Filhotes fofos: tartarugas

5 07 2010

Foto, Bob Couey/ Sea World San Diego/ AP.

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Filhotinhos de tartaruga marítima  são transferidos para a piscina de crescimento do Sea World, em San Diego, EUA.   A população de tartarugas do mar verdes, uma espécie em perigo de extinção,  aumentou por  82 novos bebês que saíram dos ovos de tatarugas  na Praia de Shipwreck, há 8 meses.  Nasceram sem intervenção do homem.





A experiência de participar de um grupo de leitura

4 07 2010

Leitura de verão, 1958

Donald Moodie (Escócia, 1892-1963)

Óleo sobre tela

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Como um grupo de leitura mudou a minha vida

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Na ocasião do lançamento do Times Book Club, em março de 2010, o jornal britânico, The Times,  publicou um artigo de autoria de Alyson Rudd, em que ela descrevia o que mudara, na sua maneira de ler um livro, depois de ter aderido a um grupo de leitura. 

O convite, ela reconta, veio depois de alguns encontros com  mães das crianças que freqüentavam os primeiros anos da escola, onde Alyson matriculara  seu filho.  “Você não gostaria de participar de um clube de leitura?” um dia lhe perguntaram.   Inicialmente,  o convite lhe pareceu ter o mistério de quem está sendo convidado  para participar de  uma sociedade secreta.  Sentiu-se lisonjeada inicialmente, mas logo preocupada pois não tinha o hábito de ler ficção contemporânea.  Acabou aceitando participar com o objetivo de se aproximar de outras mães de crianças da escola.  Lá se vão dez anos.

O primeiro romance que leu foi  White Teeth [ Dentes Brancos, Cia das Letras, 2003] de Zadie Smith.  Apesar de muito bem escrito Alyson Rudd não gostou dessa leitura:  a autora fez esforço demais em mostrar uma Inglaterra multi-cultural; mostrou  personagens demais e muito distantes da sua realidade.   Não se igualava, por exemplo, à ficção de Gogol que ela acabara de ler.  Mas mesmo assim,  esta foi uma ocasião que ficou marcada em sua vida, e da qual se lembra vividamente até hoje, desde a leitura do livro, o encontro e o debate, ao queijo Brie e às uvas que as componentes do grupo degustaram ao conversarem sobre os problemas do texto.  

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Lendo, 2003

Peter Harrap ( Grã-Bretanha, 1975)

Óleo sobre tela

Não foi uma boa escolha, não é mesmo?”  a mulher que havia sugerido o livro admitiu.  Mas, apesar de ter sido um experiência frustrante, o livro afinal não tinha sido tão terrível e o queijo e o vinho foram muito bons e as novas amigas pareciam bem divertidas.   E assim seguiu-se para o próximo livro:  Four Letters of Love de Niall Williams [Quatro cartas de amor, Rocco:1999].  O título lhe pareceu horrível.  Tinha aquele jeito de ser um romance açucarado, provavelmente monótono.  Uma carta de amor é mais do que suficiente, pensou.   Mas leu o livro, e foi aí que se tornou uma fã incontestável do grupo de leitura:  Quatro cartas de amor se mostrou um romance notável, que flui;  um livro de uma beleza incontestável, que Alyson nunca teria lido se não fosse membro do grupo. 

À primeira vista, um clube de leitura soa contra-intuitivo.  A leitura é uma busca solitária, uma oportunidade para calar o mundo do trabalho ou o barulho do avião, ou da televisão.  Alyson se lembrava de que por anos, depois de devorar um grande romance,  sempre se sentia vazia ao terminá-lo.  Era como se as férias acabassem subitamente e para trás ficassem o mundo novo, a sociedade independente, as atribulações, o  assassinato, o resgate do amor ou o ódio, tudo de que participara intensamente desaparecia com o virar de uma página final.

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Jessie lendo, s/d

Paul Maze ( França/Inglaterra, 1887-1979)

óleo pastel

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Os clubes de livro ou grupos de leitura são uma cura para esse súbito mal, para essa depressão momentânea.  Em vez de se sentir perdido ao terminar um romance cativante, você sente a excitação da antecipação: o que o resto do grupo pensa em fazer desse livro?    Que será que este livro despertou nas outras pessoas?   E tem mais:  não se precisa mais impingir um livro de que se gosta a uma amigo e esperar que ele se decida a lê-lo, para vir a saber do resultado dos seus esforços.   Com um grupo de leitura você conhece um grupo de pessoas que está lendo o mesmo que você, ao mesmo tempo que você.  E você começa a ouvir dicas:  “o livro está ficando chato, ou ele melhorou muito depois de um início lento ou tedioso;  você  já chegou na parte onde o sacerdote… ? Não, não me conte, não estrague tudo….”

