Magali e seu gatinho Mingau. Ilustração de Maurício de Sousa.
A saudade, quando ocorre,
sempre causa tanta dor!
Saudade – mal de que morre
quem já morria de amor!
(Walter Waeny)
Magali e seu gatinho Mingau. Ilustração de Maurício de Sousa.
A saudade, quando ocorre,
sempre causa tanta dor!
Saudade – mal de que morre
quem já morria de amor!
(Walter Waeny)
Aranha, ilustração de Christina Rossetti.
Da Costa e Silva
Num ângulo do teto, ágil e astuta, a aranha,
Sobre invisível tear tecendo a tênue teia,
Arma o artístico ardil em que as moscas apanha
E, insidiosa e sutil, os insetos enleia.
Faz do fluido que flui das entranhas a estranha
E fina trama ideal de seda que a rodeia
E, alargando o aranhol, os elos emaranha
Do alvo, disco nupcial, que a luz do sol prateia.
Em flóculos de espuma urde, borda e desenha
O arabesco fatal, onde os palpos apoia
E tenaz, a caçar os insetos se empenha.
Vive, mata e produz, nessa fana enfadonha;
E, o fascinante olhar a arder como uma joia,
Morre na própria teia, onde trabalha e sonha.
Em: Da Costa e Silva, Poesias Completas, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1985 [edição do centenário] p.166
Globo celestial com relógio, 1579
Fabricante: Gerhard Emmorser (trabalhando 1556-1584)
prata, banho de ouro sobre prata e latão
27 x 20 x 19 cm
Viena, Áustria
Pedro Alexandrino ( Brasil, 1856 – 1942)
óleo sobre tela, 69 x 124 cm
PESP Pinacoteca do Estado de São Paulo, SP
John A. Copley (EUA,contemporâneo)
acrílica sobre tela, 20 x 25 cm
“Fui até o jardim e fumei um cigarro. Na semana passada, plantei uma árvore no último canteiro do jardim, em homenagem ao nosso bebê. A muda tem a minha altura e, pelo que vejo, pode atingir doze metros de altura. Então, daqui a trinta anos, se ainda estivermos vivos, vou poder voltar aqui e vê-la no esplendor de sua maturidade. Entretanto, a ideia me deprime: daqui a trinta anos estarei na casa dos sessenta e vejo que esses projetos, feitos de forma irrefletida, começam a se extinguir. Vamos supor um período de quarenta anos então. Seria demais. Cinquenta? Eu provavelmente não estarei mais aqui. Sessenta? Morto e enterrado, certamente. Graças a Deus não plantei um carvalho. Seria esse um bom exemplo de limite temporal? O momento em que você percebe — meio racionalmente, meio inconscientemente — que o mundo, num futuro não muito distante, não terá mais você: que as árvores que você plantou continuarão a crescer, mas você não estará aqui para testemunhar isso.”
Em: As aventuras de um coração humano, William Boyd, Rio de Janeiro, Rocco: 2008, tradução de Antônio E. de Moura Filho, p. 217-18.
Ilustração de Walter Crane, 1877.
Paulo Setúbal
“Vamos?” disseste… E eu disse logo: vamos!
Ia no céu, nos pássaros, nos ramos,
Uma alegria esplêndida e sonora;
E tu, abrindo ao sol como uma tenda,
Tua sombrinha de custosa renda,
Partimos ambos pela estrada afora…
Com que emoção — recordas? — com que gozo,
Eu vinha te esperar, vibrante e ansioso,
Nessas novenas de plangências cavas.
E como um cavalheiro que se preza,
Timbrava em te levar, depois da reza,
Até ao portão da chácara em que estavas.
Certa vez… Vá, não cores desse jeito!
Era de noite. Arfava-nos o peito.
Ardia em nós um lânguido desejo,
Tomei-te as mãos… Sorriste… E aí, num assomo,
As nossas bocas sem sabermos como,
Famintamente uniram-se num beijo!
Em: Alma cabocla, poesias de Paulo Setúbal, Paulo Setúbal, São Paulo, Ed. Carlos Pereira:s/d, 5ª edição [ Primeira edição foi em 1920]p. 135-136
Mulher lendo um livro, c. 1793-1800
Lâmpada decorativa
Porcelana de Sèvres, França
Artesãos: Louis-Simon Boizot e H. F. Vincent
Hermitage, São Petersburgo, Rússia