Um gesto que fala: Paulo Coelho na Feira do Livro de Frankfurt

8 10 2013

GEORGINA DE ALBUQUERQUE (1885-1962) A Leitura ost, Ass. cid 42 x 32 cm.A leitura, s/d

Georgina de Albuquerque (Brasil, 1882-1962)

óleo sobre tela, 42 x 32 cm

No início de setembro uma pequena notícia, durante a Bienal do Livro, aqui no Rio de Janeiro, atraiu a minha atenção: descobriu-se que apesar das vendas de livros de ficção terem aumentado muito no Brasil, os leitores brasileiros preferiam a ficção estrangeira.  Preferem-na em grandes números.  A leitura de ficção no Brasil aumentou no último ano 42%, mas só tivemos 11% de aumento nas vendas do mesmo gênero por escritores nacionais.  Os brasileiros se recusam a comprar e a se render ao encanto dos escritores brasileiros. Isso não me pareceria normal não estivesse eu envolvida em projetos de divulgação da leitura. Sei que é verdadeiro. É uma daquelas nossas vergonhas, que varremos para debaixo do tapete, porque desvendá-la e trazê-la à luz, estragaria os prazeres de muita gente que se acredita responsável pela cultura nacional.

Aplaudo portanto o gesto de Paulo Coelho quando se recusou a participar como representante dos escritores brasileiros na maior feira de livros do mundo, a Feira de Frankfurt, na Alemanha, onde o Brasil é o país homenageado, este ano. Como divulgado pela Folha de São Paulo o escritor brasileiro mais vendido no mundo inteiro fez um ato de imolação a favor dos autores de ficção no Brasil, os verdadeiramente aclamados pelo público, aqueles que são lidos e relidos, e que representam a sociedade brasileira, de fato.

Reynaldo Fonseca, Leitura interessante, glicê, 55x65cm tiragem 10Leitura interessante

Reynaldo Fonseca (Brasil, 1925)

gravura glicée, tiragem 10

Paulo Coelho não aprova “a maneira como o Brasil representa sua literatura“.  Concordo.  Os critérios de escolha são uma incógnita.  Por que?  Porque uma feira como a de Frankfurt, uma feira comercial que tem representantes de editoras estrangeiras querendo fazer negócios, comprar livros brasileiros de autores brasileiros, deveria ser um local onde os escritores que mais agradam aos brasileiros, os escritores que mais vendem no Brasil, fossem escolhidos para nos representar. Por que imaginar que eles gostariam de comprar autores que não têm apoio dos leitores?  As editoras não são ONGS.  São negócios.  Vivem de comprar e vender.  Se não apresentamos autores vendáveis, roubamos de nós mesmos a oportunidade de fazermos a nossa cultura conhecida.

Fico surpresa com as escolhas de autores.  Como explicar, por exemplo, que escritores como Eduardo Spohr, Thalita Rebouças, André Vianco, Raphael Draccon só para citar alguns, não estejam na lista daqueles que representam o gosto do leitor brasileiro?  Alguns dos escritores brasileiros indo à feira só são fenômeno de vendas porque têm contratos governamentais.  Cadê na lista os escritores que conseguem se fazer sem qualquer desses apoios?  Que conseguem se apoiar em si mesmos, naquilo que escrevem?

Maria Sylvia cordeiro, menina lendo, ost 80 x 100Menina lendo, s/d

Maria Sylvia Cordeiro (Brasil, contemporânea)

óleo sobre tela, 80 x 100 cm

Manoel Costa Pinto disse que os autores escolhidos eram aqueles agraciados com os principais prêmios de literatura do país e com “qualidade estética”.  “Qualidade estética”?  O que é isso? E, sinceramente, escolher os autores que ganharam prêmios literários…  esse é justamente o problema do Brasil.  Na maioria da vezes damos prêmios a quem o brasileiro não lê e ignoramos acintosamente aqueles que são sucesso comercial. Eliminar quem é sucesso de vendas no Brasil é uma posição pretensiosa, de quem usa uma forma e quer que seus representantes sejam só desse ou daquele jeito, que caibam nos limites da “qualidade estética” do momento.  Isso é um posicionamento elitista de quem acredita que o leitor, que não subscreve certa política, certa filosofia, o leitor, que não leva a sério as considerações filosóficas dos “profetas” da nossa literatura,  é um ignorante, um imbecil, que não sabe escolher.  É uma posição anacrônica que não cabe numa sociedade pluralista, numa sociedade onde ler faz parte daquilo que se faz por entretenimento, por diversão, por gosto.