O encontro  mensal representa o encerramento de um pequeno ciclo; ele fecha com chave de ouro o processo da leitura, e nos faz esquecer da tristeza de deixar aquele mundo para trás.  Além do que o encontro marca o início de um novo ciclo.  É hora de começar um novo livro.  Em vez pensar ou dizer para alguém que não participou da mesma experiência com suspiro: “Ah, isso me comoveu tanto” e ser olhado com curiosidade como se você fosse um pouco diferente, você pode dizer isso e receber um aceno  de cabeça, de compreensão, sem que muitas palavras sejam trocadas.   

Mulher lendo, 2005

Alex Cree ( Inglaterra, contemporâneo)

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Um grupo de leitura pode ajudar a resolver aqueles pequenos detalhes  que nos irritam porque parecem não fazer sentido numa narrativa.  “Será que o menino vê o assassinato  ou imagina ter visto?”  Juntos, os membros do grupo se ajudam e você monta as pistas.  E você pode até mesmo concluir que o autor foi deliberadamente obtuso, sinuoso, velado.  E se não chegar a uma resposta concreta, pelo menos, você conseguiu compartilhar a sua frustração e, assim, neutralizá-la, sabendo que outras pessoas entendem do que você está falando. 

 A ascensão dos grupos de leitura transformou a maneira como nos sentimos a respeito da leitura propriamente dita.  Onde inicialmente havia geeks agora há os que ditam as tendências sociais.  Livros são o máximo!   Livros viraram moeda comum.  E o eterno  “Para que time você torce?”  pode ser facilmente trocado pelo “O que você está lendo agora?”  numa conversa casual.   É mais interessante descobrir se alguém leu Cormac McCarthy, The Road, [ A Estrada, Alfaguara Brasil: 2007] ou viu o filme.  É claro que não há problema algum em ter feito ambas as coisas, e os grupos de leitura com freqüência vão assistir juntos a versão cinematográfica de um livro e depois decidir qual é o melhor.   E nem sempre é o livro que ganha, um exemplo disso foi o filme baseado no  romance de  Ian McEwan, Atonement , [Reparação, Cia das Letras: 2002].  

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Mulher lendo, 2006

Tina Spratt ( Irlanda, contemporânea)

óleo sobre tela

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No final das contas, o que sobra é a experiência compartilhada.  Já que se pode assistir a qualquer programa de televisão  praticamente a qualquer  momento bastando gravá-lo, por que a grande maioria prefere assistir a EastEnders e Britain’s Got Talent, [ NT: dois programas na televisão inglesa] quando eles vão ao ar?  É porque queremos participar do bate-papo sobre os programas, mais tarde no trabalho ou na escola.  Torna-se uma experiência muito mais divertida, se você souber de milhões de outras pessoas estão rindo ofegantes no mesmo momento que você.  O mesmo acontece com os livros.
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Os grupos de leitura se espalharam como um vírus antes de Oprah e Richard & Judy lançarem suas versões na televisão.   Ambos os programas fizeram grande sucesso porque fizeram o que todos os bons clubes do livro devem fazer:  expandiram os limites de suas audiências. Oprah pediu a uma nação inteira que lesse One Hundred Years of Solitude, de Gabriel García Márquez [Cem anos de solidão, Record: 2009] – e ninguém se assustou.  No programa de Richard & Judy os leitores se entregaram às páginas de Half of a Yellow Sun  de Chimamanda Ngozi Adichie [ Meio sol amarelo, Cia das Letras: 2009].  Esses livros foram escolhidos, não porque eram apostas seguras, mas porque seriam amados.

 

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Mulher lendo, s/d

Richard Combes ( Inglaterra, contemporâneo)

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É menos maçante ler um livro problemático se você não está sozinho e mais agradável devorar um excelente livro se você sabe que poderá compartilhar seus pensamentos, quase que imediatamente, após a sua leitura com pessoas amigas que saberão do que você está falando.   Um bom livro sempre faz a gente se sentir especial, como se o autor nos tivesse em mente enquanto escrevia.  Ser transportado para longe do seu sofá ou da sua espreguiçadeira para a época vitoriana ou para o espaço sideral, é sempre possível.  Mas quando você volta à Terra  e se encontra em sua cadeira predileta, é muito mais agradável poder falar sobre a sua viagem com alguém que também esteve lá.

