Mário Zanini ( Brasil, 1907-1971)
Óleo sobre tela, 60 x 73 cm
Osman Hamdi Bey (Turquia, 1842 — 1910)
Óleo sobre tela, 90 x 113 cm
Coleção Feyyaz Berker, Turquia
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Osman Hamdi Bey (Istambul, 1842 — Istambul, 24 de fevereiro de 1910) foi um estadista intelectual, connoisseur das artes e um importante pintor realista turco do século XIX. Foi também um grande arqueólogo e é considerado um dos pioneiros na profissão de curador de museus na Turquia. Fundador do Museu Arqueológico de Istambul e da Academia de Belas Artes (Sanayi-i Nefise Mektebi )de Istambul,conhecida hoje como Universidasde Mimar Sinan de Belas Artes. Osman Hamdi Bey foi um dos mais famosos artistas árabes oitocentistas. Três de seus trabalhos – O repouso das ciganas, Soldado do Mar Negro à espera, e Morte de um soldado — foram expostos na Exposição Universal de Paris em 1881. Como diretor do Museum Imperial, em 1882 ele conseguiu desenvolver e redigir novas leis para proteção do patrimônio arqueológico da Turquia.
Distrito da Chapada, 1827
Adrien Taunay ( França, 1803-1828)
Aquarela, 42 x 32 cm
Academia de Ciências de São Petersburgo, Rússia
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George Gardner foi um botânico, zoológo e médico, enfim um naturalista inglês. Nasceu em 1812 e faleceu em 1849. Chegou ao Brasil em 1836 e passou 3 anos e meio aqui. Percorreu algumas regiões do Nordeste e do Brasil Central. Registrou suas impressões no livro Viagens no Brasil cujo título é: Viagens no interior do Brasil: principalmente nas províncias do norte e nos distritos do ouro e do diamante durante os anos de 1836-1841, publicado em 1846, 1849 e em 1973, todas essas edições em inglês, sendo traduzida para o português apenas em 1942 e reeditada em 1975. Aqui está um trechinho:
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“No dia 10 de fevereiro de 1840 partimos de Natividade, com o intuito de ir até a vila de Arraias, cerca de trinta léguas ao sudeste. Tínhamos feito todos os preparativos para partir no segundo dia do mês, mas passamos pelo aborrecimento de saber que um dos cavalos desaparecera, o que nos deteve ali por oito dias mais. Verificamos, afinal, que alguém o levara de empréstimo, porque quatro dias depois de nossa partida foi encontrado perto do lugar donde o haviam tirado, sendo então enviado, para me alcançar em caminho, pelo meu amigo, o juiz de órfãos.
Saindo de Natividade e contornando a serra em direção do sul, chegamos à margem de pequena corrente chamada riacho Salobro, que corre para o oeste desemboca no rio Manuel Alves; suas águas são salobras durante o tempo da seca. Os fardos tiveram de ser passados todos por sobre uma tosca espécie de ponte chamada pinguela, feita do tronco de duas árvores; e, como o rio e suas margens eram fundos,tivemos não pouca dificuldade em fazer os animais atravessar a nado. Ficamos por essa noite na Fazenda das Três Léguas, por ser essa a distância da vila, como o nome indica. Na manhã seguinte, após légua e meia de caminho, chegamos novamente às margens do rio Manuel Alves, mais fundo e largo do que no lugar onde primeiro o atravessamos: aqui, porém, tivemos a dita de encontrar canoa e, segurando cada qual um dos cabrestos, puxaram os animais a nado, dois de cada vez. Antes que nossa bagagem fosse transportada para o lado oposto, passou por sobre nós, vinda do nordeste, grande trovoada que nos encharcou. À vista disso, pareceu-me que o melhor era seguirmos imediatamente para a primeira casa, légua e meia distante dali, onde pernoitamos.
A região entre a vila e o rio é quase toda uma planície baixa, de campos abertos, pântanos e tratos de terra escassamente cobertos de árvores. Alguns belos arbustos florescentes e umas poucas orquídeas terrestres foram colhidas na jornada.
