Futebol, 1977
Ilídio Salteiro ( Portugal)
Políptico, 6 painéis.
Técnica mista: acrílica e óleo sobre madeira
260 x 145 cm
Futebol, 1977
Ilídio Salteiro ( Portugal)
Políptico, 6 painéis.
Técnica mista: acrílica e óleo sobre madeira
260 x 145 cm
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(Cantiga)
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Fagundes Varela
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Quem és tu, pobre vivente,
Que vagas triste e sozinho,
Que tens os raios da estrela,
E as asas do passarinho?
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A noite é negra; raivosos
Os ventos correm do sul;
Não temes que eles te apaguem
A tua lanterna azul?
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Quando tu passas, o lago
De estranhos fogos esplende,
Dobra-se a clícia amorosa,
E a fronte mimosa pende.
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As folhas brilham, lustrosas,
Como espelhos de esmeralda;
Fulge o iris nas torrentes
Da serrania na fralda.
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O grilo salta das sarças;
Piam aves nos palmares;
Começa o baile dos silfos
No seio dos nenufares.
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A tribo das mariposas,
Das mariposas azuis,
Segue teus giros no espaço,
Mimosa gota de luz!
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São elas flores sem haste;
Tu és estrela sem céu;
Procuram elas as chamas;
Tu amas da sombra o véu!
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Quem és tu, pobre vivente,
Que vagueias tão sozinho,
Que tens os raios da estrela,
E as asas do passarinho?
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Vocabulário:
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Clícia — inseto de duas asas
Sarça — matagal
Silfo — gênio das florestas ( mitologia celta)
Nenúfar — planta aquática
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Fagundes Varela
Luís Nicolau Fagundes Varella, (RJ 1841 – RJ 1871) ou Fagundes Varela, poeta brasileiro e um dos patronos na Academia Brasileira de Letras.
Obras:
Andrey Meschanov (Rússia, 1963)
óleo sobre tela, 120 x 65 cm
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Andrey Vicktorovich Meschanov nasceu em Kolomna, na Rússia em 1963.
Vaso com flores, 1988
Fang (China/Brasil, 1931)
gravura, 48 x 58 cm
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Tenho um fraco por esculturas. Num seminário em história da arte, há muitos anos, escrevi um artigo sobre o uso do espaço vazio, do vão, digamos assim, como parte vibrante das esculturas de Henry Moore e Giacometti: no trabalho de ambos e de maneiras diferentes, o que não está presente, o buraco (em Henry Moore) ou o espaço à volta (em Giacometti) tem uma função tão grande, tão intensa que faz parte da escultura que vemos, que analisamos, com o mesmo peso que as formas do bronze que nos fascinam. Este é o vazio positivo, sentido mas não visto, que conta com o ausente, tanto quanto com o que está exposto. Pensei nesse artigo, enquanto lia o romance de Fal Azevedo, Minúsculos assassinatos e alguns copos de leite, Rocco: 2008. Nele, o que não é dito, conta. Fala. Nos move e comove. A eloquência desses pequenos silêncios pode ser vista no minúsculo parágrafo, que cito aqui por inteiro:
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“O gato amarelo veio fumar comigo. Ele morde meu dedão, charmosa tentativa de me convencer de ir até a cozinha. A coisa mais fofa nesse gato é que, quando eu choro, ele apoia a pata no meu rosto. Como agora.”
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O texto segue, com outro assunto, com outro momento.
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Quantas vezes ela precisou chorar para perceber esse comportamento do gato? Por que chorava? O conforto de um gato seria o único conforto dado à autora dessas frases? Não sabemos, não nos é explicado. Passamos rapidamente para o assunto seguinte. A vida é curta. Há muito acontecendo. O peso do passado também assombra. No entanto, o sofrimento implicado pelo texto fala alto. E nos cala. Fal Azevedo trabalha com a elipse, a omissão do sentimento retratado, assim como Henry Moore trabalhava com um buraco no meio do corpo de uma mulher reclinada. Tanto em um como no outro, cabe ao leitor/observador fazer a conexão, participando ativamente do encontro. Envolvendo-se. O resultado sedutor, mostra um texto, que carregado de tristeza, consegue ser leve, irônico e muito, muito agradável.