Vergonha nacional este tipo de escolha “que vem de cima”.  Esta lista nos rouba de uma melhor representação de quem somos para o mundo.  Uma vergonha que Eduardo Sphor, autor que já vendeu mais de 600.000 volumes no Brasil, não esteja lá nos representando, nem Vianco, nem Thalita Rebouças, nem Raphael Draccon que são autores com fã-clube no Brasil.  Pobre Brasil que continua a ver literatura como uma maneira de seleção de classe social, como um divisor de águas entre “os iluminados” e o povo. Estamos muito mal servidos, como em tudo o mais no país, para ser franca.





A Herança do Sagrado, últimos dias, MNBA

7 10 2013

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Gente, quem ainda não viu essa belíssima exposição, tem só 6 dias para vê-la.  Quantas vezes na vida você pode examinar um Leonardo da Vinci a um metro de distância, por quanto tempo você quiser?

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Quantos mestres da arte italiana você conhece de perto sem sair do Brasil?  Olhe o mapa acima, veja os nomes dos grandes artistas representados na exposição.  O que você está esperando?  Mora fora do Rio de Janeiro?  Tome um ônibus, venha de carro, de avião, de carona…  Vale a pena…

993593_314614492007912_1328972087_nMUSEU NACIONAL DE BELAS ARTES

Av. Rio Branco 199

Centro [Cinelândia]

Rio de Janeiro, RJ  20.040-008

Telefone: (21) 3299-0600

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Não perca essa extraordinária oportunidade.  Está nas suas mãos. São peças da coleção do Vaticano, uma das maiores coleções de arte do mundo.

 Facebookhttp://www.facebook.com/MNBARio

 Visitação/Visiting Hours:
 Terça a domingo das 09 às 21 horas/Tuesday – Friday from 9 a.m. to 9 p.m.
 Acesso a portadores de necessidades especiais/Wheelchair accessible        





O mundo animal de Charles van den Eycken

7 10 2013

artwork_imcharleshvanden-eyckenTravessura, 1900

Charles van den Eycken (Bélgica, 1859-1923)

óleo sobre tela, 34 x 48 cm

66dab5667e9cCharles van den EyckenA tela rasgada, 1875

Charles van den Eycken (Bélgica, 1859-1923)

óleo sobre tela, 30 x 25 cm

027d22729ff3Charles van den EyckenBoa coisa não é, 1896

Charles van den Eycken (Bélgica, 1859-1923)

óleo sobre tela, 34 x 46 cm

Charles van den Eycken Jr  (1859-1923) - Chat aux lunettes, 1918O gato dos óculos, 1918

Charles van den Eycken (Bélgica, 1859-1923)

óleo sobre madeira, 22 x 16 cm

76418912c0faCharles van den EyckenSob o olhar da mãe, s/d

Charles van den Eycken (Bélgica, 1859-1923)

óleo sobre madeira, 33 x 45 cm

defdd84a5b85Charles van den EyckenBibliotecários felinos, s/d

Charles van den Eycken (Bélgica, 1859-1923)

óleo sobre tela, 46 x 56 cm

CHARLES VAN DEN EYCKEN (Belgian 1809-1891) Circus EntretainersArtistas de circo, 1890

Charles van den Eycken (Bélgica, 1859-1923)

óleo sobre tela, 43 x 46 cm

0aee29c4e3dfCharles van den EyckenAssinado e datado, 1907

Charles van den Eycken (Bélgica, 1859-1923)

óleo sobre tela, 34 x 46 cm

Charles van den Eycken Who is there, 1892Quem está aí?, 1892

Charles van den Eycken (Bélgica, 1859-1923)

óleo sobre tela, 63 x 96 cm

1cbda44315adCharles van den EyckenNo quarto de dormir, s/d

Charles van den Eycken (Bélgica, 1859-1923)

óleo sobre tela, 80 x 61 cm

8a008a8c37e3Charles van den EyckenUm companheiro perfeito para o chá, 1884

Charles van den Eycken (Bélgica, 1859-1923)

óleo sobre madeira, 36 x 27 cm

fe533e7a6288Charles van den EyckenUm visitante de surpresa, 1893

Charles van den Eycken (Bélgica, 1859-1923)

óleo sobre madeira, 27 x 36 cm

pierette-and-mifs-charles-van-den-eyckenPierrette e Mifs, 1892

Charles van den Eycken (Bélgica, 1859-1923)

óleo sobre tela





O verde do meu bairro — Mangueiras

7 10 2013

???????????????????????????????Mangueira em flor.

