São Jorge e o dragão, 1975
Orlando Teruz (Brasil, 1902 – 1984)
óleo sobre tela, 101 x 81 cm
São Jorge e o dragão, 1975
Orlando Teruz (Brasil, 1902 – 1984)
óleo sobre tela, 101 x 81 cm
Desembarque de Pedro Álvares Cabral em Porto Seguro, 1922
Oscar Pereira da Silva (Brasil, 1867 – 1939)
óleo sobre tela, 190 x 333 cm
Museu Paulista, São Paulo

Cálice da Infanta Urraca de Zamora (1033-1101), século XI
Ourives desconhecido
Bronze
Tesouro de San Isidro, León, Espanha
Mantido no Museu da Congregação de San Isidro em León, na Espanha, o cálice da Infanta Urraca de Zamora, filha mais velha de Fernando I de Leão ede sua esposa, rainha Sancha I de Leão. Urraca viveu entre os anos 1033 e 1101, tendo vida longa para este período, 68 anos. Herdou, como determinado ainda em vida, os territórios de Zamora.
O cálice é composto por duas taças muito antigas de origem greco-romana anterior ao cristianismo. Uma serve de base, outra de recipiente. Feitas em pedra ônix, elas apresentam algumas lascas anteriores à construção do cálice. Desconhece-se a origem destes dois copos assim como não se sabe porque Doña Urraca decidiu entregar aos ourives da corte algo que materialmente não tinha grande valor. Especula-se sobre uma possível consagração destas duas peças ao culto litúrgico, feito talvez por algum personagem venerável da primitiva Igreja Cristã, mas não existem documentos ou testemunhos escritos a este respeito. Mas os ourives de Leão fizeram um excepcional trabalho artístico. E converteram o que na época era um objeto pagão, em uma taça digna de admiração.
As peças de ônix são cobertas em ouro: copo, haste e base, expondo parte do copo e quase toda a base. O interior da taça também é forrado em ouro. Os ourives fizeram com grande maestria e delicadeza as filigranas que formam desenhos, arcos, espirais e pequenos caracóis. Pérolas, esmeraldas, ametistas e safiras foram embutidos nos buracos. Incorporada também há uma máscara de vidro imitando uma camafeu, adicionado após o trabalho da composição do cálice. Na base e antes do nó, vê-se a inscrição: EM NOMINE DOMINI VRRACA FREDINANDI.
No século XI o reino de Leão teve um de seus momentos de maior esplendor. Fernão I, o Grande, tornou-se um dos reis mais importantes da cristandade na Europa, levando a cabo a reconquista, de Coimbra a Valência. Quando faleceu, Fernão I, entregou a seus filhos terras: a Alfonso, León; Sancho herdou Castela; Galícia a Garcia; Toro foi para as mãos de Elvira e Urraca foi feita Senhora de Zamora.


