A dança do futebol, 1997
Cláudio Tozzi ( Brasil, 1944)
Acrílica e óleo sobre tela, 245 x 190 cm
Osman Hamdi Bey (Turquia, 1842 — 1910)
Óleo sobre tela, 90 x 113 cm
Coleção Feyyaz Berker, Turquia
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Osman Hamdi Bey (Istambul, 1842 — Istambul, 24 de fevereiro de 1910) foi um estadista intelectual, connoisseur das artes e um importante pintor realista turco do século XIX. Foi também um grande arqueólogo e é considerado um dos pioneiros na profissão de curador de museus na Turquia. Fundador do Museu Arqueológico de Istambul e da Academia de Belas Artes (Sanayi-i Nefise Mektebi )de Istambul,conhecida hoje como Universidasde Mimar Sinan de Belas Artes. Osman Hamdi Bey foi um dos mais famosos artistas árabes oitocentistas. Três de seus trabalhos – O repouso das ciganas, Soldado do Mar Negro à espera, e Morte de um soldado — foram expostos na Exposição Universal de Paris em 1881. Como diretor do Museum Imperial, em 1882 ele conseguiu desenvolver e redigir novas leis para proteção do patrimônio arqueológico da Turquia.
Distrito da Chapada, 1827
Adrien Taunay ( França, 1803-1828)
Aquarela, 42 x 32 cm
Academia de Ciências de São Petersburgo, Rússia
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George Gardner foi um botânico, zoológo e médico, enfim um naturalista inglês. Nasceu em 1812 e faleceu em 1849. Chegou ao Brasil em 1836 e passou 3 anos e meio aqui. Percorreu algumas regiões do Nordeste e do Brasil Central. Registrou suas impressões no livro Viagens no Brasil cujo título é: Viagens no interior do Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos do ouro e do diamante durante os anos de 1836-1841, publicado em 1846, 1849 e em 1973, todas essas edições em inglês, sendo traduzida para o português apenas em 1942 e reeditada em 1975. Aqui está um trechinho:
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“No dia 10 de fevereiro de 1840 partimos de Natividade, com o intuito de ir até a vila de Arraias, cerca de trinta léguas ao sudeste. Tínhamos feito todos os preparativos para partir no segundo dia do mês, mas passamos pelo aborrecimento de saber que um dos cavalos desaparecera, o que nos deteve ali por oito dias mais. Verificamos, afinal, que alguém o levara de empréstimo, porque quatro dias depois de nossa partida foi encontrado perto do lugar donde o haviam tirado, sendo então enviado, para me alcançar em caminho, pelo meu amigo, o juiz de órfãos.
Saindo de Natividade e contornando a serra em direção do sul, chegamos à margem de pequena corrente chamada riacho Salobro, que corre para o oeste desemboca no rio Manuel Alves; suas águas são salobras durante o tempo da seca. Os fardos tiveram de ser passados todos por sobre uma tosca espécie de ponte chamada pinguela, feita do tronco de duas árvores; e, como o rio e suas margens eram fundos,tivemos não pouca dificuldade em fazer os animais atravessar a nado. Ficamos por essa noite na Fazenda das Três Léguas, por ser essa a distância da vila, como o nome indica. Na manhã seguinte, após légua e meia de caminho, chegamos novamente às margens do rio Manuel Alves, mais fundo e largo do que no lugar onde primeiro o atravessamos: aqui, porém, tivemos a dita de encontrar canoa e, segurando cada qual um dos cabrestos, puxaram os animais a nado, dois de cada vez. Antes que nossa bagagem fosse transportada para o lado oposto, passou por sobre nós, vinda do nordeste, grande trovoada que nos encharcou. À vista disso, pareceu-me que o melhor era seguirmos imediatamente para a primeira casa, légua e meia distante dali, onde pernoitamos.
A região entre a vila e o rio é quase toda uma planície baixa, de campos abertos, pântanos e tratos de terra escassamente cobertos de árvores. Alguns belos arbustos florescentes e umas poucas orquídeas terrestres foram colhidas na jornada.
Deste lugar, em dois dias e meio, vencemos mais de dez léguas para chegar ao Arraial da Conceição. Na noite de 12 dormimos em uma grande fazenda de criação de gado, chamada São Bento, impedidos que fomos de partir à tarde por motivo de forte tempestade. Até uma légua do arraial a região ainda é aberta e baixa; ao depois torna-se montanhosa, mas montanhas baixas e por vezes rochosas. Tão rara é a população desses distritos, que entre São Bento e o Arraial, em uma distância pelo menos de vinte milhas, só encontramos uma casa. A maior parte deste distrito apenas se presta à criação de gado; mas há também grande porção admiravelmente propícia a plantações de várias espécies.