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Figura reclinada, década de 1980
Henry Moore ( Grã-Bretanha 1898-1976)
Litografia
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Presenciamos nesse romance a chegada de Alma, personagem principal, à segunda metade de sua vida. Aos 44 anos, já viveu muitas vidas e mortes. Homeopaticamente conhecemos um pouco destes eventos através de lembranças doloridas, de cicatrizes mal curadas. Tudo é passado a limpo: as dezenas de passados, as dúzias de vidas. Alma escrupulosamente exorciza seus fantasmas e nos lembra dos nossos. É impossível não ter empatia. É impossível ignorarmos a nós mesmos. O que lhe vem à mente, chega em pequenos parágrafos, camafeus de potencialidades perdidas, nódoas de sofrimento físico e emocional do passado que ajudam a caracterizar o dia a dia de um tempo mais atual, que também presenciamos. Estes são quase entradas em um diário, que têm, como pano de fundo, o passado. O estilo é sucinto. Twitter sucinto. A cada parágrafo um tempo, uma realidade. E sempre, sempre a angústia das vidas vividas. O medo. A dor. A consciência da solidão.
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De grande auxílio é o formato do texto: intercala o tempo mais contemporâneo com as lembranças do passado, em diferentes parágrafos. Cada qual tem sua própria aparência gráfica, o que facilita o entendimento da trama. Este artifício simplifica e esclarece também um quase fluxo de consciência que nos permite conhecer Alma intimamente. Conhecemos os eventos. Imaginamos as emoções.
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Apesar da tristeza latente, das dores auto-geradas e das auto-impostas, das frustrações e sofrimentos dessa mulher, uma artista plástica em busca de uma identidade profissional, esse romance é repleto de otimismo, de gosto pela vida e de humor. Oferece então, ao leitor, uma válvula de escape e um ponto de apoio nas lutas diárias pela sobrevivência física e emocional. Sem ser piegas, sem ser auto-ajuda essa história nos força a refletir sobre a nossa própria existência e nas ramificações dos nossos atos.
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Fal Azevedo
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Eu poderia continuar nesse tópico por muito tempo. De especial ironia são as cenas e os pensamentos na galeria de arte. Tão real… Mas quem não gostaria de ter os amigos de Alma como amigos? E de receber emails tão precisamente relevantes quanto ela? Tão irônicos e concisos? E quem não gostaria de ter como vizinho um Seu Lurdiano, que como um anjo da guarda, alimenta sua amiga com comida do corpo e da alma? Quem não gostaria de um amigo com quem se pode ficar calado por algumas horas na mais perfeita intimidade?
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Mas nenhum desses amigos, nenhum desses emails, se os tivéssemos, nada, conseguiria dar ao leitor o prazer desse texto e os parâmetros para a auto-reflexão que esse livro consegue gerar. Aqui fica a sincera recomendação para a leitura desse pequeno mundo mágico de Alma. Um dos melhores livros que li em 2010 e certamente um dos mais interessantes livros que li de autor brasileiro há muito, muito tempo. Não percam.
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Réplica do mosaico de Orfeu. EFE
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Vai a leilão esta semana a réplica do grande mosaico de Orfeu, encontrado em Gloucestershire, no Reino Unido. Dois irmãos, pesquisadores, levaram 10 anos e utilizaram mais de 1 milhão de peças de argila recortadas a mão para construir a peça, que será vendida. A reconstrução – uma cópia detalhada — do maior mosaico romano maior já encontrado na Grã-Bretanha foi feita utilizando 1.600.000 peças . O mosaico de Orfeu, descoberto em Woodchester, Gloucestershire, irá à venda, dia 24 de junho. O trabalho está atualmente em exibição no Prinknash Abbey, perto de Stroud, mas o contrato chegou ao fim e seu dono – que não quer ser identificado – decidiu vender.
