Paisagem urbana com Cruzeiro Colonial, Cabo Frio
Gérson Azeredo Coutinho (Brasil, 1900-1967)
óleo sobre placa de madeira, 27 x 35 cm
Paisagem urbana com Cruzeiro Colonial, Cabo Frio
Gérson Azeredo Coutinho (Brasil, 1900-1967)
óleo sobre placa de madeira, 27 x 35 cm
Ivan Serpa (Brasil, 1923-1973)
óleo sobre tela, 97 x 130 cm
Coleção Particular
Maria da Graça Almeida
Seguindo as trilhas do chão,
em toda e qualquer estação,
andam deitadas demais,
as linhas horizontais.
Afastando-se dos mares,
galgando os céus, pelos ares,
acenando para o cais,
vão-se as linhas verticais.
Quando as duas se alcançam,
iniciam bela dança
e com passos ensaiados,
formam um quadriculado!
Quanto às linhas paralelas,
nunca dançam, pobre delas!
Bem sabemos de antemão,
que jamais se cruzarão!
O viajante sobre um mar de nuvens, 1818
Caspar David Friedrich (Alemanha, 1774-1840)
óleo sobre tela, 98 x 74 cm
Kunsthalle Hamburgo, Alemanha
Schopenhauer (1788-1860)
Leitor em biblioteca de estilo Rococó
Alois Heinrich Priechenfried (Áustria, 1867 -1953)
óleo sobre tela, 48x 36cm
Abbott Fuller Graves (EUA, 1859 – 1936)
óleo sobre tela
Samuel Carrington, o pai da artista, 1915
Dora Carrington (EUA, 1893-1932)
óleo sobre tela
Cathy Jourdan (EUA, contemporânea)
acrílica sobre tela.
Chad Gowey (EUA, 1987)
Nicolas Waaij Weesmeisjes (Holanda, 1855-1936)
óleo sobre tela
Djanira da Motta e Silva (Brasil, 1914-1979)
óleo sobre tela, 65 x 55 cm
Edvard Munch (Noruega, 1863-1944)
óleo sobre cartão
Retrato de meu pai, José Alberto Ramos Román
Ramos Cortés (Espanha, contemporâneo)
óleo sobre tela colada em placa, 90 x 90 cm
Camille Pissarro (França, 1830-1903)
óleo sobre tela, 7 x 9 cm
Coleção Particular
Marcel Semblat lisant, 1910-1920
Georgette Agutte (França, 1867-1922)
óleo sobre tela
Musée de Grenoble
Três meninas, autoria desconhecida.
Alphonsus de Guimaraens
São três irmãs, são três flores,
feitas de raios de luz.
Plantou-as, entre fulgores,
a mão santa de Jesus.
Uma é a Fé, outra, a Esperança,
vem a Caridade após…
Feliz de quem as alcança!
Vivem sempre junto a nós.
São belas como princesas.
A Caridade é talvez,
neste mundo de incertezas,
a mais formosa das três.
Em: Antologia Poética para a Infância e a Juventude, Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro: 1961, pp: 62-3
Edifícios em Buarcos, Portugal
Claire Nelson-Esch (África do Sul, contemporânea)
Lápis, bico de pena, aquarela sobre papel, 13, 5 x 21 cm
©Claire Nelson-Esch.
Esta foi a minha apresentação ao escritor português Nuno Camarneiro, ganhador do Prêmio Leya de 2012, com esse livro. Tenho mantido contato próximo com autores lusitanos publicados aqui no Brasil. Acho que a literatura publicada além-mar anda muito interessante e não me canso de experimentar novos escritores. Por isso mesmo, mergulhei em Debaixo de algum céu com muita expectativa. Talvez mais expectativas do que deveria.
A ideia central de Nuno Camarneiro é muito interessante e rica em possibilidades: seguir a vida, por uma semana, de um grupo de pessoas que têm em comum habitarem o mesmo edifício de apartamentos. Rico em possibilidades, em caracterização de personagens de diversos caminhos, o tema é fascinante. A limitação de tempo e de lugar, onde muitos personagens exibem suas características não é estranho à literatura nem ao cinema. De Anjo Exterminador de Buñuel ao edifício de apartamentos, personagem do romance A beleza do Ouriço, de Muriel Barbery, exemplos abundam. Todos trabalhos de sucesso. Sucesso esperado por essa coletânea de histórias de Nuno Camarneiro, quase um conjunto de contos, não fosse a ocasional interação entre os personagens residentes do prédio.
Nuno Camarneiro preenche seu texto com uma série de frases de efeito, que certamente encontrarão lugar nos livros e sites de citações, frases inspiradas. No entanto a narrativa é fria. Controlada demais, quase sem interação de personagens, diálogos. Nem mesmo entre membros de uma família no mesmo apartamento há diálogos. Só ocasionalmente. Todos os personagens são taciturnos, reservados e sigilosos. Não há um que seja mais expansivo, não há um que quebre estrondosamente as regras. E, no entanto, apesar de vidas cerradas e quietas, nenhum deles se dá a indulgência de um hábito secreto, transgressor, uma mania, um comportamento fora do eixo, em sua intimidade, características que fazem qualquer personagem tridimensional. Resultado: todos são figuras de papelão. A presença do narrador se impõe em demasia tirando qualquer leveza do texto, qualquer mobilidade dos personagens. Tudo é visto e contado com a mesma voz em monótona narrativa, sem humor, sem ironia, demasiadamente contida e estereotipada. Por isso mesmo os capítulos são legendados para que se saiba quem narra aquele trecho.
Nuno Camarneiro
A narrativa, mesmo assim, é ritmada e bem feita. Cheguei ao fim do livro com facilidade, sempre esperando que algo acontecesse de proporções adequadas às minhas horas de dedicação à leitura. O desfecho foi um tanto anticlimático. A rigorosa mão do autor pode ser sentida forjando acontecimentos que nem sempre parecem ser a consequência natural dos personagens. Vamos ver o que mais Nuno Camarneiro poderá trazer ao público, no futuro. Tenho a impressão de que o autor precisa se soltar. Com esse pulso de ferro, seus personagens não têm chance de crescer e nos surpreender e quem sabe surpreender até ao próprio autor?
(assumido como auto-retrato)
Pieter Bruegel, o velho (Flandres, 1526-1530 (?) — 1569)
desenho a bico de pena, tinta sépia
Albertina, Viena