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Palmeiras Buriti, Quilombo, na Chapada, 1827
Adrien Taunay ( França, 1803- 1828)
Aquarela, 41 x 32 cm
Academia de Ciências de São Petersburgo, Rússia.
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O Arraial da Conceição tem uma população de cerca de CE m almas; mas há no lugar muitas casas, pertencentes a fazendeiros, que só as ocupam ao tempo das principais festas da igreja. Negros e mulatos formam a maioria da população residente e poucos brancos vimos nos quatro dias em que lá estivemos.
A vila assenta em uma baixada entre duas colinas, mas a região em torno é geralmente plana. As casas erguem-se quase todas, em duas ruas compridas, com duas igrejas, uma das quais em ruínas. A água de que Arraial se abastece vem de pequeno regato; água má, de sabor salobro, que parece ter alguma influência na produção do bócio, tão comum na zona do oeste da serra Geral, que é, até onde pude verificar, cercada de pedra calcária semelhante à que existe em Natividade. As águas que manam nestas rochas são todas mais ou menos salinas e, onde quer que são bebidas pelos habitantes, aí se encontra o bócio. Ao longo da parte oriental da serra, ao contrário, raramente se encontram casos desta doença; e aí, pelo menos nas partes por mim visitadas, não há pedra calcária, nem são os riachos impregnados de matéria salina.
O solo dos arredores da aldeia, em uma extensão de cerca de uma légua, dá evidentes mostras de ter sido escavado em busca de ouro e, por tudo quanto ouvi, muito deste metal aí se encontrou antigamente.
O pouco que hoje se acha mal compensa os labores da procura. O solo em que se encontra é de argila e cascalho, restos, evidentemente, de primitivas rochas, onde o ouro aparece ou em partículas diminutas, ou em grãos de todos os tamanhos, chegando alguns deles, ao que se diz, ao peso de várias onças. Acredita-se também na existência de ricos veios na rocha sólida, que consiste principalmente de quartzo; mas não se podem explorar em profundidade, por falta de meios de remover a água que se acumula. Informou-me o vigário, talvez com exagero, que a pouca distância da aldeia existe uma mina tão rica, que um pequeno balde de terra dá quase um quarto de onça de ouro. Disse mais, que a mina não tem mais de vinte pés de profundidade, mas teve de ser abandonada por muito tempo devido ao influxo de uma nascente de água.
O único meio de se livrarem da água era postar em diferentes alturas certo número de homens que passassem a água de um para o outro em pequenos baldes. Perguntando-lhes eu por que não faziam uso de bombas, disseram-me que já haviam ouvido falar em tal coisa, mas nunca a tinham visto. Porque os mecânicos do lugar eram a tal ponto ignorantes, que não sabiam fabricar tão simples instrumentos.
Do vigário recebi muitas provas de bondade durante minha visita. Era um homem em extremo benevolente e muito estimado do povo. Embora avançado em anos, mostrava-se de temperamento ativo, muito mais ativo, com efeito, que o comum da gente de sua classe e da gente de todo o país.
Era a única pessoa daquelas paragens que assinava um jornal do Rio; mas pela irregularidade dos correios, davam-se longos intervalos em sua entrega. O vigário deu-me uma apresentação a um dos homens mais influentes nos arredores da vila Arraias e que era seu amigo íntimo.
Dentro dos últimos vinte anos sentiram-se dois ligeiros abalos sísmicos em Natividade e Conceição, o primeiro em 1826 e o segundo em 1834: o tremor de terra, ainda que de curta duração, foi nitidamente perceptível em ambos os lugares. Também foram os únicos lugares do Brasil onde soube que tais fenômenos se tinham observado.
Partimos de Conceição na manhã de 17 de fevereiro, vencendo quatro longas léguas para chegar, quando a tarde estava avançada, às margens do rio da Palma”. ….
Uma boiada vinda do norte.—-
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Henrique Silva
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Transcrevo abaixo o artigo sobre Goiás, colocando a grafia como usamos hoje em dia. As fotos são algumas das fotos que ilustram o artigo original. No entanto, não consegui digitalizar todas elas sem que algumas perdessem a qualidade. Assim mesmo, as que coloquei aqui ainda estão com um tom azulado que não existe na impressão preto e branca das fotos originais. Não há indicação do fotógrafo. É possível que sejam do próprio autor do texto. Artigo na íntegra.
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Goiás é um estado singular, à parte , no convívio nacional. Susulado [sic] na gema deserta do Brasil, sem alento e sem vigor, tão distante da orla marítima onde mais intensivamente a vida ativa do país vibra e se agita, tal como a seiva estuante que circula na periferia dessas grandes árvores da floresta — outra, certo, não poderia ser a sua situação no concerto da nossa nacionalidade.
