O que a música pode fazer por você?

7 02 2012

Banda filarmônica, s/d

Fábio Eduardo Soares ( Natal, RN, Brasil, contemporâneo)

óleo sobre tela

10 motivos para você estudar música

1 — A música provoca um forte impacto no cérebro e deve ser encorajada nas crianças desde cedo, desenvolvendo o processo de linguagem e a inteligência espacial.

2 — Tocar instrumentos fortalece e melhora a coordenação motora, a precisão física e mental.

3 — O estudo musical amplia o raciocínio das crianças, a paciência e a lógica.

4 — Crianças que estudam música têm melhor concentração e comportamento na escola, e quase não apresentam problemas disciplinares.

5 — Pessoas de mais idade, quando envolvidas com música, têm melhora significativa na saúde, ajuda a enfrentar desafios e  assumir riscos.

6 — Tocar um instrumento, cantar ou compor uma música ajuda no combate ao mal de Alzheimer.

7 — O envolvimento com a música auxília o equilíbrio emocional, combate a depressão, a ansiedade e a solidão.

8 — A música diminui o estresse e reforça o sistema imunológico.

9 — O aprendizado de um instrumento musical pelos idosos colabora para o combate à osteoporose e aumenta a massa muscular do corpo.

10 – Em todas as idades a música reforça o sentimento de grupo, de pertencimento que melhora o convívio social.

Fonte: Cia das cordas





Quadrinha sobre a poesia

6 02 2012

A verdadeira Poesia

não se prende a nenhum laço:

na tristeza, ou na alegria,

ela ocupa o mesmo espaço…

(Moysés Augusto Torres)





Meu lugar é aqui! texto de Mário Sette

5 02 2012

Enfermeira, ilustração de Coles Phillips, para a revista Red Cross, Janeiro, 1918.

Meu lugar é aqui!

Mario Sette

Impelidos por maus políticos, e a pretexto de se opor à execução da lei humanitária da vacina obrigatória, alguns elementos militares, no Rio de Janeiro, revoltaram-se contra o governo da República.
A cidade estava alarmada.  Precavida, a população ordeira ficava em seus lares, contristada das lutas que iam pelas ruas e temerosa pelas consequências da insubordinação militar.
Indivíduos afeitos a barulhos, a abusos, aproveitando-se da situação, quebravam lampiões, agrediam transeuntes, ameaçavam de saque casa comerciais.
Na baía de Guanabara os vasos de guerra estavam de fogos acesos, de canhões prontos para qualquer ordem de defesa do governo. Igualmente, nas fortalezas ninguém dormia.
No palácio do Catete, o presidente Rodrigues Alves reunira o ministério e conferenciava com ele a respeito das medidas necessárias, de força, para prestígio da autoridade.
Os salões estavam acesos.  Havia abaixo e acima movimento de secretários, de contínuos, de estafetas do telégrafo.  Iam ordens para bordo, iam ordens para batalhões, iam telegramas para os Estados.
A expectativa era intranquilizadora.  Falavam de adesões de tropas à revolta.  Sabia-se que a Escola Militar marchava para a paia de Botafogo contra o Catete.  Ouvi-se a fuzilaria, longe.
Noite a dentro, alguém chegou, apressado, no palácio, avisando que as forças revoltosas avançavam com o intuito de atacar o Catete.
Um ministro, vendo a gravidade do momento, aconselhou ao presidente Rodrigues Alves que saísse dali, que se recolhesse a outro lugar onde sua vida estivesse menos exposta.
O chefe da Nação, porém, desprezando o alvitre, declarou:  Saia quem quiser.  Quanto a mim, o meu lugar é aqui!

Em: Terra Bandeirante, textos escolares para a 4ª série, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir: 1954

NOTA –  A Revolta da Vacina ocorreu de 10 a 16 de novembro de 1904 na cidade do Rio de Janeiro.  O motivo que desencadeou esta revolta dos militares contra o governo federal foi a campanha de vacinação obrigatória, imposta pelo governo contra a varíola.