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Tradução e adaptação de Ladyce West.

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Para o txto original:  The Times





A civilização amazônica desconhecida

3 07 2010

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A lenda de cidades perdidas na Amazônia  atraiu legiões de exploradores e aventureiros à morte na maior floresta tropical do mundo: haveria um antigo império de cidadelas e tesouros ocultos nas profundezas da selva amazônica?  Conquistadores espanhóis se aventuraram na floresta buscando fortuna e foram seguidos ao longo dos séculos por outros, convencidos de que descobririam uma civilização perdida tão importante quanto a Asteca e a Inca. Alguns chamaram  este local imaginário de El Dorado, outros, de Cidade de Z.

Mas a selva os engoliu e nada foi encontrado.  Passou-se a imaginar que era um mito.   A Amazônia era inóspita demais, diziam estudiosos do século XX, para permitir grandes assentamentos humanos.  Mas quem sonhava  estava certo.  Novas imagens de satélite e outras feitas de avião, revelaram mais de 200 enormes construções geométricas escavadas na Bacia Amazônica Superior, perto da fronteira do Brasil com a Bolívia.

Espalhados por 248 quilômetros, há círculos, quadrados e outras formas geométricas que  formam uma rede de avenidas, valetas e recintos construídos,  muito antes da chegada de Cristóvão Colombo à  América.   Algumas dessas construções datam de 200 a. C., outras são bem mais tardias, do final do século XIII da nossa era.  Os cientistas que as mapearam acreditam que pode haver outras 2.000 construções escondidas embaixo das árvores.

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As estruturas descobertas  pelo desmatamento mostram uma “sofisticada sociedade pré-colombiana construtora de monumentos“, de acordo com a revista Antiquity, onde os autores lembram que “esse povo até agora desconhecido construiu fortificações com um plano geométrico preciso, conectadas por estradas ortogonais retas.”  Chamadas de geóglifos, as figuras estendem-se por uma região de mais de 250 quilômetros e compõem uma rede de trincheiras com 11 metros de largura e barrancos de 1 metro. Acredita-se que eram usadas como fortificações, moradias e para cerimônias. Poderiam ter abrigado um média de 60 mil pessoas.

Essas descobertas demoliram idéias de que os solos da Amazônia eram muito pobres para sustentar uma agricultura extensiva, diz Denise Schaan, co-autora do estudo e antropóloga da Universidade Federal do Pará. Ela disse à revista americana National Geographic que “há muito mais para se descobrir nesses locais. Toda semana achamos novas estruturas.” Muitos dos montes encontrados são de grande simetria e se encontram  inclinados para o norte.  Uma das suposições é de que tenham um possível significado astronômico.

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Geóglifo na Fazenda Atlântica, na BR 364

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As primeiras formas geométricas foram achadas em 1999. Outras descobertas, que foram feitas na região do Xingu, mostram aldeias interligadas conhecidas como “cidades jardins“, com casas e fossos. “As revelações estão explodindo nossas percepções sobre como as Américas realmente eram antes da chegada de Colombo“, diz David Grann, autor de The Lost City of Z. [ A cidade perdida de Z.] E também vingam Percy Fawcett, o britânico que liderou uma expedição para encontrar a Cidade de Z e desapareceu, no percurso.  Todas essas novas descobertas deixam vislumbrar o que poderia ter sido uma civilização antiga ainda desconhecida.   Há quase 260 avenidas, caminhos e barreiras descobertas ao longo da fronteira entre o Brasil e a Bolívia. 

Isso vai em completa oposição à tradicional visão da bacia Amazônica antes da chegada dos europeus por aqui: não havia cidades como as encontradas pelos espanhóis no território Inca.    Agora a grande dúvida, que divide os especialistas,  é saber se os geóglifos e as cidades jardim estão interligados.   Os geóglifos são formados por canais – fossos — cavados de 11 metros de largura e 1 ou 2 metros de profundidade.    E os círculos que eles formam vão de 90 a 300 metros de circunferência.   A idade precisa das suas construções ainda é muito vaga.  Acredita-se que eles tenham sido construídos num período de 700 anos, de 2000 anos atrás até mais ou menos o século XIII. 

