A rã e o touro, Olavo Bilac

25 06 2020

 

 

illustrations_couleur_fables_de_la_Fontaine_par_Vimar_-_la_grenouille_qui_veut_se_faire_aussi_grosse_que_le_boeufIlustração de Auguste Vimar (1851-1916)

 

 

A rã e o touro
Fábula de Esopo

 

Olavo Bilac

 

Pastava um touro enorme e forte, à beira d’água.

Vendo-o tão grande, a rã, cheia de inveja e mágoa,

Disse: “Por que razão hei de ser tão pequena,

Que os outros animais só faça nojo e pena?

Vamos! quero ser grande! Incharei tanto, tanto,

Que imensa, causarei às outras rãs espanto!”

Pôs-se a comer e a inchar. E inchava, inchava, inchava!…

Mas em vão! Tanto inchou que num tremendo estouro

Rebentou e morreu, sem ficar  como um touro.

 

Essa tola ambição da rã que quer ser forte

Muitos homens conduz ao desespero e à morte.

Gente pobre, invejando a gente que é mais rica,

Quer como ela gastar, e inda mais pobre fica:

— Gasta tudo que tem, o que não tem consome,

E, por querer ter mais, vem a morrer de fome.

 

Em: Poesias infantis, Olavo Bilac, Rio de Janeiro, Francisco Alves: 1949, pp 127-8

 





Em casa: Marc Chalmé

25 06 2020

 

 

Marc Chalmé, ost, interiorInterior

Marc Chalmé (França 1969)

óleo sobre tela





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

24 06 2020

 

 

MARYSIA PORTINARI. Pera e uva - o.s.t. - 18 x 24 cm - assinado no cie.Pera e uva

Marysia Portinari (Brasil, 1937)

óleo sobre tela, 18 x 24 cm





Na boca do povo: escolha de provérbio popular

23 06 2020

 

7b637aeb3dc6f8539088b3f728eff7b3

 

“Não corre mais o que caminha, mas sim o que mais imagina.”




O nome América …

23 06 2020

 

 

 

Robert Walter Weir (EUA, 1803-1889), Américo Vespucio,1848, ost, 50 x 40 cmAmérico Vespúcio, 1848

Robert Walter Weir (EUA, 1803-1889)

óleo sobre tela, 50 x 40 cm

 

 

“Por iniciativa do jovem cosmógrafo Martin Waldessemüller [sic], o Ginásio Vosgense decidiu ‘revisar e ampliar’ a obra de Ptolomeu, tendo como base as ‘descobertas’ feitas por Vespúcio. E assim, em um texto que se tornaria profético, Waldessemüller [sic] escreveu: “Agora que uma outra parte do mundo, a quarta, foi descoberta por Americum Vesputium, de nada sei que nos possa impedir de denominá-la, de direito, Amerigem, ou América, isto é, a terra de Americus, em honra de seu descobridor, um homem sagaz, já que tanto a Ásia como a Europa receberam nomes de mulheres.”

Em um dos mapas que fez para acompanhar o livreto de 52 páginas, Waldesemüller [sic] usou pela primeira vez a palavra ‘América’, colocando-a sobre o território que representa o Brasil, na mesma latitude em que se localiza Porto Seguro. O novo continente estava batizado.

Cristóvão Colombo morrera quase que exatamente um ano antes, em 20 de maio de 1506, amargurado e na miséria. Os eruditos de Saint-Dié não ignoravam suas descobertas. Mas, até pelo menos 1514, muitos geógrafos – Waldessemüller entre eles – acreditavam que as ilhas achadas por Colombo em outubro de 1492 de fato eram os limites ocidentais da Ásia, enquanto que a América do Sul (supostamente descoberta por Vespúcio na viagem de 1497 e de fato explorada por ele próprio entre 1501 e 1504) seria um continente autônomo, totalmente separado delas ou, quando muito, interligado ao arquipélago por um istmo. Foi só depois da descoberta do oceano Pacífico, feita por Vasco Nuñes de Balboa, em setembro de 1513, que os cartógrafos do século XVI passaram a ter uma ideia um pouco mais próxima da realidade. E somente após o descobrimento do estreito de Magalhães, em 1519, o quadro geográfico iria adquirir molduras mais definidas.

 

Waldseemuller_map_closeup_with_AmericaO Mapa de Waldseemüller, ou Universalis Cosmographia

 

Em fins de 1513, cedendo às pressões da Coroa castelhana, Martim Waldesemüller[sic] retirou sua proposta de batismo. Chegou a sugerir que o Novo Mundo fosse chamadode Colômbia. Mas era tarde demais: as múltiplas ressonâncias da palavra América caíram no gosto popular. Em 1516, até o genial Leonardo da Vinci passaria a utilizas esse nome, colocando-o em um mapa que preparou a pedido da poderosa família Médici.

Vinte anos mais tarde, quando ficou claro que Vespúcio — ou alguém agindo em seu nome, com ou sem conhecimento dele – havia forjado a viagem em 1497, o nome ‘América’ começava a se popularizar na Europa, tendo sido adotado até por cartógrafos portugueses e, embora com muita relutância, aceito até pelos espanhóis. Desta forma, a ‘quarta parte do mundo’ acabou sendo batizada com o nome de um homem que não fora o seu descobridor. De acordo com um texto escrito em 1900 pelo historiador brasileiro Capistrano de Abreu, a ‘falsidade e a galanteria’ foram ‘pavoneadas pela imprensa e, por força delas, temos hoje o nome de americanos’.”

