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Dia dos Pais, eu desejo
que seja um dia de brilhos,
que a brisa leve o meu beijo
a cada pai e seus filhos!
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(Delcy Canalles)
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Dia dos Pais, eu desejo
que seja um dia de brilhos,
que a brisa leve o meu beijo
a cada pai e seus filhos!
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(Delcy Canalles)
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Fachada da Casa Batlló, construída em 1875-1877
Reformada por Gaudí entre 1904-1906
Antoni Gaudí (Espanha, 1852-1926)
43 Paseo de Grácia, Barcelona, Espanha
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No Ano Novo, uma decisão que parecia pequena e inconsequente: ler mais não-ficção durante o ano acabou sendo, de todas as decisões que tomei e que ainda espero cumprir, a que mais tem-me agradado e já penso em repeti-la, porque há momentos, como da leitura de A vida não é justa de Andréa Pachá, juíza da 1ª Vara de Família de Petrópolis, em que o contato com o mundo real, além da ficção, tornou-se muito prazeroso.
Neste pequeno livro de vinhetas jurídicas, vemos a crônica do dia a dia brasileiro e com ela delineia-se um retrato da criatividade nativa quando a tarefa é encarar os tropeços da vida. A narradora, a juíza, tem um toque suave na linguagem, acarinhado por humor comedido e afável no relato dessas fatias de vida real. Mas acima de tudo Andréa Pachá tem compaixão. E por causa disso, muitos dos casos, que, de outra feita, poderíamos ignorar passando os olhos superficialmente, tornam-se pontos de apoio para a reavaliação da nossa gente, do nosso sistema de valores, da nossa brasilidade. Estamos a nos olhar no espelho. E a surpresa é boa, muito melhor do que o esperado.
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Depois dessa leitura parece que a realidade é mais fantasiosa do que a imaginação dos romancistas. No entanto, o escritor, qualquer escritor de ficção, é uma só pessoa e tem como limite sua experiência. Na leitura dessa coleção de crônicas, com cada página virada, vemos uma miríade de comportamentos que retratam variadas narrativas de vida; uma pluralidade de soluções, por vezes desencontradas, mas vividas por personagens reais, cada qual interpretando a vida com seu próprio vernáculo.O resultado final para o leitor é ser testemunha, junto com Andréa Pachá, da imensa riqueza do comportamento humano, além da profunda solidão encontrada no âmago de todos nós.
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Andréa Pachá–
A metáfora que encontrei para descrever o resultado da leitura foram as fachadas dos prédios do arquiteto espanhol Antoni Gaudí, cuja Casa Batlló ilustro acima. Formadas por mosaicos de objetos nem sempre belos (garrafas, cacos de vidro, cacos de cerâmicas, canecas, pratos de louça do diário) essas fachadas tornam-se padrões de beleza universal quando assimiladas, em conjunto, e superpostas de maneira estética. Assim também vi a nossa gente, o nosso povo retratado por Pachá. Nem sempre tomadas individualmente essas pessoas são belas, por dentro. Mas cada qual com sua maneira de viver, de sofrer, exerce a atividade mais cara que nos é dada, a liberdade de interpretação da vida: pode ser a mulher que por seguir os preceitos de sua nova fé não se aninha mais na cama do marido, ou o amigo de uma mãe solteira que adota o filho dela como seu, sem compromisso matrimonial. As razões e as soluções são inesperadas, às vezes deselegantes, frequentemente inacreditáveis, mas o resultado no todo é belíssimo. Triste. Mas belo. E me deu o que às vezes tem-me faltado: confiança no ser humano. Fé em um futuro melhor. Imprevisível, mas provavelmente melhor.
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A lagartixa-leopardo [Eublepharis macularius], que também é conhecida, osga-leopardo, ou geco-leopardo é um réptil da família Gekkonidae, originário do Oriente Médio (Paquistão, Afeganistão e Irã) e da Índia e chega a medir entre 22 a 27 cm. Alimenta-se de insetos.
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Fonte: Carnivora Forum
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Pateta vira pintor, ilustração Walt Disney.–
O bom pintor, quando pinta
para dar vida à aquarela,
põe mais amor do que tinta
no sentimento da tela.
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(José Lucas de Barros)
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Senhora lendo ao lado de um enorme rododendro, s/d
Anna Boch (Bélgica 1848-1936)
óleo sobre tela, 67 x 106 cm
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Rosalie Anna Boch nasceu em Saint-Vaast, em Hainaut na Bélgica, em 1848. No início de sua carreira usou da técnica pontilhista. Mais tarde abraçou o impressionismo propriamente dito pelo resto de sua carreira. Foi aluna de Isidore Verheyden e também bastante influenciada por Théo van Rysselberghe, que conheceu no Grupo dos XX. Além de trabalhar como pintora, Anna Boch colecionou telas impressionistas de artistas importantes, seus contemporâneos. Além disso, promoveu muitos jovens artistas, inclusive Vincent van Gogh a quem ela admirava por seu talento e que também era amigo de seu irmão Eugène Boch . Vigne Rouge (O vinhedo vermelho), comprado por Anna Boch, acredita-se ter sido a única pintura de Van Gogh vendida durante a vida do artista. A coleção de Anna Boch foi vendida após sua morte. Em seu testamento, ela doou o dinheiro para pagar a aposentadoria de amigos artistas pobres. Faleceu em Bruxelas, em 1936.