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Vista aérea de um geóglifo ao lado de uma estrada.

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Algumas escavações  já trouxeram resultados inesperados, entre eles, cerâmicas e outros sinais de habitações humanas.  Mas estes artefatos só  aparecem em alguns locais e não em outros.  Isso talvez deva ser visto como um indício de que esses locais teriam tido um papel cerimonial.  Pensa-se também em defesa, no entanto estruturas de defesa não necessitam ser construídas com a precisão geométrica apresentada aqui.   Para defesa, escavações em barreiras,  trincheiras ou fossos, não precisam do detalhe de planejamento matemático que estes círculos de demonstram.    E,  já que muitas dessas estruturas estão orientadas para o norte é mais provável ainda que tenham algum significado astronômico.

O certo é que a maioria das grandes civilizações da antiguidade estava enraizada ao longo de um rio importante.  E por causa da densidade da floresta amazônica, este simples fator, comum a quase todas as outras civilizações, foi ignorado.  E no entanto, por que não teriam sido as margens do Amazonas fonte de desenvolvimento para os povos da América do Sul?   

Não há evidência alguma de construções piramidais ou de uma língua escrita desenvolvida  por essa sociedade que construiu os  geóglifos amazônicos.  Mas a intervenção na paisagem, no meio ambiente, através de  construção de fossos e de construções circulares ou quadradas, mostram que este povo era sedentário, que fazia planos, que projetava suas idéias para um futuro longínquo – uma construção dessas não se faz de um dia para o outro — e que era uma sociedade estabelecida na terra, e não formada por tribos nômades.    

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Apesar da proximidade de algumas aldeias Incas a 200 km a oeste dos geóglifos não foram achados ainda nenhum objeto Inca ou de influência Inca no local.   E ainda, esses geóglifos não parecem ter qualquer afinidade com os geóglifos encontrados no Peru, de origem Nazca. 

Para a maioria dos especialistas em estudos andinos e civilizações pré-colombianas, estas descobertas são simplesmente o que há na superfície.    Com o tempo muitas outras descobertas virão, pois os indícios são de que havia um grande número de pessoas no local vivendo de maneira bastante organizada.   Mas isso só o tempo comprovará.

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Fontes: EstadãoA blog about history, The Guardian.





Genea brasilis e o metrô do Rio de Janeiro

1 07 2010

 

Árvore de Jessé, século XII, anterior a 1195

Abadessa Herrade de Hohenburg (Alsácia,  c. 1130- 1195)

Hortus Deliciarum [Jardim das delícias], começado em  1163

Esboço colorido.

A  leitura do mês de junho para o grupo Papa-livros foi a fantástica ficção histórica de Noah Gordon, O Físico.  Eu já o havia lido em inglês há muitos anos, mas reli o romance na versão brasileira com tanto gosto como se o estivesse lendo pela primeira vez.  Não vou fazer uma resenha desta saga medieval, riquíssima em detalhes e aventuras, que fazem as quase 600 páginas do livro passarem rapidamente, mesmo para os leitores mais exigentes.  Simplesmente direi que é um livro para se ler e reler.  Vai recomendadíssimo.

Mas há um ponto que volta a me fascinar depois da leitura de O Físico, e que aparece com frequência quando me encontro com algumas ficções históricas: o quase milagre de estarmos aqui, neste momento, vivos.  Um mero passeio, mesmo que em ficção, à Europa do século XI, como fiz na leitura desse romance,  traz à baila os incríveis percalços encontrados por nossos antepassados  (qualquer que seja a nossa origem), para que um dia, um de nós, estivesse aqui, vivo neste momento.   A cadeia de dificuldades pela mera sobrevivência em séculos passados (morte ao nascimento, de peste, de fome, de apendicite, de frio) faz de nossos antepassados os grandes heróis de nossas vidas.   Todos nós, não importa quem sejamos, tivemos antepassados que sobreviveram tempo suficiente para chegarem à idade de se reproduzirem.  Este fato, simplesmente, a passagem de bons genes, a sorte, tudo contribui para que eles já sejam pequenos heróis.   Não digo que somos todos descendentes de um Napoleão, Átila, Hercules ou Alexandre, mas de pessoas que mesmo que tenham morrido ainda muito jovens, chegaram a ter filhos e a deixar seus descendentes em condições de saúde, família ou financeira com suficiente lastro para que estes, por sua vez, crescessem e se reproduzissem com sucesso.  Não é pouco.  Ainda que lutadores cotidianos anônimos, estes antepassados merecem o nosso respeito e agradecimento, mesmo que não consigamos saber quem eram, como se chamavam ou o que faziam.

