Dona Feia, poesia de Ernani Vieira

13 07 2013

Haydéa Santiago,Vestido Novo, 1937,ost,65 x 50Vestido novo, 1937

Haydéa Santiago (Brasil, 1896-1980)

óleo sobre tela,  65 x 50 cm

Dona Feia

Ernani Vieira

Feia e boa. Nasceu de uma saudade

E vive uma saudade a reviver…

Foge dessa alegria da Cidade

— para a Cidade não n’a conhecer…

Nossa Senhora de uma Soledade

dentro da soledade a padecer,

a feia — assim como a necessidade

que tenho, há tanto tempo, de a querer…

Tem a Dor e a Ilusão por companheiras

de sua vida, e guarda n’alma, quieta,

a virtude monástica das freiras.

E não sabe afinal, entre ilusões,

que tem a glória de envolver um Poeta

na mais pura de todas as paixões…

Em: A lira da minha terra: poetas antigos e contemporâneos no Pará, selecionado por Clóvis Meira,  sem indicação de editora, Belém: 1993





Interessantes descobertas arqueológicas no México

12 07 2013

pinturarupestremexicoPintura rupestre, Serra de San Carlos, México.

Nas últimas 6 semanas o México surpreendeu com uma série de descobertas arqueológicas de grande valia.  No final de maio foram 4.925 pinturas rupestres em Burgos, no Estado de Tamaulipas, no nordeste do país. Pinturas feitas em cores facilmente encontradas na natureza como vermelho, amarelo, preto e branco representando pessoas, animais, e insetos alem de representações do céu e imagens abstratas, fazem parte de um grande achado, pois não se acreditava que na região da serra de San Carlos houvesse significantes resquícios de antigas culturas.  No entanto, essas pinturas distribuídas em 11 locais diferentes na serra  revelaram três  grupos de povos caçadores cujas idade ainda está imprecisa.  Análise química terá que ser aplicada as esses achados para descobrir mais sobre os habitantes da região.  O material encontrado é extenso e necessitará de cuidadosa investigação.  Só em uma caverna específica foram descobertas 1.550 imagens. A arqueóloga Martha Garcia Sanchez, que está envolvida nos estudos dessas descobertas, lembrou que se sabe muito pouco sobre as culturas que viveram em Tamaulipas: “Esses grupos escaparam do domínio espanhol por 200 anos porque fugiram para a Serra San Carlos, onde encontraram água, plantas e animais para se alimentarem“.

arqueologiacivilizacaomaiaefe1Arqueólogo mostra um dos muros descobertos em Campeche.

Três semanas depois foi  a vez da descoberta em  Campeche, no leste do México de uma antiga cidade maia que dominou uma vasta região há 1.400 anos.  De acordo com o  Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH) essa cidade “permaneceu oculta na selva” durante séculos, até ser descoberta há duas semanas por uma equipe de arqueólogos que a batizou de Chactún, o que significa ‘Pedra Vermelha’ ou ‘Pedra Grande’ em maia.  Essa cidade maia, está situada entre as regiões de Rio Bec e Chenes.  Sua área cobre aproximadamente  22 hectares e teve seu apogeu entre anos 600 e 900 da era comum.

“É definitivamente um dos maiores sítios das Terras Baixas Centrais” da civilização maia, disse Ivan Sprajc, arqueólogo do Centro de Pesquisas Científicas da Academia Eslovena de Ciências e Artes, que liderou a expedição. “São as estelas e altares que melhor refletem o esplendor da cidade contemporânea de urbes maias como Calakmul, Becán e El Palmar”, destacou o INAH.

Inscrições em uma das estelas contam que o governante K’inich B’ahlam “cravou a Pedra Vermelha (ou Pedra Grande) no ano de 751“, o que levou os cientistas a chamar a cidade de Chactún. O sítio conta com numerosas estruturas de tipo piramidal, de até 23 metros de altura, assim como dois campos de jogo de pelota, pátios, praças, monumentos e residências.A descoberta foi possível graças à análise de fotos aéreas de vestígios arquitetônicos.  A esperança é que essa descoberta venha a esclarecer a relação entre as regiões de Rio Bec e Chenes, assim como seu vínculo com a dinastia Kaan estabelecida em Calakmul.

