Subúrbio, poema de Martins D’Alvarez

9 10 2013

Paisagem de subúrbio, 1930

Emiliano Di Cavalcanti  (Brasil, 1897-1976)

óleo sobre tela

Subúrbio

Martins D’Alvarez

Subúrbio…

Fim da cidade!…

Em frente fica a Estação,

ostentando na fachada

a tabuleta pintada

com nome e quilometragem

do rincão.

Por trás da estação,

há casas

e mato

e casas

e mato…

Ruas tortas, mutiladas…

Praças que se arrependeram…

Lá no alto, a capela branca…

E mato, cercas, buracos,

alguns becos sem destino;

boteco da Dona Guida…

Tudo cheio de menino.

De vez em quando,

bufando,

passa o trem pela estação.

Esse trem para o subúrbio

representa o coração,

a vida, no movimento

dos que vêm

e dos que vão.

Mas, o subúrbio é cardíaco,

o trem só anda atrasado,

daí o pobre coitado

sofrer da circulação.

De madrugada e de noite

é que o subúrbio desperta,

o casario se alegra,

não se vê rua deserta,

chove gente em toda parte,

ruge-ruge…

Vaivém.

E há quem acorde bem cedo

pra na birosca do Alfredo

castigar um mata-bicho

antes de tomar o trem.

Durante o dia,

marasmo,

pasmaceira,

fuxicada,

da turma desocupada

que não se foi pro batente.

Mexericos de comadres

que exibem secretamente

as nódoas da roupa-suja

guardadas por muita gente.

Só nos domingos de folga,

o subúrbio pega fogo…

Há de tudo para todos:

missa pra quem é de missa,

jogo pra quem é de jogo…

Há batida com feijoada,

dança, namoro, pelada,

briga, tragédia, conflito

que leva gente ao distrito

e, às vezes, não leva nada.

Subúrbio, fim de caminho…

Começo de outra jornada!

Em: Poesia do cotidiano, Martins D’Alvarez, Rio de Janeiro, Edições Clã: 1977.





Curiosidade sobre as crianças da antiga Grécia

8 10 2013

Boy-playing-yo-yo.-Tondo-of-an-Attic-red-figure-kylix-ca.-440-BC.Menino jogando io-io, 400 a. C.

Cílice de Figura Vermelha, Ática

Museu Altes, Berlim

As crianças da Grécia antiga brincavam com muitos brinquedos que conhecemos até hoje: chocalhos, pequenos animais de cerâmica, cavalinhos sobre rodas puxados por um barbante, bonecas e io-ios como vemos no vaso acima.





Palavras para lembrar — Walter Savage Landor

7 10 2013

Um momento de reflexão, s/d

John Ballantyne ( Inglaterra, 1815–1897)

óleo sobre tela

“O que é a leitura senão uma conversa em silêncio?”

Walter Savage Landor





A Herança do Sagrado, últimos dias, MNBA

7 10 2013

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Gente, quem ainda não viu essa belíssima exposição, tem só 6 dias para vê-la.  Quantas vezes na vida você pode examinar um Leonardo da Vinci a um metro de distância, por quanto tempo você quiser?

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Quantos mestres da arte italiana você conhece de perto sem sair do Brasil?  Olhe o mapa acima, veja os nomes dos grandes artistas representados na exposição.  O que você está esperando?  Mora fora do Rio de Janeiro?  Tome um ônibus, venha de carro, de avião, de carona…  Vale a pena…

993593_314614492007912_1328972087_nMUSEU NACIONAL DE BELAS ARTES

Av. Rio Branco 199

Centro [Cinelândia]

Rio de Janeiro, RJ  20.040-008

Telefone: (21) 3299-0600

—-

Não perca essa extraordinária oportunidade.  Está nas suas mãos. São peças da coleção do Vaticano, uma das maiores coleções de arte do mundo.