Deste lugar, em dois dias e meio, vencemos mais de dez léguas para chegar ao Arraial da Conceição. Na noite de 12 dormimos em uma grande fazenda de criação de gado, chamada São Bento, impedidos que fomos de partir à tarde por motivo de forte tempestade. Até uma légua do arraial a região ainda é aberta e baixa; ao depois torna-se montanhosa, mas montanhas baixas e por vezes rochosas. Tão rara é a população desses distritos, que entre São Bento e o Arraial, em uma distância pelo menos de vinte milhas, só encontramos uma casa. A maior parte deste distrito apenas se presta à criação de gado; mas há também grande porção admiravelmente propícia a plantações de várias espécies.
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Palmeiras Buriti, Quilombo, na Chapada, 1827
Adrien Taunay ( França, 1803- 1828)
Aquarela, 41 x 32 cm
Academia de Ciências de São Petersburgo, Rússia.
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O Arraial da Conceição tem uma população de cerca de CE m almas; mas há no lugar muitas casas, pertencentes a fazendeiros, que só as ocupam ao tempo das principais festas da igreja. Negros e mulatos formam a maioria da população residente e poucos brancos vimos nos quatro dias em que lá estivemos.
A vila assenta em uma baixada entre duas colinas, mas a região em torno é geralmente plana. As casas erguem-se quase todas, em duas ruas compridas, com duas igrejas, uma das quais em ruínas. A água de que Arraial se abastece vem de pequeno regato; água má, de sabor salobro, que parece ter alguma influência na produção do bócio, tão comum na zona do oeste da serra Geral, que é, até onde pude verificar, cercada de pedra calcária semelhante à que existe em Natividade. As águas que manam nestas rochas são todas mais ou menos salinas e, onde quer que são bebidas pelos habitantes, aí se encontra o bócio. Ao longo da parte oriental da serra, ao contrário, raramente se encontram casos desta doença; e aí, pelo menos nas partes por mim visitadas, não há pedra calcária, nem são os riachos impregnados de matéria salina.
O solo dos arredores da aldeia, em uma extensão de cerca de uma légua, dá evidentes mostras de ter sido escavado em busca de ouro e, por tudo quanto ouvi, muito deste metal aí se encontrou antigamente.
O pouco que hoje se acha mal compensa os labores da procura. O solo em que se encontra é de argila e cascalho, restos, evidentemente, de primitivas rochas, onde o ouro aparece ou em partículas diminutas, ou em grãos de todos os tamanhos, chegando alguns deles, ao que se diz, ao peso de várias onças. Acredita-se também na existência de ricos veios na rocha sólida, que consiste principalmente de quartzo; mas não se podem explorar em profundidade, por falta de meios de remover a água que se acumula. Informou-me o vigário, talvez com exagero, que a pouca distância da aldeia existe uma mina tão rica, que um pequeno balde de terra dá quase um quarto de onça de ouro. Disse mais, que a mina não tem mais de vinte pés de profundidade, mas teve de ser abandonada por muito tempo devido ao influxo de uma nascente de água.
O único meio de se livrarem da água era postar em diferentes alturas certo número de homens que passassem a água de um para o outro em pequenos baldes. Perguntando-lhes eu por que não faziam uso de bombas, disseram-me que já haviam ouvido falar em tal coisa, mas nunca a tinham visto. Porque os mecânicos do lugar eram a tal ponto ignorantes, que não sabiam fabricar tão simples instrumentos.
Do vigário recebi muitas provas de bondade durante minha visita. Era um homem em extremo benevolente e muito estimado do povo. Embora avançado em anos, mostrava-se de temperamento ativo, muito mais ativo, com efeito, que o comum da gente de sua classe e da gente de todo o país.
Era a única pessoa daquelas paragens que assinava um jornal do Rio; mas pela irregularidade dos correios, davam-se longos intervalos em sua entrega. O vigário deu-me uma apresentação a um dos homens mais influentes nos arredores da vila Arraias e que era seu amigo íntimo.
Dentro dos últimos vinte anos sentiram-se dois ligeiros abalos sísmicos em Natividade e Conceição, o primeiro em 1826 e o segundo em 1834: o tremor de terra, ainda que de curta duração, foi nitidamente perceptível em ambos os lugares. Também foram os únicos lugares do Brasil onde soube que tais fenômenos se tinham observado.
Partimos de Conceição na manhã de 17 de fevereiro, vencendo quatro longas léguas para chegar, quando a tarde estava avançada, às margens do rio da Palma”. ….
