deverão ter um dia dedicado ao conhecimento de novos blogs, de outros países ou áreas de interesse. Nesse dia os bloggers recomendarão novos blogs aos seus visitantes.

O que acontecerá no BlogDay?

 

Durante o dia 31 de Agosto, bloggers de todo o mundo farão um post a recomendar a visita a novos blogs, de preferência, blogs de cultura, pontos de vista ou atitude diferentes do seu próprio blog. Nesse dia, os leitores de blogs poderão navegar e descobrir blogs desconhecidos, celebrando a descoberta de novas pessoas e novos bloggers.

 BlogDay instruções:

 

  1. Liste cinco novos Blogs que você ache interessantes.
  2. Escreva uma breve descrição dos Blogs indicados e adicione o respectivo link.
  3. Notifique por email esses cinco bloggers de que serão recomendados por você no BlogDay 2009.
  4. Publique no BlogDay (no dia 31 de Agosto) esse post.
  5. Junte a tag do BlogDay usando este link:
  6. http://technorati.com/tag/blogday2009 um link para o site do BlogDay: http://www.blogday.org

 

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Este é o primeiro BLOGDAY de que participo.  Vamos ver as minhas recomendações deste ano!

 

BATATA TRANSGÊNICA

Há muito tempo leio a Batata Transgênica com regularidade.  Gosto da grande variedade de suas postagens: Contos, crônicas, filmes, história, jogos, testes, tecno-ciência e por aí afora.  Já fiz uma de suas receitas com sucesso.  E adoro suas postagens chamadas Domingueiras, que nada mais são do que pensamentos esparsos, pequenas dicas.  Inteligente e crítico.  Vale a visita constante.

 

PAISAGENS DA CRÍTICA —

Boas discussões sobre livros e cultura geral, focada no Brasil e naquilo que interessa a muitos brasileiros.  Nem sempre concordo com o autor, mas estou sempre disposta a lê-lo.  Vale acompanhar.

 

AS ÁRVORES DE SÃO PAULO

Sempre aprendo muito sobre o Brasil e as nossas árvores, sobre paisagismo, natureza, plantio e sobrevivência da flora brasileira.  É um prazer, um verdadeiro passeio por jardim tropical.

 

BIBLIOTECÁRIO DE BABEL

Este é um blog sobre livros.  Tudo o que cabe entre duas capas.  Inteligente e abrangente.  Vale muitas e dedicadas visitas.

 

VICTORIAN PAINTINGS

Uma das melhores coleções de imagens de pintura do século XIX.  Com referências completas e corretas. 

 





Imagem de leitura — Jane Tanner

26 08 2009

Jane Tanner, (Melbourne, Australia, contemporânea) Amiguinhos lendo 1992,Amiguinhos lendo, 1992

Jane Tanner ( Austrália 1946)

Técnica mista

 

Barbara Jane Tanner ( Austrália, 1946) Assina Jane Tanner, é uma ilustradora de livros infantis.  Fez a faculdade  na National Gallery School de Melbourne, formando-se em pintura e gravura.  Por muitos anos trabalhou como pintota.  Quando surgiu a oportunidade de ilustrar livros para crianças descobriu uma área de interesse e em 1989 foi reconhecida com o Prêmio de Ilustração do Livro do Ano [Children’s Book of the Year Award], patrocinado pelo Conselho de Livros Infantis da Austrália.  O prêmio foi dado pelas ilustrações de Drac e o Gremlin, de autoria de Allan Baillie.   Daí por diante foram muitos os prêmios que recebeu por suas ilustrações.  Ainda trabalha até hoje com ilustrações para livros infantis na sua cidade natal de Melbourne.





PAPA-LIVROS: Benoîte Groult, Um toque na estrela

25 08 2009

As Parcas castellcoch

As Parcas, c. 1875

Escultura sobre a lareira, Salão Principal

Castell Coch, próximo a Cardiff .

País de Gales, Grã Bretanha

 

Aos 86 anos, Benoîte Groult, famosa feminista e jornalista francesa, escreveu um livro que se tornou um grande best-seller naquele país: Um toque na estrela [Rio de Janeiro, Record: 2009, 2ª edição].  O título é intrigante e esclarecido só ao final da leitura.  Mas o texto é claro e ajuda a refletir sobre um assunto raramente abordado com tanta destreza: a velhice.   Com extraordinário bom humor, Benoîte Groult nos guia revelando o processo de envelhecimento de um ser humano: as restrições físicas; as restrições e expectativas impostas pela sociedade, pelos colegas de trabalho, ou membros da família. 