É com muito pesar que vejo uma a uma as grandes mangueiras do meu bairro irem desaparecendo…  Onde moro perdemos pelo menos 4 grandes mangueiras com mais de 50 anos cada à custa da valorização dos imóveis no Rio de Janeiro.  Por trás do edifício onde moro havia duas casas com duas grandes mangueiras,  Elas deveriam ter pelo menos uns 10m de altura.  Robustas e saudáveis.  Mas às cinco da manhã todos os dias, vinha uma pessoa, moradora da casa e “regava” as mangueiras.  Elas definharam e morreram e assim eles puderam receber a permissão de retirá-las do terreno.  As duas casas que eram de um único andar ganharam 2 andares cada e foram colocadas à venda pelo preço de um pequeno palácio na Europa.  Venderam.  Porque o bairro ficou na moda.  Perdemos muito sem ela.  E os morcegos que antigamente nos deixavam em paz, agora entram nos apartamentos como o meu à procura de comida.  Não podemos deixar nenhuma fruta fora da geladeira, que eles invadem, mesmo quando ainda estamos com as luzes de casa acesas.

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A minha rua residencial, de um único quarteirão, tinha, faz uns dez anos, sete grandes mangueiras.  Neste mês de agosto, para dar mais espaço à uma escola, foi-se a penúltima.  Agora resta uma única mangueira.  A que vemos na foto acima nasce ao longo de um pequeno riacho e é provavel que sobreviva, já que está nos fundos dos terrenos da minha rua e dos terrenos do quarteirão seguinte.

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Esta é a foto da mangueira que foi retirada este ano, pela escolinha para crianças de 2 a 6 anos.   Tirei esta foto, sem saber de seu destino, talvez umas duas semanas antes da matança.  Ela estava em flor, pois afinal as mangueiras aqui no Rio de Janeiro florescem no inverno.

Não sei se é porque sou completamente apaixonada por mangas, principalmente pelas Carlotinhas, que sinto tanta tristeza ao relatar essas perdas.  Mas precisamos acordar.  Não vai ser retirando nossas árvores que vamos ter qualidade de vida, que já anda tão escassa no Rio de Janeiro.





Quem tem “Medo de voar” com Erica Jong no dias de hoje?

6 10 2013

CRI_151186Aniversário, 1915

Marc Chagall (Rússia, 1887– França1985)

óleo sobre papelão , 81 x 100 cm

MOMA, Nova York

Foi com assombro que me lembrei hoje do livro de Erica Jong Fear of Flying [Medo de Voar — nos dias de hoje publicado no Brasil em formato bolso]. NPR [National Public Radio] nos Estados Unidos comemorou os quarenta anos da publicação desse livro que se tornou, quase imediatamente após sua publicação, um marco no movimento pela igualdade de direitos das mulheres.  Minha leitura desse romance, onde a heroína se dá ao direito de querer e gostar de ter uma vida sexual ativa, foi um tempinho depois da publicação. Eu estava na faculdade, nos Estados Unidos, quando o li e mesmo assim foi um livro de grande impacto.  Não era, nem pretendia ser, uma obra  de grande valor literário.  Mas foi marcante. Na época, eu morava em Baltimore e viajava todos os dias, ida e volta, de trem para College Park,  mais ou menos uma hora de viagem entre as cidades, para estudar na Universidade de Maryland.  Lembro-me de ler este livro nessas longas viagens de trem; e de que, encabulada com o realismo das cenas retratadas, encapei o volume com papel de presente, para não alardear o que eu lia.  A mente era pudica, mesmo que eu já fosse casada.  Na época eu era membro da NOW (National Organization for Women], totalmente engajada,  defendendo, o que considerava ser uma das maiores injustiças no mundo, um dos direitos femininos mais básicos, ainda não completamente satisfeito: a igualdade de salários entre os que fazem o mesmo trabalho.  Nunca voltei a ler Medo de voar.  Já sugeri sua leitura a algumas amigas. Tenho certeza de que se o relesse hoje perderia sua mágica, porque para tudo há o momento certo e revisitar o passado em geral desaponta.  Mas não podia deixar de marcar essa passagem assim como a própria NPR não pode deixar de fazê-lo.  É o retrato de uma época, de uma preocupação.  Um momento da história cultural.





Quadrinha das pedras no caminho

6 10 2013

jardinagem anne andersonIlustração de Anne Anderson

Quando as pedras do caminho
causam lágrimas e dores,
basta um gesto de carinho
para mudá-las em flores.

(Lucina Long)





Flores para um sábado perfeito!

5 10 2013

Bernardo de Souza Pereira (1895-1985) Hortênsias, 1966, ose, 67x51Hortênsias, 1966

Bernardino de Souza Pereira (Brasil, 1895-1985)

óleo sobre eucatex, 67 x 51 cm





Uma lista curiosa: livros abandonados em hotéis

5 10 2013

1948833

Ode a uma pilha de livros de arte, 2012

Paul Bloomfield (EUA, contemporâneo)

Óleo sobre tela colada em madeira, 60 x 50 cm

www.paulbloomfield.artspan.com

A cadeia de hoteis inglesa Travelodge recolheu no ano passado 22.648 livros que foram ou esquecidos ou abandonados em suas dependências.  Como acontece todos os anos, a companhia hospedeira conta e faz a lista completa dos livros encontrados.  No ano passado  50 tons de cinza foi o livro mais encontrado pela companhia.  Não é de surpreender já que foi um dos maiores best-sellers de todos os tempos no mundo inteiro.  Este ano, a mesma autora, E. L. James, encabeça a lista com o livro Cinquenta tons de liberdade.