O mosaico original, que data de 325 dC, é remanescente da época em que o Império Romano esteve na Grã-Bretanha. Hoje, ainda podem ser vistas marcas da passagem dos romanos, como a vila de Woodchester, que inclui 60 habitações da época romana. Foi nessa vila que foi encontrado o mosaico que representa Orfeu, uma das mais conhecidas figuras da mitologia grega, domando bestas. Este mosaico foi totalmente escavado em 1793 e só ocasionalmente exposto, desde então. Para sua proteção arqueólogos voltam a cobri-lo com terra e só o trazem à luz do dia de tempos em tempos. Durante a sua mais recente exposição mais de 150.000 visitantes foram vê-lo. Foi nessa ocasião que os irmãos Bob e John Woodward, encantados com o chão de mosaico romano, decidiram fazer uma reconstrução completa. A réplica que eles criaram é agora reconhecida como um dos projetos arqueológicos mais significativos dos últimos tempos.
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A vila romana de Woodchester, perto de Stroud, onde o mosaico foi originalmente usado deve ter pertencido a alguém de enorme riqueza e influência. A construção tinha 60 quartos, 20 deles com pisos de mosaico, incluindo o grande salão onde se encontrava o chão de Orfeu, circundado pelas figuras mais importantes da mitologia grega. Considerado o pai da música e da poesia, Orfeu foi presenteado neste mosaico com a lira de seu pai, o deus Apolo.
O mosaico retrata Orfeu com sua lira pousada sobre o joelho esquerdo. Ao lado dele seu fiel cão de caça e um grande número de animais ao redor, incluindo um tigre, um leopardo, um leão, um elefante, um urso, um grifo, um veado, um cavalo, javalis e aves: faisões, pavões e pombas. Duas ninfas da água são representadas em cada tímpano.
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Um dos primeiros relatos sobre este mosaico é de 1693, quando o pesquisador celta Edward Llwyd fez o registro de ter visto “os pássaros e os animais no chão”. Para essa reconstrução foi necessário fazer uma cuidadosa pesquisa sobre outros conhecidos mosaicos Orfeu para ajudar a substituir as seções em falta com a maior precisão possível. De interesse especial foi o mosaico da Barton Farm, em Cirencester, que tinha vários animais semelhantes. A grande diferença entre o original e a réplica está no material utilizado. Uma réplica com o calcário original teria sido muito pesada e extremamente cara. Os irmãos Woodward então percorreram a Inglaterra para encontrar argilas, cujas cores naturais, fossem naturalmente adequadas ao trabalho.
O trabalho dos irmãos Woodward aparece atualmente no Guinness Book, o livro dos recordes, como o maior mosaico do mundo.
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FONTES:
BBC — TERRA — This is Gloucestershire —
Zé Carioca visita o Rio Grande do Sul, ilustração Walt Disney.—
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Hoje, dia 21 de junho, às 03h46m (madrugada) tivemos o Solstício de Inverno no Hemisfério Sul e o Solstício de Verão para o Hemisfério Norte. Popularmente falamos que o Inverno começa oficialmente nesta data para nós aqui no Brasil e para todo hemisfério sul.
Época de comer pipoca enrolado em um cobertor e assistir um bom filme, quem sabe um vinho e um bom papo. Ou simplesmente um bom chocolate quente. Mas, você sabe por que isto ocorre? Por que é diferente em cada hemisfério? Algumas pessoas pensam que o Inverno é quando nosso planeta fica mais distante do Sol, ou mesmo porque o nosso hemisfério fica mais afastado. Isto não é verdade.
A causa das estações do ano, Primavera, Verão, Outono e Inverno e o fato de serem diferentes em cada hemisfério, está relacionada ao eixo inclinado da Terra em relação ao plano da eclíptica e sua órbita ao redor do Sol. As estações do ano do Verão e Inverno são os chamados pontos de Solstícios.
As estações do ano da Primavera e Outono são os chamados pontos de Equinócios. Um dos 14 movimentos que nosso planeta executa é o de Translação. Este movimento é a trajetória ligeiramente elíptica que a Terra realiza em torno do Sol. Para dar uma volta completa ela demora aproximadamente 365 dias e 6 horas e o faz a uma velocidade de 30 km/s, ou seja, a cada segundo nosso planeta percorre uma distancia de 30 km no espaço. Rapidinha não é? E você pensou que estava parado sentado no sofá de sua casa…
A diferença de 6 horas é acumulada e compensada a cada 4 anos com um ano bissexto, incluindo um dia no mês de Fevereiro.
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Mais informações em SOMOS TODOS UM.