Um recurso literário de grande valia neste romance,  que ajuda o enquadramento das causas defendidas pela autora, foi a narração  ser feita por uma das Parcas ou Moiras.  No romance, cuja tradução, de Ari Roitman e Carmem Cacciacarro, achei às vezes próximo demais ao francês, uma Moira começa e termina a história.  O parágrafo inicial marca o tom imparcial, às vezes irônico e nunca piedoso desta divindade que não nos deixará esquecê-la através do romance: 

Todos me chamam de Moira.  Vocês pensam que não me conhecem, mas todo mundo vive mais ou menos comigo sem saber, e ocupo um lugar cada vez maior em boa parte de suas vidas.  Aliás, ser uma Moira tornou-se um emprego apaixonante desde que tantas pessoas, que passaram seus verdes anos se achando eternas, perdem o norte conforme a flor da idade vai murchando e surge, inexorável, o fruto da maturidade.

 

Lafayette Ragsdale, (EUA) A good book,  2006

Um bom livro, 2006

Lafayette Ragsdale (EUA, contemporâneo)

 

É de fato esta Moira, quem fechará com chave de ouro a narrativa que culmina no debate interno que cada leitor , gentilmente guiado, trava com a autora, sobre a eutanásia, ou mesmo, o direito de se escolher o momento da morte.   

Acostumada a tratar de assuntos polêmicos através de suas colunas jornalísticas Benoîte Groult se tornou conhecida pela maneira sucinta com que caracteriza conceitos complexos, lembrando em muito suas conterrâneas, as grandes pensadoras francesas do século XVII, XVIII e XIX,  tais como Marquesa de Lambert,  Mme de Sévigné,  Françoise de Graffigny, Mme de Staël, e tantas outras cujas citações, por suas clareza e mordacidade atravessam séculos.   Como elas, Benoîte Groult tem dezenas de frases conhecidas: A velhice é tão longa que não se deve começá-la muito cedo [«La vieillesse est si longue qu’il ne faut pas la commencer trop tôt.»];  O que há de melhor na navegação é desembarcar [«Ce qu’il y a de plus beau dans la navigation, c’est de débarquer.»]; O feminismo nunca matou ninguém – o machismo mata todos os dias [« Le féminisme n’a jamais tué personne – le machisme tue tous les jours »].

 Muitas e muitas citações semelhantes podem ser retiradas de Um toque na estrela.  Quando o grupo Papa-livros se reuniu para discussão do texto , alguns membros, conhecidos por tomarem notas de passagens importantes dos livros que lêem, chegaram desta vez com os próprios livros cheios de marcadores, tal a abundância não só de possíveis citações significativas, mas de passagens inteiras que remetem a experiências próximas, às vezes bastante engraçadas, às vezes sentimentais.  

 

Linda Armstrong Joan_Reading 1994

Joan lendo, 1994, por Linda Armstrong.

 

Entrelaçado à descrição do dia a dia da velhice,  Benoîte Groult narra um belíssimo e tórrido romance entre dois adultos, um romance extraconjugal de ambas as partes, um romance além das fronteiras geográficas de cada componente.  Ele lembra ao leitor, entre outras situações, da necessidade de se aproveitar a vida ao máximo, ao extremo, com corpo e alma, porque é só do presente que se sabe.  E talvez nem mesmo deste. 

Enquanto, como leitores, somos apresentados a situações relativas ao incômodo do envelhecimento, ao incômodo,  para os outros, do nosso próprio envelhecimento, ao incômodo de termos que estar sempre parecendo mais jovens do que somos;  somos também apresentados em cores vivas e berrantes à beleza de se estar vivo, à necessidade que temos de nos agarrar ao momento, ao presente, à plenitude.   Por nos mostrar como é envelhecer, e também como é estar vivo, ainda no esplendor de uma idade madura e competente, somos convidados a desfrutar ao máximo a vida que temos.  Este livro é um hino à vida.  Um lembrete para que não a tratemos mal, mas que a honremos.  É preciso tomar com suas próprias mãos as oportunidades, porque elas não voltam mais.  As Parcas, as Moiras, elas sim, estão sempre atentas, sempre ocupadas, prontas para exercer os seus poderes.

***

 

Benoîte Groult

A escritora Benoîte Groult.

 

 

Benoîte Groult trabalha hoje, aos 89 anos, num outro livro.





Romance ingênuo de duas linhas paralelas – José Fanha — para crianças, jovens e adolescentes

22 08 2009

linha paralelas

***

 

Romance ingênuo de duas linhas paralelas

 

                                                               José Fanha

 

Duas linhas paralelas

Muito paralelamente

Iam passando entre estrelas

Fazendo o que estava escrito:

Caminhando eternamente de infinito a infinito

Seguiam-se passo a passo

Exactas e sempre a par

Pois só num ponto do espaço

Que ninguém sabe onde é

Se podiam encontrar

Falar e tomar café.