 “Nesses locais estão espalhados numerosas estruturas piramidais, palácios, incluindo 2 campos de jogos, pátios, plazas, monumentos esculturais e áreas residenciais.  A pirâmide mais alta tem 23m de altura.  O que impressiona é o grande número de edificações.  São as estelas – 19 encontradas até agora — e os altares, muitos dos quais tem argamassa, que melhor refletem o esplendor dessa cidade do Período Clássico Tardio (600-900 da era comum)”, comentou Ivan Šprajc, arqueólogo que lidera a equipe de arqueólogos mexicanos e estrangeiros financiados pela  National Geographic.

mexicoarqueologiafigurasefe1Objetos encontrados em Veracruz.

E ontem, houve o anúncio da descoberta de 30 sepulturas pré-hispânicas na região de Veracruz, no México por arqueólogos do Instituto Nacional de Antropologia e História (Inah). Elas têm  quase 2.000 anos.  Junto  foram descobertos chifres de veados, restos de tartarugsa, peixes, e fósseis antigos.  Isso tudo ao lado de uma pirâmide de 12 metros de altura e 25 metros de largura cercada de ladrilhos com características maias da região de Comalcalco (em Tabasco).

A pirâmide, segundo os pesquisadores, é toda em pedra.  Pedra é um material raro.  A maioria das estruturas piramidais encontradas na região de Veracruz, a 400 quilômetros da Cidade do México, são de terra pisada. No local, foram localizadas também ossadas acompanhadas por oferendas que continham ossos de animais, pedras como jade e espelhos, além de símbolos de origem teotihuacano, maia, nahua, popoluca e da cultura de Remojadas (no centro de Veracruz).

FONTES: BBC ,México Unmasked, Terra





Quadrinha da luz alheia

10 07 2013

marionette imageIlustração: Yukié Matsushita

Que importa não seja sua

a luz de que a Lua é cheia?!…

Quanta gente, igual à Lua,

só vive da luz alheia?!…

(João Freire Filho)





Tiradentes — poema de Carlos Pena Filho

6 07 2013

ParreirasTiradentesPrisão de Tiradentes, 1914

Antônio Parreiras (Brasil, 1860-1937)

óleo sobre tela, 180 x 282 cm

Museu Júlio de Castilhos, Porto Alegre

Tiradentes

Carlos Pena Filho

É o muito esperar que existe em torno

que me destina a ação desbaratada.

A morte é bem melhor do que o retorno

ao nada.

Não nasce a pátria agora, o sonho mente,

mas, em meio à mentira, sonho e luto

pois sei que sou o espaço entre a semente

e o fruto.

Este poema foi musicado por Carlos Marques e faz parte da trilha sonora do filme Carnaval, o aval da carne (de Carlos Marques e Ralph Justino; Rio de Janeiro, 1983)

Em: Melhores poemas de Carlos Pena Filho, seleção de Edilberto Coutinho, Global Editora, São Paulo, 1983, 4ª edição.

carlos-pena-filho

Carlos Pena Filho  nasceu no Recife, em 1929.  Formado em Direito, pela Faculdade de Direito do Recife, foi poeta, letrista, jornalista, ensaísta para o Jornal do Comércio. Morreu num acidente automobilístico em 1960.

Obras:

O tempo da busca, 1952

Memórias do boi Serapião, 1955

A vertigem lúcida, 1958

Livro geral (obra reunida), 1959

Melhores poemas (póstuma) seleção de Edilberto Coutinho, 1983





Imagem de leitura — D’ après Antônio Canova

24 06 2013

d4175034xMeninos lendo e escrevendo

D’après Antônio Canova (Itália 1757-1822)

Mármore

40 cm de altura

Christie’s Auction House





Lembrando o Hino Nacional

20 06 2013

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HINO NACIONAL

Parte I

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da pátria nesse instante.
Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!
Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.
Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza.
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!

Parte II

Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!
Do que a terra, mais garrida,
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
“Nossos bosques têm mais vida”,
“Nossa vida” no teu seio “mais amores.”
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!
Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro dessa flâmula
– “Paz no futuro e glória no passado.”
Mas, se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!

Letra: Joaquim Osório Duque Estrada
Música: Francisco Manuel da Silva





E viva a Copa das Confederações! Vamos comemorar!