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Sem um palmo de via férrea, não possuindo ao menos uma lancha a vapor a sulcar sequer um só de seus grandes e muitos rios navegáveis — o futuroso estado apenas dispões, ainda em nossos dias, como meios de transporte, desses pesados e patriarcais carros de bois — sobrevivências da metrópole, e que uma das nossas gravuras reproduz no flagrante de seu rodar pela fita intermina das estradas salineiras em fora…
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” Os carros puxados a bois, diz Bernardo Guimarães, com seu eixo móvel, pesados e vagarosos, são por certo grosseiros veículos, que bem denunciam o atraso dos meios de condução no interior do nosso país. Mas talvez por isso mesmo que revelam a infância da indústria da viação, têm um não sei que de primitivo e poético, que enleva a imaginação.
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Eu nunca pude ver sem um singular e indizível sentimento de melancolia, essas grandes e pesadas máquinas cobertas de couro, arrastadas por vinte ou mais bois, quebrando com seu chiar agudo e monótono como o canto da cigarra, o silêncio das solidões, atravessando os desertos em lentas e peníveis jornadas”.
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Outra fotogravura nossa representa uma boiada no momento mesmo em que a forçam a se precipitar a nado através de um desses largos rios que tanto dificultam a marcha do gado vacum procedente dos sertões interiores com destino aos centros consumidores de Minas, S. Paulo e Rio.
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Vem dos confins de Goiás e vai ainda fazer um penoso e fatigante percurso de mais de duzentas léguas, nossa boiada, composta, quase toda de Curraleiros — essa raça por excelência, de bovídeos genuinamente nacionais.
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Já fora dos incomparáveis campos nativos de Goiás onde se criaram e viviam nativos de Goiás onde se criaram e viviam acarenciados — vêm todos nostálgicos dos barreiros que as virentes palmas dos coqueiros da mata encombram, (vide gravura)
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O problema com que todos nós vivemos, 1964
Norman Rockwell ( EUA, 1894-1978)
óleo sobre tela
[Para a revista LOOK de 14-01- 1964]
Old Corner House Collection, Stockbird, Massachusetts
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Na Inglaterra o livro O sol é para todos, [To kill a mocking bird] da escritora Harper Lee, é um dos livros mais populares ficando em quinto lugar na preferência do público, abaixo de Orgulho e preconceito [ Pride and Prejudice] mas acima da Bíblia, um fato intrigante considerando-se que o romance foi publicado há exatamente 50 anos, que se passa no sul dos Estados Unidos na época da Depressão. O enredo se desenrola na cidade fictícia de Maycomb e um dos temas centrais trata da discriminação racial, discriminação de classe e a procura da justiça para um inocente. Levando isso em consideração li o artigo que a BBC publicou ontem, justamente analisando essa popularidade, que não é justificada só por ser um livro adotado em muitas escolas. Ao que tudo indica sua popularidade ultrapassa gerações. Seus fãs tanto os jovens e quanto seus pais, o consideram uma leitura inigualável. Além disso, as bibliotecárias entrevistadas nessa mesma enquete do World Book Day admitiram ser O sol é para todos o livro que mais indicavam.
A narrativa é feita por uma adolescente. Ou talvez, por uma pessoa idosa lembrando-se de sua adolescência. O adolescente como narrador tem um longa e forte tradição na literatura americana, cujo principal propulsor dessa voz foi conquistado por Huckleberry Finn, no livro As aventuras de Huckleberry Finn de Mark Twain. Em O sol é para todos, Scout, é a filha de um advogado que defende um homem negro da acusação de estupro de uma menina branca, e é através de seus olhos que entendemos a sociedade que a cerca. Este é de fato um livro sobre justiça, cheio de esperança, de valores morais universais, que não têm nem idade, nem país de origem. E que todos nós, adultos, jovens ou crianças almejamos. É um livro de alto astral. E é, também, onde aprendemos a tentar ver a realidade através dos olhos de outrem; de andar nos seus passos, de conhecer o seu caminho. São experiências e atitudes universais que nos mostram a nossa própria humanidade.
E você? Já leu O sol é para todos?
Papas Stéfanos ( Rhodes, Grécia, 1948, radicado no Brasil)
Óleo sobre tela, 60 x 80 cm
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Paulo Setúbal
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A Luiz Piza Sobº
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É noite… O santo famoso,
O doce, o meigo S. João,
Tivera um dia glorioso,
Dia de festa e de gozo,
Que encheu de estrondo o sertão.
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Já cedo, em meio aos clamores,
Aos vivas do poviléu,
Lindo, enramado de flores,
Um mastro de quentes cores,
Subira em triunfo ao céu!
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E agora, enquanto, alva e lesta,
Palpita a lua hibernal,
Na fazenda, toda festa,
Referve a alegria honesta
Da noite tradicional.