Do século XI, por exemplo, período representado no romance O Físico, até hoje, poderíamos dizer que foram aproximadamente  40 gerações, se calcularmos uma geração a cada 25 anos.   Os estudos mais recentes de antropologia consideram que esta idade estaria mais próxima da realidade, do que o tradicional período de 20 anos, assumido no passado.  E 40 gerações até o século XI já é de espantar, imagine-se então que de uma maneira ou de outra estes nossos antepassados vieram, eles mesmos de outras 40 gerações ( para chegarmos ao ano 1 de nossa era) e de mais outras e outras tantas gerações 40 gerações para podermos cobrir o caminho em reverso da nossa existência.

Peregrino Medieval

Isso me leva a uma dos meus pequenos passatempos, que é o da genealogia.  Muita gente pensa que a genealogia só é de interesse para aqueles que tenham tido algum sangue azul; que é um passatempo para quem quer provar uma origem de importância.   O que acontece é que é mais fácil conseguir informação sobre antepassados nobres, ou donos de terras, porque foi por aí que os primeiros documentos citando nomes de pessoas e de seus descendentes, mesmo dos que eram analfabetos, vieram a ser registrados e preservados.

Mas a graça para mim, que até hoje não descobri nenhum sangue nobre na família, não está nisso.  Está sim, na tentativa de entender por que peripécias meus antepassados passaram,  o que fizeram e como chegaram aqui, em mim, em meus irmãos, vindos de tantos outros cantos do mundo.  Isso porque, conhecendo bem a história, sabemos que se paramos por aqui, no Brasil, somos descendentes de sobreviventes espertos, fortes e acima de tudo com grande garra.

Pense bem.  A não ser que a sua família tenha chegado ao Brasil com os navios da corte portuguesa em 1808, sua família pode ser considerada uma família de heróis, com pouca chance de sangue azul.  Vamos dar uma espiadinha:

 

Mayuta, o Pajé, 2002

Elon Brasil ( Brasil, 1957)

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Indios nativos do Brasil:  somos descendentes daqueles que sobreviveram, quer por fugirem dos invasores, quer por se adaptarem a eles.  De qualquer maneira, pensaram que  só sobreviveriam se fossem fortes de corpo e alma.   No ano passado, por comemoração da passagem do Dia do Índio, publiquei aqui neste blog uma história de livro escolar sobre Araribóia, o fundador da cidade de Niterói.   Um dos comentários que recebi me dizia que eu estava dando cobertura a um traidor das nações indígenas, afinal Araribóia havia se aliado aos portugueses contra a invasão francesa.  Infelizmente o autor desse comentário o fez de maneira tão rude, repleta de palavras de baixo calão, que não publiquei o comentário nem pude rebatê-lo, para mostrar que se pensarmos bem,  Araribóia  foi um chefe de tribo que pensou na sua sobrevivência e na de sua tribo.

Retrato de mulher, s/d

Benedito José Tobias ( Brasil, 1894-1963)

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Negros que chegaram escravos: a seleção já começava nos navios negreiros.  A mortalidade nessas naus entre os escravos era imensa.  Só chegavam aqui os fortes.  E precisavam ser fortes de alma, também para agüentarem os maltratos a que foram, na maioria dos casos, submetidos.

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Portugueses:  quer tenham vindo no período colonial ou mais tarde como imigrantes els caem em duas alternativas — 1) se eram de famílias importantes, não eram herdeiros.  Eram sim segundos, terceiros, quartos filhos de nobreza ou donos de terra.  Sem herança.   Ou eram judeus, novos cristãos, degredados, criminosos políticos ou religiosos.  De qualquer maneira, vieram para sobreviver aqui, fazer a fortuna desejada, porque na terra natal isso não era possível.  2) ou eram habitantes de aldeias pobres, que decidiram emigrar porque não havia possibilidadesde crescimento em seus rincões e  não queriam passar fome onde não tinham como se empregar.  A fome ou o perigo da fome sempre rondou os pobres na Europa.