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Marcos de Oliveira (Brasil, 1980)
Acrílica sobre tela, 160 x 200 cm
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Acredito que tudo tem o seu tempo. Mas hoje quase duvidei desse aforismo. Imaginem vocês que em maio deste ano recebi, muito gentilmente, um email do ateliê do artista plástico, natural da Bahia, mas radicado em São Paulo, Marcos de Oliveira. Este email veio assim do nada, uma surpresa, um presente. Dava-me os links para que eu pudesse conhecer seus trabalhos, uma bela obra contemporânea.
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Guerreiros da anunciação, 2010-2012
Marcos de Oliveira (Brasil, 1980)
Acrílica sobre tela, 200 x 800 cm
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Mas … Eu estava muito ocupada na primeira metade deste ano. Havia começado a dar um curso novo para mim, onde recentes pesquisas, com novas dados descobertos nos últimos anos, informações interessantes, tinham que ser incorporadas às minhas poucas notas anteriores. A preparação dessas aulas acabou tomando muito mais tempo do que eu havia imaginado. Faltou-me tempo até para o blog que costumo organizar com alguma antecedência. O blog sofreu com um número bem menor de postagens. Mas o curso ficou redondinho, ainda que um pouquinho mais longo do que o imaginado.
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Marcos de Oliveira (Brasil, 1980)
Acrílica sobre tela, 200 x 160 cm
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Aí hoje, decidi que era a hora de mostrar a todos alguns trabalhos do Marcos de Oliveira. Eu me lembrava dele. Não só porque gostei das telas, mas porque coloquei uma foto de uma das telas dele numa pasta do Windows que abro pelo menos uma vez por dia. Mas quem disse que eu encontrava o resto das informações? Procurei nas minhas 5 pen drives com imagens de telas, esculturas, etc (ou vocês acham que eu procuro na hora de postar alguma coisa?) Tenho tudo muito organizado porque é muita informação e pouca memória. Mas quem foi que disse que eu achava? Achei muita coisa que eu deveria ter deletado há tempos. É como voltar ao passado, organizando antigas gavetas de papelada: ideias de artigos, comparações entre uma obra de arte e outra… Notas sobre um futuro curso, uma futura coleção disso ou daquilo… Enfim, entrei numa revisão total dos últimos 5 anos de blogagem.,,, E achei!
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Marcos de Oliveira (Brasil, 1980)
Acrílica sobre tela, 120 x 200cm
Coleção Metrópolis TV Cultura, SP
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E fiquei muito feliz de ter achado porque gostei imensamente de seu trabalho. Gosto de ver as soluções que ele encontrou. É evidente que esta é uma pessoa que já digeriu muita informação artística e conseguiu uma solução criativa, única, que leva a sua assinatura, por assim dizer, entre o abstrato e o figurativo. Se estivéssemos ainda no século XX poderíamos chamá-lo de neo-surrealista. Mas hoje, na segunda década do século XXI, qualquer denominação de “surrealismo” considero anacrônica. É também desnecessário rotular. Além disso, gosto da sua sofisticação no traço e no acabamento.
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Marcos de Oliveira (Brasil, 1980)
Acrílica sobre tela, 100 x 190 cm
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Só de flanar virtualmente entre as peças no site e no blog dá para perceber algo de sua trajetória. As cores fortes contrastam com a delicadeza dos detalhes geométricos, onde alguns triângulos até conseguem projetar sombras, como na tela acima. Tudo indica que Marcos de Oliveira se sente confortável, nesse caminho do meio, entre telas de temática mais abstrata, representando engrenagens de máquinas imaginárias, como na Metamorfose II (primeira tela desta postagem), como também na execução de telas tradicionalemnte associadas à figura humana como a Madona, abaixo.
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Marcos de Oliveira (Brasil, 1980)
Acrílica sobre tela, 120 x 200 cm
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Há leveza e deliciosa jocosidade nessa Madona, cujos anjinhos e ela própria lembram as enigmáticas imagens das cartas nobres dos baralhos. Sem deixar as raízes religiosas e também folclóricas dos seus temas, Marcos de Oliveira encontra uma iconografia própria. Ele consegue inserir o seu trabalho numa tradição brasileira, e dialoga com Tarsila do Amaral, Djanira e até mesmo com Rubem Valentim. E sobretudo encontra e honra o seu próprio caminho.