O problema com que todos nós vivemos, 1964
Norman Rockwell ( EUA, 1894-1978)
óleo sobre tela
[Para a revista LOOK de 14-01- 1964]
Old Corner House Collection, Stockbird, Massachusetts
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Na Inglaterra o livro O sol é para todos, [To kill a mocking bird] da escritora Harper Lee, é um dos livros mais populares ficando em quinto lugar na preferência do público, abaixo de Orgulho e preconceito [ Pride and Prejudice] mas acima da Bíblia, um fato intrigante considerando-se que o romance foi publicado há exatamente 50 anos, que se passa no sul dos Estados Unidos na época da Depressão. O enredo se desenrola na cidade fictícia de Maycomb e um dos temas centrais trata da discriminação racial, discriminação de classe e a procura da justiça para um inocente. Levando isso em consideração li o artigo que a BBC publicou ontem, justamente analisando essa popularidade, que não é justificada só por ser um livro adotado em muitas escolas. Ao que tudo indica sua popularidade ultrapassa gerações. Seus fãs tanto os jovens e quanto seus pais, o consideram uma leitura inigualável. Além disso, as bibliotecárias entrevistadas nessa mesma enquete do World Book Day admitiram ser O sol é para todos o livro que mais indicavam.
A narrativa é feita por uma adolescente. Ou talvez, por uma pessoa idosa lembrando-se de sua adolescência. O adolescente como narrador tem um longa e forte tradição na literatura americana, cujo principal propulsor dessa voz foi conquistado por Huckleberry Finn, no livro As aventuras de Huckleberry Finn de Mark Twain. Em O sol é para todos, Scout, é a filha de um advogado que defende um homem negro da acusação de estupro de uma menina branca, e é através de seus olhos que entendemos a sociedade que a cerca. Este é de fato um livro sobre justiça, cheio de esperança, de valores morais universais, que não têm nem idade, nem país de origem. E que todos nós, adultos, jovens ou crianças almejamos. É um livro de alto astral. E é, também, onde aprendemos a tentar ver a realidade através dos olhos de outrem; de andar nos seus passos, de conhecer o seu caminho. São experiências e atitudes universais que nos mostram a nossa própria humanidade.
E você? Já leu O sol é para todos?
Papas Stéfanos ( Rhodes, Grécia, 1948, radicado no Brasil)
Óleo sobre tela, 60 x 80 cm
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Paulo Setúbal
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A Luiz Piza Sobº
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É noite… O santo famoso,
O doce, o meigo S. João,
Tivera um dia glorioso,
Dia de festa e de gozo,
Que encheu de estrondo o sertão.
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Já cedo, em meio aos clamores,
Aos vivas do poviléu,
Lindo, enramado de flores,
Um mastro de quentes cores,
Subira em triunfo ao céu!
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E agora, enquanto, alva e lesta,
Palpita a lua hibernal,
Na fazenda, toda festa,
Referve a alegria honesta
Da noite tradicional.
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Dentro, com grande aparato,
Brilha enfeitado o salão:
Que há, nessa festa do mato,
Pessoas de fino trato,
Chegadas para o S. João…
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Destaca-se entre essa gente
A flor do mundo local:
O padre, o juiz, o intendente,
— O próprio doutor Vicente
Que é deputado estadual!
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Ante o auditório pasmado,
Que, num enlevo, sorri,
A Isabelinha Machado
Batuca, sobre o teclado,
Uns trechos do Guarani…
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Tudo o que toca e assassina,
Recebe imensa ovação;
Todos, quando ela termina,
Põem-se a exclamar: ” Que menina!
Dá gosto! Que vocação!”
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E ela, entre ingênua e brejeira,
Com ares de se vingar:
” Agora, queira ou não queira,
Seu Saturnino Pereira
Há de também recitar.”
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Surge, à força o Saturnino…
Rugem palmas ao redor!
É um tipo, esgalgado e fino,
Que sabe desdde menino,
Dizer Castro Alves de cor.
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Na sala, muda e tranquila,
Tombam, com chama, os versos seus;
E ele, o letrado da vila,
Ao som da velha Dalila,
Lá vai: ” Foi desgraça, meu Deus...”
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Após ouvir a estupenda
Flamância do seu falar,
No amplo salão da fazenda,
Os velhos jogos de prenda
Reclamam o seu lugar.
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Começa então a berlinda.
Risos. Cochichos. Zum-zum.
— De pé, donairosa e linda.