Mário Rodrigues Sette (Recife, PE 1886 — 1950) professor, jornalista, contista, cronista e romancista.  Veja: www.mariosette.com.br

Obras:

Ao clarão dos obuses, contos, 1914
Rosas e espinhos, contos, 1918
Senhora de engenho, romance, 1921
A filha de Dona Sinhá, romance, 1923
O vigia da casa grande, romance, 1924
O palanquim dourado,  romance, 1921
Instrução Moral e Cívica, didático, 1926
Sombra de baraúnas, contos,  1927
Contas do Terço, romance, 1928,
A mulher do meu amigo, novela, 1933
João Inácio, novela, 1928
Seu Candinho da farmácia, romance, 1933
Terra pernambucana, didático, 1925
Brasil, minha terra! , didático, 1928)
Velhos azulejos, parábolas escolares, 1924
Os Azevedos do Poço,romance, 1938
A moça do sítio de Yoyô Coelho, contos, s/d
Maxambombas e maracatus, crônicas, 1935
Arruar, crônicas, 1948
Anquinhas de Bernardas, 1940
Barcas de vapor, 1945
Onde os avós passaram, s/d
Memórias íntimas,s/d





O primeiro dente, poesia de Bastos Tigre

2 02 2012

Ilustração Maud Towsey Fangel,  para Revista Home Arts, de Janeiro de 1936.

O primeiro dente

Bastos Tigre

A mamãe bate palmas de contente,

Do papai rejubila a alma festiva;

Cantam risos pelo ar… Que é que motiva

Essa emoção que alegra toda gente?

É que, abrindo a boquinha, sorridente,

Bebê, no róseo alvéolo da gengiva,

Deixou ver a promessa, a perspectiva,

O breve ensaio do primeiro dente.

Agora, a acampanhar-lhe o crescimento,

Dia a dia a mamãe enternecida

Terá para o dentinho o olhar atento.

Outro virá depois… outro em seguida…

E ei-lo, o Bebê, com sólido instrumento

Com que no mundo se defende a vida!

Em: Antologia Poética,, vol I, Bastos Tigre, Rio de Janeiro, Francisco Alves: 1982

Manoel Bastos Tigre nasceu no Recife em 1882.  Formou-se em engenheiro pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro.  Mas dedicou-se às letras.  Estreou na imprensa carioca em 1902, no Correio da Manhã, onde manteve uma coluna humorística diária: Pingos e Respingos, até a sua morte em 1957.  Foi o primeiro bibliotecário brasileiro por concurso o que lhe valeu o título e Patrono dos Bibliotecários do Brasil.

Obras:
Saguão da Posteridade, 1902.

Versos Perversos, poesia, 1905.

O Maxixe. Rio de Janeiro , 1906.

Moinhos de Vento, 1913.

O Rapadura, teatro, 1915.

Grão de Bico, 1915.

Bolhas de Sabão, 1919.

Arlequim, 1922.

Fonte da Carioca, 1922.

Ver e Amar, 1922.

Penso, logo… eis isto, 1923.

A Ceia dos Coronéis, 1924.

Meu bebê, 1924.

Poemas da Primeira Infância, 1925.

Brinquedos de Natal, 1925.

Chantez Clair, 1926.

Zig-Zag, 1926.

Carnaval: poemas em louvor ao Momo, 1932.

Poesias Humorísticas, 1933.

Entardecer, 1935.

As Parábolas de Cristo, 1937.

Getúlio Vargas, 1937.

Uma Coisa e Outra, 1937.

Li-Vi-Ouvi, 1938.

Senhorita Vitamina, 1942.

Recitália, 1943.

Martins Fontes, 1943.

Aconteceu ou Podia ter Acontecido, 1944.

Cancionário, 1946.

Conceitos e Preceitos, 1946.

Musa Gaiatal, 1949.

Sol de Inverno, 1955.





Trova do bom conselho

1 02 2012

Conselho, ilustração Blanche Wright.

 

Pela vida me foi dado
um conselho em que me alerto:
“Antes rir desafinado
que soluçar em tom certo”.


(Miguel Russowsky)





Adeus, Stalin! Olá, Brasil!

31 01 2012

Bazar Kolkhozean, 1934

Alex Afanassievitch Coquelles (Rússia, 1880-1956)

óleo sobre tela

Adeus, Stalin! – memórias de uma menina que fugiu da guerra, de Irene Popow [Rio de Janeiro, Objetiva: 2011] vem a preencher uma lacuna na historiografia brasileira, de um assunto que se faz presente em outros países do Novo Mundo: a transmissão de relatos de imigrantes, relatos das guerras e da sobrevivência de milhares de pessoas que encontraram um lar nas Américas. A característica fundamental dos países do Novo Mundo é, em diferentes proporções, mas sempre constante, a variedade das levas de imigrantes além da pluralidade de influências culturais que formam uma nova e única cultura.