Alce de ouro, século VI aEC.
Ornamento de escudo
encontrado em um kurgan próximo à vila Kostromskaia, em Prikubanie
Museu Hermitage
Essa descoberta arqueológica na Rússia em 2018, trouxe à tona a cultura dos citas, e dos kurgans, uma vez mais. Os citas eram nômades da antiguidade que viveram nas estepes eurasiáticas centrais e ocidentais dos séculos IX ao I antes da Era Comum. Eles deixaram muitos locais de sepultamento, conhecidos como “kurgans”, que se distribuem hoje pelo território da Rússia moderna e da Ucrânia. Esses locais estavam repletos de objetos de ouro, que aparentemente desempenhava um papel significativo na visão de mundo dos citas e simbolizavam a vida eterna. O povo da cultura kurgan no norte do mar Negro seria o mais provável criador do idioma das línguas indo-européias que se espalharam pela Europa, Eurásia e partes da Ásia.
Tesouro de Carambolo, séculos VII a V aEC. Museu Arqueológico de Sevilha.
Um mistério resolvido. Em 1958 um tesouro foi descoberto por arqueólogos no Morro El Carambolo, a 2 km oeste de Sevilha, Espanha. Foram 21 peças de ouro de 24 quilates, trabalhadas: um colar com pingentes, duas pulseiras, dois peitorais de couro de boi e 16 placas que podem ter feito um colar ou um diadema. As joias foram enterradas dentro de um vaso de cerâmica, deliberadamente enterrado no século VI aEC.
Desde de sua descoberta, o Tesouro de Carambolo, como ficou conhecido, foi fonte de especulação para estudiosos. As peças datavam de aproximadamente 500 anos antes da Era Comum, ou seja, tinham 2700 anos de idade. Por causa de sua idade e da proficiência na manufatura, essas joias, pareciam ser prova de uma civilização conhecida unicamente por livros, uma cidade mítica, portuária, na foz do rio Guadalquivir, na Andaluzia, costa sul da península ibérica, cujo nome em grego seria Tartessos, que para os gregos, seria o ponto de nascimento da cultura europeia.
Tesouro de Carambolo, séculos VII a V aEC. Museu Arqueológico de Sevilha.
Muitas fontes da antiguidade se referem a esse local, inclusive Heródoto que o descreve, assim como descreve os Pilares de Hércules (Estreito de Gibraltar) e até menciona um rei em Tartessos, chamado Arganthonios, cujo reinado compreendia os oitenta anos entre 625 –545 aEC. Os tartessianos teriam fundado a cidade de Tartessos 1000 anos antes e seu auge estaria nos trezentos anos entre os séculos IX e VI aEC.
De acordo com historiadores gregos a cultura Tartessiana se caracterizava pelo adiantado uso de metal. O historiador Éforo de Cime (400 – 330 aEC) cita “um mercado muito próspero chamado Tartessos, com muito estanho transportado por rio, bem como ouro e cobre de terras celtas“. O comércio de estanho era lucrativo na Idade do Bronze, pois é um componente essencial para a manufatura de bronze e não é um metal comum. O povo de Tartessos tornou-se importante parceiro comercial dos fenícios e sabemos que esses estavam presentes na península ibérica desde o século VIII aEC. Diversos povoados ao longo do vale do Guadalquivir estão documentados. Juntos formavam um todo, cuja capital talvez fosse Turpa, no lugar que hoje está o Porto de Santa Maria. Com os fenícios houve aumento na exportação das minas de cobre e prata e Tartessos se tornou um dos portos mais importantes na exportação de bronze e prata para o Mediterrâneo. Imperadores eram os chefes do sistema político desta civilização. Eles também se utilizavam da escrita. Suas leis eram registradas em placas de bronze. Mas no século VI aEC., Tartesso desaparece possivelmente destruída por Cartago
Tesouro de Carambolo, séculos VII a V aEC. Museu Arqueológico de Sevilha.
Nos anos 50 do século passado, muitos pensaram que o Tesouro de Carambolo representasse peças vindas do Leste do Mediterrâneo, ou dos fenícios ou pelos fenícios.
O mistério da origem do Tesouro Carambolo foi resolvido graças aos novos métodos de análises químicas e isotópicas que permitiu examinar minúsculos fragmentos de ouro que se separaram de uma das joias. Esta análise revelou que o material veio das mesmas minas associadas a túmulos subterrâneos monumentais em Valencina de la Concepción, que datam do terceiro milênio aEC., também próximos a Sevilha. As joias encontradas no Tesouro Carambolo marcam o fim de uma tradição contínua de processamento de ouro que começou cerca de 2.000 anos antes com Valencina de la Concepción.
©Jose Lucas, Alamy O tesouro inclui placas de ouro em forma de retângulos e peles de boi, e pesa mais de cinco quilos.
O tesouro inclui placas de ouro em forma de retângulos e peles de boi e pesa mais de cinco quilos. Embora o ouro fosse adquirido localmente, as joias foram fabricadas usando técnicas fenícias. Um templo fenício foi identificado na área onde a horda do Tesouro Carambolo foi encontrada, e o tesouro em si é provavelmente o produto de uma cultura mista de fenícios e tartessianos ou seja uma cultura que amalgamou povos nativos do Mediterrâneo Ocidental e marítimos do Oriente Próximo.
Tesouro de Carambolo, séculos VII a V aEC. Museu Arqueológico de Sevilha.
Exemplo da escrita Tartessiana.
DETALHE — Lady Mary Capell, Duquesa de Beaufort
Peter Lely (Holanda-Inglaterra, 1618 – 1680)
óleo sobre tela, 130 x 170 cm
Metropolitan Museum of Art, Nova York
Lady Mary Somerset [Capell], primeira Duquesa de Beaufort na Inglaterra, (1630 -1715) manteve um grande complexo de jardins na sua propriedade em Badminton. Foi muito mais do que uma pessoa dedicada ao canteiros e jardins, foi uma séria estudiosa e investigadora de plantas. Seus jardins não eram um hobby para ela, suas observações e experimentos documentam interesse científico sério que trouxe ao conhecimento da época muitas novidades.
Ativa em se corresponder com botânicos conhecidos como Southwell e Sir Hans Sloane e também com Sir Robert Southwell, Presidente da Royal Society, ela manteve notas preciosas sobre plantas, observações sobre a manutenção delas, germinação de sementes, poda e alimentação de plantas raras.
Selecionou folhas e flores colocando-os em livro. Desenhou com cuidado plantas de seu interesse que ainda podem ser vistos hoje nos 12 volumes que formam o seu Herbário. Infelizmente sua obra nunca foi publicada. Mas sobreviveu por mais de 300 anos e hoje se encontra na Biblioteca Botânica do Natural History Museum, Londres.
Espécimes do Hortus Siccus, da Duquesa de Beaufort, no Museu de História Natural de Londres.
A propriedade em Badminton no século XIX