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Marcos de Oliveira (Brasil, 1980)
Acrilica sobre tubo de cartão, 128 x 25 x 25 cm
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Cartão postal com ilustração de Margret Boriss.–
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Bastos Tigre
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— Mamãe! Que chuvinha enjoada!
Me deixou toda molhada,
Sapato, roupa e chapéu!
Não serve mesmo pra nada
Esta água que cai do céu…
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— Não digas tal, minha filha:
A chuva é uma maravilha
Pois ela molhando o chão,
Faz crescer a couve, a ervilha,
O arroz, o milho, o feijão.
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A chuva, molhando a terra,
Cobre de flores a serra,
Amadurece o pomar,
E a semente que se enterra
A chuva é que faz brotar.
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Por isso é que a chuva é boa
E a terra seca a abençoa…
— Sim, Mamãe, compreendo bem.
Mas por que é que a chuva, à toa,
Cai nas calçadas também?
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Em: Antologia Poética de Bastos Tigre, Bastos Tigre, 2 volumes, Rio de Janeiro, Francisco Alves: 1982, 1º volume, p. 241.
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Amadeu de se dedica a escrever ficção histórica, ilustração Walt Disney.–
“Um ambiente pouco iluminado provoca uma sensação de liberdade, auto-determinação e de reduzida inibição” assim descreveram os pesquisadores alemães no no Journal of Environmental Psychology ; “a escuridão aumenta a liberdade das restrições, que por sua vez promove a criatividade”.
Foram estes os resultados de uma pesquisa que levou em consideração características da criatividade em relação a mais ou menos luz no ambiente. A iluminação fraca nos deixa mais criativos, mas há um caveat: a luz fraca não pode ser difusa no meio ambiente. Para funcionar, ponha uma lâmpada de fraca voltagem pendurada diretamente acima da sua cabeça, de preferência lâmpada nua, sem globo. E… depois disso… peça às musas que lhe façam uma visita.
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Fonte: SALON
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Franz Kupka (República Checa,1871-1957)
óleo sobre tela, 79 x 75 cm
Museu de Belas Artes de Houston, EUA
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Marcel Proust
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Consertando a cerca, Ilustração de J. H. Wingfield (Inglaterra, 1910-2002).–
Uma nova pesquisa sobre livros infantis ilustrados, feita nos Estados Unidos, constatou que os estereótipos de gênero, como as mães dando carinho e os pais sendo responsáveis pelo sustento da família, continuam teimosamente persistentes até os dias de hoje.
Os livros continuam retratando o que hoje pode ser considerada uma ficção dando preferência a uma realidade incompatível com o presente, no dia a dia da criança. Os livros infantis nos EUA estão com ilustrações anacrônicas, com papéis sexuais das histórias ilustradas estagnados a décadas atrás.
A pesquisa se baseou em uma amostra aleatória de 300 livros infantis “fáceis” de mais de 1.400 listados no catálogo de livros infantis, usado para ajudar bibliotecas escolares e comunitárias na escolha de livros de qualidade. Os livros foram então divididos de acordo com a data de publicação, começando com um grupo de 50, publicados entre 1900 e 1959. Grupos adicionais de 50 foram escolhidos a partir de cada uma das últimas quatro décadas do século XX. Os últimos 50 foram escolhidos dentre os livros publicados no ano de 2000.
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Fazendo a cama, ilustração de J. H. Wingfield (Inglaterra, 1910-2002)–
Os pesquisadores procuraram por atitudes específicas dos pais representados, observando o comportamento de pais e mães nas ilustrações. Dividiram em comportamentos de afeto ou conforto à criança; comportamentos de prestação de cuidados (como preparar refeições ou limpar a criança); comportamentos disciplinares (como repreensão), companheirismo (como brincar com a criança ou dar um passeio), e o trabalho fora de casa.
Ninguém se surpreendeu de ter encontrado uma grande quantidade de estereótipos de gênero. Mas ao contrário das expectativas, esta tendência não diminuiu significativamente com o passar do tempo. Pais em geral sendo retratados trabalhando fora e as mães sendo as principais cuidadoras das crianças. Os pesquisadores relatam esses estereótipos têm suavizado ao longo das décadas, mas apenas ligeiramente e de forma esporádica. Houve um pico de de ilustrações de comportamentos mais modernos, em 1970, mas desde então tudo permaneceu no mesmo patamar até o ano 2000.
“Os pais, em livros publicados em 2000, se mostraram, nas ilustrações como capazes de maior prestação de cuidados e carinho do que em períodos anteriores, e as mães foram representadas em maior número trabalhando fora de casa”, sugeriram os pesquisadores. “Mas falta significância nos resultados estatísticos para que isso seja considerado uma tendência. O exemplo de 1970 mostra que pode haver picos de mudanças e depois as coisas darem para trás. Há evidentemente uma teimosia cultural que não deixa o retrato da vida no presente. Há uma idealização de papéis? .
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FONTE: PS MAGAZINE