O texto de Irene Popow me levou de volta aos cursos de pós-graduação em História da Arte que fiz nos EUA, onde mais da metade dos professores que tive havia imigrado para lá, ainda crianças ou jovens, por terem se encontrado em campos de pessoas deslocadas depois da Segunda Guerra Mundial: judeus, russos, poloneses, franceses, italianos que criaram novas raízes nos EUA e lá se aliaram às melhores universidades do país.  Lendo Adeus, Stalin!  me dei conta dos poucos relatos de imigrantes vindos depois da Segunda Guerra, que fizeram do Brasil sua nova moradia e raiz de nova identidade. Mesmo entre os conhecidos de meus pais, lembro-me só de dois amigos deles com esse perfil: Sr. Ladislau, polonês e Sr. Eugênio, prussiano. Procurei por outras publicações, depois de ler esse livro e percebi que são poucos os relatos dedicados a contar as vidas desses novos brasileiros, antes e durante a guerra, como Irene Popow o faz.


A narrativa de Adeus Stalin! encanta.  Uma senhora que conseguiu guardar as percepções de criança, conta o dia a dia da vida na Ucrânia sob o domínio russo, com Stalin como figura máxima do país.  Seguimos a perseguição que este regime faz à sua família e o pular de cidade em cidade daqueles que eram considerados inimigos do estado.  Ficam claras para o leitor as vicissitudes encontradas e ultrapassadas pelos ucranianos e a persistência em se tentar manter uma vida normal no período de ocupação soviética do país.  Seus pais e tantos outros foram os grandes heróis, por conseguirem manter a unidade familiar intacta diante dos obstáculos. E ainda depois desses percalços somos testemunhas de como Irene e sua família, continuam a insistir numa vida “quase normal”,  indo à escola, fazendo os afazeres domésticos, mesmo depois da invasão alemã.  Temos o retrato da garra dos sobreviventes nos campos de trabalhos forçados, que conseguem manter um módico de dignidade mesmo que sujeitos às mãos inimigas.  E por fim, a lentidão e o viver nos campos de pessoas deslocadas, que perderam tudo e principalmente sua terra e sua nacionalidade: apátridas.

Não fosse a mão de dois interessantes personagens no destino dessa família não sabemos se teriam sobrevivido.  Depois de estarem no campo de pessoas deslocadas, foi o jeitinho do inglês Simon Bloomberg que, não tão ingênuo quanto os americanos seus aliados, percebeu o que aconteceria com a família se ela voltasse para território russo como os russos reivindicavam e conseguiu blefar os comunistas, trocando a nacionalidade da família da autora para polonesa.   Depois veio o jeitinho brasileiro, quando o cônsul Ubatuba, flexionou os limites das leis brasileiras de imigração: só estávamos aceitando engenheiros agrônomos.  A família de Popow só tinha um engenheiro de construção de minas de carvão, um engenheiro químico e um engenheiro geólogo.  Será que eles se importariam de entrar no Brasil como engenheiros agrônomos?

Irene Popow


Outra característica dessa narrativa é não tentar esconder, por simpatias políticas, as agruras da vida sob o comunismo de Stalin.  Assim como as condições de vida em Cuba são hoje ignoradas pelo nosso governo simpático a Fidel Castro, também as condições de vida sob o comunismo foram e são ignoradas pelo posicionamento de esquerda de muitos dos nossos intelectuais.  Irene Popow não faz desse livro uma narrativa de denúncia do regime comunista, mas conta, de maneira cativante e convincente, os sofrimentos passados por aqueles que viveram sob a presidência megalomaníaca de Stalin.

Digo que a narrativa é encantadora porque não é amarga.  São memórias.  São memórias de tempos muito difíceis cujo tempo ajudou a esvair o fel que deveria impregná-las.  O distanciamento de Irene Popow é distinto.  Diferente de muitos outros imigrantes ela teve a oportunidade de voltar à terra natal e descobrir que já não era mais, para ela, o mundo dela.  Era o mundo de seus pais.  Ela, sim, ganhara uma nova vida, uma nova identidade.  Como imigrantes eles conseguiram o seu quinhão.  Deram a volta por cima.  Sem alarde, sem vanglória.   E hoje, Irene Popow pode olhar para a Ucrânia de maneira distante, vê-la como outra terra, com muitas afinidades com o seu mundo, mas estrangeira. Belíssimo relato.





