Uma lembrança pela Semana da Páscoa

18 04 2014

Carlos Oswald,A Santa Ceia OST,60 x 73 1944 ACIDA Santa Ceia, 1944

Carlos Oswald (Brasil, [Itália], 1882-1971)

óleo sobre tela, 60 x 73 cm





Rio de Janeiro a caminho dos 450 anos!

18 04 2014

ONILD AQUINO, O Relógio – Glória – Rio de Janeiro-RJ 60 x 81 cm,OST - Ass. CIE e Dat. 1992O relógio, Glória, RJ, 1992

Onild Aquino (Brasil, 1936)

óleo sobre tela, 60 x 81 cm





Na boca do povo: escolha de provérbio popular

17 04 2014

xadrez, beijinho, namorados, jogo,

“Ao término do jogo, rei e peão voltam para a mesma caixa”.




Imagem de leitura — Contardo Barbieri

17 04 2014

Barbieri_Contardo_Lettura_1964Leitura, 1964

Contardo Barbieri (Itália, 1900-1966)

gravura

Contardo Barbieri, nasceu em Pavia em 1900 formou-se pela Academia de Brera , em 1921. Pintor figurativo trouxe modernidade para a arte figurativa lombarda. Durante a década de 1920, simplificou o estilo influenciado pelo grupo italiano Novecento, onde ingressou após sua primeira exposição em Milão, em 1926. Daí por diante começou a expor regularmente; ganhou reconhecimento como principalmente de figuras femininas e belíssimas naturezas mortas. Dedicou-se também a paisagens. Foi nomeado diretor da Academia Carrara de Bérgamo, em 1931 quando desempenhou papel fundamental na renovação cultural da cidade. Faleceu em Milão em 1966.





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos

16 04 2014

OSWALDO TEIXEIRA (1904-1975), Jarra, Prato e Fruteira com Uvas e Laranja Sobre a Mesa, óleo stela, 40 x 50. Assinado e datado (1933)Jarra, prato e fruteira com uvas e laranja sobre a mesa, 1933

Osvaldo Teixeira (Brasil, 1904-1975)

óleo sobre tela, 40 x 50 cm





O leão e o camundongo, poema de Olavo Bilac

16 04 2014

DoreLionForWimIlustração de Gustave Doré.

O leão e o camundongo

Olavo Bilac

Um camundongo humilde e pobre

Foi um dia cair nas garras de um leão.

E esse animal possante e nobre

Não o matou por compaixão.

Ora, tempos depois, passeando descuidoso,

Numa armadilha o leão caiu:

Urrou de raiva e dor, estorceu-se furioso…

Com todo o seu vigor as cordas não partiu.

Então, o mesmo fraco e pequenino rato

Chegou: viu a aflição do robusto animal,

E, não querendo ser ingrato,

Tanto as cordas roeu, que as partiu afinal…

Vede bem: um favor, feito aos que estão sofrendo,

Pode sempre trazer em paga outro favor.

E o mais forte de nós, do orgulho se esquecendo,

Deve aos fracos tratar com caridade e amor.

Em: Criança Brasileira: quarto livro de leitura, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agor: 1949, p.59





Imagem de leitura — József Rippl-Rónai

15 04 2014

József Rippl-Rónai  (1861- 1927) Hungria Woman Dresses in White 1896 Mus Janus Pannonius

Mulher vestida de branco, 1896

József Rippl-Rónai (Hungria, 1861- 1927)

Pastel sobre cartão

Museu Janus Pannonius





Minutos de sabedoria — Quevedo

15 04 2014

Ernst Ludwig Kirchner, Balcony Scene, 1935. Oil on canvas. 136 x 178 cm Kirchner Museum DavosCena na varanda, 1935

Ernst Ludwig Kirchner (Alemanha 1880 — Suiça, 1938)

óleo sobre tela, 136 x 178 cm

Museu Kirchner, Davos

“Quem recebe o que não merece, poucas vezes o agradece.”

 

240px-Quevedo_(copia_de_Velázquez)  Francisco de Quevedo (Espanha, 1580-1645)





Nossas cidades — Porto Seguro

14 04 2014

SÉRGIO TELLES (1936)Vila de casas em Porto Seguro - BA,ost, 27 X 46(1985)Vila de casas em Porto Seguro, BA, 1985

Sérgio Telles (Brasil, 1936)

óleo sobre tela, 27 x 46 cm





Reflexões infinitas, “Livro” de José Luís Peixoto

14 04 2014

29_Drawing Hands by Escher

Mãos desenhando, 1948

M. C. Escher (Holanda, 1898-1972)

Litografia, 28 x 33 cm

Não sei como a prosa de José Luís Peixoto soa aos ouvidos portugueses, aos meus, brasileiros, soa rica, dinâmica, orgânica. Deslumbra a expansão dos significados de palavras comuns, conhecidas. Antes mesmo de nos envolvermos com a trama, a língua portuguesa seduz. Com José Luis Peixoto embarcamos numa prazerosa e aventureira narrativa construída por vocábulos, que por engenhosa inflexão, nos fazem ver por ângulos incomuns as mesmas cenas que em qualquer outro escritor passariam desapercebidas. Precisávamos disso na nossa língua torná-la mais jocosa, folgazã. Mais ágil.