Mas farta de andar sozinha

Uma delas certo dia

Voltou-se para a outra linha

Sorriu-lhe e disse-lhe assim:

“Deixa lá a geometria

E anda aqui para o pé de mim…!

Diz a outra: “Nem pensar!

Mas que falta de respeito!

Se quisermos lá chegar

Temos de ir devagarinho

Andando sempre a direito

Cada qual no seu caminho!”

Não se dando por achada

Fica na sua a primeira

E sorrindo amalandrada

Pela calada, sem um grito

Deita a mãozinha matreira

Puxa para si o infinito.

E com ele ali à frente

As duas a murmurar

Olharam-se docemente

E sem fazerem perguntas

Puseram-se a namorar

Seguiram as duas juntas.

Assim nestas poucas linhas

Fica uma estória banal

Com linhas e entrelinhas

E uma moral convergente:

O infinito afinal

Fica aqui ao pé da gente.

 

fanha

José Fanha

 

José Fanha (Portugal, 1951) Formado em arquitetura é hoje professor do ensino médio e trabalha também para a televisão e o cinema.  Poeta, declamador, autor de letras para canções e de histórias para crianças, autor de textos para televisão, para rádio e para teatro e, também pintor nos tempos livres.

Obras:

Eu sou português aqui

Breve tratado das coisas da arte e do amor

A porta

Elogio dos peixes, das pedras e dos simples

Alex Ponto Com – Uma aventura virtual

Diário Inventado de Um Menino Já Crescido

Os Novos Mistérios de Sintra de Rosa Lobato de Faria, Mário Zambujal, Luísa Beltrão, José Jorge Letria, José Fanha, João Aguiar, Alice Vieira

O Dia em Que o Mar Desapareceu

Poemas da Natureza + CD-Áudio

Abril 30 Anos Trinta

De Palavra em Punho

Cem Poemas Portugueses do Adeus e da Saudade de José Jorge Letria, José Fanha

Tempo Azul

Poemas Com Animais

Cantigas e Cânticos

Baal

Cem Poemas Portugueses Sobre a Infância de José Jorge Letria, José Fanha

Cem Poemas Portugueses Sobre Portugal e o Mar de José Jorge Letria, José Fanha

O Código D’Avintes de Rosa Lobato de Faria, Mário Zambujal, Luísa Beltrão, José Jorge Letria, José Fanha, João Aguiar, Alice Vieira

***  NOTA:  Acredite, na ilustração inicial deste poema só há quadrados perfeitos e linhas paralelas.





Imagem de leitura — Fernand Léger

21 08 2009

Fernand Léger, (1881-1955) Mulher recostada, Art Institute of ChicagoMulher recostada com livro, 1922

Fernand Léger (França, 1881-1955)

Óleo sobre tela,  64,5 x 92 cm

The Art Institute of Chicago

[Doação da Sara Lee Corporation, 1999]

 

Jules-Fernand-Henri Léger (França, 1881 – 1955), Pintor,  desenhista e gravador.  Estudou arquitetura em Caen a partir de 1897, mudando-se para Paris em 1900. Em 1903 entrou para a Escola de Artes Decorativas, onde freqüentou academias livres e a dedicou-se à pintura.  Depois de conhecer o trabalho de Cézanne,  Léger se dedica à abstração das formas, sendo um dos primeiros artistas a fazê-lo, apesar de manter seu trabalho estritamente figurativo.   Léger é um dos mais importantes artistas do século XX.





Alguns versos memoráveis de Carlos Nejar

19 08 2009

Antonio Bandeira, Leitura, 1948, osmLeitura, 1948

Antônio Bandeira ( Brasil, 1922-1967)

óleo sobre madeira

 

Ainda às voltas com a mudança, hoje me dediquei à organização de papelada.  Re-encontrei a uma seleção – feita há algum tempo —  de gemas dos  versos-pensamento de Carlos Nejar, que selecionei como memoráveis.   Acho que vale a pena lembrá-los.