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A abelha trabalha sempre,
Não pára, não é vadia;
Faz esse mel tão gostoso
Que toda gente aprecia.
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Hoje me lembrei de um artigo que eu havia lido no New York Times, sobre um tecido de seda de aranhas e que eu traduzia, quando uma pane no meu computador levou todo o meu trabalho para o éter. Num sábado com um único compromisso: ir ao jogo de vôlei Brasil x Coréia do Sul no Maracanãzinho, encontrei tempo suficiente para resgatar o assunto. Procurei na rede postagens brasileiras sobre os assunto, mas encontrei uma única enttrada no Boca Aberta. Por que então postar? Porque esta é uma oportunidade única de se conhecer um tecido feito de seda de fios de aranha. Não há outro no mundo. Mas sua fama é milenar.
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O tecido que foi exibido no Museu de História Natural em Nova York é raro. Foi feito com o fio de seda produzido por mais de um milhão de aranhas . Para produzi-lo um grupo de 70 pessoas, em Madagascar, levou 4 anos coletando as aranhas que produzem este fio, enquanto um outro grupo de mais ou menos 12 trabalhadores extraia, cada um deles, aproximadamente 243 metros de cada aranha. O resultado foi um tecido de 335 cm por 122 cm de largura. Isso para fazer o único tecido de grandes proporções de seda de aranha no mundo, nos dias de hoje.
“A seda da aranha é muito elástica e muito forte, incrivelmente forte mesmo de comparada ao aço ou ao Kevlar “[NT: Kevlar é uma fibra sintética muito resistente — marca registrada da Dupont}. Afirma Simon Peers, que é um dos líderes do projeto. “ Há pesquisas no mundo inteiro hoje que tentam duplicar as propriedades de tensão do fio da aranha e aplicá-lo a todo tipo de projeto da medicina à industria. Mas ninguém ainda teve sucesso em conseguir todos as propriedades da seda da aranha”.
Simon Peers teve essa idéia depois que soube de um missionário francês, Jacob Paul Camboué, que trabalhou com aranhas em Madagascar no final do século XIX. Camboué construiu com auxílio de um sócio, M. Nogué, uma pequena máquina de tecer à mão para extrair a seda de até 24 aranhas ao mesmo tempo, sem machucá-las. O tecido obtido deu para fazer por esse processo um jogo completo de cama que foi exposto na Exposição Universal de Paris em 1898, e depois perdido. Antes de Camboué, na década de 1890, em Madagascar o fio de seda da aranha só era usado, na tradição secular, como fio para redes de pesca bastante rudimentares.
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Simon Peers então se propôs e conseguiu fazer uma réplica dessa máquina têxtil para 24 aranhas que foi usada no final do século XIX. Junto com Nicholas Godley eles coletaram as primeiras 20 aranhas e as colocaram na máquina e começaram a rodá-la. Para surpresa dos dois um belo e finíssimo fio de ouro começou a ser fabricado.
O primeiro projeto do Comboué foi feito da maneira mais primitive possível. As aranhas [Nephila madagascariensis ] eram colocadas numa caixa de fósforo e por um pequena compressão no seu abdome podiam extrair e enrolar num carretel movido à mão o fio que às vezes atingia até 450 metros. Graças a invenção de M. Nougé que permite o fio de ser enrolado automaticamente e e e suas notas da construção da máquina que foi possível trançar e dobrar o fio de uma maneira prática e rápida. Isso é feito por uma máquina difícil de descrever em que as aranhas são presas pela garganta, enquanto fabricam o fio. Elas aceitam esta prisão de maneira bastante passive, e enquanto a seda é retirada elas permanecem completamente imóveis. Mas para fazer um tecido de um tamanho razoável Peers e Godley tiveram que aumentar bastante o projeto. 14.000 aranhas dão aproximadamente 28 gramas de seda e o tecido exposto no museu, pesa 1.180 gramas. Os números são gigantescos. Assim, jovens meninas de Madagascar ião diariamente a um parque próximo à escola que freqüentavam e coletavam 300 a 400 aranhas. Essas aranhas eram colocadas em cestos com tampas de madeira, para o transporte. Em geral, depois de serem postas na máquina, e a seda retirada, as aranhas são recolocadas de volta no parque por algumas semanas. Pode-se retirar a seda da mesma aranha passado algum tempo de Godley menciona que “é como um presente que se renova, que você continua recebendo”. A seda quando é coletada já vem com a cor dourada e não precisa pentear nem de qualquer outro tipo de tratamento antes de ser usada na trama.