Hoje


Abaixo a obra completa dos retratos das irmãs Capell
Lady Mary Capell, Duquesa de Beaufort e sua irmã Elizabeth Capell, Condessa de Carnarvon

Ânfora com o nascimento de Dionísio, entre 500 — 490 a. E.C. [DETALHE]
Atribuído ao Pintor de Diosfos
Local de criação: Grécia, Sterea Hellas Evoia, Ática
Estilo grego, arcaico, com figuras negras
Argila, 20,5 cm, 12, 8 cm, 11, 8 cm diâmetro
Bibliothèque nationale de France
Lado oposto: Cena com Atenas e Hércules
O nascimento de Dionísio, deus grego, se prestou a diversas representações nas artes desde éa Grécia Antiga aos dias de hoje. Dionísio teve como progenitores Zeus e Sêmele, que foi uma princesa de Tebas, filha de Cadmo, herói fundador daquela cidade. Sêmele, de grande beleza, acabou seduzida por Zeus , que se disfarçou de homem comum. Para conquistá-la Zeus prometeu a Sêmele nunca lhe negar qualquer desejo. Nesse meio tempo, Hera, que já era casada com Zeus, não gostou da traição do marido e irmão. Tomada por ciúmes, Hera construiu um plano para se desfazer de Sêmele. Disfarçou-se de serva da princesa, e acabou por convencer a jovem a pedir uma prova de amor de Zeus. Queria que ele demonstrasse que era quem dizia ser e que viesse vê-la com as roupas mais brilhantes que conseguisse.
É preciso lembrar algo importante para o desenrolar desta história. A existência do rio Styx (Estige) fronteira entre o céu e o inferno e caminho para a entrada ao submundo depois da morte, tinha águas com poderes milagrosos, tornando invulnerável quem nelas mergulhasse. Uma promessa feita pelo rio Styx (Estige) era o voto mais sagrado que poderia ser feito. E qualquer promessa não cumprida, Styx cobraria. Por isso, todos os juramentos feitos pelos deuses eram feitos à margem de suas águas, sendo obrigados a cumpri-los. Por isso Zeus se encontrou-se em dificuldades para atender ao pedido de Sêmele. Acabaria por contrariar sua própria palavra ao Styx.
Zeus cumpriu a promessa feita à amada, consciente do que algo terrível lhe aconteceria, porque havia jurado pelo Styx, rio da imortalidade, coisa que nem mesmo uma divindade poderia romper. Foi, então punido. Sêmele transformou-se em pó. Transformou-se em pó por não aguentar o brilho das vestimentas de Zeus. Tudo que ele pode fazer foi salvar seu filho, retirando-o do ventre materno aos seis meses de gestação, gerando-o em sua própria coxa, até o nascimento.

Cristóvão Colombo, descobridor da América, em 1492, com a Nau Santa Maria ao fundo.
Litografia colorida de 1930
Anônima
Um café em Londres, por volta de 1705.
Muita gente acha que o café, lugar de encontro para bater papo, para tomar uma bebida quente, para fazer e encontrar amigos é uma invenção moderna. Enganam-se todos que assim pensam.
Os primeiros cafés de que se tem notícia foram estabelecidos em Meca, e se tornaram em meados do século XVI, um problema para os imãs, porque se tornaram lugares de discussão política e lugares de ingestão de bebidas. Por isso mesmo, foram proibidos por doze anos entre 1512 e 1524. No entanto, a necessidade de um lugar onde se pudesse tomar um café era intensa e foi em 1530, em Damasco que os cafés saíram do domínio de Meca para o resto do mundo. Logo depois Cairo se tornou um grande centro de cafés. E em 1555 sabe-se da abertura do primeiro café, lugar de encontros, em Istambul, naquela época chamada de Constantinopla.
Veneza foi a primeira cidade da Europa ocidental a se orgulhar de um café, aberto em 1629. A influência do império otomano nesta cidade mercantil explica o acontecimento. Da península itálica os cafés, como lugares de encontro, de conversas e discussões políticas, foram para a Inglaterra, outro país dependente do comércio internacional. Em 1650, o primeiro café inglês abriu na cidade de Oxford.
Nos 15 anos entre 1670 e 1685 foi grande o número de cafés abertos em Londres. E populares, tornaram-se locais de debate público. Foi só em 1672 que se tem notícia do primeiro café parisiense que teve monopólio sobre esse comércio por 14 anos quando, em 1686, o Café Procope abriu suas portas, à Rue de l’Ancienne Comédie, VI arrondissement, local que também tem o título de mais antigo restaurante de Paris em uso contínuo.