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Nello Iovene (Itália, 1935)
óleo sobre tela, 50 x 60 cm
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“A melhor universidade é uma boa coleção de livros”.
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Nello Iovene (Itália, 1935)
óleo sobre tela, 50 x 60 cm
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Myonia graba é uma borboleta descrita pela primeira vez em 1899 por Druce. Habita florestas tropicais encontradas em alturas de 200 a 800 metros. Essas mariposas são naturais da região amazônica e dos Andes aparecendo na Colômbia, Equador, Peru e Brasil.
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Um dos painéis do Retábulo da Catedral de Ghent
Jan van Eyck (Flandres, c. 1390-c. 1440)
óleo sobre madeira
Igreja de São Bavo, Ghent, Bélgica
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Jan van Eyck nasceu um pouco antes de 1395 em Maaseik, em Flandres, hoje Bélgica. Um de quatro irmãos todos pintores. Chamado de alquimista e de inventor da pintura a óleo – o que não é verdade, mas foi quem levou a pintura a óleo a um nível nunca antes imaginado. Foi membro da corte, embaixador, agente secreto, uma lenda em sua própria era. Um dos maiores pintores que o mundo ocidental já conheceu. Faleceu por volta de 1441 em Flandres.
Pintores na época de Jan van Eyck não eram treinados em academias ou universidades. Eram educados enquanto trabalhavam como aprendizes — por anos — nas oficinas de outros artistas já estabelecidos na guilda de São Lucas. No sistema de oficinas ou ateliês, a um único homem seria dado o crédito para uma pintura em que muitas pessoas haviam trabalhado. A um artista aprendiz pode ser dada a tarefa de pintar fundos ou brocados, fazer cópias e pastiches para venda comercial, ou simplesmente preparar os painéis de madeira e moagem de pigmentos. Além de completar as tarefas atribuídas pelo mestre, assistentes nas oficinas criavam seu próprio trabalho no estilo de seu mestre.
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Bíblia da Infância, miniatura e versão resumida da Bíblia eram uma maneira popular de apresentar os ensinos cristãos às crianças. Este exemplo é de 1815 em francês e contém 48 gravuras coloridas a mão.
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Ontem como era dia de aula, e a primeira deste semestre, achei que iria fazer uma postagem rápida, (uma coisa assim bonita e interessante, mas que não precisasse de muito pensar). E me lembrei dessas miniaturas que havia visto no jornal inglês The Telegraph. Mas mesmo essa postagem “fácil” levou mais tempo do que eu imaginava, Assim volto hoje com essa pequena coleção. As legendas são a tradução das legendas no jornal inglês. Divirtam-se são lindas.
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Meu pequeno alfabeto, quando este ABC foi publicado no século XIX foi o menor livro até então publicado a cores. Dividido em duas partes “O pequeno alfabeto de animais” e “O pequeno alfabeto de Pássaros”.
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Preces ouvidas, o menor manuscrito renascentista em existência é um livro de preces em latim que inclui 17 pinturas de santos, evangelistas e apóstolos, inclusive uma pintura bem delicada da Virgem Maria.
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O almanaque de Londres: este almanaque de 1736 era um de uma série impressa de meados do século XVII ao século XX. Almanaques vinham cheios de boas informações: datas, estatísticas e mapas. Você pode considerá-los Proto-IPhones…
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O livro de ouro de Ana Bolena, tudo indica que Ana Bolena usou esse livro de salmos em miniatura, que mostra um retrato de Henrique VIII, dedicado a uma de suas damas da corte, quando em 1536 ela se encontrava no cadafalso. Este livro pertence à Biblioteca Britânica.
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Atlas do Império Britânico, publicado por volta de 1928, é cópia do original encontrado na Biblioteca da Casa de Bonecas da Rainha Mary no Castelo de Windsor.
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Para mais fotos de livros em miniatura ver: The Telegraph
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Ilustração do livro Chicken Little, M. A. Donohue & Company: Chicago & New York. 1919.–
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Domenico Fetti (Itália, 1588-1623)
óleo sobre tela, 98 x 73 cm
Galeria de Obras dos Velhos Mestres [Gemaldegalerie Alte Meisters] Dresden
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“…em Atenas, no século V a. C., no ápice da civilização grega, uma pessoa que quisesse escrever um número usava uma espécie de código alfabético. As primeiras nove das 24 letras do alfabeto grego representavam os números que chamamos de 1 a 9. As seguintes nove letras representavam os números que chamamos 10, 20, 30 e assim por diante. E as seis últimas letras, além de três símbolos adicionais, representavam as primeiras nove centenas (100, 200 e assim por diante, até 900). Se você tem problemas com a artimética hoje em dia, imagine como seria subtrair ΔΓΘ de ΩΨΠ! Para complicar ainda mais as coisas, a ordem na qual as unidades, dezenas e centenas eram escritas não importava: às vezes as centenas vinham em primeiro, às vezes em último e às vezes a ordem era ignorada completamente. Para completar, os gregos não tinham zero.