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Para conseguir a quantidade de seda de que necessitavam, Godley e Peers empregaram dezenas de pessoas para pegarem as aranhas: coletar e colocá-las na máquina. “Tivemos que procurar pessoas que se interessassem em trabalhar com as aranhas, porque elas mordem”. No final do projeto foram usadas mais de um milhão de aranhas fêmeas para conseguirem a seda necessária. Essas aranhas são membros da família Nephila genus e encontradas nos trópicos. São de fácil identificação: grandes teias douradas, que podem ser vistas entre postes de luz ou telefone, ou entre fios de luz e que podem chegar em tamanho à largura de uma estrada para um carro. Os fios dourados só são produzidos durante a estação das chuvas, por isso os trabalhadores as coletam entre outubro a junho. O milhão de aranhas usado no projeto, foi coletado em Antananarivo, capital de Madagascar e arredores.
Precisa ser dito o quão intrigante é ver que as aranhas usadas no processo parecerem dóceis ao se deixarem ser manuseadas. Por que elas são conhecidas por sua ferocidade, pelo menos contra os seres de seu próprio meio. Só aranhas fêmeas produzem o fio de seda. Elas, em geral, degustam seus parceiros depois do acasalamento e comem também com alguma freqüência, outras aranhas fêmeas mais fracas do que elas mesmas. Quase toda a seda é feita dos casulos de lagartas da seda, mas de tempos em tempos, as pessoas tentaram fazer seda do fio de aranha. Um dos grandes problemas é o canibalismo das aranhas que se devoram quando cativas, e colocadas num único ambiente, o que não acontece com as lagartas.
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Há muito tempo pesquisadores tentam entender as propriedades da seda de aranha que são únicas,que as fazem mais fortes do que se fossem feitas com fios de aço ou Kevlar e ainda por cima muito mais flexíveis, se esticando até 40 % além do seu comprimento normal sem quebrar. O fio também é mais forte do que o aço e à prova d’água. Infelizmente a seda de aranha é muito difícil de ser produzida em grande quantidade.
E é claro que gastar 4 anos produzindo um único tecido de seda de aranha não é muito prático para os cientistas tentando estudar todos os aspectos dessa seda, nem companhias que gostariam de manufaturar um tecido que pudesse ter uso biomédico, — no campo de batalha, nas viagens espaciais, em coletes à prova de bala, ou como simples alternativa ao Kevlar — poderiam fazer isso. Alguns pesquisadores tentaram inserir alguns genes de aranha em bactérias ( até mesmo vacas e cabras) para a produção de seda, mas até hoje, essas tentativas têm tido pouco sucesso.
Parte do problema de produzir a seda da aranha em laboratório é que ela começa como uma proteína líquida que é produzida por uma glândula especial no abdome da aranha. A aranha usa de força em suas pequenas rocas para re-arrumar a estrutura molecular da proteína e torná-la em seda.
“Quando se fala de uma aranha produzir seda, estamos , na verdade, falando em como ela aplica suas forces para produzir a transformação de um líquido em sólido,” disse o conhecedor de seda Todd Blackledge da Universidade de Akron, que não teve participação no projeto do tecido. “Os cientistas não conseguem duplicar o que as aranhas fazem tão bem. A cada ano que passa estamos cada vez mais próximo de poder produzir essa seda em grande quantidade, mas ainda falta chegarmos lá”.
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O tecido em exposição foi feito com um desenho e pássaros e flores baseado na longa tradição tecedeira da região montanhosa de Madagascar. Essa arte tecelã era reservada só para as pessoas da família real e das classes mais altas, como o povo Merina. Seda natural de lagarta há muito que é utilizada em Madagascar, mas não há lá nenhuma tradição de tecelagem com seda de aranha. O tecido ficou em exposição em Nova York por seis meses e está agora em Londres onde também ficará exposto ao público por algum tempo antes de passear pelo mundo de museu em museu.
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