15 06 2013

agostinho batista de freitas, campo de futebol,ostCampo de futebol, s/d

Agostinho Batista de Freitas (Brasil, 1927-1997)

óleo sobre tela

Bia Betancourt [Beatriz Falanghe Betancourt] (Brasil, 1963) Olé, ast, 60 x 80cmOlé, s/d

Bia Betancourt (Brasil, 1963)

acrílica sobre tela, 60 x 80 cm

Dhira K ,futebol, 2011, 60 x 40Futebol, 2011

Dhira K. (Brasil, contemporâneo)

Acrílica sobre tela, 60 x 40cm

http://dhirartes.blogspot.com.br

José Roberto Aguilar, Futebol III, 1966, spray sobre tela, 114 x 146, mac,uspFutebol III, 1966

José Roberto Aguiar (Brasil, 1941)

Spray sobre tela, 114 x 146 cm

Museu de Arte Contemporânea, USP

???????????????????????????????O jogo, 2001

Fernando Mendonça (Brasil, contemporâneo)

aquarela sobre papel, 21 x 30 cm

Rubens Gerchman (1942-2008) 2 -Jogo de Futebol - Guache - 43x35Jogo de futebol, s/d

Rubens Gerchman (Brasil, 1942-2008)

guache sobre papel





O verde do meu bairro: Bougainvillea

9 06 2013

???????????????????????????????Bouganvilleas vermelhas sobre muro.

Bougainvilleas são naturais do Brasil e são lindas.  Se eu tivesse uma casa com jardim certamente teria bougainvilleas [ também podemos dizer buganvíleas].  Elas tem um jeitinho de se fazerem presente no bairro em que moro.  Quer sejam parte de uma cerca viva, quer sejam um jato de cor num jardim de um condomínio, elas estão no seu elemento nos bairros cariocas, colorindo o nosso dia a dia, de branco, rosa, vermelho, lilás.  Pelo menos essas são as cores que vejo com mais freqüência.  Mas são as vermelhas as de que mais gosto.

Da família Nyctaginaceae, a bougainvillea é uma planta nativa da América do Sul e recebe vários nomes populares, como primavera, três-marias, sempre-lustrosa, santa-rita, ceboleiro, roseiro, roseta, riso, pataguinha, pau-de-roseira, flor-de-papel. O maior exemplar conhecido de Bougainvillea do mundo está localizado à beira do lago Guanabara no Município de Lambari no Sul de Minas Gerais ; de tão grande virou árvore frondosa de 18 metros de altura.

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A bougainvillea não tem um ar arrumadinho.  Muito pelo contrário.  Cresce de maneira que parece desordenada, cada galho para um lado atingindo em geral de 1 a 12 metros de altura.  Tem  espinhos e gosta de se debruçar sobre muros ou outras plantas.  Em lugares com meses de seca, ela pode perder todas as suas folhas, voltando a crescer folhas na época chuvosa, mas aqui no Rio de Janeiro ela não só mantem suas folhas como dá flores praticamente o ano inteiro.  São bastante resistentes.

Para mim bougainvilleas foram sempre um dos grandes símbolos de terra natal, de conforto emocional nos anos que passei fora do Brasil. Mas quase não as vi nos Estados Unidos. Lembro da felicidade de encontrá-la cobrindo um enorme paredão no Jardim da Sereia em Coimbra, nos anos que morei em Portugal.

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É natural que esta planta se associe ao Brasil. Afinal, foi descoberta em 1767, no Rio de Janeiro, pelo botânico francês Philibert Commerson [1727-1773] que fizera parte da expedição científica comandada pelo Almirante francês Louis-Antoine de Bougainville [1729-1811]. Encantado com esta colorida trepadeira cujas minúsculas flores eram rodeadas por coloridas folhas modificadas , Commerson deu à nova planta o nome de buganvília em homenagem ao Almirante da esquadra cujo objetivo era a exploração de terras no hemisfério sul.

Aqui no Rio de Janeiro é mais fácil vê-las assim, espreitando a rua, por sobre muros das casas, fazendo-nos invejar a morada que se esconde por trás das belas flores coloridas.  Prefiro-as aglomeradas de uma só cor como aparece na primeira foto.  Mas são de fato bonitas de todo jeito.





Brasil que lê: fotografia tirada em lugar público

2 06 2013

DSC000021º sábado de junho, 2013

Praça Santos Dumont, Gávea

Rio de Janeiro

——

Volto a postar fotos de pessoas lendo, essa popularíssima faceta do blog da Peregrina.  Passei quase um ano sem fotografar pessoas lendo.  Cansei.  Mas sei também da fascinação que essas fotos, sob o nome de: Brasil que lê: fotografia tirada em lugar público, têm exercido sobre os nossos visitantes.  Assim vou tentar manter as fotos para servir de inspiração a leitores e a fotógrafos.





Quadrinha do amor

1 06 2013

amor, arthur sarnoffIlustração Arthur Sarnoff.

Por muito amar ninguém morre.

Ama, pois, com todo ardor!

Olha que a muitos ocorre

Morrer por falta de amor…

(Aparício Fernandes)