No aniversário da cidade do Rio de Janeiro

1 03 2009
Praia de Botafogo, ao fundo O Corcovado, RJ.  Foto: Ladyce West

Praia de Botafogo, ao fundo O Corcovado, RJ. Foto: Ladyce West

 

 

 

Se algum ponto do Novo Mundo merece, por sua situação e condições naturais, tornar-se um dia teatro de grandes acontecimentos, um foco de civilização e cultura, um empório do comércio mundial é, ao meu ver, o Rio de Janeiro.  Não posso aqui reprimir essa  observação.

 

Em: Viagem ao interior do Brasil empreendida nos anos de 1817 a 1821, Johann Emmanuel Pohl, traduzido por Milton e Eugênio Amado, Rio de Janeiro INL [Instituto Nacional do Livro]:1951





Feliz Aniversário, Rio de Janeiro: 444 anos!

1 03 2009
Enseada de Botafogo, ao fundo o Pão de Açúcar, Foto: Ladyce West

Enseada de Botafogo, ao fundo o Pão de Açúcar, Foto: Ladyce West

 

A cidade do Rio de Janeiro comemora hoje 444 anos desde sua fundação por Estácio de Sá.

 

Para lembrar esta passagem, transcrevo aqui um trecho de uma carta enviada pelo pintor francês Edouard Manet, quando visitou o Rio de Janeiro, no Carnaval de 1849.

 

 

Os arredores da cidade são incomparavelmente bonitos, nunca vi uma natureza tão bela.  Ontem na companhia de alguns solteirões, fiz um passeio por uma ilha situada ao fundo da baía.  Divertimo-nos deveras.  A casa em que nos hospedamos por três dias é encantadora e tipicamente crioula.  Excursionamos por uma floresta virgem.  É uma experiência interessante, exceto pelas cobras, que tornam o passeio menos prazeroso.

 

 

Carta de Edouard Manet, de 26 de fevereiro de 1849, a seu primo Jules.

 

 

Viagem ao Rio: cartas da juventude, 1848-1849, Edouard Manet, trad. e apresentação de Jean Marcel Carvalho França, Rio de Janeiro, Editora José Olympio: 2002, página 92





Instrumentos musicais feitos de gelo?!?

27 02 2009

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Foto: Bjørn Furuseth

 

 

 

 

Apesar de carioca, confesso que não sou muito chegada ao calor.  E depois deste mês de temperaturas bastante altas, sem nenhuma brisa para aliviar o mal-estar, andei sonhando com lugares para visitar no próximo ano.  Eis que do nada me deparo com algo realmente mirabolante: um festival de música no gelo.  Isso mesmo.  Acho que tentarei comprar entradas para a próxima versão deste festival em 2010.  

 

As fotografias do evento deste ano me deixaram com muita vontade de pelo menos conhecer este fenômeno.  Os concertos nesta ocasião são tocados por violões, guitarra, flautas, violinos, harpas, órgãos e outros instrumentos, todos feitos de gelo, isso mesmo, de água congelada!  É difícil de acreditar, mas  é a absoluta verdade. 

 

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Foto: Bjørn Furuseth

 

 

 

 

 

O local é a chamada catedral, um espaço como um gigantesco iglu na glacier Val Senales na região da Itália tirolesa.  Composta de uma cúpula de 12 metros de altura a catedral é completamente feita de gelo.  É uma experiência arquitetônica sem igual, dizem os visitantes, porque há mais de um ambiente, e tanto os palcos, como as poltronas em fila, o bar, tudo é esculpido no gelo.  Ensembles e orquestras tocam suas músicas em instrumentos feitos com gelo.  Dizem que a acústica é perfeita.  O festival começou no dia 27 de janeiro e vai até o inicio de Abril.

 

A estadia precisa ser marcada com antecedência pois  fica por conta das hospedarias de quatro aldeias no vale entre montanhas: Certosa, Monte Catarina, Madonna di Senales e Vernago.   Estas aldeias estão acostumadas a hospedar turistas por na parte superior do vale fica a estação dos carrinhos a cabo de Val Senales, que é uma estação de esqui aberta o ano inteiro.  Na verdade, esta região é o conhecido caminho, há muitos e muitos séculos  por onde pastores italianos levavam seus cordeirinhos para os pastos verdes do vale Ventertal na Áustria.  Foi aqui neste local que Ötzi o Homem da Neve, foi encontrado em 1991, seu corpo muito bem preservado  na montanha Similaun no coração da glacier  Val Senales.  