O conceito de zero chegou à Grécia quando Alexandre invadiu o império Babilônico, em 331 a. C. Mesmo então, embora os alexandrinos tenham começado a usar o zero para denotar a ausência de um número, ele não era empregado como um número por si só. Na matemática moderna, o número 0 possui duas propriedades fundamentais: na adição, é o número que, quando somado a qualquer outro, deixa-o inalterado, e na multiplicação é o número que, quando multiplicado por qualquer outro, mantém-se ele próprio inalterado. Esse conceito não foi introduzido até o século IX, pelo matemático indiano Mahavira.
Mesmo depois do desenvolvimento de um sistema numérico utilizável, passariam-se muitos séculos até que as pessoas reconhecessem adição, subtração, multiplicação e divisão como as operações aritméticas fundamentais — e, lentamente, percebessem que certos símbolos convenientes poderiam facilitar bastante sua manipulação.”
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Em: O andar do bêbado: como o acaso determina nossas vidas, Leonard Mlodinow, tradução Diego Alfaro, Rio de Janeiro, Zahar: 2009, p. 44-45
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Cyrill Edward Power (Inglaterra, 1871-1951)
gravura em linóleo
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Então, do Pará ao Rio Grande do Sul, o brasileiro lê em média 6 minutos por dia. É uma constatação devastadora. A pesquisa, feita pelo IBGE, como noticiou o jornal O Globo ontem, mostra que lemos 5 vezes menos por dia do que os americanos durante a semana e 6 vezes menos do que eles durante o fim de semana. Essa leitura inclui qualquer leitura. Não estamos falando simplesmente de romances, de entretenimento. Dedicamos muito pouco tempo à leitura de qualquer coisa: jornal, texto científico, romance, texto histórico, matemático, poesia, ciências naturais, físicas, qualquer coisa, provavelmente até livros de culinária.
Agora, como é que queremos ir para frente? Progredir? Tornar este país competitivo?
Vejo com frequência nas redes sociais um enorme ressentimento contra os nossos vizinhos do norte, os americanos porque “querem dominar o mundo” culturalmente. Mas, eles pelo menos se dedicam a aprender, a ler, a explandir os conhecimentos. Domínio cultural, através de filmes, de livros, de programas de televisão acontece mesmo. É subproduto de um país que se dedicou a uma educação generalizada para toda a população, de uma cultura que se dedicou ao estudo e à leitura. De um país que dá todo o apoio possível à criatividade quer ela seja científica ou não. Somos levados no cabresto por eles, sim, culturalmente. Mas para lutar contra esse domínio, não adianta sair às ruas, nem pedir dinheiro para o governo bancar projetos culturais. Porque os brasileiros nem sequer sabem da importância desses projetos. Não sabem porque não lêem. E niguém nasceu sabendo. E a única maneira de se complementar o que se conhece, o que se sabe é lendo.
Não é culpa da internet. Hoje para se usar a internet, para se construir uma base de conhecimento que possa levar ao manuseio da internet, da cultura virtual, não se pode ser unicamente um usuário, um visitante das páginas sociais e bater papo com os amigos. É um erro pensar que visitar os amigos nas redes sociais é dominar a internet, que é progresso. Para que possamos realmente fazer uma contribuição para o mundo virtual, é necessário saber como virar esse conhecimento técnico a nosso favor. E no entanto, sem ler, não chegaremos lá.
Não lemos. Portanto não expandimos os nossos cérebros, não aumentamos o nosso conhecimento pragmático ou emocional. Estamos nos tornando, em passos rápidos, uma cultura de zumbis, de não pensadores. Em compensação gostamos de vegetar em frente da televisão. 85% do tempo livre dos brasileiros é gasto em frente da televisão. Deixamos assim que outros pensem por nós.
Há horas que dá muito desânimo.
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Fonte: Brasileiro passa muito tempo longe dos livros, O GLOBO
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Pescador na beira do rio, 1932
Archimedes Dutra (Brasil, 1908-1983)
óleo sobre madeira, 27 x 35 cm
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Fernando Pessoa
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Na ribeira deste rio
ou na ribeira daquele
passam meus dias a fio.