O que a leitura pode fazer por você

30 01 2012

Huguinho e Zezinho descobrem a solução de um problema por dedução, ilustração Walt Disney.

Bastam 15 minutos por dia mergulhado nos livros para você se dar melhor nos estudos e na vida.

O que a leitura pode fazer por você:


1 – Solta a imaginação.
2 – Estimula a criatividade.
3 – Aumenta o seu vocabulário.
4 – Facilita a escrita.
5 – Simplifica a compreensão das coisas.
6 – Ajuda na vida profissional.
7 – Melhora a comunicação com os outros.
8 – Amplia o seu conhecimento geral.
9 – Liga seu senso crítico na tomada.

Fonte: Educar para crescer





Quadrinha do guarda-chuva

30 01 2012

Capa da revista Country Home, abril de 1936

O meu guarda-chuva tem

este mistério tamanho:

— se o levo, a chuva não vem,

mas se o deixo… tomo um banho!

(Heraldo Lisboa)





Imagem de leitura — Alfredo Rocco

29 01 2012

Leitura, 1981

Alfredo Rocco ( Brasil, 1914- 1999)

óleo sobre eucatex,  28 x 23 cm

Alfredo Rocco nasceu em São Paulo em 1914.  Foi médico, pintor, desenhista e professor brasileiro.  Tendo inciado suas atividades no campo das artes em 1938, estudou pintura com Antônio Rocco.  No SPBA recebeu melha de bronze em 1938; pequena e grande medalhas de prata (1941 e 1968) e o prêmio Tomás Melo Cruz (1965).  Em 1940 realizou exposição individual na Galeria Berheim de Paris.  Entre os temas de sua pintura estão os retratos e as marinhas. Faleceu em São Paulo em 1999. [Pontual: Dicionário das Artes Plásticas no Brasil]





No turno de — poema de Gilberto Mendonça Teles

28 01 2012

Tiradentes, duas igrejas

Oscar Araripe ( Rio de Janeiro, contemporâneo)

86 x 110cm

www.oscarararipe.com.br

No turno de


Para Luiz Carlos Alves

Eu fui a Belo Horizonte
ver as meninas gerais.
Vi montanhas e montanhas,
soube de seus litorais,
conheci Minas por dentro,
gostei de alguns minerais,
visitei as novas praças
e seus antigos currais,
vi a toca das raposas,
ouvi discursos e uais,
vi políticos cursando
colégios eleitorais,
vi contistas e contistas
cada qual contando mais,
vi poetas de vanguarda
desenhando nos jornais,
conheci suas tendências,
seus refrões episcopais,
vi gente de toda parte,
do Piauí, de Goiás
(goiano fazendo cera,
piauiense muito mais),
vi homens pulando cercas,
mulheres com seus plurais,
vi a família mineira
na barra dos tribunais,
e na Rua Carangola
(Ouro Preto no cartaz)
vi uma moça morena
cantando seus madrigais,
fazendo um túnel no tempo
e me fazendo sinais
de que só existe Minas
na forma dos festivais,
quando o barroco já rouco
cochicha pelos beirais,
quando a lua e a serenata
passeiam pelos quintais,
quando há miados de gata
no serenô das gerais.

Em: Plural de nuvens, Gilberto Mendonça Teles, Rio de Janeiro, José Olympio: 1990


Gilberto Mendonça Teles (Bela Vista de Goiás, 30 de junho de 1931) é um poeta e crítico literário brasileiro.


Obras:


Alvorada, 1955.
Estrela-d’Alva, 1958
Fábula de Fogo, 1961
Pássaro de Pedra, 1962
Sonetos do Azul sem Tempo, 1964
Sintaxe Invisível, 1967
La Palabra Perdida (Antología),1967
A Raíz da Fala, 1972
Arte de Armar. Rio de de Janeiro: Imago, 1977
Poemas Reunidos, 1978
Plural de Nuvens, 1984
Sociologia Goiana, 1982
Hora Aberta, 1986
Palavra (Antologia Poética),1990
L ´Animal (Anthologie Poétique), 1990
Nominais, 1993
Os Melhores Poemas de Gilberto Mendonça Teles
Sonetos (Reunião), 1998