 Facebookhttp://www.facebook.com/MNBARio

 Visitação/Visiting Hours:
 Terça a domingo das 09 às 21 horas/Tuesday – Friday from 9 a.m. to 9 p.m.
 Acesso a portadores de necessidades especiais/Wheelchair accessible        





O mundo animal de Charles van den Eycken

7 10 2013

artwork_imcharleshvanden-eyckenTravessura, 1900

Charles van den Eycken (Bélgica, 1859-1923)

óleo sobre tela, 34 x 48 cm

66dab5667e9cCharles van den EyckenA tela rasgada, 1875

Charles van den Eycken (Bélgica, 1859-1923)

óleo sobre tela, 30 x 25 cm

027d22729ff3Charles van den EyckenBoa coisa não é, 1896

Charles van den Eycken (Bélgica, 1859-1923)

óleo sobre tela, 34 x 46 cm

Charles van den Eycken Jr  (1859-1923) - Chat aux lunettes, 1918O gato dos óculos, 1918

Charles van den Eycken (Bélgica, 1859-1923)

óleo sobre madeira, 22 x 16 cm

76418912c0faCharles van den EyckenSob o olhar da mãe, s/d

Charles van den Eycken (Bélgica, 1859-1923)

óleo sobre madeira, 33 x 45 cm

defdd84a5b85Charles van den EyckenBibliotecários felinos, s/d

Charles van den Eycken (Bélgica, 1859-1923)

óleo sobre tela, 46 x 56 cm

CHARLES VAN DEN EYCKEN (Belgian 1809-1891) Circus EntretainersArtistas de circo, 1890

Charles van den Eycken (Bélgica, 1859-1923)

óleo sobre tela, 43 x 46 cm

0aee29c4e3dfCharles van den EyckenAssinado e datado, 1907

Charles van den Eycken (Bélgica, 1859-1923)

óleo sobre tela, 34 x 46 cm

Charles van den Eycken Who is there, 1892Quem está aí?, 1892

Charles van den Eycken (Bélgica, 1859-1923)

óleo sobre tela, 63 x 96 cm

1cbda44315adCharles van den EyckenNo quarto de dormir, s/d

Charles van den Eycken (Bélgica, 1859-1923)

óleo sobre tela, 80 x 61 cm

8a008a8c37e3Charles van den EyckenUm companheiro perfeito para o chá, 1884

Charles van den Eycken (Bélgica, 1859-1923)

óleo sobre madeira, 36 x 27 cm

fe533e7a6288Charles van den EyckenUm visitante de surpresa, 1893

Charles van den Eycken (Bélgica, 1859-1923)

óleo sobre madeira, 27 x 36 cm

pierette-and-mifs-charles-van-den-eyckenPierrette e Mifs, 1892

Charles van den Eycken (Bélgica, 1859-1923)

óleo sobre tela





Imagem de leitura — Blaise Vlaho Bukovac

5 10 2013

 

ladyreading-bukovacMoça lendo, 1912

Blaise Vlaho Bukovac (Croácia, 1855-1922)

óleo sobre tela, 73 x 96 cm

Coleção Particular

Bukovac nasceu  Biagio Faggioni, na cidade de Cavtat ao sul de Dubrovnik na Dalmácia. Seu pai era um italiano de Gênova e sua mãe era de ascendência croata. Bukovac recebeu formação artística em Paris, para onde ele foi enviado pelo patrono (Knez) Medo Pucić . Seus pequenos estudos e esboços encantaram seu professor,  Alexandre Cabanel e Bukovac se tornou um estudante na prestigiada École des Beaux-Arts. Bukovac morreu em Praga .





Flores para um sábado perfeito!

5 10 2013

Bernardo de Souza Pereira (1895-1985) Hortênsias, 1966, ose, 67x51Hortênsias, 1966

Bernardino de Souza Pereira (Brasil, 1895-1985)

óleo sobre eucatex, 67 x 51 cm





Uma lista curiosa: livros abandonados em hotéis

5 10 2013

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Ode a uma pilha de livros de arte, 2012

Paul Bloomfield (EUA, contemporâneo)

Óleo sobre tela colada em madeira, 60 x 50 cm

www.paulbloomfield.artspan.com

A cadeia de hoteis inglesa Travelodge recolheu no ano passado 22.648 livros que foram ou esquecidos ou abandonados em suas dependências.  Como acontece todos os anos, a companhia hospedeira conta e faz a lista completa dos livros encontrados.  No ano passado  50 tons de cinza foi o livro mais encontrado pela companhia.  Não é de surpreender já que foi um dos maiores best-sellers de todos os tempos no mundo inteiro.  Este ano, a mesma autora, E. L. James, encabeça a lista com o livro Cinquenta tons de liberdade.