Nada me impede, me impele,
me dá calor ou dá frio.
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Vou vendo o que o rio faz
quando o rio não faz nada.
Vejo os rastros que ele traz,
numa sequência arrastada,
do que ficou para trás.
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Vou vendo e vou meditando,
nem bem no rio que passa
mas só no que estou pensando,
porque o bem dele é que faça
eu não ver que vai passando.
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Vou na ribeira do rio
que está aqui ou ali,
e do seu curso me fio,
porque, se o vi ou não vi,
ele passa e eu confio.
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Em: Antologia poética para a infância e a juventude, Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro: 1961, p. 150-151.
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Nesta semana o jornal gaúcho Zero Hora publicou duas matérias de interesse para quem se preocupa com a baixa taxa de leitura no Brasil. O foco de ambas as publicações foi o número de volumes impressos por título. Nos grandes centros do Brasil, parece que a leitura anda aumentando. Cá pela zona sul do Rio de Janeiro, ir a uma livraria no fim de semana é ocasião certa de encontrar dezenas de pessoas se acotovelando, como se livros estivessem sendo distribuídos gratuitamente. Além disso, podemos ter a certeza de encontrar casualmente vizinhos, amigos, colegas de trabalho que, sem combinação prévia, acabam emendando a compra de um livro em um bate-papo informal no café da livraria ou no café mais próximo. Quer a livraria fique num shopping ou tenha portas abertas para a rua, o burburinho no local é de aquecer o coração de quem se preocupa com a educação brasileira.
Mas observando o número de exemplares publicados nas nossas edições de sucesso, os números parecem ridiculamente pequenos para o tamanho da nossa população. As maiores tiragens de livros no país são de 600.000 – seiscentos mil – volumes. Nesse nicho ficam os autores de grandes vendas internacionais como a trilogia iniciada com o volume 50 tons de cinza de E. L. James. O último volume da trilogia, 50 tons de liberdade, já saiu com mais de 500.000 – quinhentos mil — exemplares impressos. Parece muito não é mesmo? Mas somos 197.000.000 — cento e noventa e sete milhões – 600.000 exemplares são equivalentes a ⅓ de 1%. Parece insignificante. E essa é a maior tiragem de um livro no Brasil. Triste.
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Ilustração Adam Pekalski.–
Grandes sucessos editoriais de autores brasileiros têm ainda menores tiragens. Aqui focamos nos brasileiros. Os dois títulos de maior tiragem são elevados pelas religiões em que se firmam.
Ágape, do padre Marcelo Rossi – 500.000
Casamento blindado de Cristiane e Ricardo Cardoso – filha e genro do Bispo Edir Macedo – 230.000
Só depois é que encontramos o mega-seller Laurentino Gomes.
1889 – tem edição de 200.000
Seguido por:
Manuscrito encontrado em Accra de Paulo Coelho — 100.000
Luís Fernando Veríssimo – novo título ainda não divulgado – sairá com 100.000 também
Carcereiros de Dráuzio Varella – 80.000
Guia politicamente incorreto da filosofia – Luís Felipe Pondé – 50.000
A graça da coisa de Martha Medeiros – 50.000
Mas há também o que poderíamos chamar de círculo vicioso. De acordo com o Consultor Editorial Carlos Carrenho, as tiragens grandes não refletem só a expectativa das editoras. As livrarias também preferem os livros com maior tiragem. De acordo com ele “A primeira coisa que as livrarias perguntam é qual a tiragem inicial. Usam a informação para avaliar o tamanho da aposta naquele título.”
Assim fica difícil quebrar barreiras. Se as livrarias não estão interessadas em tiragens menores, como pode o autor aumentar as suas vendas até que consiga um número razoável em volume de venda? Porque diferente de outros países as nossas editoras não se dedicam a promover os títulos que publicam. Comparo com os Estados Unidos, onde morei por muitos anos, e não vejo por aqui a dedicação que as editoras de lá dão ao promover os livros que publicam. É claro que lá também se pede muito dos escritores. Eles viajam de uma costa a outra do país dando entrevistas e se encontrando com leitores em livrarias, cafés, grupos de leitura, exaustivamente. Isso não vejo acontecer por aqui fora do eixo Rio-São Paulo. Ocasionalmente sim, mas não regularmente.
Temos ainda muito o que fazer no Brasil.
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FONTES:
Saiba quais são os livros de maior tiragem no Brasil
Tiragens iniciais gigantescas de livros indicam tendências de mercado e estratégia de vendas