Pergunta a D. Florinda
Os dotes de cada um:
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Por que razão, seu Martinho,
Foi à berlinda a Lelê?
— ” Porque olha muito ao vizinho”;
“Porque é má; porque é um anjinho”;
“Porque é vaidosa”; “porque…”
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E todo o mundo, a porfia,
Põe farpas na indiscreção…
E enquanto, ingênua e sadia,
Essa campônea alegria
Faz tumultuar o salão.
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Lá fora, alegre e gabola,
Nun terreiro de café,
Ao rude som da viola,
A caboclada rebola
Num tremendo bate-pé!
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A filha do Zé-Moreira
É o mimo deste São João;
À luz da rubra fogueira,
Requebra a guapa trigueira
Ao lado de Chico Peão.
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Candoca, a noiva do Jango,
Baila num passo taful;
É a flor que, nesse fandango,
Tem lábios cor de morango,
Vestido de chita azul.
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No sapateio se nota,
Aos risos dos que lá estão,
Nhô Lau, de esporas e bota.
Dançando junto à nhá Cota,
Viuva do Conceição….
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A voz do pinho que chora,
Por sob a paz do luar,
Fremindo vai, noite afora,
Essa alegria sonora
Da caboclada a bailar!
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E do salão, qua ainda brilha
Num faiscante esplendor,
Chegam os sons da quadrilha,
Que alguém ao piano dedilha
Com indomável furor.
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E no sarau campezino,
Nessa festa alegre e chã
Ruge a voz do Saturnino,
Que grita, esgalgado e fino:
“Balancez! Tour! En avant...”
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Em: Alma cabocla, Paulo Setúbal, São Paulo, Ed. Carlos Pereira:s/d, 5ª edição [ Primeira edição foi em 1920]
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Paulo Setúbal
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Paulo de Oliveira Leite Setúbal (São Paulo, 1893 — São Paulo, 1937), advogado, escritor brasileiro, trabalhou como colaborador do jornal O Estado de S. Paulo, deputado estadual de 1928 a 1930, renunciamdo ao mandato por ter agravada sua tuberculose.
Obras:
Alma cabocla, poesia, 1920
A marquesa de Santos, romance-histórico, 1925
O príncipe de Nassau, romance histórico, 1926
As maluquices do Imperador, contos-históricos, 1927
Nos bastidores da história, contos, 1928
O ouro de Cuiabá, história, 1933
Os irmãos Leme, romance, 1933
El-dourado, história, 1934
O romance da prata, história, 1935
O sonho das esmeraldas, 1935
Um sarau no Paço de São Cristóvão, 1936
A fé na formação da nacionalidade, ensaio, 1936
Confiteor, memórias, 1937
Alfredo Volpi (Itália 1896 — Brasil 1988)
esmalte sobre azulejo, 15 x 15 cm
Coleção Particular
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Inha Bastos ( Brasil 1949)
Óleo sobre tela, 90 x 130 cm
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No início deste ano, a Der Spiegel, publicou um excelente artigo de Andrea Reidl sobre bicicletas de bambu. Guardei-o e nada melhor do que este momento de Copa do Mundo, com os nossos olhares no continente africano e hoje me lembrei do assunto.
Bicicletas de fibra de carbono e de alumínio estão definitivamente entre os itens do passado. Hoje o melhor modelo manufaturado vem mais leve, mais forte, mais confortável e deixa uma pegada de carbono muito menor para um modo de transporte que está entre os mais desejados na preservação do meio ambiente.
Até hoje, o mais conhecido construtor de bicicletas de bambu is Craig Calfee, que mantém sua oficina na costa californiana. Suas bicicletas têm um desenho fenomenal e dependem da produção de uma gramínea: o bambu. Mas ele não é o único. Hoje bicicletas de bambu são produzidas em muitos países africanos com bastante sucesso.
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Craig Calfee é em parte responsável pela própria competição, já que foi em Gana que fundou o Projeto Bamboosero, — que é um projeto com apoio parcial do Instituto da Terra da Universidade de Columbia, que tem como objetivo ensinar os ganenses a construírem uma bicicleta de bambu, e mais tarde até, quem sabe, abrirem uma pequena fábrica de bicicletas. A facilidade do projeto está nos insumos. O material é simples: bambu, que é encontrado em todos os continentes, no mundo inteiro, abundante. Ele precisa ser curtido por quatro meses antes de ser usado na fabricação das bicicletas; e como liga, fibras de cânhamo embebidas em resina são usadas para amarrar os tubos de bambu. Mas o sucesso está também na eficiência, o bambu é leve e extremamente resistente.