Ver a lista dos mais abandonados, deixados, esquecidos ou lidos e deixados para trás nos quartos de hotel nos dá aquele prazer benigno da bisbilhotice.  Mas não deixa de ser uma curiosa maneira de constatarmos a popularidade de autores e títulos.  Aqui está então a lista do livros mais achados pelo pessoal do hotel.

1. Fifty Shades Freed, E.L. James
2. Bared To You, Sylvia Day
3. The Marriage Bargain, Jennifer Probst
4. Gone Girl, Gillian Flynn
5. The Casual Vacancy, J.K. Rowling
6. Fifty Shades Of Grey, E.L. James
7. Reflected In You, Sylvia Day
8. My Time, Bradley Wiggins
9. Entwined With You, Sylvia Day
10. Fifty Shades Darker, E.L. James
11. My Story, Cheryl Cole
12. The Marriage Trap, Jennifer Probst
13. Camp David, David Walliams
14. Call The Midwife, Jennifer Worth
15. Before I Go To Sleep, S.J. Watson
16. The Marriage Mistake, Jennifer Probst
17. The Racketeer, John Grisham
18. The Carrier, Sophie Hannah
19. Oh Dear Silvia, Dawn French
20. The Great Gatsby , F. Scott Fitzgerald

Fonte: Book Patrol





Minutos de sabedoria — Padre Antônio Vieira

4 10 2013

CRIANÇAS Henri-Jules-Jean Geoffroy (conhecido como Geo) (França, 1853-1924)  de volta à escolaDe volta à escola

Henri-Jules Jean Geoffroy, dito GEO (França, 1853-1924)

aquarela sobre papel

“A boa educação é moeda de ouro. Em toda a parte tem valor.”

padrevieira

 Padre Antônio Vieira





Uma cadeira vazia…

4 10 2013

Edward Alfred CucuelChá no parque

Edward Alfred Cucuel (EUA,1875-1954)

óleo sobre tela

A vida é um sopro.  Disseram-me isso na semana passada quando passei uns dias um pouco desorientada: uma amiga de muitos anos morreu subitamente, em casa. Olga tinha idade.  Era uma senhora. Cabeça e corpo em ótimo estado.  Só a asma crônica dava trabalho de vez em quando. Mas estava de viagem marcada para Inhotim daqui a umas semanas e no início deste ano já havia passeado pela América Latina, em uma de suas inúmeras viagens com membros da família.

 Já conheci Olga aposentada. Havia trabalhado usando seu maravilhoso senso estético:  havia sido designer de azulejaria para uma grande companhia brasileira. Mas era uma artista fora do trabalho também, tendo se dedicado à pintura por muitos e muitos anos. Grande senso estético.  Tudo que resolvia fazer com as mãos saía bonito.  Equilibrado.  No meu aniversário, este ano, fez uma toalha de mesa para mim, belíssima, colorida, uma combinação elegante de variados chitões.  Em boutiques de cama e mesa  seria vendida por uma pequena fortuna. Era audaciosa no design. Cores vibrantes. Ideias destemidas.  Como no quadro/escultura em que ripas pintadas e espaçadas, brincavam com o espaço nulo entre elas. Que efeito!

Olga era uma das mulheres que entrou para o grupo de leitura há dez anos.  Era das mais antigas.  Veio pelas mãos de uma amiga em comum.  A amiga foi embora.  Olga ficou.  E nos deu, a todos nós, grandes lições.  Ensinou pelo exemplo.  A independência era um de seus traços mais marcantes. Além da generosidade, do senso de humor e da impaciência com os que se dedicavam às lamentações.   No grupo de leitura primava por opiniões sinceras, complexas e invariavelmente certeiras. Tinha uma maneira única de interpretar. Lembro-me de algumas ocasiões em que defendeu um livro mesmo quando dezesseis outras pessoas o criticaram.  O cemitério de Praga, de Umberto Eco, foi um desses.

Estava sempre disposta a fazer algum programa cultural.  Ávida por visitar exposições de arte, por participar de uma palestra. Colocava-se em situações que favoreciam falar inglês e francês, para não perder a fluência em ambas as línguas. E generosa, dispunha-se a dividir conosco sua bela residência.  E nós adorávamos.  Foi lá que celebramos alguns encontros do grupo.  Foi lá que recebemos escritores para um bate-papo com o grupo. Foi uma real participante do Papa-livros.  Deixa 16 amigas que sentirão muito sua falta.  Estou entre elas.

olga abramson 1927-2013Olga Abramson

1927-2013