Beduíno, s/d

Bertha Worms (Brasil, 1868-1939)

Pinacoteca do Estado de São Paulo

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Outros europeus, asiáticos e imigrantes do oriente médio:  assim como os portugueses, seus antepassados não tinham perspectivas de sobrevivência onde nasceram.  Aldeia, vilarejos dedicados a monocultura, eram lugares de equilíbrio econômico frágil.  Esses emigrantes, por mais rudes que fossem na educação formal, mostraram-se corajosos, espertos, lutadores que bravamente procuraram oportunidades onde pudessem ter mais chances.  Destemidos,  gente brava, pronta  para enfrentar os perigos de uma viagem longa e insalubre de navio, para aprender uma  língua desconhecida e difícil e para se adaptar na medida do possível a uma cultura radicalmente diferente.

Por mais que se doure a pílula, temos todos pés de barro.  Por mais que queiramos dizer que nossos antepassados eram nobres, a verdade é que se paramos neste lado do Atlântico, é porque em algum lugar, anteriormente, a vida era muito, muito difícil e uma mudança brusca se fez  necessária para a mera sobrevivência.  Mesmo aqueles de nobreza brasileira, não eram nada mais do que os mesmos europeus sem direitos à herança ou à riqueza.  Pobres coitados que vieram para cá à procura de sucesso financeiro ou amoroso: enfrentando doenças tropicais e  clima inóspito.  Todos eram nada além de sobreviventes de condições muito adversas.

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Imigrantes, 1910

Antônio Rocco ( Itália, 1880 – Brasil,1944)

Pinacoteca do Estado de São Paulo

Com essa perspectiva dois pensamentos me vêm:

1)      Profunda gratidão aos meus imigrantes que fizeram parte de meu passado

2)      Profunda compaixão pelos elitistas: não têm a menor noção de suas histórias e muito menos respeito pelo valoroso esforço de seus antepassados.

 

E hoje, abro o jornal para encontrar um artigo de duas páginas, em que moradores dos bairros ricos e com grande concentração de intelectuais,  os “burgos” de Ipanema, Leblon e Gávea, no Rio de Janeiro, se organizam para tentar  proibir a chegada do Metrô a esses locais.

Ostensivamente a desculpa é que esses bairros não comportariam muito mais pessoas indo e vindo.  Pessoas que já vêm e vão diariamente pois trabalham nesses locais como balconistas, garçons, borracheiros, entregadores, bombeiros, pintores de parede, mecânicos; que  trabalham nos edifícios residenciais como porteiros, seguranças, empregados domésticos.  Mas sob os panos, debaixo da mesa, sabemos muito bem, que os moradores dessas áreas do Rio de Janeiro querem se esquivar de um encontro com um maior número de pessoas das classes mais pobres, com os outros batalhadores que a exemplo dos antepassados de todos, ainda brigam por sua sobrevivência.  Francamente,   uma atitude incompatível com as lições que trazemos do passado.





Fúlvio Pennacchi, arte brasileira, nossa homenagem à Copa da Mundo

30 06 2010

Jogo de Futebol, 1979

Fúlvio Pennacchi ( Brasil, 1905-1992)

Óleo sobre placa de madeira,  10×13 cm





Impressionando as dinossauras com cristas e velas!

30 06 2010
Pterossauro, ilustração.

O objetivo das cristas exageradas e “velas” encontradas em muitos animais fósseis tem sido controverso. Alguns cientistas afirmam que as “velas” nas costas ajudavam a regular a temperatura corporal e que as cristas na cabeça auxiliavam a orientar os répteis alados durante o vôo.  Agora, um novo estudo diz que esses atributos se tornaram tão grandes por causa da competição sexual. Os resultados, descobertos por uma equipe internacional de pesquisadores, foi publicado na revista American Naturalist.

Uma das classes de animais pré-históricos analisados pelos pesquisadores foi a dos pterossauros – répteis voadores extintos na época dos dinossauros.  O estudo sugere que o tamanho da crista da cabeça em relação ao corpo do pterossauro era grande demais para ter sido dedicado ao controle da temperatura corporal ou da direção de voo.   Os pesquisadores também investigaram criaturas semelhantes a mamíferos, chamados eupelicossauros, que viveram antes dos dinossauros. Esse grupo, que incluía os animais dimetrodon e edaphossauro, carregava grandes e elaboradas “velas” ao longo das costas.