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REUTERS/Alessandro Bianchi

 

 

 

Uma série de concertos é programada.  Cada concerto está  programado para ter um estilo diferente e há também um concerto especial para crianças.  Em 2009 todos os concertos são realizados às 11:00 e às 15 horas.  Mas há alguns poucos concertos às 17 horas.   O festival também tem um show de luzes e um de fogo.  E no final há uma descida de esqui à luz de tochas.   A entrada para todos os eventos é gratuita.  

 

Por mim, eu passo a descida de esqui à luz de tochas, mas ficaria feliz de ver os esquiadores.  Todo o resto me parece perfeito!!!!!!!!!

 





Histórias do Saci — poema infantil de Marieta Leite

27 02 2009

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Ilustração de Maurício de Sousa

HISTÓRIAS  DO SACI

 

                                              Marieta Leite

 

 

A criançada foi dormir

pensando nas histórias

do saci-pererê.

 

 

Lá fora,

fria, farfalha a floresta densa

e o vento zune

nos túneis estreitos das montanhas

imensas

  paradas 

vestidas da luz assombrada

que esguicha a lua fantasma.

 

 

E o saci-pererê

  pererê …  pererê! …

balança o corpinho negro

enrodilhado no cipós.

E espia p’ra o alto

e manda p’ra lua

um assovio fino

que zune mais que o vento

e farfalha mais que o mato

  Pererê …  pererê! …

 

 

Mas quando a madrugada foi chegando,

empurrando

com seus dedos de luz

o capuz de cetim

da noite enluarada,

e a manhã,

trepada na montanha mais alta,

sorriu

seu sorriso de sol

a criançada foi espiar a janela

que tinha amanhecido toda aberta

 escancarada  

Sem que ninguém soubesse como nem por quê.

 

 

Mas …  ah!

O galho fresco de árvore,

lascado de novo,

que em cima dele se achava,

com certeza

tinha servido de chicote

ao saci-pererê.

 

 

Mas só a tia Josefa é que sabia,

que fora o vento,

que cobrira de pétalas o chão.

E que o galho fresco de árvore

lascado de novo,

tinha sido um pedaço de chicote

do filho de Siá Maria

que ela vira,

ao abrir a janela,

madrugadinha ainda,

fustigar, em demanda do pasto,

seu cavalo alazão.

 

 

Em:  Terra Bandeirante de Theobaldo Miranda Santos, para o 3° ano primário,  Rio de Janeiro, Agir: 1954.

 

——

VOCABULÁRIO

 

Farfalha – faz ruído sob a ação do vento

 

Densa  cerrada

 

Lua fantasma – lua que mete medo

 

Túneis – passagens ou caminhos debaixo da terra

 

Escancarada – aberta completamente

 

Fustigar – bater com vara ou com chicote

 

Em demanda – em busca, à procura

 

Alazão  cor de canela

 

———–

 

Questionário:

 

1 – Que foi fazer a criançada?

 

2 – Que fazem, lá fora, a floresta e o vento?

 

3 – E o saci-pererê?

 

4 – Que fez a criançada quando chegou a madrugada?

 

5 – Para que serviu o galho de árvore lascado?

 

6 – Que sabia a tia Josefa?





Lan houses refletem familiaridade com a internet?

26 02 2009

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Opção: cartum de Máucio,  Livro: Edição de risco, 2006, Porto Alegre

 

 

 

Ando atrasada nas minhas leituras semanais e mais ainda nas notas para este blog.  Mas durante o longo fim de semana do Carnaval, voltei a dar uma limpeza na papelada que junto para futura referência e encontrei um artigo O novo astro pode ser você, que foi publicado originalmente na revista New Scientist, e traduzido e publicado no Brasil pela revista Época de 9 de janeiro de 2009.  

 

Eu o havia separado, não só porque é um artigo sobre um assunto interessantíssimo: Centros de pesquisa estão transformando os enigmas científicos, como a identificação de galáxias, em games viciantes.  Qualquer um pode ajudar a desvendá-los.   Como mostra o artigo, mas principalmente porque a fotografia de um jovem chinês em uma Lan house em Pequim simplesmente me deixou de cabelo em pé!