 

Nota — Martin Waldseemüller –  no texto aparece com 2 grafias ambas diferem da grafia padrão.

Em: Náufragos, traficantes e degredados: as primeiras expedições ao Brasil, Eduardo Bueno, Rio de Janeiro, Objetiva: 1998, p. 61-63.





Em casa: Odette des Garets

23 06 2020

 

 

Odette des Garets (França, 1891) o jogo de paciencia, ostO jogo de paciência

Odette des Garets (França, 1891 – ?)

óleo sobre tela





Esmerado: Estojo de marfim, século XIII

22 06 2020

 

 

2009CR6774_jpg_l

 

Estojo com placas de marfim encaixadas, e fechamento em cobre banhado a ouro.

Original do Sul Espanha

Século XIII

Comprimento: 7,7 cm Largura: 16,2 cm Altura: 11,7 cm

Victoria & Albert Museum, Londres

 

Estojos e caixas de marfim continuaram a ser fabricadas até depois final do domínio do califado de Umayyad.  Diferentes técnicas eram usadas na construção e ornamentação desses objetos.  Este exemplo é feito por grossas folhas de marfim, e não de um bloco sólido. Acabamento em cobre com banho de ouro é elaborado e constitui sua única decoração.

 

2009CR6588_jpg_l

2009CR6611_jpg_l

 





Três poemas de José Ildone

22 06 2020

 

 

Martha Wendelin (Finnish. 1893-1986).Oma Koti, March 1934.Oma Koti, 1934

Martha Wendelin (Finlândia. 1893-1986)

óleo sobre tela

 

 

Três poemas de José Ildone

 

Receita

Tome este remédio.

É excelente,

Cura dores reumáticas,

traumáticas, gramáticas

e matemáticas.

 

Ode à distância

Nada é tão longe

que não se chegue

lá.

(Mesmo a morte)

 

Gaiola

Entre grades

passa

o canto

-manco.

 

 

Em: A lira na minha terra: poetas antigos e contemporâneos no Pará, Clóvis Meira, Belém: 1993, p. 243-4

 

 

 





Em casa: Louis Charles Verwee

21 06 2020

 

Louis-Charles_Verwée_-_An_elegant_lady_at_a_windowUma senhora elegante à janela

Louis Charles Verwee (Bélgica, 1832 – 1882)

óleo sobre tela,  55 x 38 cm





21 de junho de 1839! Viva Machado de Assis!

21 06 2020

 

 

Machado de Assis

 

Hoje comemoramos o dia do aniversário de Machado de Assis, sem dúvida o maior escritor brasileiro de todos os tempos.  Ele faria 181 anos.

 

O Prazer do Beneficiador é Sempre Maior do que o do Beneficiado

 

̶  Não me podes negar um facto, disse ele; é que o prazer do beneficiador é sempre maior do que o do beneficiado. Que é o benefício? É um ato que faz cessar certa privação do beneficiado. Uma vez produzido o efeito essencial, isto é, uma vez cessada a privação, torna o organismo ao estado anterior, ao estado indiferente. Supõe que tens apertado em demasia o cós das calças; para fazer cessar o incômodo, desabotoas o cós, respiras, saboreias um instante de gozo, o organismo torna à indiferença, e não te lembras dos teus dedos que praticaram o ato. Não havendo nada que perdure, é natural que a memória se esvaeça, porque ela não é uma planta aérea, precisa de chão. A esperança de outros favores, é certo, conserva sempre no beneficiado a lembrança do primeiro; mas este facto, aliás um dos mais sublimes que a filosofia pode achar em seu caminho, explica-se pela memória da privação, ou, usando de outra fórmula, pela privação continuada na memória, que repercute a dor passada e aconselha a precaução do remédio oportuno.

Não digo que, ainda sem esta circunstância, não aconteça, algumas vezes, persistir a memória do obséquio, acompanhada de certa afeição mais ou menos intensa; mas são verdadeiras aberrações, sem nenhum valor aos olhos de um filósofo.

̶  Mas, repliquei eu, se nenhuma razão há para que perdure a memória do obséquio no obsequiado, menos há de haver em relação ao obsequiador. Quisera que me explicasses este ponto.

̶  Não se explica o que é de sua natureza evidente, retorquiu o Quincas Borba; mas eu direi alguma coisa mais. A persistência do benefício na memória de quem o exerce explica-se pela natureza mesma do benefício e seus efeitos. Primeiramente, há o sentimento de uma boa ação, e dedutivamente a consciência de que somos capazes de boas ações; em segundo lugar, recebe-se uma convicção de superioridade sobre outra criatura, superioridade no estado e nos meios; e esta é uma das coisas mais legitimamente agradáveis, segundo as melhores opiniões, ao organismo humano. Erasmo, que no seu Elogio da Loucura escreveu algumas coisas boas, chamou a atenção para a complacência com que dois burros se coçam um ao outro. Estou longe de rejeitar essa observação de Erasmo; mas direi o que ele não disse, a saber, que se um dos burros coçar melhor o outro, esse há-de ter nos olhos algum indício especial de satisfação.

Por que é que uma mulher bonita olha muitas vezes para o espelho, senão porque se acha bonita, e porque isso lhe dá uma certa superioridade sobre uma multidão de outras mulheres menos bonitas ou absolutamente feias? A consciência é a mesma coisa; remira-se a miúdo, quando se acha bela. Nem o remorso é outra coisa mais do que o trejeito de uma consciência que se vê hedionda.

 

Em: Memórias Póstumas de Brás Cubas, Joaquim Maria Machado de Assis, 1881.