Por meio de relações conhecidas entre o tamanho corporal e a atividade metabólica nos organismos vivos – o processo por trás da geração de calor -, os cientistas concluíram que as “velas” eram muito exageradas para terem desempenhado um papel no controle da temperatura corporal.   “Uma das poucas coisas que não mudou ao longo dos últimos 300 milhões anos foi as leis da física“, disse o coautor do estudo, dr. Stuart Humphries, da Universidade de Hull. “Por isso, tem sido bom usar essas leis para compreender o que realmente poderia estar dirigindo a evolução dessas grandes cristas e velas.”

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Pelicossauro, ilustração.

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As velas do eupelicossauro estão entre os primeiros exemplos conhecidos de características sexuais secundárias exageradas na história da evolução dos vertebrados.  “De fato, a vela do dimetrodon é uma das maiores características sexuais secundárias de qualquer animal“, disse Tompkin um dos  coautores junto com  Dave Martill, da Universidade de Portsmouth, que acrescentou: “Pterossauros fizeram um esforço ainda maior para atrair um companheiro que os pavões, cujas grandes penas são consideradas a estrutura mais elaborada de seleção sexual nos dias de hoje. Pavões se desfazem de sua fantástica plumagem a cada ano, então é um fardo temporário, mas os pterossauros tinham que carregar sua crista o tempo todo”.

Tompkins acrescentou: “Nossa análise sugere que o pteranodonte masculino competiam uns com os outros em batalhas por domínio usando suas cristas – de forma semelhante aos animais com chifres ou galhos. As fêmeas possivelmente avaliavam os machos pelo tamanho de suas cristas, de forma semelhante ao que as fêmeas do pavão fazem hoje“.

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Fonte: Estadão on line





Lúcia de Lima, arte brasileira, nossa homenagem à Copa do Mundo

29 06 2010

Fla-Flu, 2008

Lúcia de Lima ( Brasil, 1947)

Acrílica sobre tela, 14 x 16 cm

Coleção Particular





Macaúba: uma solução para a preservação do meio ambiente em SP

29 06 2010

Macaúba, 1860

Ambroise Verschaffelt ( Bélgica 1825-1866)

Do livro L’ Illustration Horticole

Uma pesquisa coordenada pela Universidade de São Paulo (USP) sugere a plantação de macaúbas como uma forma rentável de preservar a reserva ambiental. As primeiras experiências estão sendo realizadas a oeste do estado de São Paulo,  na região do Pontal do Paranapanema.

Lá o fruto da macaúba, uma palmeira nativa da região que chega a produzir até dez vezes mais óleo do que a soja por hectare, está sendo considerada como uma opção viável para a produção de biodiesel. Por causa de grande potencialidade de produção de óleo, a macaúba foi  a espécie foi escolhida para recuperar áreas degradas de pastagem e prover o sustento das famílias da região.

O objetivo de nossa pesquisa é construir um sistema de produção agrícola em que a gente tenha uma espécie de carro-chefe para produzir energia”, explica o professor Paulo Kageyama, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP). Isso seria além de outros produtos que garantiriam o sustento do produtor.   Pelo projeto, a macaúba deve ser cultivada em conjunto com outras espécies, algumas alimentícias, que darão retorno financeiro e alimentício,  mais imediato aos produtores.  Esse processo auxilia o produtor a se estabelecer e a sobreviver no período de crescimento das palmeiras.  Estas levam cerca de cinco anos até darem os primeiros frutos. “É uma agricultura associando árvore com arbusto e espécies agrícolas, principalmente frutíferas tropicais“, ressalta Kageyama.

Tudo indica que este modelo de plantio poderia ser aplicado a outras regiões do Brasil com espécies naturais de outras regiões.  Um exemplo seria a palmeira do dendê. A conciliação entre a preservação e a produtividade é o melhor caminho para conservação da biodiversidade.

Para mais informações:  TERRA





J Victtor, arte brasileira, nossa homenagem à Copa do Mundo

28 06 2010

Futebol, 2009

J. Victtor ( BH, Brasil, 1957)

Serigrafia





Quadrinha infantil da vaca leiteira

28 06 2010

Eu tenho uma vaca leiteira

que dá leite de toda maneira.

A minha vaquinha malhada

dá queijo, manteiga e coalhada.