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Craig Calfee já construía bicicletas antes de desenvolver o modelo de bambu. Era já bastante conhecido por ter desenvolvido bicicletas de fibra de carbono para os maiores ciclistas do mundo. Procurando por algo novo descobriu o bambu.
Além de ser um elemento encontrado universalmente, além de ser bom para o meio-ambiente, de ser barato, de ser de fácil manuseio, o bambu, ou melhor, a armação de uma bicicleta em bambu absorve a vibração do movimento de maneira ainda mais suave do que a que é feita de fibra de carbono. E é mais resistente a qualquer impacto do que as bicicletas tradicionais demonstrando muito maior resistência à quebra, fatores confirmados em testes científicos na EFBe, na Alemanha.
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Há algumas outras vantagens que a armação de bambu tem sobre qualquer outra, entre elas, a relativa facilidade com que pode ser manufaturada em países em desenvolvimento, porque o material usado, o bambu, cresce praticamente ao lado de qualquer tipo de grupo de manufatura. Além disso, bicicletas são um importante meio de transporte nas sociedades em desenvolvimento que abrange toda a população: crianças indo para a escola; a ida para o trabalho ou para o mercado dos adultos de uma família; o transporte de pequenas cargas.
Depois do sucesso do projeto em Gana, que começou em fevereiro de 2008, outros países começam a receber incentivos semelhantes do Bamboosero: Uganda, Libéria, Nova Zelândia e Filipinas.
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Craig Calfee não é o único trabalhando em solo americano com o desenvolvimento de modelos de bicicletas de bambu. Nick Frey, que é um engenheiro e ciclista passou dois anos desenvolvendo o seu modelo de bicicleta de bambu para, com outros quatro engenheiros, formar a companhia de bicletas de bambu chamada Sol Cycles, na cidade de Princeton, NJ. Logo depois deslocou-se para o estado do Colorado onde fundou a companhia Boo Bicycles que também se especializa em bicicletas de bambu. Há outros nessa competição de bicicletas de bambu: Daedalus em Portland, no estado de Oregon, que constrói esse tipo de bicleta desde 2005.
E é claro há os competidores de outros lugares do mundo. Na Dinamarca a firma Biomega já constrói um tipo de bicicleta com excelente design enquanto em Berlim, na Alemanha, a Universidade Técnica desenvolve as bicicletas Berlin Bamboo Bikes. A pesquisa do engenheiro alemão Nicolas Meyer, de Osnabruck na Baixa Saxônia, deu um passo a frente manufaturando bicicletas de fibra de cânhamo, que levam o rótulo de sua companhia a Onyx Composites, que se especializa em projetos de construção leve que usem matéria prima sustentável.
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Para um projeto de bicicletas usadas na corrida de triatlo sua bicicleta tem uma combinação de bambu e cânhamo. Essa mistura de duas diferentes fontes de matéria prima combina 60% de cânhamo com 15% de bambu e o resto de fibra de carbono e alumínio.
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Mas a grande vantagem, no momento, dessas bicicletas está explícito no pequeno vídeo de Calfee, que mostro abaixo, que é além da praticidade de transporte e da preservação do meio ambiente, é o número de empregos que uma pequena companhia de construção de bicicletas de bambu pode criar. Empregos que certamente podem levar a um crescimento econômico mais estável e sustentável.
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VÍDEO EM INGLÊS:
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Maré baixa, praia de Villeria, s/d
Paul-Michel Dupuy ( França 1864-1949)
Óleo sobre tela, 58 x 79 cm
Coleção Particular
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Paul-Michel Dupuy nasceu em Pau (Basses-Pyrenées) em 1869. Foi um pintor frances dedicado às paisagens, à pintura de gênero e ao retrato de belas mulheres e crianças em cenas ensolaradas. Estudou com Bonnat e Maignan e tornou-se membro da Sociedade de Artes Francesas em 1899. Participou do Salon des Artistes Français, ganhando a medalha de ouro em 1901 e 1902. Ainda ganhou muitas outras honrarias através de sua longa carreira, culminando com o Cavaleiro da Legião de Honra em 1833. Muitos de seus trabalhos estão no Museu de Rheims, na França.