C. Sampaio (Brasil, 1941)
[Márcio Sampaio]
óleo sobre tela, 25 x 20 cm
Georgina de Albuquerque (Brasil, 1885-1962)
óleo sobre tela
A vida invisível de Eurídice Gusmão se passa nas décadas de 1940 em diante, no Rio de Janeiro. Eurídice Gusmão e sua irmã são mulheres que não se conformavam com a circunscrição de seus papéis atribuídos pela sociedade. Apesar de tentarem, cada qual à sua maneira, nem sempre conseguiam escapar dos destinos projetados para elas inicialmente por familiares e mais tarde por seus maridos. Evocativo de uma época, a obra descreve a vida de mulheres da geração de nossas avós. Eu gostaria de poder dizer que só elas, mas também descreve a de nossos pais ou de muitos dos nossos contemporâneos, porque o problema das vidas circunscritas a papeis tradicionais ainda parece enraizado em muitos cantos da nossa terra.
A narrativa se concentra na história de Eurídice contrastada à da irmã, Guida, que havia buscado viver em seus termos, cortando os laços com os pais, libertando-se das expectativas deles e de todos à volta. A tentativa não durou. E eventualmente, Guida decide pelo comprometimento de suas realizações pessoais para beneficiar a vida do filho. O mesmo ocorreu com Eurídice, que mais tímida, menos aventureira, também se acomoda no casamento com Antenor, um bancário, bom provedor, mas incapaz de apreciar a energética e inteligente esposa que lhe coubera. Por manter o lar para seus filhos Eurídice também se anula. Eurídice passa a vida correndo atrás de alguma brecha que a permitisse achar maior significado em sua própria vida além daquele de mãe e dona de casa. É frustrada em todas as tentativas. Por fim, encontra consolo ao escrever, passando os dias finais de sua vida em frente à máquina de escrever já bem depois do estabelecimento da ditadura militar de 1964.
Não é uma obra prima, não irá ganhar o prêmio Nobel de literatura. No entanto, à medida que considerei esse livro para resenha, cresceu minha admiração. É um bom livro. Pelo assunto abordado e bem retratado, A vida invisível de Eurídice Gusmão, é uma boa escolha de leitura que aborda as limitações da mulher na sociedade carioca, das gerações que viveram através do século XX. Só por esse esforço deveria ser aplaudido.
Martha Batalha
Meus problemas com essa obra não se limitam ao tom puramente evocativo. Não há um crescendo de informações. Não há resolução de conflitos, nem mesmo no final. Falta-lhe agilidade, ação e diálogos. A narrativa, ainda que impecável, é distante. No entanto, retrata muito bem uma época e é perfeitamente dispensável a explicação da autora no início e no fim do livro sobre a existência de certos personagens ou sobre as obras escritas por Eurídice Gusmão. É chocho.
Mas me aventuro a dizer que se você gostou de Arroz de Palma, romance de Francisco Azevedo, é provável que goste deste livro, por sua evocação de uma época.
Turma da Mônica, © Maurício de Sousa.
Para mantê-los me empenho,
porque penso sempre assim:
tendo os amigos que tenho,
eu nem preciso de mim.
(Izo Goldman)
Encontro do Grupo de Leitura Papalivros, com o escritor Ronaldo Wrobel, 19/06/2016.
Foi uma noite especial para o Papalivros. A visita do escritor Ronaldo Wrobel, a dois dias do lançamento oficial do livro O romance inacabado de Sofia Stern, gerou uma conversa estimulante sobre o processo criativo [lançamento no RJ: Livraria da Travessa, Shopping do Leblon, dia 21 às 19 horas, aberto ao público].
Uma coisa é ler. Outra é ouvir do escritor os porquês das escolhas que fez como autor: localização, época, personagens. O que foi cortado, o que foi detalhado, o que existe no mundo em que vivemos e o que vem da imaginação do autor são perguntas, divagações, que durante a leitura raramente fazemos mas que estão presentes no dia a dia do escritor.
Saber que um manuscrito de mais de quatrocentas páginas vai para o prelo com um pouco mais da metade, porque o autor cortou “na própria carne” para tornar seu texto mais enxuto, é surpreendente.
Por todos os detalhes que dividiu conosco do processo criativo, o grupo Papalivros está grato a Ronaldo Wrobel pela franqueza, carinho, gentileza, cuidado e sobretudo o excelente humor com que nos tratou.
Fica a recomendação da leitura: O romance inacabado de Sofia Stern, Ronaldo Wrobel, Editora Record: 2016.
Ilustração de Jessie Willcox Smith, 1928, para capa da Revista Good Housekeeping.
Quebra-cabeças é a vida,
e as letras peças de amor,
formando, após reunidas
histórias de glória ou dor!
(João Paulo Ouverney)
Frances Jones Bannerman (Canadá, 1855-1940)
óleo sobre tela, 63 x 79 cm
Halifax Public Archives
Domingos de Castro Lopes (Brasil, 1862-?) em Dia e Noite.
André Deymonaz (França, 1946)
William Boyd
William Boyd (GB, 1952)
Madame Mim dança com um admirador. Ilustração Walt Disney.
Não pisco os olhos ao vê-la
para não correr o risco
de, por momentos, perdê-la,
a cada instante que pisco.
(Orlando Brito)
Relógio, fabricante: Vaillant
Bronze: provavelmente, Claude Galle
Movimento dobrado à maneira inglesa.