A trama é trabalhada de modo tão criativo quanto a língua. A impressão que tenho é que José Luís Peixoto brinca conosco, diverte-se com o impacto que terá sobre o leitor e se entretém ao considerar o rumo da narrativa.  Inventivo, ele nos faz sorrir quando nos deparamos com suas reviravoltas;  e ao divertir-se ele amplia os limites do que consideramos romance.  A trama inicial situada em um vilarejo do  Alentejo na década de sessenta, encontra eco na França, meio livro adiante, onde os mesmos protagonistas se encontram, fugidos da economia caótica do período Salazarista.  Fogem do país, mas não fogem de si.  Emigram levando com eles os sonhos, os amores e até mesmo a pequenice do lugar de onde procedem. A reinvenção de cada um é um processo difícil e conturbado.  Penoso para todos. E inicialmente até parece que deixaram para trás os grilhões da terra natal.  Mas quando percebemos, estamos presos aos destinos deles e nos vemos de volta ao início como  numa gravura do mundo paralelo de M.C. Escher. Nas gravuras do artista holandês, voltamos aos temas iniciais achando que chegamos a algum lugar novo só para descobrirmos que nos encontramos aparentemente fazendo o caminho anterior, são escadas que descem mas também sobem; cachoeiras cujas águas desaguam em suas fontes ou  mãos que se desenham. O romance, que traz o título sui generis e inegavelmente astuto, se transforma numa fita de Möbius, que mexe com o desenrolar natural da voz narrativa, oscilando entre o universo conhecido e outro paralelo.

Índice

Este livro podia acabar aqui. Sempre gostei de enredos circulares. É a forma que os escritores, pessoas do tamanho das outras, tem para sugerir eternidade. Se acaba conforme começa é porque não acaba nunca…” José Luís Peixoto nos diz claramente a que veio ao final da primeira parte: quer escrever uma história que não acabe nunca. E consegue.  Como um mágico de cartola, tira, sabe-se lá de onde, a ideia de fazer a história se arrevesar uma vez mais, mas de maneira mais completa. Não se trata mais de um espelhar de comportamentos, de um retrato de infinitas estruturas sociais que comprimem os indivíduos e os faz robôs de seus próprios preconceitos. Nem tampouco das idas e vindas dos personagens ou da narrativa que nos leva a diversos recomeços.  Agora, quando entramos na segunda parte, temos que trocar de marcha, refletir ainda uma vez sobre o texto. Porque descobrimos que ali há mistério. Faz-se necessário reconsiderar uma questão importante: quem narra esse romance?  E chegando a uma conclusão, como bons leitores que somos da narrativa linear, temos que voltar ao início e considerar as ramificações daquilo que descobrimos. Eureka!  Eternidade à vista! Fizemos a volta completa, mas com uma virada, aquela virada da fita de Möbius, aquele giro que faz do inicio o fim com um truque. Não se trata da forma circular, mas da elíptica com uma torção. Nasce um texto hermético.

JLP © Helena CanhotoJosé Luís Peixoto — Foto: Helena Canhoto

 

José Luís Peixoto arrisca, aposta, se aventura e se expõe nesse romance. Vai à procura da Pedra Filosofal e encontra vestígios de que ela existe. A caminho, ele enfeita e adorna a língua materna, diverte-se vadiando pela narrativa, como se estivesse mesmo a interpretar um escritor. A emigração portuguesa ilegal  para a França não é nada mais do que ponto de partida para uma corajosa investigação sobre os limites da narrativa. Joga verde e colhe maduro. Pratica e treina uma nova forma diante dos nossos olhos.  Ou será que os títulos dos capítulos estão lá por acaso?  Ou talvez as palavras circundadas por elipses, que remontam de novo à primeira parte do livro, foram invencionices da moda?  José Luís Peixoto se arremessa numa nova forma, atira no incerto e ganha o certo; dispara imagens gráficas e de linguagem.  E finalmente lança o leitor na montanha russa de uma narrativa sem fim.  Não há dúvidas de que ele é inovador, inventivo.  Nem de que ele sente os limites da forma e da língua como camisas de força. Para chegar lá ele brinca, graceja e se diverte. Leva-nos junto. E o resultado é muito produtivo, um trabalho realisticamente inovador.