 

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Lan house em Pequim. Foto: Teh Eng Koon,  AFP

 

 

 

Há alguns meses que venho sentindo que andamos nos enganando no Brasil ao repetirmos que o acesso à internet está cada vez mais difundido.  Talvez eu tenha me enganado ao interpretar as notícias vindas pelos porta-vozes do governo.  Há exatamente dois anos, em março de 2007, a Agência Brasil do governo brasileiro declarava que o Brasil ocupava a 62ª posição mundial em relação ao uso da internet quando consideramos o número de internautas em relação à população do país.  Não era um dado para nos orgulharmos, afinal estar entre as 20 maiores economias do mundo e estar nessa colocação em uso da internet é um pouco encabulante… Mas, simultaneamente a mesma agência divulgava que 32,1 milhões de brasileiros, cerca de 21,9% da população acima dos 10 anos de idade, utilizaram a rede mundial de computadores, a internet, no país. Isso nos colocava com aparente orgulho nacionalista: o Brasil como o primeiro país da América Latina e o quinto no mundo no uso da internet.

 

Ora, talvez eu tenha através do ano e meio seguinte continuado a acreditar — como o nosso governo gostaria que o fizéssemos — que tudo estava muito bem sob um céu azul de bolinhas brancas.  Mas nos últimos seis meses, prestando maior atenção às notícias mundiais comecei a ter esta sensação esquisita, de que as coisas andavam mudando muito rapidamente e que, a não ser em revistas e portais especializados,  a não ser entre os aficionados, não se fala no progresso fora do Brasil. 

 

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Lan House em Copacabana

Eis que me deparo com este artigo na revista Época.  Não necessariamente o artigo que por si só já dava para levantar os cabelinhos da nuca quando pensamos em números: quantos brasileiros, adolescentes ou adultos, passam horas com jogos na internet que possam ajudar a resolver grandes enigmas da ciência?  Não quero nem pensar.  Tenho certeza de que a percentagem será mínima.  Mas o que me chamou a atenção foi um detalhe muito mais prosaico, foi a foto da Lan house ilustrando o artigo.

 

Ora, ora, moro no Rio de Janeiro, que apesar de não ser a capital das finanças brasileiras, ainda é uma senhora cidade com muita força econômica.  Moro também no bairro de Copacabana um dos bairros mais populosos da cidade, um bairro da zona sul do Rio de Janeiro, onde há muitas, muitas Lan houses.  Mas das que conheço – umas 8,  numa área de um raio de 4 quarteirões em volta da minha residência – não há Lan houses com o equipamento mostrado na fotografia da Lan house de Pequim.  Não há Lan houses com monitores modernos, com a quantidade de computadores vistos nesta foto.  E olha que o pessoal por aqui capricha por que tem que dar cobertura aos turistas.

 

 

 

 

De modo que fica a pergunta: o que estamos REALMENTE fazendo para acertarmos o passo com o resto do mundo?

 

 





Imagem de leitura — Noël Saunier

25 02 2009

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Cena de leitura numa clareira, 1871

Noël Saunier ( França, 1847-1890)

Óleo sobre tela





Música para os ouvidos?

24 02 2009

mosquitinha

 

Você sabia que aquele cantar horripilante da fêmea do mosquito, aquele barulho semelhante a um violino desafinado, que não nos deixa dormir, é um verdadeiro poema de amor para os mosquitos machos que os ouvem? É um sinal de preparação para uma grande noite de amor!  Mas nem tudo está perdido em termos de música para os nossos ouvidos!

 

A esperança vem com os cientistas da Universidade de Cornell, nos EUA, que descobriram que, contrário ao que se pensava, os mosquitos Aedes Aegypti têm uma outra música, distinta, só deles.  E acreditam que é que isso venha a trazer os meios para que possam desenvolver cientificamente novas idéias de combate à reprodução desses mosquitos.  Na verdade, procuram também um novo estilo de combate à reprodução dos mosquitos Anopheles gambiae que transmitem a malária. 

 

 O que eles descobriram é que a fase do namoro, a chamada para a reprodução dos mosquitos que transmitem dengue é feita numa frequência de 1200 hertz que é um múltiplo simultâneo de 400 hertz – a freqüência das fêmeas e de 600 hertz a freqüência dos machos.   Este conhecimento talvez venha a servir de inspiração para novas maneiras de se controlar a população de mosquitos.   Tradicionalmente os mosquitos que transmitem a malária e a dengue são combatidos, sem grande sucesso, com inseticidas.

 

Nota baseada em notícia da BBC.





Evitando acidentes XVI

24 02 2009

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No metrô, nas ruas,  em todo lugar,

existem faixas e passagens pra se usar.