 

 

Quero locar/ minha ambição/ aos loucos.  [Aluguel]  

Aventura humana: a esperança. / Não há outra couraça/ ou fortuna.  [Aventura]

 O medo rói.  [Ruminação] 

Amar é a mais alta constelação. [Aqui ficam as coisas – XII]

 Todas as minhas raízes estão contigo.  [Aqui ficam as coisas – X]

 É preciso esperar contra a esperança.  [Contra a esperança]

 Bem-aventurados os pássaros,/ as nuvens, as madrugadas.  [ Bem-aventuranças] 

Abram alas,/ que a vida vem chegando. [Cortejo] 

Pássaros somos/ sem o menor retorno. [ Alforria] 

Só a loucura nos salva/ onde a razão lança as redes.  [Derrubada] 

Levo esta vida/ ou esta morte/ sem cobrar frete/ ou transporte.  [Carregamento] 

O homem se reconhece/ mesmo sem identidade.  [Espelho]

 Sobretudo nos tropeços, / o homem se reconhece.  [ Espelho]

 Entupimos/ o pensamento/ com a mania de pensar.  [Rasante]

 Os dias / são caminhos ou rodízios. [Freqüência]

 

Em: Três livros: árvore do mundo & o chapéu das estações & o poço do calabouço,  Carlos Nejar,  Círculo do Livro, São Paulo, s/d. Páginas: 38, 130, 216, 249, 260, 267, 270, 278, 284, 300,  306, 328, 335.

 

Carlos-Nejar

 

Luís Carlos Verzoni Nejar, também usou o pseudônimo: Verne de Luca ( RS, 1939) Poeta, tradutor, diplomado em direito (1962), procurador da justiça, membro da ABL (1989), prêmio Jorge de Lima – INL (1970), Fernando Chináglia – UBE (1974), Luísa Cláudio de Sousa – Pen Clube Brasil (1977).

 

 Obras:

50 Poemas Escolhidos pelo Autor, 2004  

A Chama é um Fogo Úmido: Reflexões sobre a Poesia Contemporânea,  1994  

A Engenhosa Letícia do Pontal , 2003  

A Espuma do Fogo, 2002  

A Formiga Metafísica,  1987  

A Genealogia da Palavra,  1989  

A Idade da Aurora,   1990  

A Idade da Noite  2002  

Amar, a Mais Alta Constelação  1991  

Aquém da Infância  1995  

Arca da Aliança  1995  

Árvore do Mundo  1977  

As Águas que Conversavam  2003  

As Uvas e o Vento  2004  

Caderno de Fogo  2000  

Canga  1971  

Carta aos Loucos  1998  

Casa dos Arreios  1973  

Cem Sonetos de Amor  1999  

Cinco Poemas Dramáticos  1983  

Danações  1969  

De “Sélesis” a “Danações”  1975  

Eduardo Portella : Ação e Argumentação : Trinta Anos de Vida Intelectual  1985  

Elza dos Pássaros ou A Ordem dos Planetas  1993  

Era um Vento muito Branco  1987  

Escritos com a Pedra e a Chuva: Entre a Poesia e a Ficção  2000  

Ficções  1972  

Jerico soletrava ao Sol  1986  

Livro de Gazéis  1984  

Livro de Silbion  1963  

Livro do Tempo  1965  

Memórias do Porão  1985  

O Campeador e o Vento  1966  

O Chapéu das Estações  1978  

O Elogio da Sombra  1971  

O Evangelho Segundo o Vento  2002  

O grande vento  1998  

O Livro do Peregrino  2002  

O menino-rio  1984  

O Pai das Coisas  1985  

O Poço do Calabouço  1974  

O Selo da Agonia : Livro dos Cavalos  2001  

O Túnel Perfeito  1994  

Ordenações  1969  

Ordenações  1971  

Os Dias Pelos Dias  1997  

Os Sobreviventes  1979  

Os Viventes  1979  

Riopampa  2000  

Sélesis  1960  

Simón Vento Bolívar  1993  

Somos Poucos  1976  

Sonetos do Paiol: ao Sul da Aurora  1997  

Todas as Fontes Estão em Ti  2000  

Tratado de Bom Governo  2004  

Ulalume  2001  

Um Certo Jaques Netan  1991  

Um País, o Coração  1980  

Vozes do Brasil: Auto de Romaria  1984  

Zão  1988

 

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Antônio Bandeira, ( Fortaleza 1922-Paris 1967) Desenhista, gravador e pintor.

Autodidata.  Trabalhou com Clidenor Capibaribe, o Barrica e Mário Barata que o orientaram no inicio de sua carreira. Em 1944 fundou a «Sociedade Cearense de Belas Artes», com Inimá de Paula, Aldemir Martins, João Maria Siqueira e Francisco Barbosa Leite, entre outros.  Ganhou bolsa de estudos na França (1946-1950) pela exposição no Instituto dos Arquitetos do Rio de Janeiro e freqüentou a Escola Superior de Belas Artes e a Académie de La Grande Chaumière.  Passa então de pintor figurativo a pintor abstrato.