Ver a lista dos mais abandonados, deixados, esquecidos ou lidos e deixados para trás nos quartos de hotel nos dá aquele prazer benigno da bisbilhotice.  Mas não deixa de ser uma curiosa maneira de constatarmos a popularidade de autores e títulos.  Aqui está então a lista do livros mais achados pelo pessoal do hotel.

1. Fifty Shades Freed, E.L. James
2. Bared To You, Sylvia Day
3. The Marriage Bargain, Jennifer Probst
4. Gone Girl, Gillian Flynn
5. The Casual Vacancy, J.K. Rowling
6. Fifty Shades Of Grey, E.L. James
7. Reflected In You, Sylvia Day
8. My Time, Bradley Wiggins
9. Entwined With You, Sylvia Day
10. Fifty Shades Darker, E.L. James
11. My Story, Cheryl Cole
12. The Marriage Trap, Jennifer Probst
13. Camp David, David Walliams
14. Call The Midwife, Jennifer Worth
15. Before I Go To Sleep, S.J. Watson
16. The Marriage Mistake, Jennifer Probst
17. The Racketeer, John Grisham
18. The Carrier, Sophie Hannah
19. Oh Dear Silvia, Dawn French
20. The Great Gatsby , F. Scott Fitzgerald

Fonte: Book Patrol





Minutos de sabedoria — Padre Antônio Vieira

4 10 2013

CRIANÇAS Henri-Jules-Jean Geoffroy (conhecido como Geo) (França, 1853-1924)  de volta à escolaDe volta à escola

Henri-Jules Jean Geoffroy, dito GEO (França, 1853-1924)

aquarela sobre papel

“A boa educação é moeda de ouro. Em toda a parte tem valor.”

padrevieira

 Padre Antônio Vieira





Uma cadeira vazia…

4 10 2013

Edward Alfred CucuelChá no parque

Edward Alfred Cucuel (EUA,1875-1954)

óleo sobre tela

A vida é um sopro.  Disseram-me isso na semana passada quando passei uns dias um pouco desorientada: uma amiga de muitos anos morreu subitamente, em casa. Olga tinha idade.  Era uma senhora. Cabeça e corpo em ótimo estado.  Só a asma crônica dava trabalho de vez em quando. Mas estava de viagem marcada para Inhotim daqui a umas semanas e no início deste ano já havia passeado pela América Latina, em uma de suas inúmeras viagens com membros da família.

 Já conheci Olga aposentada. Havia trabalhado usando seu maravilhoso senso estético:  havia sido designer de azulejaria para uma grande companhia brasileira. Mas era uma artista fora do trabalho também, tendo se dedicado à pintura por muitos e muitos anos. Grande senso estético.  Tudo que resolvia fazer com as mãos saía bonito.  Equilibrado.  No meu aniversário, este ano, fez uma toalha de mesa para mim, belíssima, colorida, uma combinação elegante de variados chitões.  Em boutiques de cama e mesa  seria vendida por uma pequena fortuna. Era audaciosa no design. Cores vibrantes. Ideias destemidas.  Como no quadro/escultura em que ripas pintadas e espaçadas, brincavam com o espaço nulo entre elas. Que efeito!

Olga era uma das mulheres que entrou para o grupo de leitura há dez anos.  Era das mais antigas.  Veio pelas mãos de uma amiga em comum.  A amiga foi embora.  Olga ficou.  E nos deu, a todos nós, grandes lições.  Ensinou pelo exemplo.  A independência era um de seus traços mais marcantes. Além da generosidade, do senso de humor e da impaciência com os que se dedicavam às lamentações.   No grupo de leitura primava por opiniões sinceras, complexas e invariavelmente certeiras. Tinha uma maneira única de interpretar. Lembro-me de algumas ocasiões em que defendeu um livro mesmo quando dezesseis outras pessoas o criticaram.  O cemitério de Praga, de Umberto Eco, foi um desses.

Estava sempre disposta a fazer algum programa cultural.  Ávida por visitar exposições de arte, por participar de uma palestra. Colocava-se em situações que favoreciam falar inglês e francês, para não perder a fluência em ambas as línguas. E generosa, dispunha-se a dividir conosco sua bela residência.  E nós adorávamos.  Foi lá que celebramos alguns encontros do grupo.  Foi lá que recebemos escritores para um bate-papo com o grupo. Foi uma real participante do Papa-livros.  Deixa 16 amigas que sentirão muito sua falta.  Estou entre elas.

olga abramson 1927-2013Olga Abramson

1927-2013