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Dentro, com grande aparato,
Brilha enfeitado o salão:
Que há, nessa festa do mato,
Pessoas de fino trato,
Chegadas para o S. João…
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Destaca-se entre essa gente
A flor do mundo local:
O padre, o juiz, o intendente,
— O próprio doutor Vicente
Que é deputado estadual!
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Ante o auditório pasmado,
Que, num enlevo, sorri,
A Isabelinha Machado
Batuca, sobre o teclado,
Uns trechos do Guarani…
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Tudo o que toca e assassina,
Recebe imensa ovação;
Todos, quando ela termina,
Põem-se a exclamar: ” Que menina!
Dá gosto! Que vocação!”
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E ela, entre ingênua e brejeira,
Com ares de se vingar:
” Agora, queira ou não queira,
Seu Saturnino Pereira
Há de também recitar.”
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Surge, à força o Saturnino…
Rugem palmas ao redor!
É um tipo, esgalgado e fino,
Que sabe desdde menino,
Dizer Castro Alves de cor.
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Na sala, muda e tranquila,
Tombam, com chama, os versos seus;
E ele, o letrado da vila,
Ao som da velha Dalila,
Lá vai: ” Foi desgraça, meu Deus...”
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Após ouvir a estupenda
Flamância do seu falar,
No amplo salão da fazenda,
Os velhos jogos de prenda
Reclamam o seu lugar.
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Começa então a berlinda.
Risos. Cochichos. Zum-zum.
— De pé, donairosa e linda.
Pergunta a D. Florinda
Os dotes de cada um:
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Por que razão, seu Martinho,
Foi à berlinda a Lelê?
— ” Porque olha muito ao vizinho”;
“Porque é má; porque é um anjinho”;
“Porque é vaidosa”; “porque…”
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E todo o mundo, a porfia,
Põe farpas na indiscreção…
E enquanto, ingênua e sadia,
Essa campônea alegria
Faz tumultuar o salão.
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Lá fora, alegre e gabola,
Nun terreiro de café,
Ao rude som da viola,
A caboclada rebola
Num tremendo bate-pé!
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A filha do Zé-Moreira
É o mimo deste São João;
À luz da rubra fogueira,
Requebra a guapa trigueira
Ao lado de Chico Peão.
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Candoca, a noiva do Jango,
Baila num passo taful;
É a flor que, nesse fandango,
Tem lábios cor de morango,
Vestido de chita azul.
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No sapateio se nota,
Aos risos dos que lá estão,
Nhô Lau, de esporas e bota.
Dançando junto à nhá Cota,
Viuva do Conceição….
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A voz do pinho que chora,
Por sob a paz do luar,
Fremindo vai, noite afora,
Essa alegria sonora
Da caboclada a bailar!
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E do salão, qua ainda brilha
Num faiscante esplendor,
Chegam os sons da quadrilha,
Que alguém ao piano dedilha
Com indomável furor.
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E no sarau campezino,
Nessa festa alegre e chã
Ruge a voz do Saturnino,
Que grita, esgalgado e fino:
“Balancez! Tour! En avant...”
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Em: Alma cabocla, Paulo Setúbal, São Paulo, Ed. Carlos Pereira:s/d, 5ª edição [ Primeira edição foi em 1920]
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Paulo Setúbal
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Paulo de Oliveira Leite Setúbal (São Paulo, 1893 — São Paulo, 1937), advogado, escritor brasileiro, trabalhou como colaborador do jornal O Estado de S. Paulo, deputado estadual de 1928 a 1930, renunciamdo ao mandato por ter agravada sua tuberculose.
Obras:
Alma cabocla, poesia, 1920
A marquesa de Santos, romance-histórico, 1925
O príncipe de Nassau, romance histórico, 1926
As maluquices do Imperador, contos-históricos, 1927
Nos bastidores da história, contos, 1928
O ouro de Cuiabá, história, 1933
Os irmãos Leme, romance, 1933
El-dourado, história, 1934
O romance da prata, história, 1935
O sonho das esmeraldas, 1935
Um sarau no Paço de São Cristóvão, 1936
A fé na formação da nacionalidade, ensaio, 1936
Confiteor, memórias, 1937
Estudo da esposa do artista lendo, 1959
Yuri Bogatyrenko ( Ucrânia, 1932)
Aquarela sobre papel, 21 x 29 cm
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Yuri Kirilovich Bogatyrenko ( Ylovaisk, Ucrânia, 1932), Acabou seus estudos em filme em 1957, formando-se pela Instituto de Cinema de Moscou onde foi aluno de F. Bogorodski e de Y. Pimenov. Trabalhou como designer de produção em filmes no Studio de Cinema Odessa onde participou de muitos produções cinematográficas de sucesso na antiga União Soviética.