Porque é Carnaval…

24 02 2009

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Carnaval, 1968

Emiliano Di Cavalcanti ( RJ 1897 – RJ 1976)

Óleo sobre tela

 

 

 

 

—-

DI CAVALCANTI

Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque e Melo (Rio de Janeiro RJ 1897 – idem 1976). Pintor, ilustrador, caricaturista, desenhista, gravador, muralista. Inicia a carreira artística em 1908. Em 1914 publica seu primeiro trabalho como caricaturista na Revista Fon-Fon. Em 1917, muda-se para São Paulo, freqüenta aulas de direito no Largo São Francisco e o ateliê do pintor impressionista Georg Elpons (1865-1939). Realiza a primeira individual de caricaturas na livraria O Livro. A partir de 1918, integra o grupo de artistas e intelectuais de São Paulo com Oswald de Andrade (1890-1954) e Mário de Andrade (1893-1945), Guilherme de Almeida (1890-1969) , entre outros. Trabalha como diretor artístico da revista Panóplia, em 1918, em São Paulo, e ilustra a revista Guanabara, em 1920, sob o pseudônimo Urbano. Em 1921 ilustra A Balada do Enforcado, de Oscar Wilde (1854-1900), e publica, em São Paulo, o álbum Fantoches da Meia-Noite. É um dos idealizadores e organizadores da Semana de Arte Moderna de 1922, autor do material gráfico da exposição. Muda-se para a Europa como correspondente do jornal Correio da Manhã. Em Paris, estabelece ateliê em Montparnasse e freqüenta a Academia Ranson, onde conhece artistas e intelectuais. Retorna ao Rio de Janeiro em 1925 e em 1928 filia-se ao Partido Comunista do Brasil – PCB. No ano seguinte, faz a decoração do foyer do Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro. Em 1931 participa do Salão Revolucionário e funda em São Paulo, em 1932, com Flávio de Carvalho (1899-1973), Antonio Gomide (1895-1967) e Carlos Prado (1908-1992), o Clube dos Artistas Modernos, CAM. Na Revolução Constitucionalista fica preso por três meses como getulista. Em 1933, casa-se com a pintora Noemia (1912-1992), sua aluna. Publica o álbum A Realidade Brasileira, série de doze desenhos satirizando o militarismo da época. Em Paris, em 1938, trabalha na rádio Diffusion Française nas emissões Paris Mondial. Retorna ao Brasil em 1940; publica poemas na Antologia de Poetas Brasileiros, organizada por Manuel Bandeira (1884-1968). Publica o livro de memórias Viagem da Minha Vida: memórias em três volumes (V.1 – Testamento da Alvorada, V.2 – O Sol e as Estrelas e V.3 – Retrato de Meus Amigos e … dos Outros) editado pela Editora Civilização Brasileira. Premiado em 1971 pela Associação Brasileira dos Críticos de Arte – ABCA. Em 1972 publica o álbum 7 Xilogravuras de Emiliano Di Cavalcanti, pela Editora Onile, e recebe o Prêmio Moinho Santista. Em Salvador, recebe o título de doutor honoris causa da Universidade Federal da Bahia – UFBA, em 1973

 





Porque é Carnaval…

24 02 2009

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Mascarado, 2007

Reynaldo Fonseca

óleo sobre tela 60 x 80 cm

Escritório de Arte, Rio de Janeiro

 

 

Reynaldo Fonseca

Recife, 1925

 

Transferindo-se para o Rio de Janeiro em 1944, tornou-se aluno de Portinari e de volta de uma viagem à Europa, em 1949, e novamente residindo no Rio de Janeiro, estudou com Henrique Oswald, no Liceu de Artes e Ofícios, a técnica da gravura, terminando por retornar a Recife e estudar o «modelo vivo», o que explica a excelente técnica e o rigor compositivo características sempre presentes em todas as suas obras.

Expõe com sucesso desde 1958 (Recife) e desde 1969 (Rio de Janeiro), tendo dividido sua atividade artística entre os dois centros.

Através de seu trabalho percebe-se sua contínua tentativa de seguir a inspiração grandes pintores primitivos onde se encontra presente uma bafagem, tal como um deliciado sopro criador.

«Para conseguir a atmosfera de mistério e nostalgia que pretendo dar aos meus quadros, uso com freqüência, como assunto, velhas fotografias e gravuras. Tecnicamente parto do antigo (por encontrar nele os elementos necessários ao que quero expressar), tratando de dar uma construção pessoal, portanto atual.»  Reynaldo Fonseca.